Crítica: Leonardo DiCaprio arrebenta em 'O Lobo de Wall Street'


Crítica: Leonardo DiCaprio arrebenta em ‘O Lobo de Wall Street’

No Oscar 2014, a obra concorre nas categorias de melhor filme, diretor (Martin Scorsese), ator (Leonardo DiCaprio), ator coadjuvante (Jonah Hill) e roteiro adaptado

Por Tribuna do Ceará em Cinema

24 de janeiro de 2014 às 12:14

Há 5 anos
O Lobo de Wall Street

O Lobo de Wall Street (FOTO: Paris Filmes)

Martin Scorsese, o lobo de Hollywood

Por Filipe Quintans*

Hoje, Francis Ford Coppola faz filmes que ninguém assiste, talvez os faça para si mesmo, vai saber. George Lucas está aposentado. Brian De Palma está esquecido em algum canto de Los Angeles. Robert Altman está morto, Abel Ferrara é um proscrito. Spielberg é uma celebridade, Terrence Malick está cada vez mais recluso. Resta a Martin Scorsese, 71 anos, o posto de “grande cineasta americano”.

A solenidade do título e a idade inspiram certa confiança, é verdade. Espera-se de um diretor nesse estágio da vida e da carreira filmes mais coloridos, leves – como ‘A Invenção de Hugo Cabret’, de 2011 -, que terminem com beijo na tela e grana no cofre de quem produziu. Em O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013), Scorsese fez exatamente o oposto disso.

Baseado nas memórias do corretor de valores Jordan Belfort, o projeto perambulava por Hollywood desde 2007 à procura de financiamento. O material era “sensível demais”, sobretudo pós-2008, no “teto-preto” dos bancos americanos. Belfort, interpretado com rigor por Leonardo Di Caprio (em 5º colaboração com o diretor) era raia miúda diante dos Merry Linch e Goldman Sachs, embora igualmente ganancioso e venal. Hábil na arte de tirar dinheiro do bolso alheio e colocá-lo no próprio bolso, era modelo perfeito para um personagem caricato e inconseqüente, movido a sexo e drogas. Faminto por mais e mais dinheiro: a própria cultura americana, do consumo desenfreado, de tudo, em marcha acelerada. Não há uma maneira sutil de fazer um filme sobre um sujeito assim.

Há quem diga que Scorsese ao fazê-lo, acompanhado de sua colaboradora mais antiga, a montadora Thelma Schoonmaker e do roteirista e criador da série de TV Sopranos (1999~2007), Terrence Winter, tenha se excedido e filmado uma comédia pobre de assinatura “vistosa” – segundo alguns, a assinatura de um “carniceiro cult”. Nudez demais (por conseguinte sexo demais), drogas demais, misoginia, sexismo. Há também quem tenha reclamado da quantidade de palavrões e até mesmo da duração do filme (um minuto a mais e seriam três horas…Mas o corte original tinha quatro). Nenhum desses elementos, talvez com exceção ao sexo explícito, no entanto, é novo na filmografia do diretor. O “novo” Scorsese, pasmem, é o “velho” Scorsese.

Termo vetor - segunda versão - DEITADA - 10

*Filipe Quintans é jornalista.

Extras: com cinco indicações ao Oscar 2014, O Lobo de Wall Street (2013) concorre nas categorias de melhor filme, diretor (Martin Scorsese), ator (Leonardo DiCaprio), ator coadjuvante (Jonah Hill) e roteiro adaptado (Terence Winter).

> LEIA MAIS:

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No Oscar 2014, a obra concorre nas categorias de melhor filme, diretor (Martin Scorsese), ator (Leonardo DiCaprio), ator coadjuvante (Jonah Hill) e roteiro adaptado

Por Tribuna do Ceará em Cinema

24 de janeiro de 2014 às 12:14

Há 5 anos
O Lobo de Wall Street

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Martin Scorsese, o lobo de Hollywood

Por Filipe Quintans*

Hoje, Francis Ford Coppola faz filmes que ninguém assiste, talvez os faça para si mesmo, vai saber. George Lucas está aposentado. Brian De Palma está esquecido em algum canto de Los Angeles. Robert Altman está morto, Abel Ferrara é um proscrito. Spielberg é uma celebridade, Terrence Malick está cada vez mais recluso. Resta a Martin Scorsese, 71 anos, o posto de “grande cineasta americano”.

A solenidade do título e a idade inspiram certa confiança, é verdade. Espera-se de um diretor nesse estágio da vida e da carreira filmes mais coloridos, leves – como ‘A Invenção de Hugo Cabret’, de 2011 -, que terminem com beijo na tela e grana no cofre de quem produziu. Em O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013), Scorsese fez exatamente o oposto disso.

Baseado nas memórias do corretor de valores Jordan Belfort, o projeto perambulava por Hollywood desde 2007 à procura de financiamento. O material era “sensível demais”, sobretudo pós-2008, no “teto-preto” dos bancos americanos. Belfort, interpretado com rigor por Leonardo Di Caprio (em 5º colaboração com o diretor) era raia miúda diante dos Merry Linch e Goldman Sachs, embora igualmente ganancioso e venal. Hábil na arte de tirar dinheiro do bolso alheio e colocá-lo no próprio bolso, era modelo perfeito para um personagem caricato e inconseqüente, movido a sexo e drogas. Faminto por mais e mais dinheiro: a própria cultura americana, do consumo desenfreado, de tudo, em marcha acelerada. Não há uma maneira sutil de fazer um filme sobre um sujeito assim.

Há quem diga que Scorsese ao fazê-lo, acompanhado de sua colaboradora mais antiga, a montadora Thelma Schoonmaker e do roteirista e criador da série de TV Sopranos (1999~2007), Terrence Winter, tenha se excedido e filmado uma comédia pobre de assinatura “vistosa” – segundo alguns, a assinatura de um “carniceiro cult”. Nudez demais (por conseguinte sexo demais), drogas demais, misoginia, sexismo. Há também quem tenha reclamado da quantidade de palavrões e até mesmo da duração do filme (um minuto a mais e seriam três horas…Mas o corte original tinha quatro). Nenhum desses elementos, talvez com exceção ao sexo explícito, no entanto, é novo na filmografia do diretor. O “novo” Scorsese, pasmem, é o “velho” Scorsese.

Termo vetor - segunda versão - DEITADA - 10

*Filipe Quintans é jornalista.

Extras: com cinco indicações ao Oscar 2014, O Lobo de Wall Street (2013) concorre nas categorias de melhor filme, diretor (Martin Scorsese), ator (Leonardo DiCaprio), ator coadjuvante (Jonah Hill) e roteiro adaptado (Terence Winter).

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