violência Archives - Página 4 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

violência

Cai o secretário de Segurança do Ceará. E a política de segurança do governo, continua?

Por Wanfil em Ceará, Segurança

07 de setembro de 2013

A queda do secretário de Segurança do Ceará, coronel Francisco Bezerra, nesta sexta-feira (6), foi antecipada por alguns sinais inequívocos de desgaste. Entre os mais significativos estão críticas feitas por Ciro Gomes, que recentemente atuou como consultor voluntário na pasta. Na Tribuna BandNews, não faz muitos dias, o irmão do governador admitiu publicamente o que todos já sabiam: que os índices de criminalidade no Ceará estão fora de controle. Era a senha que abria a brecha para eventuais mudanças no setor.

Encenação

Cid Gomes, que fez dessa área o mote de sua primeira campanha eleitoral, sempre relutou em reconhecer a gravidade da situação, fechando os ouvidos ao clamor geral até o limite do insuportável. Para não dar o braço a torcer (qualquer recuo poderia ser visto como reconhecimento de que o governo fracassou), Cid anunciou, na última quinta-feira (5), pela internet, que faria no dia seguinte uma espécie de mini-reforma no secretariado. Não foi bem isso o que aconteceu.

Na verdade, o governador adiantou em sete meses a saída dos secretários que deverão disputar mandatos nas eleições no ano que vem, para dar ares de normalidade burocrática à mudança. A própria saída de Bezerra estaria condicionada a uma hipotética candidatura a deputado estadual, algo difícil de acreditar.

Nos bastidores, fala-se que trocas de mais nomes na cúpula da segurança podem acontecer nos próximos dias.

Reação tardia

De qualquer forma, ainda que sem um mea culpa do governador, a exoneração do secretário e a perspectiva de mais alterações indicam que finalmente o governo entendeu que era preciso agir. Se a essa altura do campeonato, faltando pouco mais de três meses para começar o último ano do mandato, as mudanças terão o efeito que se deseja, e espera-se tenham, para o nosso próprio bem, é outra coisa. Até porque essa não é a primeira troca de secretário de Segurança na atual gestão. Quando o ex-titular da pasta, Roberto Monteiro foi exonerado, Bezerra surgiu como homem da absoluta confiança de Cid, capaz de cumprir à risca o que lhe fosse determinado. Deu no que deu.

Portanto, aproveitando a deixa, é importante que o governo reconheça, ainda que apenas internamente, que o modelo de política de segurança pública vigente no Ceará, idealizado lá em 2006 como peça de campanha eleitoral, não vingou. Trocar de secretário na ingênua esperança de que ele venha a fazer funcionar algo cuja concepção estratégica está errada, é trocar seis por meia dúzia.

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Apresentação do secretário da Segurança na Assembleia Legislativa reforça aposta do governo no que não deu certo

Por Wanfil em Assembleia Legislativa, Segurança

08 de agosto de 2013

O Secretário da Segurança Pública do Ceará, Francisco Bezerra, foi à Assembleia Legislativa ontem para falar sobre as ações no setor que é o calcanhar de Aquiles do governo Cid Gomes.

Centrou foco na demonstração de investimentos (algo que ninguém questiona), evitou apresentar uma linha do tempo com a evolução das estatísticas e fazer comparações com outros números de outros estados. Na esperança de mostrar convicção, cometeu alguns exageros, como dizer que o programa Ronda do Quarteirão é um exemplo para o Brasil. E os resultados na efetiva redução da criminalidade? Segundo o secretário, diante de tudo o que se faz, eles aparecerão logo, logo. Enfim, mais do mesmo.

O momento mais emocionante foi quando uma deputada sugeriu a renúncia do secretário. Mordaz, ele sugeriu o mesmo para a parlamentar, e com vigor, reiterou o seu compromisso com a missão que lhe foi confiada. Certamente Francisco Bezerra gostaria de ver a situação melhorar, disso não há dúvidas. A questão é isso não importa.

