Mãe nega acusação de racismo que fez árbitro suspender jogo

CATEGORIA DE BASE

Mãe nega acusação de racismo que fez árbitro suspender jogo sub-15 no Ceará

Durante a partida entre Ceará e Juazeiro (Sub-15), o juiz alegou ter sido chamado “macaco” pela mãe de um dos atletas

Por Matheus Ribeiro em Futebol

27 de julho de 2016 às 16:09

Há 3 anos
Árbitro-ceará-fortaleza

Árbitro já apitou em outras partidas da competição estadual (FOTO: Divulgação)

A disputa entre Ceará x Juazeiro no Estadual Sub-15, no último dia 23 de julho, teve um destaque extra campo que chamou mais atenção que a própria partida. Realizada no Estádio Franzé Morais, no CT Luís Campos, em Itaitinga, o árbitro do jogo, Joanilson Scarcella, suspendeu a partida por alegar ter sofrido preconceito racial por a mãe de um dos atletas.

De acordo com o árbitro, ele teria escutado que a mãe de um dos jogadores do Juazeiro teria lhe chamado de macaco durante a partida. Segundo o juiz, um dos assistentes também havia escutado o xingamento.

No intervalo da partida, sem aceitar a ofensa, Joanilson afirmou aos organizadores que só recomeçava o jogo caso a mãe do jogador fosse retirada do Estádio. Integrantes da comissão técnica do clube tentaram convencer a mãe a se retirar, que se recusou a sair do estádio. Com isso, a partida teria sido suspensa pelo juiz.

Registrado

Na súmula da partida, Joanilson registrou toda a suposta ofensa sofrida por ele.

“Aos 29 minutos saiu da torcida de Juazeiro a opalavra macaco. Foi identificada a torcedora, mãe do atleta Okuma Magalhães. Logo em seguido outro torcedor da equipe de juazeiro falou a frase: tem que comer é muita banana. Foi solicitado que a mesma deixasse o local, mas ela se recusou. Não tinha como reiniciar a partida por falta de segurança com os árbitros e também já estava escurecendo e o estádio não tinha iluminação. Foi suspendida a partida, não foi reiniciado o segundo tempo, foi chamado a polícia e será feito um boletim de ocorrência da situação”, escreveu o árbitro do jogo.

Súmula da partida

Súmula da partida (FOTO: Divulgação)

 

Versão contestada

Apesar de todas as declarações do árbitro, a versão do juiz foi bastante contestada pela mãe do jogador e por outros familiares de atletas que estavam presente na partida. Na manhã desta terça-feira (26), o esposo da mãe do atleta, Marcos Magalhães, enviou uma nota à imprensa relatando o fato ocorrido no último sábado.

Conforme Marcos, ele e sua esposa estavam torcendo pelos atletas em campo e que o árbitro da partida entendeu errado o que era gritado pela torcida. “Durante a partida, eu, minha esposa e muitos outros pais estavam torcendo pelos atletas em campo, em vários momentos ela e a torcida gritaram “Marca Okuma” (Okuma é sobrenome da minha esposa e como meu filho é chamado pelos colegas e pela torcida), fazendo referência ao nosso filho. No intervalo da partida, para nossa surpresa, soubemos que o J uiz acusou os torcedores da arquibancada e mais diretamente minha mulher de ter o chamado de “Macaco”, fato que não ocorreu”, explicou.

Ainda conforme Marcos, a partida, na verdade, só não foi reiniciada por conta da falta de luz no estádio e não por causa das supostas ofensas. “representantes do Ceará mandaram minha esposa se retirar do local ameaçando não dar continuidade a partida. Muito constrangida pela situação criada pelo Juiz, ela não quis se retirar afirmando que estava sendo acusada de algo que não aconteceu, mas para não prejudicar o clube do Juazeiro, deixamos a arquibancada e ficamos na lateral do campo, a partida não continuou por outros motivos”, relatou.

Após o ocorrido, o pai do atleta informou que se dirigiu à delegacia junto com outros pais para registrar um Boletim de Ocorrência. “Jamais praticamos qualquer ato parecido e somos totalmente contra qualquer tipo de racismo. A nossa família, inclusive, já está tomando as providências jurídicas cabíveis. Vários pais de jogadores estavam presentes e torcendo na arquibancada, nenhum deles ouviu essa palavra “macaco”, eles também se disponibilizaram a prestar qualquer esclarecimento sobre o assunto, assim como os dirigentes do time do Juazeiro que estavam no mesmo local que a gente”, destacou Marcos.

