Designer cearense premiada é dona de marca de refrigerante na Austrália


Designer cearense premiada é dona de marca de refrigerante na Austrália

Conheça a história inspiradora de Livia Lima. Ela estudou em Auckland, Londres e Nova Iorque, e exibiu seu trabalho no Salão Internacional de Milão

Por Ana Beatriz Leite em Comportamento

11 de janeiro de 2016 às 06:00

Há 4 anos
A designer cearense Livia Lima e o marido Thor Berquist possuem uma empresa de refrigerantes artesanais e irão abrir um bar da fábrica, com conceito desenvolvido por ela (FOTO: Arquivo Pessoal)

A designer cearense Livia Lima e o marido Thor Berquist possuem uma empresa de refrigerantes artesanais em Sydney (FOTO: Arquivo Pessoal)

As histórias de sucesso de cearenses ao redor do mundo nunca deixam de surpreender. A da designer Livia Lima, nascida em Fortaleza e hoje cidadã do mundo, é daquelas que inspiram qualquer um a sair da zona de conforto e enfrentar os desafios em busca do sonho.

Hoje tem uma empresa de refrigerantes orgânicos artesanais com o marido em Sydney, na Austrália, onde em breve também abrirá sua própria empresa de design. Para chegar onde está, porém, Livia esteve sempre aberta às mudanças. De país em país, seguiu com os objetivos em mente e deixou sua marca por onde passou.

Primeira parada: Auckland

Aos dez anos Livia Lima se mudou da capital cearense, sua cidade natal, para o Rio de Janeiro, onde passou a adolescência. Quando completou 20 anos, decidiu conquistar sua independência e deixar o país. Para conseguir financiar o processo de imigração, arrumou um emprego de garçonete. O destino em mente era a Nova Zelândia, país onde já moravam seu pai e seus irmãos, incluindo Ivan Lima, o cearense responsável pelos efeitos visuais de Vingadores 2: A Era de Ultron, na cidade de Waiheke Island. O destino, porém, acabou a enviando para morar sozinha em Auckland.

“Fui aceita no programa de design gráfico da Auckland University of Technology por um milagre! No Brasil não temos aula de arte no colégio, meu portfólio era bem rudimentar. O diretor da faculdade mencionou que quase não me aceitavam, mas viram que eu tinha ideias interessantes por trás do senso estético questionável”, conta.

Livia possuía o apoio da família, mas preferiu aceitar o desafio de se sustentar por conta própria. Sem saber cozinhar ou limpar a casa, e com apenas um colchão e um computador, ela morava em um apartamento sem móveis. Além da faculdade, ela trabalhava em dois empregos. Era bartender e garçonete, tudo para conseguir pagar as contas.

“A vida é nosso próprio design, feita de um passo após o outro, aproveitando todas as chances que aparecerem”.

Com o sonho de fazer mestrado na Royal College of Art, em Londres, sabia que teria de batalhar. Se formou com as melhores notas que a universidade teve dentro de 20 anos e ganhou o prêmio nacional de design New Zealand Best Design Awards, na categoria estudante. Com a premiação, conseguiu estágio na agência de branding DNA, onde em oito meses foi promovida à juniour, à mid e à seniour designer. Junto à sua chefe fundou uma outra empresa, a We Love Inc., na qual foi diretora durante dois anos, o que a garantiu outros 11 prêmios no New Zealand Best Design Awards.

Londres e Nova Iorque

Livia Lima Out Of the Woods Victoria and Albert Museum FOTO Petr Krejci

Fazer design para uma exibição do Victoria & Albert Museum, em Londres, foi um grande sonho realizado. Instalação Out Of the Woods (FOTO: Petr Krejci)

Mesmo feliz com as conquistas na Nova Zelândia, a cearense ainda tinha o mestrado em mente. A cearense foi aceita na sonhada Royal College of Art e se mudou para Londres. “Não sei colocar em palavras o valor do meu mestrado. Meus grandes ídolos do design eram agora meus professores. Neville Brody, Adrian Shaughnessy, Nick Bell, Sara de Bondt… foi um período incrível”, fala entre suspiros.

O trabalho que desenvolveu no período foi exibido no Salão Internacional de Design de Milão, e sua pesquisa foi publicada em grandes revistas especializadas. Ainda em Londres, realizou outro grande sonho, o de fazer o design de uma exibição no Victoria & Albert Museum, uma colaboração entre a Royal College of Art – Departamento de Design Produtos e o Conselho de Exportação de Madeira Americana.

Após o mestrado, foi morar em Nova Iorque ao lado de seu marido, Thor Berquist. Ela o conheceu o seu próprio super-herói em sua primeira semana na Nova Zelândia, com quem se muda pelo mundo desde então. Lá trabalhou como diretora de arte na Spring Studios, e teve como clientes Tom Ford, Michael Kors e Vogue.

“Tudo é possível, você só precisa saber o que quer e planejar os passos para chegar lá”.