A verdade é que o secretário não é o idealizador da política de segurança pública no Ceará. Sua função é justamente a de cumprir o roteiro traçado pelo governador Cid Gomes, pensado desde sua primeira campanha eleitoral do governo estadual. A essa altura do campeonato, uma alteração no comando serviria apenas para fins políticos, mas, na prática, operacionalmente, seria a troca de seis por meia dúzia.

De resto, ao insistir no discurso de que estamos no caminho certo, contrariando o sentimento popular e a realidade dos números, Francisco Bezerra mostra que o problema do governo nessa matéria não é a falta de rumo, mas sim de rumo errado, teimosamente mantido, apesar do agravamento da situação.

A passagem do secretário pela Assembleia foi a expressão de uma gestão que, em seu sétimo ano no poder, sem tempo hábil para grandes mudanças de rota, reforça a aposta no que não deu certo, para sair alardeando que muito em breve tudo haverá de melhorar.

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Mataram 19 pessoas no final de semana em Fortaleza. Se fossem 19 árvores cortadas no Cocó…

Por Wanfil em Ceará

07 de agosto de 2013

No último final de semana, entre a noite de sexta até o domingo, foram registrados, oficialmente, 19 assassinatos à bala na Grande Fortaleza. Sobre isso, não houve manifestação ou protestos.

Ninguém acampou em frente a sede da Secretaria de Segurança exigindo providências; políticos não prestaram solidariedade aos familiares das vítimas; nem autoridades, nem representantes da sociedade civil organizada se pronunciaram. Parece o tipo de coisa que não sensibiliza ninguém. Mas se fossem 19 árvores derrubadas no Parque do Cocó, o mundo viria abaixo.

Por falar nisso, na noite da última segunda-feira, o governador Cid Gomes apareceu de surpresa no Cocó para conversar com os poucos militantes profissionais e anarquistas de botique acampados no local. Em pauta, a preservação da natureza e a construção de dois viadutos na região. É claro que não houve acordo. Mas o assunto rendeu na imprensa e nas redes sociais e todos apareceram para os seus respectivos públicos.

Não é o caso de menosprezar a causa ambiental, mas de ver as autoridades devidamente cobradas, pressionadas ao extremo pela indignação geral, para também encaminhar providências em busca de soluções para os problemas da violência crescente no Estado e a seca que ameaça o abastecimento d’água no interior.

A diferença de prioridade entre o caso dos viadutos e a realidade de outros problemas que são mais graves, mas que acabam ficando em segundo plano, revela uma inversão de valores que diz muito sobre a falta de políticas públicas eficazes nessas áreas. É que é mais fácil se apresentar como salvador da natureza ou como gestor de pontes e de viadutos, do que assumir as devidas responsabilidades diante das vítimas da criminalidade e da seca.

Este foi o meu comentário desta quarta na coluna Política, da rádio Tribuna BandNews FM (101.7).

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Policiais mortos em serviço? Não! Foram vítimas de assaltantes depois do trabalho

Por Wanfil em Ceará, Segurança

16 de julho de 2013

Leio no Tribuna do Ceará do que três policiais foram assassinados em apenas 10 dias em Fortaleza. Desses, pelo em dois casos — um envolvendo um policial militar e outro um policial rodoviário federal — as vítimas morreram ao serem assaltadas.

Casos assim tem se repetido e revelam uma situação constrangedora. Sim, porque o risco de morte na atividade policial é uma constante, cujas implicações de ordem psicológica são bastante consideráveis. A família de um agente precisa aprender a conviver com o medo de perder o ente querido numa situação de conflagração. Mas o que temos visto em Fortaleza são policiais morrendo fora do expediente de trabalho, quando, imaginam os coitados, já estariam fora de perigo.

Morrem como o cidadão comum, como o padre Élvis — assassinado por assaltantes no Centro Dragão do Mar —, como tantos outros todos os dias. Com um agravante: o policial, ao ser abordado por criminosos, sabe que ao descobrirem sua profissão, as chances de que venham a ser executados é grande, deixando-lhes como única opção a reação.

