Cearense foi o 1º latino-americano curador em 250 anos da Biblioteca Britânica

TALENTO LOCAL

Cearense foi o 1º latino-americano curador em 250 anos da Biblioteca Britânica

Aquiles Alencar Brayner retorna ao Brasil após 25 anos na Europa, agora para ser curador digital da Biblioteca Nacional

Por Ana Clara Jovino em Cultura

5 de dezembro de 2016 às 07:00

Há 3 anos
(FOTO: Lais Pontes)

Aquiles revela que não pretendia passar tantos anos longe da família, mas foram surgindo oportunidades imperdíveis (FOTO: Lais Pontes)

O cearense Aquiles Alencar Brayner trabalhou como Curador da Bibioteca Britânica desde 2006, e agora volta ao Brasil para ocupar o cargo de pesquisador em residência na Biblioteca Nacional, onde vai implementar um projeto de Curadoria Digital no período de um ano. Para ele, é um desafio.

Aquiles é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Em 1992, ele ganhou uma bolsa de estudos do governo holandês para fazer sua segunda graduação na Universidade de Leiden, então cursou História da Arte, Espanhol e Italiano na Rijksuniversiteit.

Depois fez mestrado em Letras, também na Holanda, doutorado em Literatura Brasileira no Kings College e outro mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação na City University, em Londres.

O cearense, que é o filho caçula de uma família de sete irmãos com nomes de papas, revela que não pretendia passar tantos anos longe da família. Mesmo com a saudade que iriam ter que lidar, a família sempre foi o maior apoio dele.

“A verdade é que me surgiram muitas outras excelentes oportunidades de bolsas de estudos, projetos de pesquisa e trabalhos, de modo que acabei estendendo a minha estadia por lá mesmo sem haver inicialmente planejado um período tão prolongado fora do Brasil”, relata Aquiles.

(FOTO: Arquivo Pessoal)

Aquiles foi o primeiro curador latino-americano em mais de 250 anos de existência da Biblioteca Britânica (FOTO: Arquivo Pessoal)

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, Aquiles conta que os europeus têm uma atitude muito aberta de aceitação do outro e têm uma visão muito positiva do Brasil. O que ele considera a maior dificuldade que passou foi de iniciar uma nova vida e fazer novos amigos nos países em que morou.

“Não acredito ter passado por muitas dificuldades que não fossem inicialmente as de dominar a língua dos países em que vivi e acostumar-me ao frio e ao céu cinzento do inverno”, conta.

Além disso, relata que os europeus valorizam as pessoas por aquilo que elas são, não importando de onde vêm. Mesmo assim, ele faz questão de mostrar que é cearense. “Não somente pelo orgulho de ter nascido aqui, mas principalmente para mostrar o quanto o povo cearense é batalhador e determinado para alcançar os seus objetivos”.

Além da vida acadêmica na Europa, Aquiles também ocupou um importante cargo. Ele foi o primeiro curador latino-americano em mais de 250 anos de existência da Biblioteca Britânica. Em 2006, ele passou em um concurso público e ocupou a vaga de Curador do Acervo Latino Americano. Atualmente, ele atua como Curador Digital, um cargo que ele considera bastante desafiador.

Aquiles explica que o curador é o responsável por um determinado acervo, o que inclui não somente a aquisição de novos materiais para expandir as coleções, mas, principalmente, redimensionar o material existente para um novo público. Em seu novo cargo de curador digital, ele tem que fazer isso, mas com acervos eletrônicos.

“O cargo é bastante desafiador já que o universo digital se encontra em movimento exponencial de extensão, oferecendo a cada dia novas oportunidades de interação com o público. O Curador Digital é aquele que pensa no presente a partir da perspectiva do futuro”, esclarece Aquiles.

Agora, o cearense, de volta ao Brasil, tem o desafio de implementar, em um período de um ano, um projeto sobre Curadoria Digital. E isso é só o início, Aquiles almeja trazer para o Brasil todo o conhecimento e experiência que acumulou durante os quase 25 anos morando fora.

Ele conta que sempre que vem para o Brasil percebe que os profissionais da área da cultura se empenham em tornar a cultura um bem público, para que possa ser usufruída por todos e não somente por uma elite intelectual. E que ele quer contribuir para levar informação de valor a todos que possam se beneficiar dela.

