violência Archives - Página 3 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

violência

Por que o jornalista dinamarquês virou notícia?

Por Wanfil em Crônica

17 de Abril de 2014

Laurence Olivier como o dinamarquês Hammlet: Ser ou não Ser?

Laurence Olivier como o príncipe dinamarquês Hammlet: Ser ou não Ser?

Muitos amigos e leitores me perguntam sobre o que achei da imensa repercussão no caso da matéria com o jornalista dinamarquês Mikkel Keldorf Jensen, publicada em primeira mão pela Tribuna do Ceará, que afirma ter desistido de cobrir a Copa do Mundo no Brasil por estar horrorizado com a violência e a corrupção no país e, em especial, em Fortaleza, a mais perigosa das sedes dos jogos, segundo a ONU.

Puxando pela memória, os poucos dinamarqueses de quem consigo lembrar são o diretor de cinema Lars Von Trier (Dogville), e o escritor Hans Christian Andersen (O Patinho Feio). Mas o único cuja história realmente me interessa é o príncipe Hamlet – o maravilhoso personagem da peça homônima escrita por Shakespeare -, famoso, entre outras, por essas duas falas: “Há algo de podre no reino da Dinamarca” (Ato I, Cena IV); e “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia” (Ato I, Cena V, sem o adjetivo ‘vã’ inserido em algumas traduções: There are more things in heaven and earth, Horatio, Than are dreamt of in your philosophy).

Já o dinamarquês que denuncia a violência e corrupção no Brasil (alguma novidade?) é (ou era) um desconhecido e não atua em veículos de grande importância. Como então conseguiu mobilizar tanta atenção? Pelo que vi, Mikkel Jensen não escreveu para os brasileiros, mas para seus compatriotas. Ocorre que, de algum modo, foram os brasileiros que se deixaram tocar pelo “gringo”. Uns concordam, outros o criticam, mas poucos ficam indiferentes ao caso. Histórias de faxinas improvisadas para causar boa impressão a turistas também foram publicadas por ocasião das Olimpíadas de Pequim e da Copa na África do Sul. A novidade agora é que, segundo Jansen, no Brasil, crianças de rua estariam sendo mortas para esconder a miséria dos visitantes. Não há provas. Nem fotos, nem depoimentos. O que existe é um relato pessoal, em primeira pessoa, e a promessa de um documentário.

Como algo assim ganha a proporção que ganhou, virando notícia em todo o país, ensejando debates e polêmicas? Simples: por associação de verossimilhança. O dinamarquês diz: “Há algo de podre no Brasil”. E nós, brasileiros, cientes disso, endossamos: “Sim!”, sem buscar mais detalhes, porque o cotidiano nos basta para concluir o mesmo. E isso diz muito sobre quem somos, ou melhor, sobre o que vivemos. Quantos de nós, em diálogos despretensiosos, não ouvimos ou dizemos: “Se eu pudesse, iria embora”? Quantos não vimos na conversa de Jansen, nesse “saí por causa da violência”, a expressão de um desejo, ainda que seja um desejo meramente retórico?

Na ficção, Hamlet era passional e confrontava a racionalidade de Horácio, o estudante de filosofia. No Brasil contemporâneo, vivemos, com boa dose de razão, um estado de exacerbação que alimenta sentimentos negativos, tal e qual o dinamarquês de Shakespeare.

Particularmente, não acredito que crianças estejam sendo assassinadas por grupos de extermínio só para não ferir a suscetibilidade de turistas. Faço, entretanto, uma ressalva: se não acredito nessa motivação, infelizmente desconfio que tais crimes aconteçam por outras razões, que vão desde a disputa por territórios do tráfico até o justiçamento financiado por vítimas de gangues juvenis. Quem duvida? Basta ver as estatísticas.

Enquanto isso, a Secretaria de Segurança do Ceará prefere fingir que a história, ainda que estranha, prospera por acaso, sem conexão com o mundo real, e não por estar imersa no contexto de medo e criminalidade recordes em Fortaleza e no Brasil. Não percebe que existem mais coisas entre a violência e a sensação de violência no Ceará, do que supõe o discurso oficial.

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O que não dá pra disfarçar é a insegurança

Por Wanfil em Segurança

11 de Abril de 2014

O governo do Estado lançou na quinta-feira (10) o Programa em Defesa da Vida, que já vinha funcionando em “caráter experimental” desde janeiro. É o conjunto de ações implementadas pelo secretário Servilho Paiva, importado de Pernambuco para tentar estancar a sangria nos índices de violência no Ceará, com destaque para divisão do Estado em 18 áreas de segurança e a remuneração extra para policiais que alcançarem as metas estabelecidas.

