Cearense é o 'rei da pizza' no Rio de Janeiro


Cearense é o ‘rei da pizza’ no Rio de Janeiro

Para comprar um cavalo, Lopes arrumou as malas e foi embora, deixando o pai e a mãe, em busca dos seus sonhos

Por Hayanne Narlla em Ceará

10 de setembro de 2013 às 18:50

Há 6 anos

“Capricharam na sua comida?”, ele não se cansa de repetir em cada mesa por onde passa em seu restaurante. Foi acreditando na qualidade do serviço e na força de vontade própria, que o cearense José Lopes, de 42 anos, montou uma rede de pizzarias no Rio de Janeiro, que em breve terá a sexta filial e conta com cerca de 70 funcionários.

Nascido no município de Ipaporanga, a 375 quilômetros de Fortaleza, Lopes todo dia visita as seis unidades da pizzaria Talento do Trigo, espalhadas em diversos bairros da cidade maravilhosa. É raro o período em que tira folga ou férias, nem que seja para visitar o seu querido Ceará. O trabalho árduo começa cedo e termina na madrugada, por volta das 2h. Mas o cansaço não importa, ele faz tudo isso porque gosta.

O cearense abriu um rede de pizzarias no Rio de Janeiro.

O cearense abriu um rede de pizzarias no Rio de Janeiro (FOTO: Divulgação)

Foi em 1989, ainda com 18 anos, que o cearense decidiu ir embora de sua cidade natal. Com família humilde e pequena, formada por apenas quatro pessoas, Lopes parou de estudar aos 13 anos, pois a escola era distante e estrada desgastada. O único jeito de garantir a sobrevivência era fazendo o que sabia: domar animais.

O problema é que, por ser uma comunidade de maioria pobre, o pagamento era feito com favores. Dessa forma, o dono cedia o animal por um tempo determinado. Com o coração mole, o garoto, na época, se apegava aos bichos e a despedida era difícil.

A viagem

Mas Lopes sempre foi um sonhador. Ele queria muito comprar um cavalo e melhorar de vida. Quando se tornou maior de idade, não teve jeito, arrumou as coisas e foi embora, deixando o pai e a mãe. O irmão já morava no Rio de Janeiro e o receberia em sua casa.

Ao chegar na nova cidade se deparou com um mundo diferente do seu: oportunidades de empregos, estilos de vida atrativos, melhor infraestrutura. Aquilo seria real? Esqueceu por um tempinho o cavalo e arranjou o emprego em um churrascaria, que atualmente tem filial em Fortaleza. Exerceu várias funções, durante 1989 e 1997, até se tornar cozinheiro.

“Mas sempre foi persistente e esforçado. Sempre tive objetivos e fui atrás disso”. A vontade de crescer profissionalmente aumentou ao conhecer um italiano, que lhe duas coisas: a primeira era uma receita de massa sem fermento, a segunda era que o cearense precisava trabalhar para si e não para os outros.

Os sonhos

Em 2005, realizou o sonho: abriu a matriz da Talento de Trigo, em Botafogo. A partir daí, o céu foi o limite. Mais quatro filiais foram abertas. A pizza deixou de ser única no cardápio, dando espaço a sobremesas, sanduíches e outros tipos de pratos. O trabalho deu certo.

Aos 18 anos, Lopes nunca imaginaria que chegaria a ter um negócio próprio. “Nunca imaginei, por mais que respeitasse as pessoas e tivesse meus objetivos”. Foi no meio do caminho, que o cearense comprou uma minifazenda em sua cidade nata. Lá colocou alguns animais e seu querido cavalo. Mas o desgaste foi maior do que a satisfação e desistiu da fazenda.

Com as surpresas do destino, foi no Rio de Janeiro que conheceu uma cearense, casou-se e teve um filho, que atualmente tem 16 anos. A paternidade lhe trouxe a responsabilidade da educação baseada em seus princípios de esforço e perseverança.

O trabalho

De longe, já se percebe que Lopes ama seu trabalho e suas conquistas. Acredita na qualidade da comida. Para ele a pior decepção é quando um cliente vai em um restaurante e sai insatisfeito. Por isso, marca colado, afinal é o olho do dono que engorda o gado.

