Amigos criam negócio que é, ao mesmo tempo, brechó, galeria de arte, hostel e casa de família


Amigos criam negócio que é, ao mesmo tempo, brechó, galeria de arte, hostel e casa de família

A Multikasa ainda prepara almoço solidário: quem participa paga apenas o que acha que deve. As contas de água e luz também são coletivas

Por Juliana Teófilo em Cultura

14 de novembro de 2015 às 06:06

Há 4 anos
A Multikasa é ponto cultural em funcionamento na cidade há 10 meses na Rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema (FOTO: Reprodução/Igor de Melo - Projeto Vós)

A Multikasa é ponto cultural em funcionamento na cidade há 10 meses na Rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

“Karel!”, o grito de Adson ecoa pelas paredes e alcança o teto alto da casa encravada na Rua dos Tabajaras, tradicional via cultural do Bairro Praia de Iracema, em Fortaleza. “Tia Michelle, chama o Karel”, acrescenta Adson logo em seguida. Alguém que caminhasse pela rua tranquila povoada apenas pelo som de carros e do mar ao fundo, poderia pensar tratar-se de uma situação familiar corriqueira. Mas, do portão, pode-se vislumbrar um pouco do que a Multikasa é.

Uma grande parede escrita a giz traz um manifesto do que eles são, além, é claro, da grande e multifacetada família de amigos: “Multi-interação visionária persistente em busca de arte e cultura”. Em termos práticos, a Multikasa, ponto cultural em funcionamento na cidade há 10 meses, é o que seu nome propõe: um organismo multicelular, em constante adaptação. Um café, um coworking, um brechó, um hostel, uma galeria de artes e uma casa de família.

O Karel, chamado por Adson, é Karel Guerra, advogado, produtor cultural e um dos idealizadores do espaço. Descontraído, o rapaz senta-se em um dos sofás da ampla sala de estar, que também funciona como café e como brechó e, depois de um silêncio quase teatral, inicia a narrativa de como teve a ideia para o tal espaço multicultural. “Conheci a Raquel, do café BemBem, porque nós dois tínhamos projetos culturais na Aldeota. Eu com Casa do Karel, na Rua Costa Barros, que realizava festas de música autoral cearense e ela com uns projetos na Rua Rodrigues Júnior”. explica.

Enfrentando o mesmo problema com a questão de barulho em uma área residencial, a dupla resolveu unir forças e alugar um local na tradicional área boemia da cidade: a Praia de Iracema. O produtor cultural conta, ainda, que aos poucos os quatro eixos, que são a base de trabalho da Multikasa hoje, tomaram forma. “Eu queria que essa casa fosse uma ferramenta para impulsionar um projeto que tem quatro eixos: intercâmbio cultural, formação, produção de bandas locais e eventos”, completa.

“Ao meio-dia servimos, e cada pessoa que come com a gente só paga o que acha que deve pagar”. (Adson Diniz)

São os esforços coletivos e coordenados em torno desses quatro objetivos que compõem o dia-a-dia do espaço e de seus cinco residentes, além dos “rotativos”, como eles costumam chamar os colaboradores que também emprestam suas expertises para fazer tudo funcionar nos conformes. “Acho que a Multikasa é uma ferramenta, um meio de existência. Não gosto da palavra resistência, porque ela pressupõe que você está fazendo algo errado, que você está resistindo, e nós não estamos fazendo nada errado aqui, não estamos resistindo, nós estamos existindo”, exclama Karel.

“Vejo essa casa como muito mais que um café e uma produtora. Vejo a casa como uma espécie de associação, um ponto de cultura. Um lugar onde acontece incentivo forte à arte a e à cultura locais”, completa “tia” Michelle Tajra, socióloga pós-graduada e designer.

Rotina doméstica

O projeto funciona a partir de quatro eixos: intercâmbio cultural, formação, produção de bandas locais e eventos (FOTO: Reprodução/Igor de Melo - Projeto Vós)

O projeto funciona a partir de quatro eixos: intercâmbio cultural, formação, produção de bandas locais e eventos (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

Em uma parede da casa de três andares, alguns papeis afixados convidam para uma olhada. São os débitos do funcionamento da casa, como luz, água, internet e impostos. Até aí, nada fora do comum. Mas o que torna a rotina doméstica da Multikasa singular é como essas contas são pagas.

“As contas da casa funcionam assim: nós deixamos elas expostas ali na parede. É mais ou menos mil e tanto de luz, mais não sei quanto de água, IPTU, taxa de marinha, internet. A gente deixa lá e tenta fazer com que as atividades da casa se paguem”, explica Karel de forma simples.

