"Minha intenção era dar mais visibilidade à sinalização", diz autor de intervenção em semáforos

ENTREVISTA

“Minha intenção era dar mais visibilidade à sinalização”, diz autor de intervenção em semáforos

Narcélio Grud concedeu entrevista ao Tribuna do Ceará e destacou as reflexões que a arte urbana causa no cotidiano de uma cidade

Por Matheus Ribeiro em Comportamento

26 de agosto de 2016 às 11:46

Há 3 anos
narcelio-grud

Intervenções se tornaram frequente na Capital (FOTO: Arquivo Pessoal)

As artes de rua que ocupam cada vez mais muros e espaços públicos de Fortaleza contrastam e chamam atenção no cotidiano da cidade.

Esse tipo de manifestação está em todos os cantos: em casas, muros, viadutos, espaços públicos, e impressionam quem passa próximo. Como é o caso dos “Semáforos com rostos”, na capital cearense.

Na última semana, uma intervenção artística em sinais de trânsito de Fortaleza chamou atenção de pedestres e motoristas que passaram pelas principais avenidas da cidade.

Um artista criou rostos em sinais de trânsito através de desenhos engraçados. Em alguns dos cruzamentos, era possível perceber semáforo com a “aparência” do personagem ‘Bart’, do seriado americano “Os Simpsons”. Em outro cruzamento, o motorista era surpreendido com um semáforo com “cabelos ao vento”. No mesmo dia, a Autarquia Municipal de Trânsito retirou as artes nos semáforos, pois, segundo o órgão, a intervenção descaracterizava os sinais da cidade.

O autor dessas obras é o cearense Narcélio Grud. Em entrevista ao Tribuna do Ceará, o artista destacou as reflexão que a arte urbana causa na cidade. Acostumado a reproduzir seus traços pelas vias públicas de Fortaleza, o artista também é conhecido por diversas exposições do seu trabalho mundo a fora.

Essa conversa você confere abaixo: 

Tribuna do Ceará: Desde quando você faz arte de rua?
Narcélio Grud: “A rua sempre foi meu playground. Das brincadeiras de bila, bola, arraia e afins da infância, do skate e a pichação na adolescência foram todas feitas na rua. E, hoje, enquanto adulto, acho que a arte vem desses links de vivência e afeto. Então me considero artista desde criança”.

Tribuna: Como você descobriu que tinha dom?
Narcélio: “Venho descobrindo algumas facilidades diariamente. Não sei ao certo se é um dom. Mas o fato é que estou trabalhando para conseguir domínio das técnicas e de mim mesmo. Acho mais que é pela vivência, pela prática de fazer arte”.

Tribuna: Qual a reflexão que você tira através da arte urbana? O que você acha que ela expressa no cotidiano?
Narcélio: “De fato ela tem um papel super importante. Com ela, podemos sentir mais, nos permitirmos mais, nos encontrarmos mais, nos engajarmos mais, nos aproximarmos mais uns dos outros. As cidades são para as pessoas, e é bom sempre nos lembrarmos disso. A arte urbana pode ser um facilitador disso tudo. E acredito que faz toda diferença”.

 

Tribuna: Em relação à arte nos semáforos de Fortaleza. O que você quis mostrar?
Narcélio: “A ideia foi chamar atenção para a sinalização mesmo. O trânsito de Fortaleza é muito violento! Pelos dados disponibilizados no site do Detran, em 2015 foram 23.270 acidentes, com 436 mortos e 7.049 feridos. Uma média de sete mortos e 33 feridos por dia. São tantos semáforos, fotossensores, guardas de transito, leis mais rígidas e, mesmo assim, os números de acidentes são altíssimos. Então, a minha intenção com essa intervenção era a de dar mais visibilidade à sinalização. Para isso, utilizei os meios artísticos, que é algo que já acontece em diversas cidades do planeta e, eu enquanto artista, faço o que posso”.

Tribuna: Uma das reivindicações dos órgãos de trânsito foi que aquela intervenção artística prejudicava a sinalização do trânsito. O que você acha disso?
Narcélio: “Não vejo que a intervenção prejudicou a sinalização de trânsito. Na realidade, chamou mais atenção para os semáforos. E, da forma como a arte foi feita, não trouxe nenhum dano ao funcionamento e à visualização das luzes, que regulam o fluxo. Entendo o desconforto dos órgãos de trânsito, que são os principais responsáveis pelo trânsito, mas não os únicos. Vi muitas pessoas admirando, curtindo, achando graça, elogiando. Então, temos que entender que a arte é para o povo.”

