Conhece o artesão que faz as esculturas na Av. Barão de Studart? É jardineiro do Palácio da Abolição!

DEDICAÇÃO

Conhece o artesão que faz as esculturas na Av. Barão de Studart? É jardineiro do Palácio da Abolição!

Há 14 anos, o jardineiro concilia seus momentos livres no trabalho para produzir suas esculturas que trazem aspectos de sua própria vida

Por Daniel Rocha em Comportamento

16 de outubro de 2017 às 06:23

Há 2 anos

As obras de Eduardo são expostas no canteiro central da avenida Barão de Studart (FOTO: Daniel Rocha/Reprodução)

A rotina começa cedo. Às 5h30, Luís Eduardo Ângelo começa a dar voltas pelo Palácio da Abolição, no bairro Meireles, para encontrar matérias-primas para mais uma escultura. Transformar carpete, luvas, restos de árvores, latas entre outros materiais em personagens nordestinos é o seu hobby.

Nas horas livres – ele trabalha como jardineiro na sede do Governo do Estado -, Eduardo põe a “cabeça a pensar” para dar vida àqueles materiais. Ao ver o resultado, se orgulha e exibe no canteiro central da Avenida Barão Studart e em alguns ambientes da sede do Governo Estadual.

“No meu antigo trabalho, uma árvore centenária havia caído e eu vi as pessoas colocando os galhos no lixo. De repente, pensei que pudesse servir para alguma coisa. Foi aí quando tive a ideia quando vi um galho em forma de “Y”. Coloquei de cabeça para baixo, vi umas pernas de uma pessoa. Coloquei mais dois galhos e com mais uns detalhes, criei um índio”, relembra sua primeira obra em 2003.

De acordo com Eduardo, ao colocar a sua arte no gramado do Palácio de Iracema (Edson Queiroz), as pessoas olhavam e se admiravam com a criatividade. Perguntavam quem era o autor da obra. No Palácio da Abolição, não foi diferente. Os colegas de trabalho o chama de “grande artista”. Com o chapéu de cangaceiro na cabeça para se proteger “do sol”, ele sorri e agradece o reconhecimento.

“Eu já fiz um pescador.  Um violeiro porque eu gosto muito de música e depois fiz um sanfoneiro. Cada dia, um personagem nascia”, esclarece. Durante esses 14 anos, Luís acredita que já produziu cerca de 2 mil obras. Todos expostos em locais públicos para todos poderem ver. E deu certo. O seu trabalho não está presente apenas em Fortaleza. Também está exposto no exterior. Em 2008, vendeu quatro obras para uma funcionária pública do Palácio de Iracema que presentou um amigo da Coréia do Sul. “Minhas peças foram para Coréia”, diz orgulhoso.

Luís Eduardo exibe a sua próxima obra que está construindo: um saci-pererê. A escultura é feita por madeira, lata e restos de madeira (FOTO: Daniel Rocha/Tribuna do Ceará)

Além de arte, as esculturas de Luís Eduardo também contam suas histórias. O jardineiro se inspira em suas vivências no campo quando morava com os seus pais no município de Pentecoste para produzir as esculturas. Os personagens não são produzidos por acaso.

“Meus pais sempre me levavam à roça para trabalhar. No caso, eu faço jumento porque busquei muita água de jumento. Faço pescador porque também pesquei bastante. Eu sou do interior mesmo. Vim para Fortaleza já com 20 anos por conta da seca”, relembra.

Planos para o futuro

Faltam menos de três meses para o fim do ano, Luís Eduardo já pensa na festa de Natal. Em outros anos, chegou a vender alguns presépios natalinos e conseguir uma renda extra. Vendeu oito em um único ano, custando cada um R$ 100. Para ele, foi um dinheiro significativo que ganhou no fim do mês.

Neste ano, não vai ser diferente. Pretende produzi-los para vender. O tempo gasto para montar é em média de dois dias. As peças menores demandam maior tempo por conta dos detalhes.

“Uma pessoa compra e leva para casa e desperta para outras pessoas. E aí vai surgindo a demanda. Para mim, isso sempre foi um hobby. Então, o que surgir é lucro”, conta.

Mas o jardineiro pensa ainda mais longe. Com 52 anos, ele vislumbra a aposentadoria para poder se dedicar exclusivamente para sua arte. “Minha intenção é de quando me aposentar porque vou ter uma renda só para viver para poder aperfeiçoar minhas esculturas”, planeja.

Os interessados em encomendar alguma obra de Luís Eduardo podem entrar por meio do contato: (85) 98714-5095.