Cada atividade, como o brechó, a produtora e o café, paga uma quantia fixa de aluguel do espaço. Além da possibilidade de doações por parte dos membros da casa ou visitantes. “Acaba acontecendo de pessoas ajudarem. O Cedrik, um dos nosso residentes, mês passado tinha um dinheiro em caixa e colocou mais uma quantia para dar uma força nas contas”, completa Karel.

“Nós não estamos fazendo nada errado aqui, não estamos resistindo, nós estamos existindo”. (Karel Guerra)

Um das iniciativas que a casa tem encontrado para garantir o sustento e as atividades que acontecem semanalmente por lá é a participação em um crowdfunding. A ideia é juntar dinheiro para um ano de programação e/ou para a reforma da casa. Além disso, os administradores do local planejam escrever o projeto no programa Rumos (projeto da iniciativa privada que contempla mais de mil projetos culturais no país) e inscrever o projeto em editais governamentais.

“O que eu sinto falta aqui no Ceará é de estímulo e de incentivo para esse tipo de empreendimento. Acho que a prefeitura, por exemplo, poderia ter uma espécie de IPTU diferenciado para pessoas que estão aqui prestando um serviço de cultura, acesso, cidadania. Ou, quem sabe, um convênio do Governo do Estado com as empresas de energia e companhias de água para gerar desconto”, sugere o idealizador do local. 

Movimento de vanguarda

Em muitos sentidos, a Multikasa pode ser considerada, sim, um movimento vanguardista na cidade. A começar por sua programação diária que abrange desde iniciativas sociais até apresentações de música autoral cearense.

Adson Diniz, o chefe responsável pela cozinha do café BemBem, em funcionamento na Multikasa, explica que segundas e terças-feiras são dedicadas, respectivamente, à comida japonesa (com sushi preparado por ele, que é especialista em cozinha oriental) e à culinária italiana.

Já nas quartas-feiras, as mãos da Multikasa preparam o almoço solidário. A ideia é praticar o bom senso por meio da culinária. “Preparamos uma refeição para, mais ou menos, 20 pessoas, a quantidade que a nossa cozinha, que não é industrial, nos permite fazer. Ao meio-dia, servimos, e cada pessoa que come com a gente só paga o que acha que deve pagar”, explica o chefe.

Às quintas, realiza-se as Quintas do Bem, com programação de música que conta com bandas cearenses e alguns eventuais convidados de fora. “Não cobramos entrada ou couvert artístico. Passamos um chapéu e as pessoas presentes contribuem com o que acham que devem. O modelo que pode causar, a princípio, um certo estranhamento, tem dado certo. Segundo os administradores do lugar, já foram realizadas 29 Quintas do Bem, com as apresentações de 28 artistas diferentes.

Às sextas-feiras, por sua vez, são dias coringas, que podem ou não ser usados em apresentações ou intervenções artísticas. E, aos sábados, a equipe tem alavancado um projeto de uma feira de artesanatos e comidas de bolso.

“Vejo a casa como uma espécie de associação, um ponto de cultura. Um lugar onde acontece incentivo forte à arte e à cultura locais”. (Michelle Tajra)

E sobre o futuro, a rapaziada da Multikasa não poderia estar mais empolgada e disposta. “Nós acreditamos no efeito do contágio. Se nós conseguirmos implementar esse modelo que fornece cultura além do que já é oferecido por alguns estabelecimento aqui da praia, acho que podemos ter uma reação em cadeia”, espera Karel.

“Acho que, daqui a mais cinco anos, possamos ter a Praia de Iracema como local realmente voltado para a cultura e para o lazer. Torço que venham outras iniciativas, que possam vir mais pessoas para cá, que todos nós possamos nos ajudar em direção a isso. Quer fazer igual? Faça! Faça melhor! Nunca tive problema nenhum com esse tipo de coisa, nós sempre damos os toques como tudo funciona porque nosso objetivo é contagiar mesmo!”, finaliza bem humorado o produtor cultural.

