violência Archives - Página 5 de 6 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

violência

Paciência tem limite!

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

25 de Abril de 2013

Agricultores bloqueiam diversas rodovias no Ceará para protestar contra a demora nas ações de combate à seca. No mérito da questão, fazem coro às reclamações feitas recentemente por empresários cearenses em uma carta para a presidente Dilma.

Em Fortaleza, motoristas e trocadores de ônibus paralisam terminais rodoviários em protesto contra a violência, depois que um motorista foi baleado no olho por um adolescente em mais um assalto.

Essas manifestações possuem um objetivo comum: exigir soluções para problemas gravíssimos e de conhecimento geral. Devem, ou deveriam, servir também de alerta aos gestores.

É que nos últimos anos, as únicas instâncias que cobravam isso ou aquilo do poder público eram o Ministério Público e a imprensa. Tanto que, não por acaso, projetos de lei que visam coibir a ação de ambos tramitam no Congresso Nacional.

Agora, setores da sociedade se organizam para fazer, eles próprios, essas cobranças que, aliás, são justíssimas. E não adianta culpar a oposição, porque essa, coitada, não consegue mobilizar ninguém mesmo. Também não adianta fingir que o problema não existe, pois isso apenas demonstraria que os responsáveis pela situação não sabem como resolvê-lo.

Os governos podem fazer muitas coisas, como estádios para copas, shows internacionais, promover torneios de luta e até construir hospitais, o que seja, mas tudo isso acaba menor quando a insegurança e a fome batem à porta das pessoas.

Propagandas e discursos podem até servir para ganhar algum tempo, mas os fatos, sempre os fatos, acabam se impondo. É quando a paciência do distinto público, não suportando mais tanta conversa para tão pouca ação, chega ao fim.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLITICA-WANDERLEYFILHO-25-04-13.mp3“]

Publicidade

Atentado em frente ao Fórum de Fortaleza: O que mais falta acontecer para mudar o time da segurança?

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

20 de Abril de 2013

Geralmente quando a violência atravessa as fronteiras das favelas e dos bairros periféricos para avançar sobre as áreas mais prósperas de uma cidade, suas autoridades buscam agir rapidamente para fazer recuar os marginais e assim delimitar uma linha de contenção. Quando essas medidas falham, todos acabam reféns do medo imposto pelos criminosos e as autoridades passam então a cuidar pelo menos da própria segurança, valendo-se das prerrogativas dos cargos que ocupam.

A ilusão de segurança experimentada por essas autoridade é temporária, pois inevitavelmente a situação degenera sempre mais, já que a ousadia dos criminosos aumenta à medida que o poder público não consegue reagir. É quando juízes, promotores, deputados, prefeitos, seja quem for, percebem que estão no mesmo barco das pessoas comuns.

Esse roteiro da escalada da violência é precisamente o que vivenciamos agora em Fortaleza.

Na sexta-feira (19), um homem foi executado à bala em frente ao Fórum Clóvis Beviláqua! Outros dois ficaram feridos. Não é preciso entrar detalhes para perceber que o atentado, feito diante de um prédio público guardado por policiais e que representa a Justiça, tem um valor simbólico gravíssimo: os poderes do Estado já estão acuados em suas próprias instalações. Isso equivale a dizer que a sociedade está encurralada pelo crime.

Não quero parecer dramático ou alarmista, pois isso nem sequer é necessário. Qualquer pessoa que viva em Fortaleza sabe do que estou falando.

O governo do Estado começa a reconhecer, timidamente, que a situação é alarmante. Acontece que isso, o cidadão já descobriu faz tempo. É preciso disposição política para uma ação radical, a começar por mudanças concretas e oficiais no comando dos órgãos de segurança. O que mais falta acontecer para que isso seja feito?!