O avanço da criminalidade não se processa de uma hora para a outra. É um fenômeno que necessita de tempo, de da soma de uma série de enganos. Os índices negativos no Ceará crescem ano após ano, de acordo com o Mapa da Violência. Podem mudar de formato (do sequestro relâmpago para o assalto comum), mas a quantidade de vítimas não para de subir.

Vez por outra, aqui no blog ou em minha coluna na Rádio BandNews FM 101.7, falo do fiasco na política de segurança pública e lembro que a polícia não consegue dar conta do recado. Alguns leitores reclamam, lembrando o esforço feito pelos policiais no combate ao crime. Sempre respondo dizendo que concordo. Com efeito, e já disse isso algumas vezes, a polícia (especialmente a Militar) tem a ingrata missão de enxugar gelo. Prendem e rapidamente os bandidos voltam às ruas. O problema, todos sabem e muitos fingem não ver a realidade, é de gestão! É a política de segurança pública baseada em concepções equivocadas e fechada para eventuais críticas, mesmo as construtivas.

Como esse processo de degeneração da ordem social continua a se intensificar, o que vemos agora é a violência indiscriminada. Qualquer um pode ser vítima. Lembro que, no começo do ano, bandidos executaram um criminoso em frente ao Fórum Clóvis Beviláqua, numa prova cabal de para eles não há mais limites. Quando policiais sabem que o risco de morrer pela ação de marginais depois da jornada de trabalho é o mesmo (ou maior) que durante o exercício das suas atividades profissionais, é porque o negócio desandou de vez.

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Governo divulga nota desastrada sobre o Fortaleza Apavorada

Por Wanfil em Segurança

11 de junho de 2013

Sobre a nota oficial do governo do Ceará a respeito da manifestação organizada pelo grupo Fortaleza Apavorada contra a violência, marcada para a próxima quinta (13), em frente ao Palácio da Abolição, cabem algumas considerações.

O texto é assinado por Danilo Serpa, chefe do Gabinete do Governador, a mais  nova autoridade em segurança do Ceará. Diz a nota: “Chegou ao conhecimento deste Gabinete que grupos partidários e marginais de uma milícia que está sendo combatida dentro do organismo policial, pretendem se infiltrar na manifestação com o intuito de provocar violência e gerar repressão que escandalize a opinião pública”.

Pergunta 1: Como foi obtida essa informação e quem são esses marginais? Sem isso, a disposição manifesta de reprimi-los mediante uso da força se transforma em ameaça genérica e difusa. Se o governo não sabe quem são, a conclusão é que todos os que lá estiverem serão suspeitos em potencial. Se sabe, e se fazem parte de milícia, já deveriam estar presos.

Continua o Sr. Serpa: “Aproveitamos para pedir aos participantes do movimento que evitem trazer crianças para a manifestação e não aceitem provocações de indivíduos infiltrados”.

Pergunta 2: E se os milicianos, que segundo o governo estão soltos para criar pânico na cidade, resolverem agir durante a Copa das Confederações, infiltrando-se entre os torcedores, o conselho de não levar crianças ao Castelão deve ser considerado?

Tiro no pé

Há algo de estranho no ar. Muito se fala em possíveis interesses partidários no Fortaleza Apavorada, mas não há provas até o momento de que o movimento não seja uma reação espontânea ao quadro de violência que assusta os cidadãos cearenses.

A nota oficial carece, naturalmente, da chancela de alguma autoridade da área de segurança. A divulgação das informações que “chegaram ao conhecimento do Gabinete”, vagas e imprecisas, não ajudam a resolver nada, nem tranquilizam a população, pelo contrário, reforçam o clima de tensão que alimenta a insatisfação geral com o avanço da violência. Pior ainda: se houver algum confronto, se algum inocente sair ferido, a nota serve de recibo para que se acuse o governo incompetência pela incapacidade de garantir a segurança dos manifestantes.

