Candidato a ídolo no Basquete Cearense, destaque do título nacional sub-22 largou curso na USP


Craque do título nacional sub-22 largou curso na USP para ser jogador de basquete

Candidato a ídolo no Basquete Cearense, Davi Rossetto também é titular do time adulto, e está no time de Alberto Bial desde o início do projeto, em 2012

Por Lucas Catrib em Basquete

20 de março de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Davi Rossetto foi o capitão do time campeão na Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB) (FOTO: Lucas Catrib)

Davi Rossetto foi o capitão do time campeão na Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB) (FOTO: Lucas Catrib)

Na terra de gigantes, dentro das quatro linhas de uma quadra, a inteligência faz toda a diferença em um jogo considerado estratégico, tático. Davi, de 1,80m, armador do Basquete Cearense, é acostumado a enfrentar os ‘Golias’ que passam pelo caminho. Na última terça (10), no ginásio Paulo Sarasate, em Fortaleza, teve uma batalha épica. Cumpriu o papel de herói ao derrotar o Flamengo, atual campeão da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), e, conquistou o título nacional sub-22.

O jovem da família paulista Rossetto, titular também da equipe principal dirigida por Alberto Bial, anotou 29 pontos no duelo decisivo na luta pelo ouro. Foi eleito o principal atleta da final depois de ter conduzido o clube ao selecionar as principais jogadas de ataque, além de ter produzido um arsenal de situações para evitar êxitos do adversário.

Davi sempre foi estudioso, ‘cabeça pensante’, algo além do jogo. Prestou prova para a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) no final de 2009. Ingressou no curso de Esportes da Universidade de São Paulo (USP), mas só frequentou as aulas durante cerca de dois meses. A carreira no basquete, em busca do profissionalismo, tinha que continuar em evidência.

“É um curso mais específico, para técnico (por exemplo). Era o que eu queria, mas era praticamente impossível. Foi no ano que eu peguei muita seleção. Era loucura porque o curso era integral, o treino (no Pinheiros, seu ex-clube) era integral. Eu não tive como continuar. E ali, naquele momento, eu decidi que eu não ia fazer uma coisa meia boca. Adoro estudar, adoro conhecimento, adoro informação, agora era muito difícil. Eu penso em ser técnico. Eu morro vontade de repassar conhecimento, técnica de jogo. Sou fissurado em basquete, por mim assisto o dia inteiro”, explica o jogador.

A ousadia de Davi rendeu uma perspectiva animadora rapidamente. Em 2011, foi um dos destaques brasileiros no Mundial Sub-19, disputado na Letônia. O desempenho chamou atenção de Rubén Magnano, técnico da equipe principal do Brasil. O argentino convocou três novatos para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara: um deles foi Rossetto.

Davi Rossetto teve média de 13.2 pontos por jogo na conquista do título (FOTO: divulgação)

Davi Rossetto teve média de 13.2 pontos por jogo na conquista do título (FOTO: divulgação)

Um Cearense

Após dois anos intensos dentro de quadra, o armador teve que conviver com a concorrência dos atletas do time adulto. Um período sombrio no Pinheiros, clube onde teve formação. A solução encontrada foi mudar de mercado, viver outra ideia.

“Eu jogava muito pouco na equipe profissional e não tinha mais campeonato juvenil. Eu tava meio sem ritmo. E todo cara que fica muito tempo sem jogar acaba a se questionar. ‘Será que eu realmente consigo fazer a transição (da base para o adulto)? Será que realmente eu era um cara bom só para a base?’. Na época, eu tava em uma equipe muito forte. Não era por culpa (motivo por não jogar) de técnico, diretoria, não estava sendo injustiçado. Se eu fosse o técnico, eu não me colocaria. Só que o Bial viu potencial. Eu precisava de um desafio, um divisor de águas”, completa o jogador.

No Basquete Cearense, Davi encontrou mais minutos de quadra para atuar. E a situação de ter que sair pela primeira vez ‘debaixo da asa da mãe’. Em termos de números de aproveitamento, de imediato o jogador não teve um rendimento tão positivo. Já na segunda temporada, a coisa melhorou um pouco. Rossetto ganhou o comando do time sub-22, que terminou a mesma LDB, mas um ano antes, em  6º lugar.