É preciso pedir ajuda a quem já enfrentou problema semelhante. Tudo isso o quanto antes! Os bandidos, não respeitam – e muito menos temem! – o Estado e seus titulares. O crime perdeu todo e qualquer limite.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLÍTICA-WANDERLEY-2004.mp3.mp3″]

Publicidade

Redução da maioridade penal: não se trata de acabar com a violência, mas de combater a impunidade

Por Wanfil em Legislação

18 de Abril de 2013

Volta e meia o debate sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos reaparece no Brasil, geralmente na esteira da comoção gerada por algum crime bárbaro cometido por um menor de idade. O assassinato de um jovem na porta de casa por uma ‘criança’ de 17 anos e 11 meses em São Paulo trouxe o tema de volta. A indignação geral reside no fato de que o assassino, indivíduo apto a votar e com total discernimento entre o certo e o errado, não passará muito tempo atrás das grades, pois está protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), apesar do crime covarde e sem sentido que cometeu.

Como sempre acontece nessas ocasiões, argumentos a favor e contra a redução são colocados em debate. Sobre o tema, o portal Tribuna do Ceará ouviu o sociólogo e titular da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude da Prefeitura de Fortaleza, Élcio Batista, para quem “reduzir a maioridade penal não resolve o problema da criminalidade. Em síntese: se a legislação (leia-se Estado) não faz a sociedade avançar, portanto façamos a legislação retroceder nos direitos consagrados. É simples mudar a Lei, difícil mesmo é construir a vida social à imagem e semelhança desta”.

Coibir ou incentivar, eis a questão

Conheço o professor Élcio e sei de suas boas intenções, no entanto, a premissa desse pensamento está equivocada. Quem disse que a redução da maioridade penal irá resolver o problema da criminalidade? É óbvio que não vai e não é essa a questão em debate. O que os defensores da redução desejam é simplesmente evitar que criminosos gozem da prerrogativa da impunidade. Bem visto o argumento contrário à mudança, prender bandidos de 20, 30 ou 40 anos de idade também não vai resolver o problema da criminalidade. E aí? O que fazer? Nem por isso ninguém sai por aí defendendo o fim do Código Penal por falta de eficácia.

A rigor, as leis são apenas instrumentos que auxiliam o Estado no combate ao crime e não soluções definitivas, prontas e acabadas para o problema. Ocorre que a lei atual não auxilia o Estado nessa função, pior, na prática, ela funciona como um estímulo ao crime. Nesse caso, os tais “direitos consagrados” é que acabam configurando um retrocesso.

Punir para preservar valores 

Ainda na matéria da Tribuna, o coordenador do Laboratório de Estudos sobre a Violência da Universidade Federal do Ceará, César Barreira, também contrário à redução, afirma que é preciso “dar oportunidades, condições de realização para esses pessoas, como, por exemplo, a escola de tempo integral, que não transmita só o conhecimento, mas que transmita também valores”.

Será mesmo que tudo se resume a uma questão pedagógica? Quantos não roubam dinheiro público apesar de terem tido toda a oportunidade da melhor educação? Quantos doutores não se prestam ao papel de operadores de caixa 2? E existem ainda os jovens de classe média e classe média alta que entram, por exemplo, no mundo do tráfico de drogas, muitos deles incentivados, justamente, pela brandura das leis que punem os menores de idade. Não basta a sociedade ter valores, é preciso preservá-la dos que não aceitam esses códigos de conduta, segregando-os do convívio com os demais, se necessário.

Preconceito contra os pobres

Entendo a argumentação de cunho social e acredito que as privações da pobreza podem agir como um componente a mais na complicada equação que se desenrola na cabeça de um criminoso. No entanto, isso não pode ser visto como um fator DETERMINANTE. Seria uma tremenda injustiça com os jovens que estudam e trabalham justamente na esperança de vencerem ou de atenuarem a pobreza com o trabalho. Essa é a grande maioria. É preciso acabar com esse preconceito de ordem econômica. Ao optar pelo crime, o jovem não cede a um fatalismo, mas opera uma escolha consciente.

