Time de futebol feminino do Caucaia sonha com patrocínio e calendário


Time de futebol feminino do Caucaia sonha com patrocínio e um calendário

A equipe é a maior vencedora do Campeonato Cearense da categoria e é a atual vice-campeã da competição

Por Lyvia Rocha em Futebol cearense

2 de junho de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Caucaia-Tribuna-do-Ceara

As garotas de Caucaia sonham com um futuro (Foto: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

A esperança do reconhecimento necessário para o futebol feminino é perceptível no olhar das jogadoras da equipe do Caucaia, equipe da cidade homônima na região Metropolitana de Fortaleza. Sem patrocínio, sem estádio e sem salário fixo. Essa é a atual situação das meninas que fazem parte do principal time da categoria no Estado e um dos melhores ranqueados no País.

Atualmente no aguardo do início do campeonato cearense, as jogadoras estão sem treinar. E isso acontece todos os anos. Sem um calendário que preencha todo o ano, as lacunas são grandes e a ociosidade também. A solução que algumas encontram é aceitar o convite de outros clubes e participarem de pequenos torneios pelo interior do Estado, chegando a ganhar apenas R$ 30 por cada partida.

Desde a fundação do time em 2008, a zagueira Vivi Costa diz que a situação ficou bem mais difícil depois que a prefeitura de Caucaia retirou o apoio. “Nós tínhamos um salário, lugar para treinar e uma estrutura boa quando tínhamos o patrocínio. Mas depois que eles saíram tudo ficou bem mais difícil”, explicou a defensora.

Hoje, as garotas só tem a ajuda do fundador e presidente da equipe, Eudes Caucaia que, está há sete anos na luta para um melhor espaço para o time feminino no cenário nacional. “Mantenho essa casa sozinho e com ajuda de amigos. Estamos sem estádio, e isso prejudica ainda mais a evolução das meninas”, afirmou entristecido.

O presidente do clube relatou também que muitas atletas acabam desistindo pela falta de oportunidade. “Muitas meninas que jogavam bem desistiram e eu entendo. Sem perspectiva e a maioria precisando sustentar a família, elas acabam optando por outras profissões que, garantem pelo menos um salário fixo todo mês”, relatou.

A ideia da desistência não é um fato isolado das meninas que moram na sede do clube. Gilmara Araújo (Gil), volante, contou que o pensamento de jogar tudo para o alto e voltar à sua terra natal já fez parte da sua rotina, mas o amor pelo futebol falou mais alto e ela seguiu na equipe, mesmo com a saudade da família que mora no Rio Grande do Norte. “Muitas vezes parece que é um sonho inalcançável, é muito sacrifício e nada de recompensa. Pela minha mãe eu já tinha desistido. Mas eu ainda acredito que um dia tudo vai dar certo”, desabafa.

Renovação

Em 2015, o campeonato cearense de futebol feminino será diferente. Segundo o presidente do Caucaia, a Federação Cearense de Futebol (FCF) vai abrir vagas para times não filiados. Para Eudes essa é uma vantagem. “Ano passado foram apenas 4 times no campeonato. Agora, com equipes não filiadas teremos mais times e assim, quem sabe uma competição maior”, explicou.

Ainda de acordo com Eudes, uma liga de futebol feminino foi criado em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para ajudar na maior profissionalização da categoria. Durante o encontro que aconteceu no Rio de Janeiro, durante os dias 19 e 20 de maio, outras metas foram estabelecidas para o melhor desenvolvimento do futebol. A reunião falou sobre o uso do dinheiro do legado da Copa para ser utilizado nas categorias de base, uma Copa de futebol Júnior para as mulheres e também em um calendário parecido com o masculino.

Vivi lembra do último título da equipe e almeja um novo triunfo (Foto: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

Vivi lembra do último título da equipe e almeja um novo triunfo (Foto: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

“Alguns times só jogam 15 dias durante o Brasileiro. É impossível conseguir patrocínio para 15 dias. Por isso, a nossa luta é para mudar essa fórmula e fazer com que elas joguem durante o ano todo”, finalizou.

A próxima competição do Caucaia é o campeonato cearense, que ainda não tem data definida para começar. Depois, o time tem a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, estes organizados pela entidade maior do futebol brasileiro, a CBF.

O último título da equipe cearense foi o Estadual de 2013. O Caucaia faturou cinco títulos e foi vice-campeão em uma edição, perdendo para a equipe do Fortaleza. Em 2014, foi o primeiro ano que elas não chegaram a final do torneio. Na ocasião, o Juventus se sagrou campeão.

