Projeto social leva corte de cabelo gratuito para comunidades carentes


Projeto social leva corte de cabelo gratuito para comunidades carentes

O projeto Barbeiros do Bem, idealizado pelo cearense Sullivan Amaro, leva cortes de cabelo gratuitos para comunidades carentes de Fortaleza

Por Juliana Teófilo em Comportamento

25 de novembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
A ideia dos Barbeiros do Bem é restaurar o bem-estar e a autoestima das pessoas atendidas. (FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

A ideia dos Barbeiros do Bem é restaurar o bem-estar e a autoestima das pessoas atendidas. (FOTO: Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

Quando assistia, com olhos atentos e admirados, aos trabalhos sociais desenvolvidos pelo pai Paulo Pinto Carvalho, o menino Sullivan Amaro achava maravilhosa a alegria das crianças do Bom Sucesso, bairro onde moravam, em Fortaleza. “O projeto do meu pai realizava atividades lúdicas, brincadeiras, oferecia lanches e acesso à religião. Eu cresci achando tudo aquilo um máximo e pensava: ‘Um dia eu ainda vou fazer alguma coisa parecida’”, conta.

Os anos se passaram, e o pequeno Sullivan tornou-se homem e escolheu (ou melhor, foi escolhido por) uma profissão. “Passei a frequentar salões de beleza, porque ajudava meu pai com a sua empresa de automação comercial. Foi assim que conheci um casal, a Mirtes e o Irailton, que tinham um salão e estavam precisando de pessoal. Fui convidado por eles para trabalhar por lá e, mesmo negando a princípio, depois de seis meses acabei entrando no ramo”.

Depois de seis anos na área, Sullivan pegou-se relembrando a infância e os projetos sociais desenvolvidos pelo pai. “Um dia, assistindo a uma dessas ações sociais que acontecem na cidade, eu comecei a reparar que médicos, dentistas, enfermeiros e outros profissionais formados abdicavam um dia de trabalho para prestar esses serviços a pessoas que não tem condições”, explica. “Na minha área, por outro lado, só quem prestava serviços sociais para a comunidade eram pessoas que estavam aprendendo”, completa.

“Não é porque o serviço é feito numa comunidade carente que deve ser de má qualidade”. (Sullivan Amaro)

E foi a partir dessa inquietação que o jovem cabeleireiro e barbeiro decidiu criar um projeto social: o Barbeiros do Bem. A ideia de Sullivan é não apenas prestar um serviço para a sociedade, mas, também, restaurar o bem-estar e a autoestima das pessoas atendidas.

“Quando vamos fazer um serviço desses, a ideia é que a pessoa saia se sentindo bem, feliz. E acabava que as pessoas saíam insatisfeitas com o serviço feito por pessoas que ainda não tinham experiência. Eu penso que não é porque o serviço é feito numa comunidade carente que deve ser de má qualidade”, exclama.

“O que eu acho legal de cortar cabelo é que a gente acaba sendo um pouco tudo para aquela pessoa: um pouco amigo, um pouco psicólogo, um pouco confidente. Eu estava atendendo nesse orfanato, e uma das crianças tinha acabado de perder o pai para as drogas, logo após também ter perdido a mãe. E foi ele, sentado na minha cadeira, que contou a história. Fiquei pensando que é muita confiança de uma criança dessas falar algo assim para um desconhecido, mas ele falou para mim”, conta emocionado.

Barbeiros do Bem
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Apesar do que o nome pode sugerir, o projeto é, por hora, encabeçado e desenvolvido apenas por Sullivan. (FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

Barbeiros do Bem
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Em atividade há pouco mais de dois meses, O Barbeiros do Bem já visitou uma casa de adoção na capital e a Associação dos Moradores do Bairro João XXIII. (FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

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A ideia de Sullivan é não apenas prestar um serviço para a sociedade, mas, também, restaurar o bem-estar e a autoestima das pessoas atendidas.(FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

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Barbeiros do Bem

Apesar das dificuldades, o idealizador do projeto espera que outros profissionais se juntem a causa e garante que novos desdobramentos do projeto estão por vim. (FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

Em atividade há pouco mais de dois meses, o Barbeiros do Bem já visitou uma casa de adoção na capital e a Associação dos Moradores do Bairro João XXIII. E, apesar do que o nome pode sugerir, o projeto que leva cortes de cabelo para pessoas carentes é, por hora, encabeçado e desenvolvido apenas por Sullivan.

A explicação para isso é a rotina atribulada dos profissionais da beleza. “Na minha área, o tempo é curto, muitas vezes as pessoas só têm a segunda-feira para resolver problemas pessoais. Os meninos do Sr Barbeiro, por exemplo, têm muito interesse em participar, mas, muitas vezes, não conseguem encontrar uma brecha na agenda”, explica.

“A minha ideia é daqui há uns anos, eu possa ter um projeto que capacite as pessoas”.

Apesar das dificuldades, o idealizador do projeto espera que outros profissionais se juntem à causa, e garante que novos desdobramentos do projeto estão por vir. “Eu me criei em um bairro pobre, no Bom Sucesso. E meu principal objetivo como pessoa e como alguém da periferia é poder proporcionar a pessoas da minha comunidade e de comunidades adjacentes perspectiva de vida. A minha ideia é que, daqui a uns anos, eu possa ter um projeto que capacite as pessoas, para que elas, por meio de seu trabalho, possam estar dentro da comunidade ou atingindo outras pessoas, como o que aconteceu comigo”, finaliza.