Não são crianças

De qualquer forma, a redução da maioridade penal não impediria o Estado de prover educação de qualidade na INFÂNCIA. E disso segue um adendo que faço agora. É importante não confundir um marmanjo sociopata de 16 anos de idade com uma criança de oito anos. Por mais óbvio que seja, é o que muitas vezes acontece no calor da discussão.

Todo jovem, pobre ou rico, está sujeito ao erro em função da sua natural inexperiência de vida. Mas há uma grande distância entre o erro que traz prejuízos apenas para seus próprios autores e o crimes que destrói famílias inteiras. Jovens criminosos não podem ser tratados como seres impedidos de ter a singularidade do indivíduo.

Defender a redução da maioridade penal não vai acabar com a violência. Todos sabem disso. Mas para combatê-la, é preciso deixar claro que nenhuma conivência será tolerada.

Publicidade

A violência no futebol é filha da cultura da impunidade com a desmoralização das instituições

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

16 de Abril de 2013

Meu comentário na rádio Tribuna BandNews FM – 101.7, sobre os constantes casos de violência registrados nos dias de jogos de futebol em Fortaleza.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLÍTICA-WANDERLEY-FILHO-VIOLÊNCIA-NO-FUTEBOL-E-A-DEGRADAÇÃO-DAS-INSTITUIÇÕES.mp3″]

 

Segue a transcrição:

Torcedor baleado por rival antes do clássico entre Ceará e Fortaleza: cena que se repete jogo após jogo. Crime que prospera na sombra da degradação das instituições legais. Foto: Cristiano Pantanal / Jangadeiro

Torcedor baleado por rival em Fortaleza: crimes que se repetem jogo após jogo, e que prosperam na sombra da degradação das instituições legais. Foto: Cristiano Pantanal / Jangadeiro

A morte de dois homens numa briga de torcidas, horas antes do jogo entre Ceará e Fortaleza no último domingo, coloca mais uma vez em debate a existência das torcidas organizadas. O Ministério Público já estuda a possibilidade de proibi-las nos estádios, tal como já aconteceu em São Paulo.

Com certeza, torcedores de bem não sentiriam nenhuma falta desses desocupados que fazem do ato de torcer, uma obsessão imbecil e também uma espécie de meio de vida, embora não produzam nada que se aproveite.

No entanto, é importante compreendermos que as torcidas organizadas são a parte mais visível de uma praga que se alastra Brasil afora: uma cultura que se caracteriza pelo ressentimento e pelo desprezo aos deveres, ao trabalho honesto e às leis, e por um profundo desrespeito aos direitos dos outros. São, em suma, mais uma expressão de nosso culto à impunidade e da nossa histórica omissão com a educação.

Os marginais que usam os estádios e as partidas de futebol como palco para suas guerras particulares não temem as forças policiais porque, como todos, não a consideram eficiente. E também não respeitam as leis porque apostam, igualmente, na incompetência da Justiça. Eles vicejam justamente na falência e na degradação dessas instituições.

É preciso então que as autoridades se façam respeitar por esses indivíduos, com o devido uso da força e das punições exemplares. Duvido que aqueles torcedores do Corinthians, presos na Bolívia acusados de matar um jovem num estádio, tenham coragem de voltar lá para fazer baderna.

Enquanto os vagabundos tiverem a certeza de que não há o que temer na hora de cometer seus crimes, seja nos estádios, seja nas brigas de gangues nas periferias, nada vai mudar. Banir as torcidas organizadas dos estádios sinaliza um recado, é uma forma de dizer que tudo tem limite! Mas a ação do estado não deve parar por aí. Isso ainda é muito pouco. É preciso acabar mesmo é com a impunidade.

Nota: A respeito desse assunto, o portal Tribuna do Ceará publicou a contundente charge de Moésio Fiúza, que reproduzo abaixo.

Charge

Publicidade

Governo Dilma investiu apenas 23,8% do previsto em segurança pública em 2012

Por Wanfil em Brasil

15 de Janeiro de 2013

Na previsão de gastos da União para 2012, R$ 3,1 bilhões seriam destinados para investimentos na área de segurança pública. Entretanto, de acordo com o site Contas Abertas, desse total, apenas R$ 738 milhões foram efetivamente aplicados.