Na ocasião, o governador Cid Gomes afirmou, em tom de desabafo, que gostaria de andar disfarçado para ver como funciona a criminalidade. Trata-se, claro, de uma figura de linguagem que não deve ser levada ao pé da letra. Na verdade, o desejo aí expressado é uma forma oblíqua de dizer que a complexidade da insegurança ultrapassa a efetividade das ações empreendidas na área até o momento. Indo mais longe um pouco, não deixa de ser um reconhecimento de que a autoridade constituída não sabe o que fazer. Daí a necessidade de um programa em “caráter experimental” lançado no último ano de sua segunda gestão.

A frustração do governador é compreensível. Certamente, ninguém mais do que ele gostaria de acertar o rumo, mas isso não basta, como atestam os números surreais no setor. E com poucos meses restando para o fim do mandato, é praticamente impossível alguma mudança de impacto ainda na a gestão Cid Gomes. Resta tentar estabilizar o quadro e reduzir os danos de imagem aferidos em pesquisas, já que estamos em ano eleitoral.

Consciente disso, o governo busca um novo discurso para amenizar as inevitáveis críticas de opositores de até de aliados. A conversa batida sobre grandes investimentos, apesar de verdadeira, não cola mais, uma vez que os resultados não apareceram. Aliás, soa mesmo como uma confissão de que os recursos não foram bem utilizados. Por isso agora o reforço de argumentação, com o anúncio de novas metodologias baseadas em análises científicas. A prioridade agora é reunir material para os marqueteiros trabalharem.

Só que aí relatórios de organismos internacionais (até a ONU!) teimam em ofuscar o discurso oficial, classificando o Ceará como um do lugares mais perigosos do mundo. Se o governador quisesse mesmo andar disfarçado, isso seria fácil, porém, perigoso. Difícil mesmo é enxergar uma saída até outubro ou até o final da gestão. Se tem algo que não tem como disfarçar de jeito nenhum, é a nossa insegurança.

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O desafio de criar candidaturas contra a insegurança no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2014

18 de Março de 2014

O frisson acerca dos nomes que poderão disputar o governo do Ceará nas eleições de outubro próximo acaba encobrindo uma questão elementar: tão importante quanto o nome é saber qual o perfil ideal para esse candidato. É preciso identificar as demandas do “mercado” para depois oferecer o “produto”, ou seja, saber quais são os problemas que mais mobilizam a opinião pública e a partir dessa informação, moldar discursos e personagens.

Não é chute, é cálculo

Por exemplo: em 2006, a vitoriosa campanha de Cid Gomes tinha o seguinte slogan: “Um grande salto. O Ceará merece”. Como principal promessa, brilhou o “Ronda do Quarteirão”. Esses “produtos” não foram chutes, mas propostas elaboradas a partir da constatação, junto ao eleitorado, de uma insatisfação geral com a segurança pública, e do desejo por um gestor com mais capacidade de ação.

Claro que outros componentes atuaram na eleição, como o racha do PSDB e o apoio do PT ao ex-adversário da família Ferreira Gomes, mas o perfil desejado pelos eleitores é um dado que teve considerável peso nessa equação.

Insegurança: fardo para o governo, oportunidade para a oposição

Passados dois mandatos de Cid, temos hoje a seguinte situação: os índices na área de segurança pública se deterioraram vertiginosamente, apesar dos investimentos feitos, com o Ceará figurando entre os estados mais violentos do Brasil.

Não bastasse isso, a autoridade da gestão no setor foi duramente atingida com a greve dos policiais militares em 2011, quando o governador simplesmente sumiu. Para piorar, o fantasma da inoperância diante de uma crise volta a assombrar o cidadão, com a possibilidade de uma paralisação dos policiais civis durante a Copa do Mundo.

Sendo impossível evitar o tema da insegurança, o governo, presumivelmente, tentará conter o dano mudando o foco do debate eleitoral para outras questões ou apresentando uma versão dourada do problema. Se conseguirá convencer, ou se terá adversários capazes de explorar essa fragilidade, aí é outra conversa.

Quem poderá representar uma solução?

Diante desse cenário, pelo andar da carruagem e pelas especulações da hora, dois tipos de candidatura estão sendo preparadas.

Tem o caso o específico do senador Eunício Oliveira (PMDB), aliado do governo estadual que pretende lançar candidatura própria. Em relação a esse tema, sua estratégia deve contemplar o reconhecimento dos investimentos que foram feitos para, em seguida, lamentar a falta de resultados e, por fim, se apresentar como alguém com mais capacidade de diálogo e mobilização para reverter a situação. Eunício, vale lembrar, é empresário do ramo de segurança privada.