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Time de futebol feminino do Caucaia sonha com patrocínio e um calendário

A equipe é a maior vencedora do Campeonato Cearense da categoria e é a atual vice-campeã da competição

Por Lyvia Rocha em Futebol cearense

2 de junho de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Caucaia-Tribuna-do-Ceara

As garotas de Caucaia sonham com um futuro (Foto: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

A esperança do reconhecimento necessário para o futebol feminino é perceptível no olhar das jogadoras da equipe do Caucaia, equipe da cidade homônima na região Metropolitana de Fortaleza. Sem patrocínio, sem estádio e sem salário fixo. Essa é a atual situação das meninas que fazem parte do principal time da categoria no Estado e um dos melhores ranqueados no País.

Atualmente no aguardo do início do campeonato cearense, as jogadoras estão sem treinar. E isso acontece todos os anos. Sem um calendário que preencha todo o ano, as lacunas são grandes e a ociosidade também. A solução que algumas encontram é aceitar o convite de outros clubes e participarem de pequenos torneios pelo interior do Estado, chegando a ganhar apenas R$ 30 por cada partida.

Desde a fundação do time em 2008, a zagueira Vivi Costa diz que a situação ficou bem mais difícil depois que a prefeitura de Caucaia retirou o apoio. “Nós tínhamos um salário, lugar para treinar e uma estrutura boa quando tínhamos o patrocínio. Mas depois que eles saíram tudo ficou bem mais difícil”, explicou a defensora.

Hoje, as garotas só tem a ajuda do fundador e presidente da equipe, Eudes Caucaia que, está há sete anos na luta para um melhor espaço para o time feminino no cenário nacional. “Mantenho essa casa sozinho e com ajuda de amigos. Estamos sem estádio, e isso prejudica ainda mais a evolução das meninas”, afirmou entristecido.

O presidente do clube relatou também que muitas atletas acabam desistindo pela falta de oportunidade. “Muitas meninas que jogavam bem desistiram e eu entendo. Sem perspectiva e a maioria precisando sustentar a família, elas acabam optando por outras profissões que, garantem pelo menos um salário fixo todo mês”, relatou.

A ideia da desistência não é um fato isolado das meninas que moram na sede do clube. Gilmara Araújo (Gil), volante, contou que o pensamento de jogar tudo para o alto e voltar à sua terra natal já fez parte da sua rotina, mas o amor pelo futebol falou mais alto e ela seguiu na equipe, mesmo com a saudade da família que mora no Rio Grande do Norte. “Muitas vezes parece que é um sonho inalcançável, é muito sacrifício e nada de recompensa. Pela minha mãe eu já tinha desistido. Mas eu ainda acredito que um dia tudo vai dar certo”, desabafa.

Renovação

Em 2015, o campeonato cearense de futebol feminino será diferente. Segundo o presidente do Caucaia, a Federação Cearense de Futebol (FCF) vai abrir vagas para times não filiados. Para Eudes essa é uma vantagem. “Ano passado foram apenas 4 times no campeonato. Agora, com equipes não filiadas teremos mais times e assim, quem sabe uma competição maior”, explicou.

Ainda de acordo com Eudes, uma liga de futebol feminino foi criado em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para ajudar na maior profissionalização da categoria. Durante o encontro que aconteceu no Rio de Janeiro, durante os dias 19 e 20 de maio, outras metas foram estabelecidas para o melhor desenvolvimento do futebol. A reunião falou sobre o uso do dinheiro do legado da Copa para ser utilizado nas categorias de base, uma Copa de futebol Júnior para as mulheres e também em um calendário parecido com o masculino.

Vivi lembra do último título da equipe e almeja um novo triunfo (Foto: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

Vivi lembra do último título da equipe e almeja um novo triunfo (Foto: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

“Alguns times só jogam 15 dias durante o Brasileiro. É impossível conseguir patrocínio para 15 dias. Por isso, a nossa luta é para mudar essa fórmula e fazer com que elas joguem durante o ano todo”, finalizou.

A próxima competição do Caucaia é o campeonato cearense, que ainda não tem data definida para começar. Depois, o time tem a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, estes organizados pela entidade maior do futebol brasileiro, a CBF.

O último título da equipe cearense foi o Estadual de 2013. O Caucaia faturou cinco títulos e foi vice-campeão em uma edição, perdendo para a equipe do Fortaleza. Em 2014, foi o primeiro ano que elas não chegaram a final do torneio. Na ocasião, o Juventus se sagrou campeão.