Tenho certeza absoluta de que não faltam desculpas bem construídas para explicar o fracasso numa área essencial. Assim como na área econômica, a competência que falta ao governo para a gestão, sobra no gogó. Mas os números e os fatos estão aí, para quem quiser vê-los.

Por ano, oficialmente, 50 mil pessoas são assassinadas no Brasil. Número semelhante ao da guerra civil travada na Síria, em 18 meses foram 60 mil mortes. Diante do descalabro, o investimento feito em segurança de 2012 é pouco mais da metade do realizado em 2007, quando foram gastos R$ 1,2 bilhão. Como se os crimes tivessem reduzido na mesma proporção. Leia mais

Publicidade

Não é mais sensação de insegurança, é sensação de pânico nas ruas de Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

10 de Janeiro de 2013

O Grito, de Edvard Munch (1893). Um estado de perturbação e terror que não termina. É assim que as pessoas vivem em Fortaleza, massacradas pelo medo da violência crescente.

São 8 horas da noite de uma quarta-feira no cruzamento da Avenida Padre Antônio Tomás com Via Expressa, em Fortaleza. Na penumbra, à beira do asfalto, um jovem com as mãos enfiadas nos bolsos da blusa encapuzada. Primeiro, o estranhamento; depois, a suspeita; em seguida, o medo; e por último, o desejo de fuga a qualquer custo, a iminência do desespero.

A pessoa que me relatou o ocorrido, uma amiga que conduzia o carro na companhia de outra amiga, pensou: “É um assalto!” No mesmo instante, foi o que ouviu da carona: “Corre, que é um assalto!”. Imediatamente as duas lembraram-se dos familiares e das histórias de assaltos e mortes na perigosíssima Via Expressa.

Acelerando, a motorista disse à companheira de pavor: “Se ele tirar a mão do bolso, passo por cima”. Ele não tirou. Não fez nada. Seria um assaltante? O que fazia ali parado? Resolvera abordar uma vítima que trafegasse em menor velocidade? Ninguém sabe.

Medo, violência e apatia

Embora, felizmente, o final não tenha se consumado numa possível tragédia (como as que estampam os jornais diariamente), nada disso nos soa estranho, porque vivemos assim, todos sobressaltados, desconfiados, impregnados de medo e impotência.

E ainda assim, ninguém faz nada. Os comandos das polícias, na ânsia de protegerem seus cargos e a imagem dos governos a que servem, dizem que ações estão sendo tomadas, que as patrulhas estão sendo feitas, que as rondas se intensificaram, que a inteligência está operando, que mais recursos serão investidos. Carrões de luxo como viaturas, patinetes na Beira-Mar, fardas estilizadas, tudo isso não passa de marketing. No mundo real, cada vez mais, é cada um por si e Deus por todos.

E ainda assim, ninguém, ou quase ninguém, fica indignado com a falta de respostas do poder público, sempre ágil na hora de promover festanças ou aumento nos próprios salários, mas ineficaz quando o tema é segurança.

Reação

Li no Facebook do cidadão Paulo Angelim, uma reflexão interessante, que aqui reproduzo:

Amigos, devemos pressionar nossos congressistas a mudarem este quadro, e isto passa por medidas preventivas, sociais e educacionais, para evitar a entrada de novos delinquentes  para ressocializar quem já está no crime. Mas é fundamental também, e urgentemente, a REPRESSÃO. (…) Façamos nossa parte. SÓ VOTO EM DEPUTADO QUE VOTA A FAVOR DE UM CÓDIGO PENAL MAIS RIGOROSO. E VOCÊ?

