Água de Coco nasceu na casa da estilista cearense à frente da marca há 30 anos


Água de Coco nasceu na casa da estilista cearense à frente da marca há 30 anos

Tribuna do Ceará entrevistou Liana Thomaz, a estilista que criou a Água de Coco, uma das marcas de moda praia mais renomadas do mundo

Por Ana Beatriz Leite em Comportamento

14 de fevereiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
A cearense Liana Thomaz é a estilista à frente da Água de Coco desde o nascimento da marca (FOTO: Divulgação)

A cearense Liana Thomaz é a estilista à frente da Água de Coco desde o nascimento da marca (FOTO: Divulgação)

Em 1985, 30 anos atrás, de uma máquina de costura na sala-de-estar, uma costureira e uma estilista nascia a Água de Coco, uma das marcas de beachwear mais conceituadas do mundo.

Muito mudou de lá para cá, mas uma coisa se manteve durante todo esse tempo: a determinação de Liana Thomaz, o nome por trás da marca.

A estilista cearense começou com o simples objetivo de fazer moda praia de qualidade. E foi com essa motivação que conseguiu consagrar a Água de Coco e tornar seus biquínis desejados em todo o mundo.

Tribuna do Ceará: Quando a Água de Coco surgiu, a realidade do mercado não só do beachwear, mas da moda brasileira como um todo, era outra. O que você diria que mudou nesses 30 anos?

Liana Thomaz: A moda está em constante transição e nossa preocupação é sempre produzir um biquíni atual, uma peça contemporânea. Há 30 anos o beachwear se restringia ao básico, ao cortininha-lacinho, a cangas e saídas simples. Hoje o mercado pede novidades constantes: novos cortes, novos materiais, uma nova maneira de viver não só a praia, mas de estender esse lifestyle a outros ambientes, outras ocasiões. Isso foi a chave para entrarmos também no mercado internacional. Nosso produto tem se fortalecido bastante lá fora, por isso temos acompanhado e nos adaptado à exigência também desse mercado.

Tribuna: A marca certamente também não ficou imune a essas transições. Qual é a diferença entre a Água de Coco de 1985 – ou até de 2001, no primeiro SPFW – para a Água de Coco de hoje?

Liana: Quando a marca nasceu, apesar de ter começado pequena, eu nunca menosprezei seu potencial. Sempre imaginei que ela fosse crescer e se expandir, mas não podia prever que um dia ela estaria entre as maiores do país e seria vendida em diversos países do mundo. O primeiro SPFW, sem dúvidas, foi um divisor de águas na nossa história! Ele nos deu visibilidade nacional e internacional. Depois dele, tivemos nosso primeiro ponto de venda no exterior e em seguida conquistamos espaço em alguns dos maiores magazines internacionais, Selfridges, Harrods e Bergdorf Goodman.

“Hoje o biquíni brasileiro é o número um no mundo. Não há nada parecido com o beachwear da gente”

Tribuna: Sobre você, quais são os desafios de estar à frente de uma mesma marca há 30 anos?

Liana: É uma relação em constante descoberta. Desde o início, a marca é algo indissociável da minha vida pessoal e isso foi construído de uma forma muito natural. Quando a marca começou e ainda era bem pequena, minha produção era em casa, na sala de estar, e acho que desde aquela época nunca separei completamente uma coisa da outra. Hoje, já bastante consolidada, a marca está em constante crescimento e abrindo novas possibilidades no mercado. Expandir nacional e internacionalmente é um grande desafio, mas aos 30 anos de idade a Água de Coco já está bem preparada para isso.

"Quando a marca nasceu, apesar de ter começado pequena, eu nunca menosprezei seu potencial. Sempre imaginei que ela fosse crescer e se expandir", conta a criadora da Água de Coco (FOTO: Divulgação)

“Quando a marca nasceu, apesar de pequena, nunca menosprezei seu potencial. Sempre imaginei que fosse crescer e se expandir” (FOTO: Divulgação)

Tribuna: Depois de tantas coleções, a impressão que dá é a de que a fonte de inspiração é inesgotável. Como se dá esse processo de criação das coleções?