O que poderia ser uma ótima oportunidade para o governo trabalhar canais de diálogo, virou um tiro no pé, que ao final chama mais atenção ainda para o protesto. Seria muito mais eficaz anunciar que o governador estaria aberto para receber os organizadores do movimento, pois toda ajuda é seria bem vinda, etc. e tal. Isso ajudaria a desarmar os espíritos e ganharia a simpatia de todos que querem uma saída para a situação difícil que vivemos.

Contradição

A nota se vale do fantasma sem rosto de uma suposta milícia para reafirmar a tese de que o maior problema de segurança no Ceará não são os bandidos ou a gestão, mas uma intriga política dentro da polícia. É uma contradição, pois aliados do governo impediram a criação de uma CPI na Câmara do Vereadores de Fortaleza para investigar, justamente, essas milícias. Na Assembleia, a ideia também foi abortada, embora a denúncia seja do próprio governo que tem maioria na Casa.

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MMA é sadomasoquismo disfarçado de esporte

Por Wanfil em Crônica

09 de junho de 2013

Fico impressionado com o sucesso das competições de “vale-tudo”, ou MMA, que são degradantes espetáculos de violência em que o repúdio ao grotesco é anestesiado sob o disfarce da palavra esporte. E isso é feito de tal forma que sujeitos dispostos a arriscar a própria integridade física para divertir o público sedento de sangue se transformam, numa espantosa inversão de valores, em heróis da paz, em atletas que cultuam a saúde, e até em sábios e filósofos, portadores de um autoconhecimento que somente o sopapo no pé do ouvido é capaz de forjar. É o valor negativo tomado por sinal positivo.

O ardil para legitimar as rinhas humanas como prática esportiva saudável consiste em transformar a humilhação a que se submetem os brutamontes brigando de cuecas, em momento de elevação espiritual (desafiando limites, diz o locutor); em atribuir ares de inocência infantil ao que não passa de apologia à violência; em chamar de esporte sua mais descarada negação. Tudo com muita alegria, claro, para que todos possam apreciar o evento sem os escrúpulos da consciência para atrapalhar.

Por isso é comum ver que muitos dos que acusam, cheios de indignação, programas policiais de exploração da violência, assumirem eles próprios a condição de entusiastas incondicionais do “vale-tudo”. Batem palmas, comentam com adoração como fulano chutou a cara de sicrano e como este caiu desacordado. Consideram-se humanistas por condenarem a denúncia da violência nas ruas (pode até ser apelativa, mas é sempre denúncia) e não atinam para a celebração que fazem da violência remunerada dos ringues. Não percebem que o princípio que valorizam é o mesmo do criminoso: a violência explícita e sem sentido como meio de vida.

Artes marciais deveriam ser propostas de dominação do natural pendor que temos para a agressividade, elemento intrínseco à condição humana. Mas falta a essa noção o apelo das arenas dos gladiadores romanos no Coliseu. Nos Olimpíadas, as competições de judô ou caratê não causam o frisson histérico das lutas de MMA. É que nelas não jorra sangue. E isso diz muito mais sobre o público do que sobre os protagonistas desse “esporte” radical.

PS. Quem quiser ver o quão edificante é esse “esporte”, procure no Google  Imagens pelas expressões “MMA” e “sangue”.

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Segurança Pública: bons exemplos não faltam

Por Wanfil em Segurança

23 de Maio de 2013

Aconteceu o indesejável, o tosco, o deplorável: o debate sobre a onda de criminalidade no Ceará perdeu qualquer sentido prático e descambou em baixaria infrutífera. No lugar da lógica, a confusão que turva a realidade. Autoridades, deputados e vereadores, abordam o tema, mas não como objeto de políticas públicas e sim como espetáculo de intrigas, sem que nada seja produzido ajuda para amenizar o problema.