É isso! Você pode até não concordar com o mérito da proposta, mas a iniciativa de pressionar as autoridades é louvável. Não adianta ficar com raiva de um ou outro bandido, pois o caso transcende a ação individual de criminosos e exige soluções amplas. Eu acrescentaria ainda: Só voto em governantes que mostrarem resultados na redução da criminalidade. ´

Legisladores, juízes e governantes, que vivem rodeados de seguranças pagos com dinheiro público, precisam ser chamados às suas responsabilidades no encaminhamento de providências urgentes.

Publicidade

Futebol: o falso valor de algo sem importância

Por Wanfil em Crônica

12 de novembro de 2012

Cadeiras quebras no PV por torcedores frustrados. Retrato de uma sociedade que prioriza o circo em detrimento do pão. Foto: Hebert Lemos

O título deste post é uma provocação derivada de uma frase atribuída ao ex-técnico da seleção italiana Arrigo Sacchi: “Il calcio è la cosa più importante delle cose non importanti”, ou “o futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes”. A tirada me veio à mente ao ler no noticiário sobre atos de destruição e vandalismo registrados no Estádio Presidente Vargas, após a equipe do Fortaleza ser eliminada na Série C do Campeonato Brasileiro.

À luz da lógica, nada faz sentido. Times que por longos períodos não disputam a Série A são, via de regra, ruins de bola. Incapazes de jogar com equipes de verdade, fazem um campeonato à parte. Suas torcidas, portanto, deveriam estar imunizadas contra a arrogância e a soberba, uma vez que jamais comemoram títulos de expressão nacional. Torcedor de time ruim precisa ser humilde por necessidade. Um raro exemplo dessa compreensão é a torcida do Ferroviário, aqui no Ceará.

No entanto, de alguma forma, boa parte dos torcedores de times ruins se isolam do resto do mundo em torneios de baixa qualidade, como as divisões inferiores e os campeonatos estaduais, e passam a emular o comportamento desrespeitoso das torcidas dos grandes times.

Reação irracional e sem sentido

Imaginando-se portadores de algo especialíssimo, muitos torcedores adotam a adoração fanática ao clube como religião. Seu Paraíso são os delírios de glória, que no mundo real não se concretizam, claro. E assim, na primeira frustração, os vândalos destroem o PV reformado às custas de dinheiro público, como se fossem credores de uma qualidade superior que não existe no futebol cearense. Se eventualmente um time local sobre à primeira divisão, é para apanhar dos grandes. Isso não é sarcasmo, é uma constatação empírica.

Na tentativa de tratar como desvio de conduta algo que se generaliza cada vez mais entre torcidas de diversos clubes, comentaristas esportivos não tardam em disparar: “Não são torcedores!”. E eu digo: Claro que são! Externam com violência o descontentamento que lhes aflige porque são violentos e vivem numa sociedade tolerante com a violência. Alguns marmanjos reagem de forma diferente e choram. Isso mesmo, vão às lágrimas porque um time de futebol perde uma partida. Outros ficam irascíveis dentro de casa e destratam cônjuges e parentes. Há quem fique doente. Leia mais

Publicidade

Atentados a candidatos continuam mesmo após as eleições no Ceará: clima estranho e apatia nas investigações

Por Wanfil em Ceará

15 de outubro de 2012

Eleições marcadas por pistoleiros: Atentados contra a vontade do eleitor que ficam por isso mesmo, sem solução.

As eleições municipais de 2012 no Ceará foram marcadas pela violência como instrumento de intimidação e pela apatia na coibição dessa prática. Coisa de gente arrogante que se acha acima das regras e aposta na impunidade. Uma afronta ao espírito republicano e aos eleitores.

Mesmo depois de terminadas as eleições na maioria dos municípios, os crimes envolvendo candidatos continuam. Neste domingo (14), em Senador Pompeu, um homem morreu e duas mulheres ficaram feridas após serem baleados durante a comemoração da vitória de um vereador.

Em outro caso, um dia após as eleições, o prefeito reeleito  de Senador Sá, Alex Sandro Oliveira (PSDB), e o atual vice de Quixadá, Airton Buriti (PT), foram alvos de disparos, mas escaparam sem ferimentos.