Já o candidato oficial, seja quem for, deverá enfatizar esses investimentos, lembrando é preciso tempo para que os resultados apareçam. Outro caminho será associar o aumento da violência a outros fatores. Não por acaso o deputado Zezinho Albuquerque, atual presidente da AL e um dos pré-candidatos do PROS, tem rodado o Estado fazendo uma campanha inócua contra as drogas, colando sua figura no discurso do governo, pelo qual o crescimento tráfico – resultado direto do deslocamento de quadrilhas do Sudeste para o Nordeste – seria o grande motor do aumento da criminalidade no Ceará. Leia mais

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Homicídios no Carnaval do Ceará: desastre anunciado

Por Wanfil em Segurança

05 de Março de 2014

Qualquer festa popular no mundo que acabe com dezenas de pessoas assassinadas é imediatamente classificada, com toda razão, de tragédia, consternando sua população e autoridades. A não ser que isso ocorra em ambientes de degradação da ordem e degeneração quase completa da autoridade constituída, onde o impacto do desastre se dilui no torpor anestesiado de uma sociedade já sem forças para reagir.

No Ceará, a discussão do momento é saber se o número de homicídios no Estado durante o Carnaval foi maior do que o registrado no ano anterior, ou se constitui ou não, uma curva ascendente que destoa dos outros finais de semana. Fala-se em 70 homicídios no período, o governo, reservadamente, nega. O balanço final deve ser divulgado pela Secretaria de Segurança nesta quinta.

Qualquer que sejam esses números, a simples expectativa de que tudo piorou, sentimento que nasce da percepção sensível e da famosa sensação de insegurança, já basta para mostrar que a coisa desandou de vez. Some-se a isso o avanço absurdo dos números da violência no Ceará, para que o quadro pós-carnaval se configure em morticínio anunciado, de certa forma, pela própria dinâmica do crime.

Publico abaixo uma foto que tirei na terça-feira de Carnaval, em Fortaleza, de um outdoor na Avenida Desembargador Gonzaga, no bairro Cidade dos Funcionários, que considero significativa dos dias atuais:

 

Outdoor Sindipol CE - Foto - Wanfil

Outdoor do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará. Foto: Wanderley Filho

 

Trata-se de uma campanha movida pelo Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará, com um retumbante alerta aos cidadãos: CUIDADO! Para dar credibilidade ao recado, a peça se vale do descrédito do governo estadual na área e manda ver: SEIS PESSOAS SÃO ASSALTADAS A CADA HORA NO CEARÁ.

O que esperar de um Estado onde policiais civis e militares vivem a denunciar a violência?

A resposta nos remete ao início do texto: vivemos o ápice de um processo de degeneração. Agora, resta-nos esperar a mórbida contagem oficial dos cadáveres do Carnaval. Restou-nos a contagem fria dos mortos. E resta-nos ainda rezar para que novos gestores apareçam o quanto antes.

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Faça você também justiça com as próprias mãos: nas urnas!

Por Wanfil em Brasil

07 de Fevereiro de 2014

De uns tempos pra cá, no Brasil, diante da falta de resposta dos poderes públicos para inúmeros problemas, a moda agora é a do protesto violento, eufemisticamente chamado por aí de ativismo. Se um grupo é contra pesquisas com animais, que se quebrem laboratórios; se é contra os transgênicos, que se destruam plantações. E se o sujeito achar que a reforma agrária ainda não foi feita? Ora, é só invadir uma propriedade privada e coitado de quem for obrigado a cumprir uma reintegração de posse. O caseiro fez uma denúncia contra o ministro? É só violar o sigilo bancário dele. Os exemplos são muitos. Basta ter uma causa apresentada em linguagem politicamente correta.

Na verdade, não há diferença conceitual entre grupos de extermínio, Black Blocs, MST, ou a professora de filosofia da UECE que desacatou policiais no Cocó e agora foi indiciada por participação no incêndio criminoso na Prefeitura de Fortaleza: todos querem e agem nome de uma nova ordem, que aos seus olhos, é a mais justa. Variam apenas no grau das ilegalidades que praticam, e ai de quem não concordar.

A ordem e os justiçamentos
Agora assistimos a um debate sobre a ação de “justiceiros” que teriam capturado, espancado e deixado nu, preso a um poste, um adolescente acusado de praticar crimes no Rio de Janeiro. A jornalista Rachel Sherazade, do SBT, fez um comentário dizendo que a ação pode ser compreendida como “legítima defesa” de uma sociedade imersa em inacreditáveis índices de criminalidade. Por ser identificada como uma das porta-vozes da direita brasileira, os progressistas, carentes de alvos agora que são governo, aproveitaram a oportunidade e passaram a criticá-la, não sem razão. Ela pesou o tom. Sherazade é uma espécie de Jair Bolsonaro do jornalismo. Em vez de promover o que deveria ser um pensamento direitista, acaba queimando ainda mais o filme desse ideário pelo exagero com que às vezes aborda temas. Fosse um “rapper” a falar sobre a justiça das ruas, todos deitariam teses sociológicas sobre o negócio.