Tudo isso apesar do clamor geral da população, do medo generalizado, das mortes e dos assaltos. O ex-governador Ciro Gomes e a deputada Patrícia Saboya se valem de xingamentos para criticar o vereador Capitão Wagner. Opositores do governo retrucam em linguagem parecida. É um festival de “picareta”, “marginal”, “desocupado”, entre outros adjetivos de igual qualidade. Produz-se assim um fogo sem calor e sem luz, mas que basta para encobrir a realidade e mudar o foco das discussões, enquanto o cidadão continua aí refém dos bandidos.

Direto ao ponto

As brigas que tomam o noticiário, fortes nas aparências mas vazias de conteúdo, contribuem para misturar alhos com bugalhos e diluir responsabilidades. E aí é preciso voltar à realidade: é dever do governo, nesse momento crítico, resgatar a razão e colocar o interesse público de volta no centro do debate. Nesse sentido, esse papel cabe ao próprio governador Cid Gomes. É dele que se espera um sonoro “por que não te calas?” dirigido aos que atrapalham a condução de uma saída para a situação que constrange seu governo e a sociedade.

Apesar de ver equívocos de lado a lado, não tomo partido, nem digo que o governo deva agir contra suas convicções ou que policiais esqueçam suas reivindicações. Agir assim seria repetir a tática dos brigões. Ressalto apenas que uma trégua temporária é uma necessidade diante do quadro crítico na segurança.

Bons exemplos de civilidade e eficácia

O tempo e a energia desperdiçados até agora poderiam ser utilizados na mobilização de uma ampla frente de combate ao crime. Exemplos não faltam, como mostra a série especial Por um Ceará mais Seguro, do Sistema Jangadeiro.

No Rio de Janeiro as Unidades de Polícia Pacificadora ocuparam territórios dominados por traficantes e implantaram um policiamento mais próximo da comunidade. Em entrevista à rádio Tribuna BandNews, o secretário de Segurança do Rio, José Beltrame, explicou que a operação envolveu o Ministério Público, o Judiciário, ONGs e associações de moradores.

Em Pernambuco os elevados índices de homicídios recuaram após uma ação que reuniu governo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil. As forças policiais mapearam as regiões mais violentas de Recife e tiraram de circulação os elementos mais perigosos. Depois uma força-tarefa de 14 secretarias atuaram em cima de problemas sociais que fragilizavam essas regiões. (Sobre isso, recomendo o artigo Oito das tantas perguntas sobre a insegurança em Fortaleza, do jornalista Hélcio Brasileiro).

Em São Paulo o governo anunciou um plano de metas vinculado ao pagamento de prêmios aos policiais que conseguirem cumpri-las. Se vai dar certo ou não, isso é uma incógnita, e há quem o critique. Mas o fato é que lá, onde os índices são bem inferiores aos registrados no Ceará, as autoridades vieram a público dar algum encaminhamento à questão.

Trabalho conjunto

Em todos esses casos, o que fica evidente é que os esforços foram coordenados por seus governos estaduais e contaram com a consciência de que algumas situações exigem o pragmatismo da união de competências.

No Ceará, perde-se tempo, perdem-se vidas, perde-se paz. Bem vistos os exemplos acima, o governo cearense e seus aliados tem nas mãos carta branca da sociedade para agir, mas não sabe o que fazer com ela, ocupados que estão em brigas de comadres.

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Debate sobre segurança no Ceará não pode virar briga pessoal entre Ciro e Capitão Wagner

Por Wanfil em Segurança

21 de Maio de 2013

As acusações do ex-governador Ciro Gomes contra o vereador Capitão Wagner, pelas quais o parlamentar seria chefe de uma milícia criminosa, ofuscaram a notícia de que Fortaleza, segundo avaliação de risco divulgada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), é a cidade-sede mais perigosa para turistas na Copa das Confederações, no mês que vem.