Liana: Para cada coleção, o processo é diferente: definir o tema, pesquisar por referências, montar os mixes de produtos, etc. Para o verão deste ano, por exemplo, visitamos rendeiras e artesãos e reunimos uma bibliografia de referência para nos aprofundarmos nas tradições típicas do Ceará. Foi quando conhecemos o livro “Mãos que fazem história”, das jornalistas Cristina Pioner e Germana Cabral, que norteou e deu nome à nossa coleção.

Já em coleções passadas, como a “Retrato Turco”, do Verão 2013, fomos à Turquia com o fotógrafo Eduardo Rezende registrar paisagens que se transformaram em estampas. Também pesquisamos por materiais, formas e texturas típicas daquela região para adaptarmos às nossas peças. Sempre trabalhamos de acordo com a necessidade de cada tema que definimos e isso torna o processo muito dinâmico!

Na coleção deste ano trouxemos pela primeira vez trabalhos totalmente artesanais de renda e bordado. Foi uma experiência muito interessante lidar com um trabalho tão minucioso e delicado. Algumas peças foram tão complexas que levaram cerca de 6 meses para ficarem prontas!

Tribuna: A estética da moda praia estrangeira é outra, mesmo assim a Água de Coco é conceituada internacionalmente. Você acha que é justamente o diferencial que conquista?

Liana: Hoje o biquíni brasileiro é o número um no mundo. Não há nada parecido com o beachwear da gente, nem em marcas específicas de moda praia e nem em grandes grupos que decidiram apostar nesse segmento.

Conseguimos entrar em grandes cadeias de lojas como a Selfridges, a Harrods, e a Bergdorf Goodman, por exemplo, pela qualidade e pela identidade do nosso produto, que é muito forte e muito diferente do que é visto no exterior. Nós sempre ousamos nos materiais e nos shapes, sempre procuramos por novidades porque o básico o resto do mundo já faz.

Tribuna: Mais que um DNA brasileiro, a marca tem DNA cearense. De que forma as origens transparecem na identidade de vocês?

Liana: O Ceará sempre esteve no DNA da Água de Coco de alguma maneira. No Verão 2016, por exemplo, por estarmos comemorando o nosso ano 30, sentimos a necessidade de mostrar um Ceará diferente, que fugisse do óbvio. Nossas paisagens e nosso artesanato são extremamente ricos e quisemos trabalhá-los de uma forma mais sofisticada. Quando apresentamos a coleção no SPFW, o público e a crítica ficaram encantados com a nossa leitura do Ceará por não apresentarmos “mais do mesmo”, por não trabalharmos o artesanato de uma forma caricata.

Tribuna: Pensando em onde a marca conseguiu chegar, o que você diria ser essencial para quem está se lançando em um desafio assim como o que você encarou há 30 anos?

Liana: Nunca pense em desistir. Acredite sempre no seu trabalho e priorize sempre o seu produto. Um produto bem feito é mais forte do que qualquer estratégia de marketing. Claro que o marketing tem sua importância, mas a experiência que o consumidor vai ter com o produto tem um força muito maior para a marca. Essa experiência, a longo prazo, é o que sustenta a marca, é o que faz ela permanecer no mercado. Eu sempre acreditei nisso!

ÁGUA DE COCO: 30 ANOS
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ÁGUA DE COCO: 30 ANOS

Em comemoração aos 30 anos da marca, a coleção Verão 2016 resgata as tradições da renda e artesanato cearenses (FOTO: Divulgação)

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“Algumas peças foram tão complexas que levaram cerca de 6 meses para ficarem prontas”, revela a estilista Liana Thomaz (FOTO: Divulgação)

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Verão 2016 – Água de Coco por Liana Thomaz. Clique para ampliar (FOTO: Divulgação)

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Verão 2016 – Água de Coco por Liana Thomaz. Clique para ampliar (FOTO: Divulgação)