O fato é que um conservador ou um liberal de verdade se distinguem de ideais revolucionários justamente pela defesa intransigente da legalidade. Apostam em reformas, enquanto os demais acreditam em rupturas violentas. Justiça com as próprias mãos, no sentido de uso da força e da ilegalidade, é o pesadelo do direitista consciente. Só os radicais, por óbvia falta de sensatez e conhecimento de causa, advogam a derrocada da institucionalidade e da autoridade constituída.

Um vídeo divulgado pelo jornal Extra nesta quinta-feira (6) mostrando a execução, em via pública e à luz do dia, de um jovem na Baixada Fluminense, também no Rio, reforçou o alerta contra os chamados “justiçamentos”.

Em defesa do Estado de Direito
Nas redes sociais e portais da internet, os debates opõem a defesa dos direitos humanos contra a necessidade de se fazer algo contra a bandidagem. Poucos falam da ética intrínseca à legalidade, contrária aos julgamentos sumários e arbítrios passionais, por entender que pela própria natureza voluntarista que os anima, esses métodos acabam virando instrumento de perseguição sem distinção. Quem decide o que é crime ou quem é criminoso? Quem determina a pena? Se duas pessoas discordarem sobre algum ponto, quem fará a mediação? Para o legalista, é o Estado de Direito. Se ele é falho, cabe lutar pelo seu aprimoramento, dentro das regras estabelecidas. O parlamento existe para isso. Os tribunais superiores também.

Justiçamentos não são novidade, principalmente em áreas mais pobres das grandes cidades. Na falta de lei, a lei se faz assim, capenga, brutal. Conversava recentemente com um amigo jornalista aqui de Fortaleza, que me revelou o seguinte: sua esposa tem um comércio situado em bairro de periferia. Foi assaltada duas vezes. Depois um traficante da área “ofereceu” serviço de proteção. Evidentemente é caso de extorsão. Mas que vai denunciar algo assim? Os assaltos acabaram… Bandido que ataca comércio protegido por quadrilhas se dá mal. Rotina.

Nas nossas mãos
Os casos que agora chocam a classe média são mais um passo no processo de desmoralização das instituições. Quem ganha com isso? Quem enxerga nelas um obstáculo para o exercício poder. Sempre foi assim. Simples assim. Quem está no poder não se sente impelido a resolver a questão porque conta com esse clima de tensão para vender suas ideias. Em seus discursos, quem atrapalha a vida dos brasileiros é o STF, a imprensa, o Ministério Público, os órgãos de fiscalização e por aí vai.

A única forma real de justiça que um indivíduo pode exercer é justamente a que mais assusta quem tem a obrigação de preservar o aparato legal e institucional da nação: o voto. Esse é o melhor “justiçamento” a ser feito. É lá que esse descontentamento tem força. De resto, qualquer um que defenda ações violentas como forma legítima de reivindicar algo flerta com o perigo e não sabe.

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A prisão de Tony Félix muda alguma coisa?

Por Wanfil em Segurança

17 de Janeiro de 2014

Anderson Tony Vinicius Weyne Félix – o Tony Félix –, natural de Fortaleza, tem 22 anos de idade e até o início da semana já havia sido preso seis vezes. Em três ocasiões, foi acusado de ser traficante de drogas, em outras duas, de ser assaltante, e uma de ser usuário de drogas.

Apesar da ficha, Tony Félix estava solto. Em um dos casos, foi agraciado com o benefício da pena progressiva. Em outro, a Justiça considerou que o acusado não era traficante porque portava apenas 12 gramas de maconha. Seria então apenas maconheiro. Se fosse traficante, imagino, melhor seria prendê-lo recebendo a droga diretamente (e em maior quantidade) de seus fornecedores. Aí sim, não haveria como alegar mero consumo.

O fato é que a ausência de provas contundentes acaba facilitando a vida de bandidos. Traficante sabe que ser preso com pouca droga não dá em nada. E por isso mesmo tratam de andar com pequenas quantidades. Sabem também que juízes temem ser vistos como reacionários, e que para certas esferas influentes do progressismo, maconheiro é defensor do amor e das liberdades, obrigado a buscar o auxílio de quadrilhas organizadas… Quem haverá de prendê-los? A combinação de incompetência investigativa e ideologização judiciária é o paraíso da bandidagem.

Tony Félix foi preso pela sétima vez, acusado de ser um dos bandidos que assaltaram motoristas na Avenida Padre Antônio Tomás, em Fortaleza, na última terça-feira (14).

É certo que Tony Félix é suspeito em qualquer crimes cometido naquelas imediações porque, com efeito,vive em “conflito com a lei”, como dizem os bacanas. Eu não confio em Tony quando ele alega inocência. Mas também guardo reservas em relação a qualidade de algumas operações policiais, sobretudo quando há pressão da opinião pública.