Durante a campanha foram muitas as ocorrências. Em Milhã, um motociclista efetuou disparos contra a residência do candidato a prefeito Otacílio Pinheiro (PP). Em Caucaia, Paulo Gurgel (PSDB) registrou ter sido ameaçado por um homem armado. Em Pacajús, homens armados assaltaram a casa do prefeito Auri Costa (PR), que participava de um comício.

No dia 20 de setembro, o ex-prefeito e então candidato à Prefeitura de Santa Quitéria, Tomás Figueiredo (PSDB), teve o carro em que estava baleado por dois motoqueiros. A assessoria do candidato descreveu a situação na cidade como clima de terror. Um dia antes, um grupo armado efetuou uma série de disparos contra a residência e o veículo da atual prefeita do município de Orós, Fátima Maciel (PSB).

Em Fortaleza, o agente penitenciário Elias Alves da Silva, candidato a vereador pelo partido Democratas (DEM), foi assassinado no dia 26 de setembro.

Crimes sem resposta

Esse levantamento foi produzido após uma rápida busca pelo Jangadeiro Online. Há mais casos que cito de memória, como em Jardim e Croatá. Em comum nesses episódios, só o fato de que nada foi esclarecido. Não há relato de prisões efetuadas em resposta aos crimes cometidos com a evidente intenção de intimidar candidatos, pelos menos na maioria dos casos. Impunidade, como todos sabem, alimenta a ousadia dos criminosos. Leia mais

Publicidade

Segurança no Ceará: cada um por si e Deus por todos

Por Wanfil em Segurança

09 de julho de 2012

O grupo de rock Engenheiros do Hawaii tem uma música chamada Fusão a Frio, cuja letra diz o seguinte:

“Ninguém sabe como serão os filhos desse casamento /indústria da informação + indústria do entretenimento / em doses homeopáticas, em escala industrial /tudo acaba em samba, é sempre carnaval / tudo acaba em sombras, é sempre vendaval.”

Lembrei-me dela ao ver essa notícia, divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IpeaSeis em cada 10 pessoas têm medo de assassinato. A informação está no estudo Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre segurança pública.

Muro com cerca elétrica e arame farpado: Penitenciária? Instalação militar? Campo de concentração? Não. É uma residência. A violência incorporada no estilo de vida das pessoas comuns não causa indignação, só medo. Enquanto isso, as autoridades disfarçam.

No Nordeste, o medo de ser assassinado aumenta para 72,9%. Na região Sul, esse índice é de 39,1%.

E o que a música tem a ver com esses dados? Simples. A insegurança é o maior problema do Nordeste e o Ceará não destoa dessa realidade. Pelo contrário. Vivemos sombras e vendavais, mas por aqui tudo acaba em samba e sempre é carnaval. Estádios de futebol ou Centro de Eventos que comporta shows grandiosos, são boas iniciativas, claro, mas apresentadas como ações fundamentais. Porém, o fato é que moramos em casas rodeadas por cercas elétricas, como se fossem campos de concentração, e não somos mais capazes de perceber que isso não é normal. Não nos damos conta de que viver e conviver em paz é que é o essencial.

Os números comprovam: insegurança só aumenta

No Ceará, na área de segurança pública temos alarmes sonoros em postes, patinetes na Beira-Mar e viaturas policiais de luxo, tudo apresentado com enorme aparato publicitário. No entanto, de acordo com o mais recente Mapa da Violência,divulgado pelo Instituto Sangari, a taxa de 29, 7 homicídios por grupo de 100 mil habitantes registrada no Ceará em 2010 ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Os assassinatos mais que triplicaram! Adaptando a letra da canção, é a política de entretenimento sucumbindo diante da informação real.

As autoridades afirmam que o problema é a migração de quadrilhas do Sul/Sudeste para o Norte/Nordeste. Isso acontece, mas não podemos confundir causa e efeito. A segurança não cai com a migração de criminosos, os criminosos é que migram pela precariedade da segurança pública nesses estados. Sem contar que temos os nossos próprios criminosos presos e soltos diariamente.