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Verão 2016 – Água de Coco por Liana Thomaz. Clique para ampliar (FOTO: Divulgação)

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Verão 2016 – Água de Coco por Liana Thomaz. Clique para ampliar (FOTO: Divulgação)

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Verão 2016 – Água de Coco por Liana Thomaz. Clique para ampliar (FOTO: Divulgação)

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Água de Coco nasceu na casa da estilista cearense à frente da marca há 30 anos

Tribuna do Ceará entrevistou Liana Thomaz, a estilista que criou a Água de Coco, uma das marcas de moda praia mais renomadas do mundo

Por Ana Beatriz Leite em Comportamento

14 de fevereiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
A cearense Liana Thomaz é a estilista à frente da Água de Coco desde o nascimento da marca (FOTO: Divulgação)

A cearense Liana Thomaz é a estilista à frente da Água de Coco desde o nascimento da marca (FOTO: Divulgação)

Em 1985, 30 anos atrás, de uma máquina de costura na sala-de-estar, uma costureira e uma estilista nascia a Água de Coco, uma das marcas de beachwear mais conceituadas do mundo.

Muito mudou de lá para cá, mas uma coisa se manteve durante todo esse tempo: a determinação de Liana Thomaz, o nome por trás da marca.

A estilista cearense começou com o simples objetivo de fazer moda praia de qualidade. E foi com essa motivação que conseguiu consagrar a Água de Coco e tornar seus biquínis desejados em todo o mundo.

Tribuna do Ceará: Quando a Água de Coco surgiu, a realidade do mercado não só do beachwear, mas da moda brasileira como um todo, era outra. O que você diria que mudou nesses 30 anos?

Liana Thomaz: A moda está em constante transição e nossa preocupação é sempre produzir um biquíni atual, uma peça contemporânea. Há 30 anos o beachwear se restringia ao básico, ao cortininha-lacinho, a cangas e saídas simples. Hoje o mercado pede novidades constantes: novos cortes, novos materiais, uma nova maneira de viver não só a praia, mas de estender esse lifestyle a outros ambientes, outras ocasiões. Isso foi a chave para entrarmos também no mercado internacional. Nosso produto tem se fortalecido bastante lá fora, por isso temos acompanhado e nos adaptado à exigência também desse mercado.

Tribuna: A marca certamente também não ficou imune a essas transições. Qual é a diferença entre a Água de Coco de 1985 – ou até de 2001, no primeiro SPFW – para a Água de Coco de hoje?

Liana: Quando a marca nasceu, apesar de ter começado pequena, eu nunca menosprezei seu potencial. Sempre imaginei que ela fosse crescer e se expandir, mas não podia prever que um dia ela estaria entre as maiores do país e seria vendida em diversos países do mundo. O primeiro SPFW, sem dúvidas, foi um divisor de águas na nossa história! Ele nos deu visibilidade nacional e internacional. Depois dele, tivemos nosso primeiro ponto de venda no exterior e em seguida conquistamos espaço em alguns dos maiores magazines internacionais, Selfridges, Harrods e Bergdorf Goodman.

“Hoje o biquíni brasileiro é o número um no mundo. Não há nada parecido com o beachwear da gente”

Tribuna: Sobre você, quais são os desafios de estar à frente de uma mesma marca há 30 anos?

Liana: É uma relação em constante descoberta. Desde o início, a marca é algo indissociável da minha vida pessoal e isso foi construído de uma forma muito natural. Quando a marca começou e ainda era bem pequena, minha produção era em casa, na sala de estar, e acho que desde aquela época nunca separei completamente uma coisa da outra. Hoje, já bastante consolidada, a marca está em constante crescimento e abrindo novas possibilidades no mercado. Expandir nacional e internacionalmente é um grande desafio, mas aos 30 anos de idade a Água de Coco já está bem preparada para isso.