Arte de Rua
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Arte de Rua

As intervenções chamaram atenção de motoristas e pedestres de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

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As intervenções chamaram atenção de motoristas e pedestres de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

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As intervenções chamaram atenção de motoristas e pedestres de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

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As intervenções chamaram atenção de motoristas e pedestres de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

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“Minha intenção era dar mais visibilidade à sinalização”, diz autor de intervenção em semáforos

Narcélio Grud concedeu entrevista ao Tribuna do Ceará e destacou as reflexões que a arte urbana causa no cotidiano de uma cidade

Por Matheus Ribeiro em Comportamento

26 de agosto de 2016 às 11:46

Há 3 anos
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Intervenções se tornaram frequente na Capital (FOTO: Arquivo Pessoal)

As artes de rua que ocupam cada vez mais muros e espaços públicos de Fortaleza contrastam e chamam atenção no cotidiano da cidade.

Esse tipo de manifestação está em todos os cantos: em casas, muros, viadutos, espaços públicos, e impressionam quem passa próximo. Como é o caso dos “Semáforos com rostos”, na capital cearense.

Na última semana, uma intervenção artística em sinais de trânsito de Fortaleza chamou atenção de pedestres e motoristas que passaram pelas principais avenidas da cidade.

Um artista criou rostos em sinais de trânsito através de desenhos engraçados. Em alguns dos cruzamentos, era possível perceber semáforo com a “aparência” do personagem ‘Bart’, do seriado americano “Os Simpsons”. Em outro cruzamento, o motorista era surpreendido com um semáforo com “cabelos ao vento”. No mesmo dia, a Autarquia Municipal de Trânsito retirou as artes nos semáforos, pois, segundo o órgão, a intervenção descaracterizava os sinais da cidade.

O autor dessas obras é o cearense Narcélio Grud. Em entrevista ao Tribuna do Ceará, o artista destacou as reflexão que a arte urbana causa na cidade. Acostumado a reproduzir seus traços pelas vias públicas de Fortaleza, o artista também é conhecido por diversas exposições do seu trabalho mundo a fora.

Essa conversa você confere abaixo: 

Tribuna do Ceará: Desde quando você faz arte de rua?
Narcélio Grud: “A rua sempre foi meu playground. Das brincadeiras de bila, bola, arraia e afins da infância, do skate e a pichação na adolescência foram todas feitas na rua. E, hoje, enquanto adulto, acho que a arte vem desses links de vivência e afeto. Então me considero artista desde criança”.

Tribuna: Como você descobriu que tinha dom?
Narcélio: “Venho descobrindo algumas facilidades diariamente. Não sei ao certo se é um dom. Mas o fato é que estou trabalhando para conseguir domínio das técnicas e de mim mesmo. Acho mais que é pela vivência, pela prática de fazer arte”.

Tribuna: Qual a reflexão que você tira através da arte urbana? O que você acha que ela expressa no cotidiano?
Narcélio: “De fato ela tem um papel super importante. Com ela, podemos sentir mais, nos permitirmos mais, nos encontrarmos mais, nos engajarmos mais, nos aproximarmos mais uns dos outros. As cidades são para as pessoas, e é bom sempre nos lembrarmos disso. A arte urbana pode ser um facilitador disso tudo. E acredito que faz toda diferença”.

 

Tribuna: Em relação à arte nos semáforos de Fortaleza. O que você quis mostrar?
Narcélio: “A ideia foi chamar atenção para a sinalização mesmo. O trânsito de Fortaleza é muito violento! Pelos dados disponibilizados no site do Detran, em 2015 foram 23.270 acidentes, com 436 mortos e 7.049 feridos. Uma média de sete mortos e 33 feridos por dia. São tantos semáforos, fotossensores, guardas de transito, leis mais rígidas e, mesmo assim, os números de acidentes são altíssimos. Então, a minha intenção com essa intervenção era a de dar mais visibilidade à sinalização. Para isso, utilizei os meios artísticos, que é algo que já acontece em diversas cidades do planeta e, eu enquanto artista, faço o que posso”.

Tribuna: Uma das reivindicações dos órgãos de trânsito foi que aquela intervenção artística prejudicava a sinalização do trânsito. O que você acha disso?
Narcélio: “Não vejo que a intervenção prejudicou a sinalização de trânsito. Na realidade, chamou mais atenção para os semáforos. E, da forma como a arte foi feita, não trouxe nenhum dano ao funcionamento e à visualização das luzes, que regulam o fluxo. Entendo o desconforto dos órgãos de trânsito, que são os principais responsáveis pelo trânsito, mas não os únicos. Vi muitas pessoas admirando, curtindo, achando graça, elogiando. Então, temos que entender que a arte é para o povo.”

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As intervenções chamaram atenção de motoristas e pedestres de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

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As intervenções chamaram atenção de motoristas e pedestres de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

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