Leia também:
Artista anônimo, jardineiro da sede do governo transforma restos de árvores em esculturas

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Conhece o artesão que faz as esculturas na Av. Barão de Studart? É jardineiro do Palácio da Abolição!

Há 14 anos, o jardineiro concilia seus momentos livres no trabalho para produzir suas esculturas que trazem aspectos de sua própria vida

Por Daniel Rocha em Comportamento

16 de outubro de 2017 às 06:23

Há 2 anos

As obras de Eduardo são expostas no canteiro central da avenida Barão de Studart (FOTO: Daniel Rocha/Reprodução)

A rotina começa cedo. Às 5h30, Luís Eduardo Ângelo começa a dar voltas pelo Palácio da Abolição, no bairro Meireles, para encontrar matérias-primas para mais uma escultura. Transformar carpete, luvas, restos de árvores, latas entre outros materiais em personagens nordestinos é o seu hobby.

Nas horas livres – ele trabalha como jardineiro na sede do Governo do Estado -, Eduardo põe a “cabeça a pensar” para dar vida àqueles materiais. Ao ver o resultado, se orgulha e exibe no canteiro central da Avenida Barão Studart e em alguns ambientes da sede do Governo Estadual.

“No meu antigo trabalho, uma árvore centenária havia caído e eu vi as pessoas colocando os galhos no lixo. De repente, pensei que pudesse servir para alguma coisa. Foi aí quando tive a ideia quando vi um galho em forma de “Y”. Coloquei de cabeça para baixo, vi umas pernas de uma pessoa. Coloquei mais dois galhos e com mais uns detalhes, criei um índio”, relembra sua primeira obra em 2003.

De acordo com Eduardo, ao colocar a sua arte no gramado do Palácio de Iracema (Edson Queiroz), as pessoas olhavam e se admiravam com a criatividade. Perguntavam quem era o autor da obra. No Palácio da Abolição, não foi diferente. Os colegas de trabalho o chama de “grande artista”. Com o chapéu de cangaceiro na cabeça para se proteger “do sol”, ele sorri e agradece o reconhecimento.

“Eu já fiz um pescador.  Um violeiro porque eu gosto muito de música e depois fiz um sanfoneiro. Cada dia, um personagem nascia”, esclarece. Durante esses 14 anos, Luís acredita que já produziu cerca de 2 mil obras. Todos expostos em locais públicos para todos poderem ver. E deu certo. O seu trabalho não está presente apenas em Fortaleza. Também está exposto no exterior. Em 2008, vendeu quatro obras para uma funcionária pública do Palácio de Iracema que presentou um amigo da Coréia do Sul. “Minhas peças foram para Coréia”, diz orgulhoso.

Luís Eduardo exibe a sua próxima obra que está construindo: um saci-pererê. A escultura é feita por madeira, lata e restos de madeira (FOTO: Daniel Rocha/Tribuna do Ceará)

Além de arte, as esculturas de Luís Eduardo também contam suas histórias. O jardineiro se inspira em suas vivências no campo quando morava com os seus pais no município de Pentecoste para produzir as esculturas. Os personagens não são produzidos por acaso.

“Meus pais sempre me levavam à roça para trabalhar. No caso, eu faço jumento porque busquei muita água de jumento. Faço pescador porque também pesquei bastante. Eu sou do interior mesmo. Vim para Fortaleza já com 20 anos por conta da seca”, relembra.

Planos para o futuro

Faltam menos de três meses para o fim do ano, Luís Eduardo já pensa na festa de Natal. Em outros anos, chegou a vender alguns presépios natalinos e conseguir uma renda extra. Vendeu oito em um único ano, custando cada um R$ 100. Para ele, foi um dinheiro significativo que ganhou no fim do mês.

Neste ano, não vai ser diferente. Pretende produzi-los para vender. O tempo gasto para montar é em média de dois dias. As peças menores demandam maior tempo por conta dos detalhes.

“Uma pessoa compra e leva para casa e desperta para outras pessoas. E aí vai surgindo a demanda. Para mim, isso sempre foi um hobby. Então, o que surgir é lucro”, conta.

Mas o jardineiro pensa ainda mais longe. Com 52 anos, ele vislumbra a aposentadoria para poder se dedicar exclusivamente para sua arte. “Minha intenção é de quando me aposentar porque vou ter uma renda só para viver para poder aperfeiçoar minhas esculturas”, planeja.

Os interessados em encomendar alguma obra de Luís Eduardo podem entrar por meio do contato: (85) 98714-5095.

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