Anjo azul: grupo de assistência a autistas e familiares

Por Alan Barros

Com apenas uma pergunta, uma série de intensos sentimentos parece tomar conta do coração de Cláudia Hartwig: “Seu filho tem autismo?”. A fluência empolgante e animada da conversa desaparece, e a resposta é proferida em um inevitável tom de seriedade. Ela é mais uma mãe a enfrentar um problema que atinge muitas famílias cearenses, e a convivência com outros pais que também lidam com o autismo é fundamental em todo o processo de compreensão do transtorno.

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Como se não bastassem a profusão de conceitos ultrapassados e/ou errôneos, o preconceito e os mitos que envolvem o tema amedrontam a maioria dos pais de crianças autistas. Cláudia é membro do Grupo de Familiares Anjo Azul, criado para dar suporte aos pais que lidam diariamente com o autismo.


Apoio a quem precisa

Cláudia explica que é sempre muito difícil no começo a família aceitar e entender tudo o que envolve o transtorno. Fundado no primeiro semestre deste ano, “o grupo surgiu a partir da necessidade de impedir que o pai ou a mãe desistam de buscar processos terapêuticos”, diz. Com cerca de dez pais, o grupo faz reuniões de forma periódica para organizar conversas sobre o tema e para desenvolver formas de conseguir recursos para a Casa da Esperança (instituição que desenvolve trabalhos com crianças autistas).

Anjo AzulClique na imagem para ampliar “Nós fazemos reuniões para debater questões ligadas ao transtorno. Como estamos em período de eleição, temos conversado também sobre a importância da escolha do voto para o autismo”, ressalta Cláudia, ao lembrar que os adolescentes autistas maiores de 16 anos podem votar. Arlete Azevedo é outra mãe que também tem um filho com autismo. Ela afirmou que a pouca bibliografia sobre o assunto a deixou assustada e cheia de incertezas.

“A minha reação foi a de buscar conhecimento. Eu me lancei na tarefa de compreender o que era o autismo. Havia pouca bibliografia sobre o assunto. Fui pra internet, e, quanto mais eu conhecia, mais havia o que compreender. Essa tarefa me reanimou, pois eu percebi que já não estava sozinha”, diz Arlete, que participa de grupos de discussão sobre o assunto na internet.

Arlete afirmou que o contato com outros pais proporcionou a ela uma nova visão sobre o autismo. Ela acredita que o ponto mais importante dessa troca de informações não se restringe à leitura de estudos e pesquisas sobre o transtorno, mas o depoimento de todos sobre as dificuldades, angústias e conquistas de cada caso é o que a faz ter um olhar diferenciado.

“Para além do compartilhamento de estudos e pesquisas sobre autismo, nós compartilhávamos a nossa experiência de vida com os nossos filhos, nossas angústias, nossas dificuldades, mas também nossas esperanças e nossas conquistas”, complementa Arlete.