"Quando a marca nasceu, apesar de ter começado pequena, eu nunca menosprezei seu potencial. Sempre imaginei que ela fosse crescer e se expandir", conta a criadora da Água de Coco (FOTO: Divulgação)

“Quando a marca nasceu, apesar de pequena, nunca menosprezei seu potencial. Sempre imaginei que fosse crescer e se expandir” (FOTO: Divulgação)

Tribuna: Depois de tantas coleções, a impressão que dá é a de que a fonte de inspiração é inesgotável. Como se dá esse processo de criação das coleções?

Liana: Para cada coleção, o processo é diferente: definir o tema, pesquisar por referências, montar os mixes de produtos, etc. Para o verão deste ano, por exemplo, visitamos rendeiras e artesãos e reunimos uma bibliografia de referência para nos aprofundarmos nas tradições típicas do Ceará. Foi quando conhecemos o livro “Mãos que fazem história”, das jornalistas Cristina Pioner e Germana Cabral, que norteou e deu nome à nossa coleção.

Já em coleções passadas, como a “Retrato Turco”, do Verão 2013, fomos à Turquia com o fotógrafo Eduardo Rezende registrar paisagens que se transformaram em estampas. Também pesquisamos por materiais, formas e texturas típicas daquela região para adaptarmos às nossas peças. Sempre trabalhamos de acordo com a necessidade de cada tema que definimos e isso torna o processo muito dinâmico!

Na coleção deste ano trouxemos pela primeira vez trabalhos totalmente artesanais de renda e bordado. Foi uma experiência muito interessante lidar com um trabalho tão minucioso e delicado. Algumas peças foram tão complexas que levaram cerca de 6 meses para ficarem prontas!

Tribuna: A estética da moda praia estrangeira é outra, mesmo assim a Água de Coco é conceituada internacionalmente. Você acha que é justamente o diferencial que conquista?

Liana: Hoje o biquíni brasileiro é o número um no mundo. Não há nada parecido com o beachwear da gente, nem em marcas específicas de moda praia e nem em grandes grupos que decidiram apostar nesse segmento.

Conseguimos entrar em grandes cadeias de lojas como a Selfridges, a Harrods, e a Bergdorf Goodman, por exemplo, pela qualidade e pela identidade do nosso produto, que é muito forte e muito diferente do que é visto no exterior. Nós sempre ousamos nos materiais e nos shapes, sempre procuramos por novidades porque o básico o resto do mundo já faz.

Tribuna: Mais que um DNA brasileiro, a marca tem DNA cearense. De que forma as origens transparecem na identidade de vocês?

Liana: O Ceará sempre esteve no DNA da Água de Coco de alguma maneira. No Verão 2016, por exemplo, por estarmos comemorando o nosso ano 30, sentimos a necessidade de mostrar um Ceará diferente, que fugisse do óbvio. Nossas paisagens e nosso artesanato são extremamente ricos e quisemos trabalhá-los de uma forma mais sofisticada. Quando apresentamos a coleção no SPFW, o público e a crítica ficaram encantados com a nossa leitura do Ceará por não apresentarmos “mais do mesmo”, por não trabalharmos o artesanato de uma forma caricata.

Tribuna: Pensando em onde a marca conseguiu chegar, o que você diria ser essencial para quem está se lançando em um desafio assim como o que você encarou há 30 anos?

Liana: Nunca pense em desistir. Acredite sempre no seu trabalho e priorize sempre o seu produto. Um produto bem feito é mais forte do que qualquer estratégia de marketing. Claro que o marketing tem sua importância, mas a experiência que o consumidor vai ter com o produto tem um força muito maior para a marca. Essa experiência, a longo prazo, é o que sustenta a marca, é o que faz ela permanecer no mercado. Eu sempre acreditei nisso!

ÁGUA DE COCO: 30 ANOS
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Em comemoração aos 30 anos da marca, a coleção Verão 2016 resgata as tradições da renda e artesanato cearenses (FOTO: Divulgação)

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Verão 2016 – Água de Coco por Liana Thomaz. Clique para ampliar (FOTO: Divulgação)

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Verão 2016 – Água de Coco por Liana Thomaz. Clique para ampliar (FOTO: Divulgação)