Material visual:
Projeto Vós
Fotógrafo: Igor de Melo

 

Multikasa
1/4

Multikasa

“Nós acreditamos no efeito do contágio. Se nós conseguirmos implementar esse modelo que fornece cultura além do que já é oferecido por alguns estabelecimento aqui da praia, acho que podemos ter uma reação em cadeia”. (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

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A Multikasa é um ponto cultural em funcionamento na cidade há 10 meses. O lugar é o que seu nome propõe: um organismo multicelular, em constante adaptação. (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

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O projeto que tem quatro eixos: intercâmbio cultural, formação, produção de bandas locais e eventos. (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

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A programação diária abrange desde iniciativas sociais até apresentações de música autoral cearense. (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

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Amigos criam negócio que é, ao mesmo tempo, brechó, galeria de arte, hostel e casa de família

A Multikasa ainda prepara almoço solidário: quem participa paga apenas o que acha que deve. As contas de água e luz também são coletivas

Por Juliana Teófilo em Cultura

14 de novembro de 2015 às 06:06

Há 4 anos
A Multikasa é ponto cultural em funcionamento na cidade há 10 meses na Rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema (FOTO: Reprodução/Igor de Melo - Projeto Vós)

A Multikasa é ponto cultural em funcionamento na cidade há 10 meses na Rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

“Karel!”, o grito de Adson ecoa pelas paredes e alcança o teto alto da casa encravada na Rua dos Tabajaras, tradicional via cultural do Bairro Praia de Iracema, em Fortaleza. “Tia Michelle, chama o Karel”, acrescenta Adson logo em seguida. Alguém que caminhasse pela rua tranquila povoada apenas pelo som de carros e do mar ao fundo, poderia pensar tratar-se de uma situação familiar corriqueira. Mas, do portão, pode-se vislumbrar um pouco do que a Multikasa é.

Uma grande parede escrita a giz traz um manifesto do que eles são, além, é claro, da grande e multifacetada família de amigos: “Multi-interação visionária persistente em busca de arte e cultura”. Em termos práticos, a Multikasa, ponto cultural em funcionamento na cidade há 10 meses, é o que seu nome propõe: um organismo multicelular, em constante adaptação. Um café, um coworking, um brechó, um hostel, uma galeria de artes e uma casa de família.

O Karel, chamado por Adson, é Karel Guerra, advogado, produtor cultural e um dos idealizadores do espaço. Descontraído, o rapaz senta-se em um dos sofás da ampla sala de estar, que também funciona como café e como brechó e, depois de um silêncio quase teatral, inicia a narrativa de como teve a ideia para o tal espaço multicultural. “Conheci a Raquel, do café BemBem, porque nós dois tínhamos projetos culturais na Aldeota. Eu com Casa do Karel, na Rua Costa Barros, que realizava festas de música autoral cearense e ela com uns projetos na Rua Rodrigues Júnior”. explica.

Enfrentando o mesmo problema com a questão de barulho em uma área residencial, a dupla resolveu unir forças e alugar um local na tradicional área boemia da cidade: a Praia de Iracema. O produtor cultural conta, ainda, que aos poucos os quatro eixos, que são a base de trabalho da Multikasa hoje, tomaram forma. “Eu queria que essa casa fosse uma ferramenta para impulsionar um projeto que tem quatro eixos: intercâmbio cultural, formação, produção de bandas locais e eventos”, completa.

“Ao meio-dia servimos, e cada pessoa que come com a gente só paga o que acha que deve pagar”. (Adson Diniz)

São os esforços coletivos e coordenados em torno desses quatro objetivos que compõem o dia-a-dia do espaço e de seus cinco residentes, além dos “rotativos”, como eles costumam chamar os colaboradores que também emprestam suas expertises para fazer tudo funcionar nos conformes. “Acho que a Multikasa é uma ferramenta, um meio de existência. Não gosto da palavra resistência, porque ela pressupõe que você está fazendo algo errado, que você está resistindo, e nós não estamos fazendo nada errado aqui, não estamos resistindo, nós estamos existindo”, exclama Karel.

“Vejo essa casa como muito mais que um café e uma produtora. Vejo a casa como uma espécie de associação, um ponto de cultura. Um lugar onde acontece incentivo forte à arte a e à cultura locais”, completa “tia” Michelle Tajra, socióloga pós-graduada e designer.

Rotina doméstica

O projeto funciona a partir de quatro eixos: intercâmbio cultural, formação, produção de bandas locais e eventos (FOTO: Reprodução/Igor de Melo - Projeto Vós)

O projeto funciona a partir de quatro eixos: intercâmbio cultural, formação, produção de bandas locais e eventos (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

Em uma parede da casa de três andares, alguns papeis afixados convidam para uma olhada. São os débitos do funcionamento da casa, como luz, água, internet e impostos. Até aí, nada fora do comum. Mas o que torna a rotina doméstica da Multikasa singular é como essas contas são pagas.

“As contas da casa funcionam assim: nós deixamos elas expostas ali na parede. É mais ou menos mil e tanto de luz, mais não sei quanto de água, IPTU, taxa de marinha, internet. A gente deixa lá e tenta fazer com que as atividades da casa se paguem”, explica Karel de forma simples.