Boas intenções não bastam

Não é o caso de lançar dúvidas a respeito das intenções de quem trabalha para mitigar essa situação, mas intenções não bastam. Enquanto os governos não reconhecerem a gravidade da situação, o problema persistirá.

Em 2009, a Prefeitura de Fortaleza realizou a I Conferência Municipal de Segurança Pública (Conseg), para  “criar uma cultura de paz baseada na segurança cidadã”. O encontro, que aconteceu em um hotel cinco estrelas repleto de seguranças… particulares!, é claro, seria  é “uma grande oportunidade para criar a ambiência necessária, a fim de consolidar um novo paradigma, visando efetivar a segurança pública como direito fundamental”. Papo furado. Na falta do que mostrar, autoridades procuram disfarçar, abusam de frases de efeito repletas de termos empolados e pomposos. E só!

No fundo, essa conversa de “cultura da paz” é uma forma esperta de não resolver o problema da violência. É gente que pretende sensibilizar criminosos organizando passeatas. O que está valendo – em termos de segurança – é o cada um por si e Deus por todos. Leia mais

Publicidade

Imprensa sob ataque no Ceará: “Joga pedra na Geni!”

Por Wanfil em Imprensa

30 de Maio de 2012

Um grupo de sindicalistas da construção civil patrocinou manifestação que resultou na destruição da portaria do jornal Diário do Nordeste, em Fortaleza, nesta terça-feira (29). Um carro da empresa foi apedrejado. A categoria está em greve há mais de vinte dias. Integrantes do sindicato da indústria gráfica também participaram do quebra-quebra. Na semana anterior, dois profissionais da imprensa já tinham sido agredidos pela malta comandada pelos sindicalistas. No início do mês, uma equipe da TV Cidade, que havia registrado o consumo de cachaça durante as passeatas, também foi alvo da ira dos baderneiros.

Definitivamente a imprensa virou a Geni de certos movimentos organizados no Brasil.  Geni, para quem não sabe, é personagem da música Geni e o Zepelim, composição de Chico Buarque de Holanda. Ao menor sinal de qualquer contrariedade, “Joga pedra da Geni, Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”. Esses movimentos reivindicatórios fazem e acontecem, comentem crimes em nome de uma causa supostamente justa e não admitem nada menos do que o apoio incondicional aos seus métodos. Isso é autoritarismo!

Impunidade e omissão

Antes, faço uma pequena digressão. Esses arruaceiros agem assim porque confiam na impunidade, devidamente estimulados em duas frentes.  Primeiro, a mesma imprensa que agora é alvo de ataques, corrobora gentilmente com o discurso ressentido desses grupos. Por medo de parecer conservadora – palavra inclusa no índex expurgatório do politicamente correto -, opta por chamar de “manifestação” o que não passa de vandalismo e de “trabalhadores” sujeitos que agem como desordeiros. O jornalismo virou um subprotudo do marxismo. Em nome de furada tese da luta de classes, aceita tudo, até apanhar. O mérito de uma negociação salarial nunca é percebido como mediação normal entre profissionais e empreendedores. É sempre a “luta” dos explorados contra os exploradores. Taí o resultado: intolerância.

A outra frente é a omissão da polícia e das autoridades, que se furtam ao dever de proteger cidadãos (no ataque ao jornal, houve feridos), o patrimônio público e o privado, de manter a ordem, sempre receosos de serem apontados pela imprensa, vejam a ironia, de abuso de autoridade. Ninguém foi preso até o momento. Fosse uma torcida organizada, a discussão seria acalorada, mas como se trata de um sindicato, todo amansam.

Fechou rua para protestar impedindo as pessoas de ir e vir? Tropa de choque neles! Invadiram prédio público e causaram prejuízo ao bem comum? Cadeia! Experimente você contribuintes invadir o Incra ou a reitoria da UFC para ver o que acontece. Mas os movimentos ditos sociais têm passe livre para agir acima das leis. A greve é um direito e a liberdade para protestar idem. Desde que exercidos dentro da legalidade. Qual o problema de fazer passeata na calçada? Por que destruir um canteiro de obras?