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Cearense foi o 1º latino-americano curador em 250 anos da Biblioteca Britânica

Aquiles Alencar Brayner retorna ao Brasil após 25 anos na Europa, agora para ser curador digital da Biblioteca Nacional

Por Ana Clara Jovino em Cultura

5 de dezembro de 2016 às 07:00

Há 3 anos
(FOTO: Lais Pontes)

Aquiles revela que não pretendia passar tantos anos longe da família, mas foram surgindo oportunidades imperdíveis (FOTO: Lais Pontes)

O cearense Aquiles Alencar Brayner trabalhou como Curador da Bibioteca Britânica desde 2006, e agora volta ao Brasil para ocupar o cargo de pesquisador em residência na Biblioteca Nacional, onde vai implementar um projeto de Curadoria Digital no período de um ano. Para ele, é um desafio.

Aquiles é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Em 1992, ele ganhou uma bolsa de estudos do governo holandês para fazer sua segunda graduação na Universidade de Leiden, então cursou História da Arte, Espanhol e Italiano na Rijksuniversiteit.

Depois fez mestrado em Letras, também na Holanda, doutorado em Literatura Brasileira no Kings College e outro mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação na City University, em Londres.

O cearense, que é o filho caçula de uma família de sete irmãos com nomes de papas, revela que não pretendia passar tantos anos longe da família. Mesmo com a saudade que iriam ter que lidar, a família sempre foi o maior apoio dele.

“A verdade é que me surgiram muitas outras excelentes oportunidades de bolsas de estudos, projetos de pesquisa e trabalhos, de modo que acabei estendendo a minha estadia por lá mesmo sem haver inicialmente planejado um período tão prolongado fora do Brasil”, relata Aquiles.

(FOTO: Arquivo Pessoal)

Aquiles foi o primeiro curador latino-americano em mais de 250 anos de existência da Biblioteca Britânica (FOTO: Arquivo Pessoal)

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, Aquiles conta que os europeus têm uma atitude muito aberta de aceitação do outro e têm uma visão muito positiva do Brasil. O que ele considera a maior dificuldade que passou foi de iniciar uma nova vida e fazer novos amigos nos países em que morou.

“Não acredito ter passado por muitas dificuldades que não fossem inicialmente as de dominar a língua dos países em que vivi e acostumar-me ao frio e ao céu cinzento do inverno”, conta.

Além disso, relata que os europeus valorizam as pessoas por aquilo que elas são, não importando de onde vêm. Mesmo assim, ele faz questão de mostrar que é cearense. “Não somente pelo orgulho de ter nascido aqui, mas principalmente para mostrar o quanto o povo cearense é batalhador e determinado para alcançar os seus objetivos”.

Além da vida acadêmica na Europa, Aquiles também ocupou um importante cargo. Ele foi o primeiro curador latino-americano em mais de 250 anos de existência da Biblioteca Britânica. Em 2006, ele passou em um concurso público e ocupou a vaga de Curador do Acervo Latino Americano. Atualmente, ele atua como Curador Digital, um cargo que ele considera bastante desafiador.

Aquiles explica que o curador é o responsável por um determinado acervo, o que inclui não somente a aquisição de novos materiais para expandir as coleções, mas, principalmente, redimensionar o material existente para um novo público. Em seu novo cargo de curador digital, ele tem que fazer isso, mas com acervos eletrônicos.

“O cargo é bastante desafiador já que o universo digital se encontra em movimento exponencial de extensão, oferecendo a cada dia novas oportunidades de interação com o público. O Curador Digital é aquele que pensa no presente a partir da perspectiva do futuro”, esclarece Aquiles.

Agora, o cearense, de volta ao Brasil, tem o desafio de implementar, em um período de um ano, um projeto sobre Curadoria Digital. E isso é só o início, Aquiles almeja trazer para o Brasil todo o conhecimento e experiência que acumulou durante os quase 25 anos morando fora.

Ele conta que sempre que vem para o Brasil percebe que os profissionais da área da cultura se empenham em tornar a cultura um bem público, para que possa ser usufruída por todos e não somente por uma elite intelectual. E que ele quer contribuir para levar informação de valor a todos que possam se beneficiar dela.