Cada atividade, como o brechó, a produtora e o café, paga uma quantia fixa de aluguel do espaço. Além da possibilidade de doações por parte dos membros da casa ou visitantes. “Acaba acontecendo de pessoas ajudarem. O Cedrik, um dos nosso residentes, mês passado tinha um dinheiro em caixa e colocou mais uma quantia para dar uma força nas contas”, completa Karel.

“Nós não estamos fazendo nada errado aqui, não estamos resistindo, nós estamos existindo”. (Karel Guerra)

Um das iniciativas que a casa tem encontrado para garantir o sustento e as atividades que acontecem semanalmente por lá é a participação em um crowdfunding. A ideia é juntar dinheiro para um ano de programação e/ou para a reforma da casa. Além disso, os administradores do local planejam escrever o projeto no programa Rumos (projeto da iniciativa privada que contempla mais de mil projetos culturais no país) e inscrever o projeto em editais governamentais.

“O que eu sinto falta aqui no Ceará é de estímulo e de incentivo para esse tipo de empreendimento. Acho que a prefeitura, por exemplo, poderia ter uma espécie de IPTU diferenciado para pessoas que estão aqui prestando um serviço de cultura, acesso, cidadania. Ou, quem sabe, um convênio do Governo do Estado com as empresas de energia e companhias de água para gerar desconto”, sugere o idealizador do local. 

Movimento de vanguarda

Em muitos sentidos, a Multikasa pode ser considerada, sim, um movimento vanguardista na cidade. A começar por sua programação diária que abrange desde iniciativas sociais até apresentações de música autoral cearense.

Adson Diniz, o chefe responsável pela cozinha do café BemBem, em funcionamento na Multikasa, explica que segundas e terças-feiras são dedicadas, respectivamente, à comida japonesa (com sushi preparado por ele, que é especialista em cozinha oriental) e à culinária italiana.

Já nas quartas-feiras, as mãos da Multikasa preparam o almoço solidário. A ideia é praticar o bom senso por meio da culinária. “Preparamos uma refeição para, mais ou menos, 20 pessoas, a quantidade que a nossa cozinha, que não é industrial, nos permite fazer. Ao meio-dia, servimos, e cada pessoa que come com a gente só paga o que acha que deve pagar”, explica o chefe.

Às quintas, realiza-se as Quintas do Bem, com programação de música que conta com bandas cearenses e alguns eventuais convidados de fora. “Não cobramos entrada ou couvert artístico. Passamos um chapéu e as pessoas presentes contribuem com o que acham que devem. O modelo que pode causar, a princípio, um certo estranhamento, tem dado certo. Segundo os administradores do lugar, já foram realizadas 29 Quintas do Bem, com as apresentações de 28 artistas diferentes.

Às sextas-feiras, por sua vez, são dias coringas, que podem ou não ser usados em apresentações ou intervenções artísticas. E, aos sábados, a equipe tem alavancado um projeto de uma feira de artesanatos e comidas de bolso.

“Vejo a casa como uma espécie de associação, um ponto de cultura. Um lugar onde acontece incentivo forte à arte e à cultura locais”. (Michelle Tajra)

E sobre o futuro, a rapaziada da Multikasa não poderia estar mais empolgada e disposta. “Nós acreditamos no efeito do contágio. Se nós conseguirmos implementar esse modelo que fornece cultura além do que já é oferecido por alguns estabelecimento aqui da praia, acho que podemos ter uma reação em cadeia”, espera Karel.

“Acho que, daqui a mais cinco anos, possamos ter a Praia de Iracema como local realmente voltado para a cultura e para o lazer. Torço que venham outras iniciativas, que possam vir mais pessoas para cá, que todos nós possamos nos ajudar em direção a isso. Quer fazer igual? Faça! Faça melhor! Nunca tive problema nenhum com esse tipo de coisa, nós sempre damos os toques como tudo funciona porque nosso objetivo é contagiar mesmo!”, finaliza bem humorado o produtor cultural.

Material visual:
Projeto Vós
Fotógrafo: Igor de Melo

 

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“Nós acreditamos no efeito do contágio. Se nós conseguirmos implementar esse modelo que fornece cultura além do que já é oferecido por alguns estabelecimento aqui da praia, acho que podemos ter uma reação em cadeia”. (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

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A Multikasa é um ponto cultural em funcionamento na cidade há 10 meses. O lugar é o que seu nome propõe: um organismo multicelular, em constante adaptação. (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

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O projeto que tem quatro eixos: intercâmbio cultural, formação, produção de bandas locais e eventos. (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)

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A programação diária abrange desde iniciativas sociais até apresentações de música autoral cearense. (FOTO: Reprodução/Igor de Melo – Projeto Vós)