Com a saída do patrocinador master, às vésperas da sétima temporada do Novo Basquete Brasil (NBB), o jogador ganhou protagonismo. O time da base se tornou alicerce para o elenco adulto. O paulistano de 22 anos passou a atuar mais de 30 minutos por partida, com média superior a 13 pontos (até o dia 13/03/2015).

“Quando eu entro dentro de quadra, eu penso em dar o meu melhor, em fazer as coisas que me competem. O Felipe (Ribeiro, primeiro destaque do time) em nenhum momento falou que ia fazer tal coisa para ser ídolo. Esse lance de ser ídolo é consequência. Que atleta não gosta de ser reconhecido? Tudo isso passa pelo que você faz dentro e fora de quadra. Eu não quero usar o Basquete Cearense de trampolim e não deixar legado, deixar exemplo, ser mal-educado com as pessoas. Isso não sou. Se eu trabalho em cima de uma coisa e agrada as pessoas, é natural que eu queira ser ídolo. Estou muito satisfeito da maneira que eu estou sendo reconhecido”, indica.

Davi Rossetto ficou em quadra durante pouco mais de 37 minutos na final da LDB (FOTO: Luiz Pires/LNB)

Davi Rossetto ficou em quadra durante pouco mais de 37 minutos na final da LDB (FOTO: Luiz Pires/LNB)

 Conquista histórica

Para um time estreante, um 6º lugar na LDB sustenta o pensamento de um bom início em uma competição nacional. Entretanto, o desempenho na última fase deixou uma nítida sensação de frustração. Davi não ficou satisfeito, treinou mais e contou com a ajuda dos companheiros em quadra. Equipe que conquistou todas as vitórias nos 28 compromissos.

“Não tenho dimensão. Foi muito do passo a passo. Já entramos nessa segunda como favoritos. Para mim, o título é de afirmação. Todo mundo quer derrubar o invicto. É prova de que o trabalho está sendo bem feito. Mais respeito. O Basquete Cearense até então era visto como um projeto bacana, um projeto pioneiro, mas que talvez não desse resultado”, completa o armador.

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Craque do título nacional sub-22 largou curso na USP para ser jogador de basquete

Candidato a ídolo no Basquete Cearense, Davi Rossetto também é titular do time adulto, e está no time de Alberto Bial desde o início do projeto, em 2012

Por Lucas Catrib em Basquete

20 de março de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Davi Rossetto foi o capitão do time campeão na Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB) (FOTO: Lucas Catrib)

Davi Rossetto foi o capitão do time campeão na Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB) (FOTO: Lucas Catrib)

Na terra de gigantes, dentro das quatro linhas de uma quadra, a inteligência faz toda a diferença em um jogo considerado estratégico, tático. Davi, de 1,80m, armador do Basquete Cearense, é acostumado a enfrentar os ‘Golias’ que passam pelo caminho. Na última terça (10), no ginásio Paulo Sarasate, em Fortaleza, teve uma batalha épica. Cumpriu o papel de herói ao derrotar o Flamengo, atual campeão da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), e, conquistou o título nacional sub-22.

O jovem da família paulista Rossetto, titular também da equipe principal dirigida por Alberto Bial, anotou 29 pontos no duelo decisivo na luta pelo ouro. Foi eleito o principal atleta da final depois de ter conduzido o clube ao selecionar as principais jogadas de ataque, além de ter produzido um arsenal de situações para evitar êxitos do adversário.

Davi sempre foi estudioso, ‘cabeça pensante’, algo além do jogo. Prestou prova para a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) no final de 2009. Ingressou no curso de Esportes da Universidade de São Paulo (USP), mas só frequentou as aulas durante cerca de dois meses. A carreira no basquete, em busca do profissionalismo, tinha que continuar em evidência.

“É um curso mais específico, para técnico (por exemplo). Era o que eu queria, mas era praticamente impossível. Foi no ano que eu peguei muita seleção. Era loucura porque o curso era integral, o treino (no Pinheiros, seu ex-clube) era integral. Eu não tive como continuar. E ali, naquele momento, eu decidi que eu não ia fazer uma coisa meia boca. Adoro estudar, adoro conhecimento, adoro informação, agora era muito difícil. Eu penso em ser técnico. Eu morro vontade de repassar conhecimento, técnica de jogo. Sou fissurado em basquete, por mim assisto o dia inteiro”, explica o jogador.