A materialização de uma violência moral

Agora, voltando a essa moda de culpar a imprensa pelos males do mundo, muitos colegas jornalistas se mostraram surpresos com os recentes ataques, especialmente ao DN, sem perceber que a violência física que testemunhamos é a projeção natural de uma violência anterior, de caráter institucional, político, moral e ideológico. – Leia mais

Publicidade

Imprensa sob ataque no Ceará: “Joga pedra na Geni!”

Por Wanfil em Imprensa

30 de Maio de 2012

Um grupo de sindicalistas da construção civil patrocinou manifestação que resultou na destruição da portaria do jornal Diário do Nordeste, em Fortaleza, nesta terça-feira (29). Um carro da empresa foi apedrejado. A categoria está em greve há mais de vinte dias. Integrantes do sindicato da indústria gráfica também participaram do quebra-quebra. Na semana anterior, dois profissionais da imprensa já tinham sido agredidos pela malta comandada pelos sindicalistas. No início do mês, uma equipe da TV Cidade, que havia registrado o consumo de cachaça durante as passeatas, também foi alvo da ira dos baderneiros.

Definitivamente a imprensa virou a Geni de certos movimentos organizados no Brasil.  Geni, para quem não sabe, é personagem da música Geni e o Zepelim, composição de Chico Buarque de Holanda. Ao menor sinal de qualquer contrariedade, “Joga pedra da Geni, Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”. Esses movimentos reivindicatórios fazem e acontecem, comentem crimes em nome de uma causa supostamente justa e não admitem nada menos do que o apoio incondicional aos seus métodos. Isso é autoritarismo!

Impunidade e omissão

Antes, faço uma pequena digressão. Esses arruaceiros agem assim porque confiam na impunidade, devidamente estimulados em duas frentes.  Primeiro, a mesma imprensa que agora é alvo de ataques, corrobora gentilmente com o discurso ressentido desses grupos. Por medo de parecer conservadora – palavra inclusa no índex expurgatório do politicamente correto -, opta por chamar de “manifestação” o que não passa de vandalismo e de “trabalhadores” sujeitos que agem como desordeiros. O jornalismo virou um subprotudo do marxismo. Em nome de furada tese da luta de classes, aceita tudo, até apanhar. O mérito de uma negociação salarial nunca é percebido como mediação normal entre profissionais e empreendedores. É sempre a “luta” dos explorados contra os exploradores. Taí o resultado: intolerância.

A outra frente é a omissão da polícia e das autoridades, que se furtam ao dever de proteger cidadãos (no ataque ao jornal, houve feridos), o patrimônio público e o privado, de manter a ordem, sempre receosos de serem apontados pela imprensa, vejam a ironia, de abuso de autoridade. Ninguém foi preso até o momento. Fosse uma torcida organizada, a discussão seria acalorada, mas como se trata de um sindicato, todo amansam.

Fechou rua para protestar impedindo as pessoas de ir e vir? Tropa de choque neles! Invadiram prédio público e causaram prejuízo ao bem comum? Cadeia! Experimente você contribuintes invadir o Incra ou a reitoria da UFC para ver o que acontece. Mas os movimentos ditos sociais têm passe livre para agir acima das leis. A greve é um direito e a liberdade para protestar idem. Desde que exercidos dentro da legalidade. Qual o problema de fazer passeata na calçada? Por que destruir um canteiro de obras?

A materialização de uma violência moral

Agora, voltando a essa moda de culpar a imprensa pelos males do mundo, muitos colegas jornalistas se mostraram surpresos com os recentes ataques, especialmente ao DN, sem perceber que a violência física que testemunhamos é a projeção natural de uma violência anterior, de caráter institucional, político, moral e ideológico. – (mais…)