Vida nova em Sydney

Após morar em Londres e Nova Iorque, surgiu a vontade de voltar a morar em uma cidade litorânea e, junto a isso, iniciar um projeto em parceria com o marido, que é bartender. “Nos últimos 10 anos, ele trabalhou e gerenciou alguns dos melhores bares do mundo. Eu sabia do talento dele e queríamos criar um produto inovador, juntos”. Se mudaram, então, para Sydney, e começaram a desenvolver seus próprios refrigerantes, orgânicos e naturais, feitos com ervas e temperos nativos da Austrália.

Na cidade, Livia trabalhou na Maud, um estúdio de design premiado. Em julho de 2015, porém, passou a se dedicar exclusivamente para a P.S. Soda, sua empresa com o marido na qual é diretora de criação.

A marca de refrigerantes naturais tem como diferencial o desenvolvimento de sabores exclusivos para clientes, além de sabores sazonais, e está presente em vários bares, restaurantes e hotéis de Sydney, incluindo a turística Opera House. No final do mês, Livia e Thor irão inaugurar um bar próprio da P.S., o P.S. 40, um conceito que une bar e fábrica artesanal. Além disso, a designer cearense também abrirá uma empresa autônoma de design em Sydney, a Ultra Violet.

“A vida é nosso próprio design, feita de um passo após o outro, aproveitando todas as chances que aparecerem. Eu vi tudo como aventura, todas as mudanças de países. Sempre pensava que o pior que poderia acontecer era eu não gostar, e aí a gente muda e começa de novo. Sempre fui muito ambiciosa, não financeiramente, mas em termos de conquistas profissionais e reconhecimentos. Hoje tenho uma nova visão, vivo uma vida equilibrada, com tempo para trabalho, família, amigos e tento nadar no mar todos os dias que fazem sol. Tudo é possível, você só precisa saber o que quer e planejar os passos para chegar lá”, finaliza a realizada cearense.

Conheça mais do trabalho de Livia Lima.

LIVIA LIMA
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Em Sydney, Livia Lima e o marido Thor Berquist abriram a P.S., empresa de refrigerantes naturais artesanais (FOTO: P.S. Soda)

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O diferencial da P.S. Soda é o desenvolvimento de sabores exclusivos para os clientes e sazonais (FOTO: P.S. Soda)

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Livia Lima fez o design da exibição Out Of the Woods no Victoria & Albert Museum, em Londres (FOTO: Petr Krejci)

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O projeto Time Shop consiste em uma loja pop-up de arte e design em exibições de arte, onde os produtos são adquiridos com tempo de visitação, ao invés de dinheiro. Foi exibido no Salão Internacional de Design em Milão (FOTO: Arquivo Pessoal)

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Designer cearense premiada é dona de marca de refrigerante na Austrália

Conheça a história inspiradora de Livia Lima. Ela estudou em Auckland, Londres e Nova Iorque, e exibiu seu trabalho no Salão Internacional de Milão

Por Ana Beatriz Leite em Comportamento

11 de janeiro de 2016 às 06:00

Há 4 anos
A designer cearense Livia Lima e o marido Thor Berquist possuem uma empresa de refrigerantes artesanais e irão abrir um bar da fábrica, com conceito desenvolvido por ela (FOTO: Arquivo Pessoal)

A designer cearense Livia Lima e o marido Thor Berquist possuem uma empresa de refrigerantes artesanais em Sydney (FOTO: Arquivo Pessoal)

As histórias de sucesso de cearenses ao redor do mundo nunca deixam de surpreender. A da designer Livia Lima, nascida em Fortaleza e hoje cidadã do mundo, é daquelas que inspiram qualquer um a sair da zona de conforto e enfrentar os desafios em busca do sonho.

Hoje tem uma empresa de refrigerantes orgânicos artesanais com o marido em Sydney, na Austrália, onde em breve também abrirá sua própria empresa de design. Para chegar onde está, porém, Livia esteve sempre aberta às mudanças. De país em país, seguiu com os objetivos em mente e deixou sua marca por onde passou.

Primeira parada: Auckland

Aos dez anos Livia Lima se mudou da capital cearense, sua cidade natal, para o Rio de Janeiro, onde passou a adolescência. Quando completou 20 anos, decidiu conquistar sua independência e deixar o país. Para conseguir financiar o processo de imigração, arrumou um emprego de garçonete. O destino em mente era a Nova Zelândia, país onde já moravam seu pai e seus irmãos, incluindo Ivan Lima, o cearense responsável pelos efeitos visuais de Vingadores 2: A Era de Ultron, na cidade de Waiheke Island. O destino, porém, acabou a enviando para morar sozinha em Auckland.

“Fui aceita no programa de design gráfico da Auckland University of Technology por um milagre! No Brasil não temos aula de arte no colégio, meu portfólio era bem rudimentar. O diretor da faculdade mencionou que quase não me aceitavam, mas viram que eu tinha ideias interessantes por trás do senso estético questionável”, conta.

Livia possuía o apoio da família, mas preferiu aceitar o desafio de se sustentar por conta própria. Sem saber cozinhar ou limpar a casa, e com apenas um colchão e um computador, ela morava em um apartamento sem móveis. Além da faculdade, ela trabalhava em dois empregos. Era bartender e garçonete, tudo para conseguir pagar as contas.