A ousadia de Davi rendeu uma perspectiva animadora rapidamente. Em 2011, foi um dos destaques brasileiros no Mundial Sub-19, disputado na Letônia. O desempenho chamou atenção de Rubén Magnano, técnico da equipe principal do Brasil. O argentino convocou três novatos para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara: um deles foi Rossetto.

Davi Rossetto teve média de 13.2 pontos por jogo na conquista do título (FOTO: divulgação)

Davi Rossetto teve média de 13.2 pontos por jogo na conquista do título (FOTO: divulgação)

Um Cearense

Após dois anos intensos dentro de quadra, o armador teve que conviver com a concorrência dos atletas do time adulto. Um período sombrio no Pinheiros, clube onde teve formação. A solução encontrada foi mudar de mercado, viver outra ideia.

“Eu jogava muito pouco na equipe profissional e não tinha mais campeonato juvenil. Eu tava meio sem ritmo. E todo cara que fica muito tempo sem jogar acaba a se questionar. ‘Será que eu realmente consigo fazer a transição (da base para o adulto)? Será que realmente eu era um cara bom só para a base?’. Na época, eu tava em uma equipe muito forte. Não era por culpa (motivo por não jogar) de técnico, diretoria, não estava sendo injustiçado. Se eu fosse o técnico, eu não me colocaria. Só que o Bial viu potencial. Eu precisava de um desafio, um divisor de águas”, completa o jogador.

No Basquete Cearense, Davi encontrou mais minutos de quadra para atuar. E a situação de ter que sair pela primeira vez ‘debaixo da asa da mãe’. Em termos de números de aproveitamento, de imediato o jogador não teve um rendimento tão positivo. Já na segunda temporada, a coisa melhorou um pouco. Rossetto ganhou o comando do time sub-22, que terminou a mesma LDB, mas um ano antes, em  6º lugar.

Com a saída do patrocinador master, às vésperas da sétima temporada do Novo Basquete Brasil (NBB), o jogador ganhou protagonismo. O time da base se tornou alicerce para o elenco adulto. O paulistano de 22 anos passou a atuar mais de 30 minutos por partida, com média superior a 13 pontos (até o dia 13/03/2015).

“Quando eu entro dentro de quadra, eu penso em dar o meu melhor, em fazer as coisas que me competem. O Felipe (Ribeiro, primeiro destaque do time) em nenhum momento falou que ia fazer tal coisa para ser ídolo. Esse lance de ser ídolo é consequência. Que atleta não gosta de ser reconhecido? Tudo isso passa pelo que você faz dentro e fora de quadra. Eu não quero usar o Basquete Cearense de trampolim e não deixar legado, deixar exemplo, ser mal-educado com as pessoas. Isso não sou. Se eu trabalho em cima de uma coisa e agrada as pessoas, é natural que eu queira ser ídolo. Estou muito satisfeito da maneira que eu estou sendo reconhecido”, indica.

Davi Rossetto ficou em quadra durante pouco mais de 37 minutos na final da LDB (FOTO: Luiz Pires/LNB)

Davi Rossetto ficou em quadra durante pouco mais de 37 minutos na final da LDB (FOTO: Luiz Pires/LNB)

 Conquista histórica

Para um time estreante, um 6º lugar na LDB sustenta o pensamento de um bom início em uma competição nacional. Entretanto, o desempenho na última fase deixou uma nítida sensação de frustração. Davi não ficou satisfeito, treinou mais e contou com a ajuda dos companheiros em quadra. Equipe que conquistou todas as vitórias nos 28 compromissos.

“Não tenho dimensão. Foi muito do passo a passo. Já entramos nessa segunda como favoritos. Para mim, o título é de afirmação. Todo mundo quer derrubar o invicto. É prova de que o trabalho está sendo bem feito. Mais respeito. O Basquete Cearense até então era visto como um projeto bacana, um projeto pioneiro, mas que talvez não desse resultado”, completa o armador.