Eis o único efeito prático da acalorada discussão entre essas duas figuras públicas: mudar o foco do noticiário. Se para os turistas a coisa não é boa, imagine para quem vive no local…

Não é impulso, é cálculo

Ciro é conhecido pelas declarações polêmicas e impulsivas, no entanto, essas últimas estão em perfeita sintonia com as recentes manifestações de outras autoridades do governo estadual, todas convergindo para a denúncia de supostos interesses políticos na área de segurança, numa sincronia que não pode ser creditada ao acaso, mas que antes revela método e cálculo nessas abordagens.

O próprio governador Cid Gomes e o secretário de Planejamento Eduardo Diogo já disseram que uma greve de policiais militares será punida com a prisão dos envolvidos, no que agora são repetidos por Ciro, com o seu peculiar estilo de sempre: “cabeças rolarão”.

Diogo estreitou o alvo para “meia dúzia” de líderes. Ciro agora aponta Wagner como a cabeça por trás de uma espécie de complô contra o governo estadual, mas não apresenta provas para os crimes que denuncia. Assim, além de mudar o enfoque e de colocar em pauta a versão do governo para os problemas de segurança, as intervenções de Ciro ainda possuem a vantagem adicional de preservar a imagem de Cid, principal autoridade responsável por dar respostas a eles.

Em resposta, Wagner afirma que irá acionar a Justiça e chama Ciro, nas redes sociais, de “comentarista esportivo” e de “desequilibrado”, na intenção de desqualificá-lo para o debate, sem atentar para o fato de que o ex-ministro não possui cargo no governo, o que bastaria para evitá-lo como interlocutor.

De tudo isso, temos os seguintes resultados:

a) a impressão de que o problema da explosão de criminalidade no Ceará não passa de uma briga entre policiais e o irmão do governador, ou seja, uma questão meramente pessoal, destituída de qualquer conteúdo mais profundo;

b) a fuga do que realmente interessa tratar: formas de recuar os índices de violência que avançam e que já colocam o Ceará como o estado mais violento do Nordeste;

c) a decomposição da autoridade do secretário efetivo de Segurança, coronel Francisco Bezerra, diante do protagonismo de Ciro, que passa a atuar como um secretário informal da pasta.

Enquanto eles brigam, perdemos a guerra

Não quero menosprezar os riscos desse impasse entre a cúpula do governo e os policiais militares. Nem sequer entro no mérito da questão, pois, a essa altura, pouco importa ao cidadão quem tem razão. Parece estranho dizer isso, mas é a verdade. Seria como ver o país ser invadido por um exército inimigo enquanto lideranças civis e militares permanecessem inertes, ocupadas demais em trocar acusações entre si.

Os gravíssimos problemas de segurança pública no Ceará e a falta de eficácia das medidas adotadas nos últimos anos não podem ser resolvidos a partir das premissas colocadas na briga entre Ciro Gomes e Capitão Wagner. Nada disso mudará a constatação de que a situação aqui é crítica, fato, inclusive, que já ultrapassa as fronteiras do Estado, tornada pública até pela Abin.

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Governador, os inimigos não são os policiais, são os bandidos! Ou: Contando os mortos

Por Wanfil em Segurança, Tribuna Band News FM

16 de Maio de 2013

Meu comentário desta quinta na rádio Tribuna BandNews FM 101.7

Na noite da última segunda-feira (13) um estudante universitário foi assassinado vítima de uma tentativa de assalto no bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza.

Diariamente, assistimos impotentes a escalada da violência no Ceará.  Cada vez mais novas tragédias são registradas, mais vidas são interrompidas, de tal modo que nos resta somente conferir, incrédulos, a contagem de mortos subir assustadoramente, como só se vê nas guerras.

De acordo com dados divulgados ontem (15) pela Secretaria de Segurança, 1.356 pessoas foram assassinadas no Ceará somente nos quatro primeiros meses do ano. Na capital, foram registrados 661 homicídios, o que corresponde a um aumento de 30% na comparação com o ano passado.

Enquanto isso, o Governo do Estado anuncia as negociações com as associações de policiais militares estão encerradas, criando um impasse de consequências imprevisíveis, entre as quais, uma nova greve da PM.