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Projeto social leva corte de cabelo gratuito para comunidades carentes

O projeto Barbeiros do Bem, idealizado pelo cearense Sullivan Amaro, leva cortes de cabelo gratuitos para comunidades carentes de Fortaleza

Por Juliana Teófilo em Comportamento

25 de novembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
A ideia dos Barbeiros do Bem é restaurar o bem-estar e a autoestima das pessoas atendidas. (FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

A ideia dos Barbeiros do Bem é restaurar o bem-estar e a autoestima das pessoas atendidas. (FOTO: Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

Quando assistia, com olhos atentos e admirados, aos trabalhos sociais desenvolvidos pelo pai Paulo Pinto Carvalho, o menino Sullivan Amaro achava maravilhosa a alegria das crianças do Bom Sucesso, bairro onde moravam, em Fortaleza. “O projeto do meu pai realizava atividades lúdicas, brincadeiras, oferecia lanches e acesso à religião. Eu cresci achando tudo aquilo um máximo e pensava: ‘Um dia eu ainda vou fazer alguma coisa parecida’”, conta.

Os anos se passaram, e o pequeno Sullivan tornou-se homem e escolheu (ou melhor, foi escolhido por) uma profissão. “Passei a frequentar salões de beleza, porque ajudava meu pai com a sua empresa de automação comercial. Foi assim que conheci um casal, a Mirtes e o Irailton, que tinham um salão e estavam precisando de pessoal. Fui convidado por eles para trabalhar por lá e, mesmo negando a princípio, depois de seis meses acabei entrando no ramo”.

Depois de seis anos na área, Sullivan pegou-se relembrando a infância e os projetos sociais desenvolvidos pelo pai. “Um dia, assistindo a uma dessas ações sociais que acontecem na cidade, eu comecei a reparar que médicos, dentistas, enfermeiros e outros profissionais formados abdicavam um dia de trabalho para prestar esses serviços a pessoas que não tem condições”, explica. “Na minha área, por outro lado, só quem prestava serviços sociais para a comunidade eram pessoas que estavam aprendendo”, completa.

“Não é porque o serviço é feito numa comunidade carente que deve ser de má qualidade”. (Sullivan Amaro)

E foi a partir dessa inquietação que o jovem cabeleireiro e barbeiro decidiu criar um projeto social: o Barbeiros do Bem. A ideia de Sullivan é não apenas prestar um serviço para a sociedade, mas, também, restaurar o bem-estar e a autoestima das pessoas atendidas.

“Quando vamos fazer um serviço desses, a ideia é que a pessoa saia se sentindo bem, feliz. E acabava que as pessoas saíam insatisfeitas com o serviço feito por pessoas que ainda não tinham experiência. Eu penso que não é porque o serviço é feito numa comunidade carente que deve ser de má qualidade”, exclama.

“O que eu acho legal de cortar cabelo é que a gente acaba sendo um pouco tudo para aquela pessoa: um pouco amigo, um pouco psicólogo, um pouco confidente. Eu estava atendendo nesse orfanato, e uma das crianças tinha acabado de perder o pai para as drogas, logo após também ter perdido a mãe. E foi ele, sentado na minha cadeira, que contou a história. Fiquei pensando que é muita confiança de uma criança dessas falar algo assim para um desconhecido, mas ele falou para mim”, conta emocionado.

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Apesar do que o nome pode sugerir, o projeto é, por hora, encabeçado e desenvolvido apenas por Sullivan. (FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

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Barbeiros do Bem

Em atividade há pouco mais de dois meses, O Barbeiros do Bem já visitou uma casa de adoção na capital e a Associação dos Moradores do Bairro João XXIII. (FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

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A ideia de Sullivan é não apenas prestar um serviço para a sociedade, mas, também, restaurar o bem-estar e a autoestima das pessoas atendidas.(FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

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Barbeiros do Bem

Apesar das dificuldades, o idealizador do projeto espera que outros profissionais se juntem a causa e garante que novos desdobramentos do projeto estão por vim. (FOTO: Arquivo Barbeiros do Bem/Diego Dinelly)

Em atividade há pouco mais de dois meses, o Barbeiros do Bem já visitou uma casa de adoção na capital e a Associação dos Moradores do Bairro João XXIII. E, apesar do que o nome pode sugerir, o projeto que leva cortes de cabelo para pessoas carentes é, por hora, encabeçado e desenvolvido apenas por Sullivan.

A explicação para isso é a rotina atribulada dos profissionais da beleza. “Na minha área, o tempo é curto, muitas vezes as pessoas só têm a segunda-feira para resolver problemas pessoais. Os meninos do Sr Barbeiro, por exemplo, têm muito interesse em participar, mas, muitas vezes, não conseguem encontrar uma brecha na agenda”, explica.

“A minha ideia é daqui há uns anos, eu possa ter um projeto que capacite as pessoas”.

Apesar das dificuldades, o idealizador do projeto espera que outros profissionais se juntem à causa, e garante que novos desdobramentos do projeto estão por vir. “Eu me criei em um bairro pobre, no Bom Sucesso. E meu principal objetivo como pessoa e como alguém da periferia é poder proporcionar a pessoas da minha comunidade e de comunidades adjacentes perspectiva de vida. A minha ideia é que, daqui a uns anos, eu possa ter um projeto que capacite as pessoas, para que elas, por meio de seu trabalho, possam estar dentro da comunidade ou atingindo outras pessoas, como o que aconteceu comigo”, finaliza.