O caso ganhou as redes sociais e constrangeu as autoridades de Segurança, que buscam desesperadamente reverter os crescentes índices de criminalidade, inédita no Ceará. As vítimas do assalto podem ajudar a identificar se Tony Félix está envolvido nesse episódio.

O problema é que, sendo culpado, alguém acredita que Tony Félix estará solto em breve? Alguém anda pela Avenida Padre Antônio Tomás sem medo e sobressaltos? Tony Félix e um espectro que ronda nossas mentes, não é só um indivíduo, é legião. Salve-se quem puder.

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No Ceará é assim: trabalho de “Inteligência” da bandidagem surpreende “Inteligência” da polícia!

Por Wanfil em Segurança

15 de Janeiro de 2014

Um imagem vale por mil palavras, diz o ditado. A foto abaixo, com um assalto à mão armada na Av. Padre Antônio Tomás, em Fortaleza, ganhou as redes sociais.

Bandidos agem e "surpreendem" a polícia em Fortaleza. Violência crescente, poder público desmoralizado e cidadãos reféns do crime.

Bandidos “surpreendem” em Fortaleza. Violência crescente, poder público desmoralizado e cidadãos reféns do crime. Imagem: reprodução/internet


A área do flagrante é de trânsito intenso, com bastante congestionamentos, especialmente agora que a avenida está parcialmente bloqueada por causa de uma obra viária. É também conhecida pelo risco de assaltos. Perto dali há um posto da polícia no anfiteatro do Parque do Cocó. Nada que atrapalhe a bandidagem, a ponto de roubos a carros serem praticados em pleno engarrafamento!

Em resposta ao portal Tribuna do Ceará, o comandante do policiamento na região disse que a ação “causou surpresa“, pois “fazia muito tempo que assaltos não aconteciam naquela região”. Por isso mesmo, explicou, o policiamento se concentra em outros três cruzamentos de grandes avenidas com a Via Expressa: Santos Dumont, Dom Luís e Alberto Sá.

Eu não sou especialista em segurança pública, mas como aluno involuntário do curso intensivo de insegurança no Ceará, evito o quanto posso passar por essas vias. Quando não tem jeito, aí estou preparado: poucos documentos, um cartão apenas, carro com seguro e confiança na sorte.

Certa vez li um artigo do professor e pesquisador Leonardo Sá, intitulado A racionalidade do assaltante e a incompetência do policiamento: uma relação a ser pesquisada e debatida, que falava justamente sobre os “furos” que assaltantes percebem no patrulhamento policial em determinadas áreas. A seguir, reproduzo um trecho, em azul. Volto depois.

Em uma pesquisa que realizei na Praia do Futuro, entrevistei um jovem que já havia praticado assalto na praia, um jovem em conflito com a lei, e ele me explicou que os assaltos tornavam-se mais frequentes quando os praticantes de assalto percebiam “furos” na organização do policiamento cotidiano. O ato de observar e avaliar se o policiamento está sendo realizado de modo competente foi um ato apontado por ele como sendo central para as práticas criminais, e o jovem que eu entrevistei falou diretamente na “incompetência da polícia” em realizar a segurança na área, sendo ele próprio um ex-praticante de assaltos, como ele se definiu na ocasião em que o entrevistei. A racionalidade dos assaltantes está monitorando e avaliando as competências do policiamento para vislumbrar oportunidades de realização de assaltos e para mensurar chances de sucesso. Há uma racionalidade do crime que se exerce avaliando o funcionamento da racionalidade da polícia. As falhas desta são celebradas pela astúcia daquela.

Em que pese, a meu  ver, certa terminologia politicamente correta, é isso mesmo. A surpresa da polícia com o assalto na Avenida Padre Antônio Tomás cabe como uma luva nessa interpretação. A ausência de crimes em um determinado ponto da cidade não é mérito do combate ao crime, mas estratégia de despiste dos bandidos, que estudam a rotina de patrulhamento. Sabem os horários das rondas, registram os veículos, verificam periodicidade de ações policiais e, a partir disso, planejam e executam seus crimes, numa absurda inversão de papéis.

Perguntar não ofende

Quando a adutora de Itapipoca estourou, o governador Cid Gomes foi ao local, arregaçou as mangas, pegou na enxada e mergulhou em um tanque, sob alegação de motivar operários e, de quebra, mostrar que a resolução imediata do problema era sua maior prioridade no momento. Sendo assim, dado o precedente e diante do medo generalizado dos cidadãos, não seria então o caso de o governador ir pessoalmente patrulhar a Via Expressa?

Obs. O caso da adutora, engolido por factoides, não deu em nada até o momento.

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Segurança Pública é problema só de governadores?