Pior ainda é ver as autoridades responsáveis pela área dizerem que o descontentamento da corporação inteira é obra de apenas meia dúzia de líderes que agem para atingir politicamente o governo.

A essa altura, fechar os olhos e os ouvidos para as reivindicações dos policiais e subestimar a insatisfação generalizada que os motiva apenas revela que o comando não sabe o que fazer para resolver o problema, deixando no ar, de quebra, a suspeita de que o que está ruim pode piorar.

O momento deveria ser de apaziguamento, de diálogo, de humildade para reconhecer falhas, de revisão de estratégias e de novas propostas! É preciso lembrar o governo de que o seu verdadeiro inimigo não são os policiais, mas os bandidos! Eles é que precisam “sentir o braço firme da lei”.

Portanto, agir para criar mais impasses e constrangimentos, desmotivando ainda mais as forças de seguranças, e justo quando a criminalidade explode, é de uma irresponsabilidade que somente poderá ser medida na macabra contagem de mortos que não para de subir. Mas aí poderá ser tarde demais para qualquer um de nós ou de nossos amigos e familiares.

Para ouvir o comentário:

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São Paulo e o Ceará sob o signo da violência, mas quanta diferença!

Por Wanfil em Segurança

26 de Abril de 2013

Estou desde terça-feira em São Paulo, bem momento onde a comoção toma o estado por causa da morte de uma dentista de 47 anos, queimada viva na quinta-feira por um trio de assaltantes porque não tinha dinheiro na conta do banco.

A imprensa, cumprindo seu papel de informar e vigiar, partiu da cobertura do caso isolado, mas que mobiliza a sociedade, para uma investigação sobre os números da violência, constatando que ás taxas de homicídios no estado aumentaram no início de 2013, após anos de intensa redução.

Por causa da reação pública forte e intensa, o governador Geraldo Alckmin veio a público falar sobre os esforços concentrados na resolução do crime e dar uma resposta para a sociedade a respeito dos recentes dados negativos na área de segurança. O governador paulista anunciou então o reforço imediato no contingente das forças policiais do estado. Se dará certo ou não, o tempo dirá, mas o fato é que o governador assumiu a responsabilidade diante do clamor geral e tomou providências.

O contraste com a postura das autoridades e da própria sociedade no Ceará é incontornável. Quem é chamado a dar explicações aos cidadãos no Ceará? Quando muito, um ou outro colunista cobra, muito discretamente, o secretário de Segurança, sem que ninguém atine para o fato óbvio de que ele é subordinado ao governador Cid Gomes. E quem muitas vezes se vê na contingência de falar oficialmente sobre a violência obscena e crescente no estado é o comandante da Polícia Militar, subalterno do secretário. E a opinião pública, que vive a lamentar nas rodas de conversa o medo que sente ao andar nas ruas, é a primeira a aplaudir quando o governo estadual anuncia torneios esportivos ou shows pirotécnicos, como grandes realizações.

Números

As semelhanças entre o clamor por segurança em São Paulo ou no Ceará se assemelham nominalmente, mas se diferenciam também, e muito quanto aos números.

Enquanto em São Paulo, a taxa de homicídios despencou de 44,1 por grupo de 100 mil habitantes em 1999 para 13,9 em 2010, no Ceará, essa taxa saltou, no mesmo período, de 15,6 para 29,7.

No primeiro, os números recuaram quase dois terços, enquanto no segundo praticamente dobraram. Os dados são do Mapa da Violência. O aumento em São Paulo que obriga Alckmin a dar explicações foi registrado na capital, que no último ano subiu de  8,9 para 12 pontos, menos da metade anotada no Ceará.

Igual, mas diferente

Não obstante a procura de causas gerais que possam explicar um fenômeno verificável em regiões distintas, que é o aumento da violência, existem diferenças substanciais a serem anotadas, pois os efeitos desse fenômeno se apresentam de forma mais branda ou mais intensa a depender o local em que se manifesta, indicando que também existem fatores específicos atuando nesse contexto. Dito de outra forma, as partes não podem ser igualmente tomadas pelo todo.