Por fim, Marcos explicou por meio de nota que a família do atleta e o próprio jogador estão tristes com toda a situação.

 

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Mãe nega acusação de racismo que fez árbitro suspender jogo sub-15 no Ceará

Durante a partida entre Ceará e Juazeiro (Sub-15), o juiz alegou ter sido chamado “macaco” pela mãe de um dos atletas

Por Matheus Ribeiro em Futebol

27 de julho de 2016 às 16:09

Há 3 anos
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Árbitro já apitou em outras partidas da competição estadual (FOTO: Divulgação)

A disputa entre Ceará x Juazeiro no Estadual Sub-15, no último dia 23 de julho, teve um destaque extra campo que chamou mais atenção que a própria partida. Realizada no Estádio Franzé Morais, no CT Luís Campos, em Itaitinga, o árbitro do jogo, Joanilson Scarcella, suspendeu a partida por alegar ter sofrido preconceito racial por a mãe de um dos atletas.

De acordo com o árbitro, ele teria escutado que a mãe de um dos jogadores do Juazeiro teria lhe chamado de macaco durante a partida. Segundo o juiz, um dos assistentes também havia escutado o xingamento.

No intervalo da partida, sem aceitar a ofensa, Joanilson afirmou aos organizadores que só recomeçava o jogo caso a mãe do jogador fosse retirada do Estádio. Integrantes da comissão técnica do clube tentaram convencer a mãe a se retirar, que se recusou a sair do estádio. Com isso, a partida teria sido suspensa pelo juiz.

Registrado

Na súmula da partida, Joanilson registrou toda a suposta ofensa sofrida por ele.

“Aos 29 minutos saiu da torcida de Juazeiro a opalavra macaco. Foi identificada a torcedora, mãe do atleta Okuma Magalhães. Logo em seguido outro torcedor da equipe de juazeiro falou a frase: tem que comer é muita banana. Foi solicitado que a mesma deixasse o local, mas ela se recusou. Não tinha como reiniciar a partida por falta de segurança com os árbitros e também já estava escurecendo e o estádio não tinha iluminação. Foi suspendida a partida, não foi reiniciado o segundo tempo, foi chamado a polícia e será feito um boletim de ocorrência da situação”, escreveu o árbitro do jogo.

Súmula da partida

Súmula da partida (FOTO: Divulgação)

 

Versão contestada

Apesar de todas as declarações do árbitro, a versão do juiz foi bastante contestada pela mãe do jogador e por outros familiares de atletas que estavam presente na partida. Na manhã desta terça-feira (26), o esposo da mãe do atleta, Marcos Magalhães, enviou uma nota à imprensa relatando o fato ocorrido no último sábado.

Conforme Marcos, ele e sua esposa estavam torcendo pelos atletas em campo e que o árbitro da partida entendeu errado o que era gritado pela torcida. “Durante a partida, eu, minha esposa e muitos outros pais estavam torcendo pelos atletas em campo, em vários momentos ela e a torcida gritaram “Marca Okuma” (Okuma é sobrenome da minha esposa e como meu filho é chamado pelos colegas e pela torcida), fazendo referência ao nosso filho. No intervalo da partida, para nossa surpresa, soubemos que o J uiz acusou os torcedores da arquibancada e mais diretamente minha mulher de ter o chamado de “Macaco”, fato que não ocorreu”, explicou.

Ainda conforme Marcos, a partida, na verdade, só não foi reiniciada por conta da falta de luz no estádio e não por causa das supostas ofensas. “representantes do Ceará mandaram minha esposa se retirar do local ameaçando não dar continuidade a partida. Muito constrangida pela situação criada pelo Juiz, ela não quis se retirar afirmando que estava sendo acusada de algo que não aconteceu, mas para não prejudicar o clube do Juazeiro, deixamos a arquibancada e ficamos na lateral do campo, a partida não continuou por outros motivos”, relatou.

Após o ocorrido, o pai do atleta informou que se dirigiu à delegacia junto com outros pais para registrar um Boletim de Ocorrência. “Jamais praticamos qualquer ato parecido e somos totalmente contra qualquer tipo de racismo. A nossa família, inclusive, já está tomando as providências jurídicas cabíveis. Vários pais de jogadores estavam presentes e torcendo na arquibancada, nenhum deles ouviu essa palavra “macaco”, eles também se disponibilizaram a prestar qualquer esclarecimento sobre o assunto, assim como os dirigentes do time do Juazeiro que estavam no mesmo local que a gente”, destacou Marcos.

Por fim, Marcos explicou por meio de nota que a família do atleta e o próprio jogador estão tristes com toda a situação.