Por Wanfil em Segurança

13 de Janeiro de 2014

Trecho do Ex-blog do César Maia, nesta segunda:

“Depois de várias eleições para governador, a segurança pública volta a ser tema eleitoral em 2014. A transferência do corredor de exportação do sudeste para o nordeste (ligação com a África Ocidental) e daí com a Europa, aumentou muito os índices de homicídios no nordeste e reduziu no sudeste. Na medida em que a mídia nacional está no sudeste, criou-se uma sensação de que a segurança pública avançava.”

De fato, se compararmos, houve sim um deslocamento da criminalidade, facilmente observável no Mapa da Violência, no sentido sul/norte. Nesse processo, o Nordeste disparou em todos os índices de mortes violentas. Na região, o Ceará se destaca atualmente como o Estado onde a curva crescente do crime é mais acentuada.

Os governadores, Cid Gomes entre os quais, não cansam, com razão, de associar esse fenômeno ao tráfico. Além do atrativo geográfico, há também um ambiente propício aos “negócios” do crime organizado. Como a “oferta” de violência passa a ser maior do que a capacidade do aparato institucional para refreá-la (especialmente no Judiciário), a explosão de banditismo toma conta da região, com a consolidação de um poder paralelo atuando de dentro dos presídios.

De certa forma, nesse cenário, o papel dos governos estaduais se resume à luta para ver quem é o menor pior – campeonato em que a gestão cearense fica entre os últimos.

E aí vem a questão: Se o problema se apresenta em locais diferentes do território nacional, variando a intensidade conforme as circunstâncias, fica evidente a existência de uma articulação organizada a partir de um ou mais centros de comando (são várias as facções atuando: PCC, ADA, Comando Vermelho e Terceiro Comando).

Como a legislação determina que a atividade policial fica a cargo dos governos estaduais, o pepino sobra para os governadores, enquanto o governo federal posa de instância superior pairando acima da incompetência deste ou daquele gestor. Não raro, usa essa condição para desgastar adversários (caso de São Paulo) ou para acudir aliados (caso do Maranhão).

Mais estranho ainda é ver que nenhum desses governadores abre a boca para falar sobre isso. Todos aceitam calados o açoite da opinião pública e da imprensa e do próprio ministro da Justiça, além de parlamentares que, atuando como meros espectadores do desastre, não buscam debater a situação a fundo, justamente para não assumir responsabilidades.

Em outubro, nas eleições presidenciais, a criminalidade que faz 50 mil vítimas fatais por ano no Brasil será apenas tema periférico na campanha presidencial. É possível que, mais uma vez, o centro das discussões seja as privatizações, assunto de impacto irrelevante para a vida das pessoas. Mas nas eleições estaduais, candidatos a governador estão afiados para prometer tempos de paz, projetando imagens que convença os eleitores de eles têm o perfil ideal para combater a violência com energia inédita, mesmo sabendo, desde já, que não resolverão coisa alguma. Quando muito, tentarão ser menos ruins que os antecessores e os vizinhos.

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Violência: Ceará é destaque negativo no El País

Por Wanfil em Ceará, Imprensa

02 de dezembro de 2013

O jornal espanhol El País, um dos mais importantes do mundo, publicou matéria neste domingo (1º), mostrando a contradição na teoria que aponta as desigualdades sociais como principal motivo para o aumento da violência e da criminalidade no Brasil.

Mesmo com redução na taxa de desemprego, elevação do PIB per capita e com aumento no orçamento para segurança nos últimos anos, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes voltou a crescer e hoje chega a 24,3. Para efeito de comparação, o jornal lembra que nos EUA (onde a compra de armas é liberada), essa taxa é de 5 para 100 mil pessoas, enquanto que na maioria dos países europeus não chega a 3.

Na reportagem, o Ceará aparece como destaque negativo:

“Quatro dos cinco Estados mais violentos no Brasil estão situados no Nordeste uma das regiões mais turísticas do país. Alagoas com 64,47 assassinatos por 100 mil habitantes, e Ceará, com 40,6, estão no topo desse ranking.”

O jornal também publicou alguns gráficos com números do Fórum Brasileiro da Segurança Pública e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Reproduzo abaixo dois deles:

– Gráfico comparativo entre os estados brasileiros, com suas respectivas taxas de homicídios de 2012 e a diferença em relação ao ano anterior.