Assim, se em São Paulo, a sociedade demonstra uma tolerância bem menor com a violência e isso pressiona o governo, no Ceará, há uma passividade que permite ao governo fingir de conta que o problema não é com ele. Disso resulta que, mesmo se tratando da mesma questão, os resultados são tão diferentes. Sem pressão, sem cobrança, demonstrada sobretudo nas urnas e nas pesquisas de popularidade, nada muda.

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São Paulo e o Ceará sob o signo da violência, mas quanta diferença!

Por Wanfil em Segurança

26 de Abril de 2013

Estou desde terça-feira em São Paulo, bem momento onde a comoção toma o estado por causa da morte de uma dentista de 47 anos, queimada viva na quinta-feira por um trio de assaltantes porque não tinha dinheiro na conta do banco.

A imprensa, cumprindo seu papel de informar e vigiar, partiu da cobertura do caso isolado, mas que mobiliza a sociedade, para uma investigação sobre os números da violência, constatando que ás taxas de homicídios no estado aumentaram no início de 2013, após anos de intensa redução.

Por causa da reação pública forte e intensa, o governador Geraldo Alckmin veio a público falar sobre os esforços concentrados na resolução do crime e dar uma resposta para a sociedade a respeito dos recentes dados negativos na área de segurança. O governador paulista anunciou então o reforço imediato no contingente das forças policiais do estado. Se dará certo ou não, o tempo dirá, mas o fato é que o governador assumiu a responsabilidade diante do clamor geral e tomou providências.

O contraste com a postura das autoridades e da própria sociedade no Ceará é incontornável. Quem é chamado a dar explicações aos cidadãos no Ceará? Quando muito, um ou outro colunista cobra, muito discretamente, o secretário de Segurança, sem que ninguém atine para o fato óbvio de que ele é subordinado ao governador Cid Gomes. E quem muitas vezes se vê na contingência de falar oficialmente sobre a violência obscena e crescente no estado é o comandante da Polícia Militar, subalterno do secretário. E a opinião pública, que vive a lamentar nas rodas de conversa o medo que sente ao andar nas ruas, é a primeira a aplaudir quando o governo estadual anuncia torneios esportivos ou shows pirotécnicos, como grandes realizações.

Números

As semelhanças entre o clamor por segurança em São Paulo ou no Ceará se assemelham nominalmente, mas se diferenciam também, e muito quanto aos números.

Enquanto em São Paulo, a taxa de homicídios despencou de 44,1 por grupo de 100 mil habitantes em 1999 para 13,9 em 2010, no Ceará, essa taxa saltou, no mesmo período, de 15,6 para 29,7.

No primeiro, os números recuaram quase dois terços, enquanto no segundo praticamente dobraram. Os dados são do Mapa da Violência. O aumento em São Paulo que obriga Alckmin a dar explicações foi registrado na capital, que no último ano subiu de  8,9 para 12 pontos, menos da metade anotada no Ceará.

Igual, mas diferente

Não obstante a procura de causas gerais que possam explicar um fenômeno verificável em regiões distintas, que é o aumento da violência, existem diferenças substanciais a serem anotadas, pois os efeitos desse fenômeno se apresentam de forma mais branda ou mais intensa a depender o local em que se manifesta, indicando que também existem fatores específicos atuando nesse contexto. Dito de outra forma, as partes não podem ser igualmente tomadas pelo todo.

Assim, se em São Paulo, a sociedade demonstra uma tolerância bem menor com a violência e isso pressiona o governo, no Ceará, há uma passividade que permite ao governo fingir de conta que o problema não é com ele. Disso resulta que, mesmo se tratando da mesma questão, os resultados são tão diferentes. Sem pressão, sem cobrança, demonstrada sobretudo nas urnas e nas pesquisas de popularidade, nada muda.