“A vida é nosso próprio design, feita de um passo após o outro, aproveitando todas as chances que aparecerem”.

Com o sonho de fazer mestrado na Royal College of Art, em Londres, sabia que teria de batalhar. Se formou com as melhores notas que a universidade teve dentro de 20 anos e ganhou o prêmio nacional de design New Zealand Best Design Awards, na categoria estudante. Com a premiação, conseguiu estágio na agência de branding DNA, onde em oito meses foi promovida à juniour, à mid e à seniour designer. Junto à sua chefe fundou uma outra empresa, a We Love Inc., na qual foi diretora durante dois anos, o que a garantiu outros 11 prêmios no New Zealand Best Design Awards.

Londres e Nova Iorque

Livia Lima Out Of the Woods Victoria and Albert Museum FOTO Petr Krejci

Fazer design para uma exibição do Victoria & Albert Museum, em Londres, foi um grande sonho realizado. Instalação Out Of the Woods (FOTO: Petr Krejci)

Mesmo feliz com as conquistas na Nova Zelândia, a cearense ainda tinha o mestrado em mente. A cearense foi aceita na sonhada Royal College of Art e se mudou para Londres. “Não sei colocar em palavras o valor do meu mestrado. Meus grandes ídolos do design eram agora meus professores. Neville Brody, Adrian Shaughnessy, Nick Bell, Sara de Bondt… foi um período incrível”, fala entre suspiros.

O trabalho que desenvolveu no período foi exibido no Salão Internacional de Design de Milão, e sua pesquisa foi publicada em grandes revistas especializadas. Ainda em Londres, realizou outro grande sonho, o de fazer o design de uma exibição no Victoria & Albert Museum, uma colaboração entre a Royal College of Art – Departamento de Design Produtos e o Conselho de Exportação de Madeira Americana.

Após o mestrado, foi morar em Nova Iorque ao lado de seu marido, Thor Berquist. Ela o conheceu o seu próprio super-herói em sua primeira semana na Nova Zelândia, com quem se muda pelo mundo desde então. Lá trabalhou como diretora de arte na Spring Studios, e teve como clientes Tom Ford, Michael Kors e Vogue.

“Tudo é possível, você só precisa saber o que quer e planejar os passos para chegar lá”.

Vida nova em Sydney

Após morar em Londres e Nova Iorque, surgiu a vontade de voltar a morar em uma cidade litorânea e, junto a isso, iniciar um projeto em parceria com o marido, que é bartender. “Nos últimos 10 anos, ele trabalhou e gerenciou alguns dos melhores bares do mundo. Eu sabia do talento dele e queríamos criar um produto inovador, juntos”. Se mudaram, então, para Sydney, e começaram a desenvolver seus próprios refrigerantes, orgânicos e naturais, feitos com ervas e temperos nativos da Austrália.

Na cidade, Livia trabalhou na Maud, um estúdio de design premiado. Em julho de 2015, porém, passou a se dedicar exclusivamente para a P.S. Soda, sua empresa com o marido na qual é diretora de criação.

A marca de refrigerantes naturais tem como diferencial o desenvolvimento de sabores exclusivos para clientes, além de sabores sazonais, e está presente em vários bares, restaurantes e hotéis de Sydney, incluindo a turística Opera House. No final do mês, Livia e Thor irão inaugurar um bar próprio da P.S., o P.S. 40, um conceito que une bar e fábrica artesanal. Além disso, a designer cearense também abrirá uma empresa autônoma de design em Sydney, a Ultra Violet.

“A vida é nosso próprio design, feita de um passo após o outro, aproveitando todas as chances que aparecerem. Eu vi tudo como aventura, todas as mudanças de países. Sempre pensava que o pior que poderia acontecer era eu não gostar, e aí a gente muda e começa de novo. Sempre fui muito ambiciosa, não financeiramente, mas em termos de conquistas profissionais e reconhecimentos. Hoje tenho uma nova visão, vivo uma vida equilibrada, com tempo para trabalho, família, amigos e tento nadar no mar todos os dias que fazem sol. Tudo é possível, você só precisa saber o que quer e planejar os passos para chegar lá”, finaliza a realizada cearense.

Conheça mais do trabalho de Livia Lima.

LIVIA LIMA
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Em Sydney, Livia Lima e o marido Thor Berquist abriram a P.S., empresa de refrigerantes naturais artesanais (FOTO: P.S. Soda)

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O diferencial da P.S. Soda é o desenvolvimento de sabores exclusivos para os clientes e sazonais (FOTO: P.S. Soda)

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Livia Lima fez o design da exibição Out Of the Woods no Victoria & Albert Museum, em Londres (FOTO: Petr Krejci)

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O projeto Time Shop consiste em uma loja pop-up de arte e design em exibições de arte, onde os produtos são adquiridos com tempo de visitação, ao invés de dinheiro. Foi exibido no Salão Internacional de Design em Milão (FOTO: Arquivo Pessoal)