Gráfico compara o crescimento da violência nos estados brasileiros. Fonte: El País

Gráfico compara o crescimento da violência nos estados brasileiros. Fonte: El País

 

– Gráfico com evolução/redução dos gastos com segurança por estado:

Gastos com segurança no Brasil por estado. Fonte: El País

Gastos com segurança no Brasil por estado. Fonte: El País

 

Nota – Wanfil

Existem nessa história dois paradoxos:

1) Apesar dos gastos com segurança no Ceará terem aumentado 53,1%, a taxa de homicídios cresceu 32,2% no mesmo período. As autoridades gostam de lembrar que esses investimentos demandam tempo para apresentar resultado. É um bom argumento quando se trata de uma gestão que inicia, e não de uma que segue para o último ano de um segundo mandato. Não há como fugir da conclusão: faltou competência política e administrativa ao governo;

2) Se os indicadores sociais crescem e a violência não diminuiu, é sinal de que outros fatores, além do econômico, concorrem para essa realidade. Particularmente, incluo nessa conta o lixo ideológico progressista que prega a glamorização da criminalidade como uma suposta forma de resistência de classe (um traficante chamado Marcinho VP virou celebridade festejada pelos bacanas que o viam assim como um Robin Hood brasileiro). Bandido é bandido, seja José Genoino ou Fernandinho Beira-Mar. O resto é conversa mole.

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O grande salto: Ceará é o 3º mais violento e o 4º mais dependente do Bolsa Família

Por Wanfil em Ceará

06 de novembro de 2013

Seguem os dados puxados de dois levantamento publicados nos últimos dias, feitos com base em informações oficiais:

Violência – Relatório do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na terça-feira (6):

– O Ceará é o estado em que a violência mais cresceu em 2012, com 32% de aumento nas mortes violentas;
– O Ceará é o 3º estado mais violento do Brasil, com taxa de 42,5 homicídios por grupo de 100 mil habitantes.

Pobreza – Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), divulgada na última sexta (1º):

– O Ceará é o 4º no ranking dos estados com mais pessoas assistidas pelo programa Bolsa Família;
– São 3,8 milhões de cearenses dependentes do Bolsa Família, cerca de 44,6% da população.

Desafios

Não é questão de ser otimista ou pessimista, nem de fechar os olhos para as qualidades da sociedade cearense ou de valorizar apenas problemas: são os números que atestam a situação crítica em que vivemos. É certo que as experiências pessoais e as paixões políticas podem nos pregar peças, porque acabam expostas a uma boa dose de subjetividade. Mas os números, ainda que possam carecer de interpretação, são objetivos.

De qualquer modo, essas informações devem pautar a campanha eleitoral do ano que vem, pelo fato de serem os desafios do momento. A insegurança e a pobreza (que pode ser associada ao desastre da seca), são realidades inegáveis no Ceará. O problema é que geralmente a dinâmica eleitoral distorce os números com interpretações confusas e simplistas. É aguardar para ver como esses temas serão tratados.

Segurança

Sobre a violência, embora o fenômeno seja percebido por todos no dia a dia, a pesquisa dimensiona o quadro demonstrando em seu histórico uma evolução assustadora dos crimes. Disso, o que mais desanima é justamente essa tendência de forte crescimento. Alagoas, por exemplo, lidera o ranking dos homicídios, mas registra um recuo de 14% em sua taxa. No Ceará, tudo indica, teremos um 2013 pior que 2012, ano base para o relatório. E olha que esses são números oficiais. A chance de haver subnotificação é grande.

Bolsa Família

Resta claro que tanta gente pendurada em um programa assistencialista (concebido originalmente para ser um programa compensatório) evidencia uma situação de indigência crônica. Essas pessoas não conseguem renda própria para se emancipar da ajuda governamental. Trata-se de um programa importante e, ao meu ver, bem mais barato que a grana fácil que o BNDES distribui para grupos econômicos como, por exemplo, o de Eike Batista. Mas a essa altura, com o Bolsa Família já está incorporado à cultura econômica dos mais pobres, como prometer essa emancipação sem ser acusado de planejar o fim do programa? Enquanto isso, continuamos assim, entregues as migalhas.

No mais, fica explicado o pouco empenho do governo federal para cumprir promessas como a refinaria e a transposição do São Francisco. Se metade da população precisa de assistência financeira, o segredo é entregar esse dinheirinho direto para o distinto público, sem atravessadores. Como dizia o jornalista Themístocles de Castro, quem dá dinheiro nunca é impopular.

Contexto

Não se trata também de dizer que antes éramos uma maravilha e que agora degringolamos de vez. A violência é grande em todo o país, classificado em 7º lugar entre os mais perigosos, com 50 mil homicídios por ano. Executivos americanos ou europeus de grandes multinacionais só aceitam trabalhar no Brasil se receberem um pacote de segurança para eles e seus familiares.

Vivemos ainda no Nordeste, região pobre como um todo, com baixos índices de desenvolvimento social. Sucessivos governos falharam no planejamento de uma ação contra as desigualdades regionais nesse país continental que é o Brasil.

No entanto, se comparados com nossos vizinhos, que experimentam a mesma conjuntura, atravessamos sim um momento de piora nesses setores. Se a economia cearense cresce mais do que a Brasileira, isso não tem servido para os mais pobres como deveria. Se a violência é questão nacional, nossa decadência nesse sentido é mais intensa. O nível de investimento é alto, mas os resultados são esses que vemos. Na campanha, pode esperar, será dito que os resultados estão aí chegando já, já, na esquina do porvir.

A questão é que não é possível cobrar governos passados. Aliás, alguns até chegaram a reduzir pobreza e violência, que agora voltam a crescer. Só é possível cobrar, ainda que com as devidas ressalvas, quem hoje está no poder.

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O grande salto: Ceará é o 3º mais violento e o 4º mais dependente do Bolsa Família

Por Wanfil em Ceará

06 de novembro de 2013

Seguem os dados puxados de dois levantamento publicados nos últimos dias, feitos com base em informações oficiais:

Violência – Relatório do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na terça-feira (6):

– O Ceará é o estado em que a violência mais cresceu em 2012, com 32% de aumento nas mortes violentas;
– O Ceará é o 3º estado mais violento do Brasil, com taxa de 42,5 homicídios por grupo de 100 mil habitantes.

Pobreza – Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), divulgada na última sexta (1º):

– O Ceará é o 4º no ranking dos estados com mais pessoas assistidas pelo programa Bolsa Família;
– São 3,8 milhões de cearenses dependentes do Bolsa Família, cerca de 44,6% da população.

Desafios

Não é questão de ser otimista ou pessimista, nem de fechar os olhos para as qualidades da sociedade cearense ou de valorizar apenas problemas: são os números que atestam a situação crítica em que vivemos. É certo que as experiências pessoais e as paixões políticas podem nos pregar peças, porque acabam expostas a uma boa dose de subjetividade. Mas os números, ainda que possam carecer de interpretação, são objetivos.

De qualquer modo, essas informações devem pautar a campanha eleitoral do ano que vem, pelo fato de serem os desafios do momento. A insegurança e a pobreza (que pode ser associada ao desastre da seca), são realidades inegáveis no Ceará. O problema é que geralmente a dinâmica eleitoral distorce os números com interpretações confusas e simplistas. É aguardar para ver como esses temas serão tratados.

Segurança

Sobre a violência, embora o fenômeno seja percebido por todos no dia a dia, a pesquisa dimensiona o quadro demonstrando em seu histórico uma evolução assustadora dos crimes. Disso, o que mais desanima é justamente essa tendência de forte crescimento. Alagoas, por exemplo, lidera o ranking dos homicídios, mas registra um recuo de 14% em sua taxa. No Ceará, tudo indica, teremos um 2013 pior que 2012, ano base para o relatório. E olha que esses são números oficiais. A chance de haver subnotificação é grande.

Bolsa Família

Resta claro que tanta gente pendurada em um programa assistencialista (concebido originalmente para ser um programa compensatório) evidencia uma situação de indigência crônica. Essas pessoas não conseguem renda própria para se emancipar da ajuda governamental. Trata-se de um programa importante e, ao meu ver, bem mais barato que a grana fácil que o BNDES distribui para grupos econômicos como, por exemplo, o de Eike Batista. Mas a essa altura, com o Bolsa Família já está incorporado à cultura econômica dos mais pobres, como prometer essa emancipação sem ser acusado de planejar o fim do programa? Enquanto isso, continuamos assim, entregues as migalhas.

No mais, fica explicado o pouco empenho do governo federal para cumprir promessas como a refinaria e a transposição do São Francisco. Se metade da população precisa de assistência financeira, o segredo é entregar esse dinheirinho direto para o distinto público, sem atravessadores. Como dizia o jornalista Themístocles de Castro, quem dá dinheiro nunca é impopular.

Contexto

Não se trata também de dizer que antes éramos uma maravilha e que agora degringolamos de vez. A violência é grande em todo o país, classificado em 7º lugar entre os mais perigosos, com 50 mil homicídios por ano. Executivos americanos ou europeus de grandes multinacionais só aceitam trabalhar no Brasil se receberem um pacote de segurança para eles e seus familiares.

Vivemos ainda no Nordeste, região pobre como um todo, com baixos índices de desenvolvimento social. Sucessivos governos falharam no planejamento de uma ação contra as desigualdades regionais nesse país continental que é o Brasil.

No entanto, se comparados com nossos vizinhos, que experimentam a mesma conjuntura, atravessamos sim um momento de piora nesses setores. Se a economia cearense cresce mais do que a Brasileira, isso não tem servido para os mais pobres como deveria. Se a violência é questão nacional, nossa decadência nesse sentido é mais intensa. O nível de investimento é alto, mas os resultados são esses que vemos. Na campanha, pode esperar, será dito que os resultados estão aí chegando já, já, na esquina do porvir.

A questão é que não é possível cobrar governos passados. Aliás, alguns até chegaram a reduzir pobreza e violência, que agora voltam a crescer. Só é possível cobrar, ainda que com as devidas ressalvas, quem hoje está no poder.