Se diz feliz com sua rotina, por mais que seja difícil passar um dia em casa. Considera os funcionários seus amigos. Dessas amizades, nasceram sociedades. “A maioria dos meus sócios [nas filiais da pizzaria] são ex-funcionários que eu vi que tinham vontade de crescer”.

Ceará

Para ele, só o tempo dirá se um dia ele voltará para a “terrinha”. “O que eu nunca me acostumei mesmo é viver longe da minha mãe e do meu pai. Fui criado numa casa simples, em que a gente sentava na mesa para decidir juntos”. Por isso, sempre que dá visita o Ceará em busca da companhia de seus pais.

Refletindo sobre tudo que aconteceu em sua vida, Lopes se considera uma pessoa feliz, mesmo que tenha limitações. Ainda sonhador, espera que as pessoas sigam o caminho certo, como ele fez e ainda procura fazer. “Sempre há alguém te olhando”.

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Cearense é o ‘rei da pizza’ no Rio de Janeiro

Para comprar um cavalo, Lopes arrumou as malas e foi embora, deixando o pai e a mãe, em busca dos seus sonhos

Por Hayanne Narlla em Ceará

10 de setembro de 2013 às 18:50

Há 6 anos

“Capricharam na sua comida?”, ele não se cansa de repetir em cada mesa por onde passa em seu restaurante. Foi acreditando na qualidade do serviço e na força de vontade própria, que o cearense José Lopes, de 42 anos, montou uma rede de pizzarias no Rio de Janeiro, que em breve terá a sexta filial e conta com cerca de 70 funcionários.

Nascido no município de Ipaporanga, a 375 quilômetros de Fortaleza, Lopes todo dia visita as seis unidades da pizzaria Talento do Trigo, espalhadas em diversos bairros da cidade maravilhosa. É raro o período em que tira folga ou férias, nem que seja para visitar o seu querido Ceará. O trabalho árduo começa cedo e termina na madrugada, por volta das 2h. Mas o cansaço não importa, ele faz tudo isso porque gosta.

O cearense abriu um rede de pizzarias no Rio de Janeiro.

O cearense abriu um rede de pizzarias no Rio de Janeiro (FOTO: Divulgação)

Foi em 1989, ainda com 18 anos, que o cearense decidiu ir embora de sua cidade natal. Com família humilde e pequena, formada por apenas quatro pessoas, Lopes parou de estudar aos 13 anos, pois a escola era distante e estrada desgastada. O único jeito de garantir a sobrevivência era fazendo o que sabia: domar animais.

O problema é que, por ser uma comunidade de maioria pobre, o pagamento era feito com favores. Dessa forma, o dono cedia o animal por um tempo determinado. Com o coração mole, o garoto, na época, se apegava aos bichos e a despedida era difícil.

A viagem

Mas Lopes sempre foi um sonhador. Ele queria muito comprar um cavalo e melhorar de vida. Quando se tornou maior de idade, não teve jeito, arrumou as coisas e foi embora, deixando o pai e a mãe. O irmão já morava no Rio de Janeiro e o receberia em sua casa.

Ao chegar na nova cidade se deparou com um mundo diferente do seu: oportunidades de empregos, estilos de vida atrativos, melhor infraestrutura. Aquilo seria real? Esqueceu por um tempinho o cavalo e arranjou o emprego em um churrascaria, que atualmente tem filial em Fortaleza. Exerceu várias funções, durante 1989 e 1997, até se tornar cozinheiro.

“Mas sempre foi persistente e esforçado. Sempre tive objetivos e fui atrás disso”. A vontade de crescer profissionalmente aumentou ao conhecer um italiano, que lhe duas coisas: a primeira era uma receita de massa sem fermento, a segunda era que o cearense precisava trabalhar para si e não para os outros.

Os sonhos

Em 2005, realizou o sonho: abriu a matriz da Talento de Trigo, em Botafogo. A partir daí, o céu foi o limite. Mais quatro filiais foram abertas. A pizza deixou de ser única no cardápio, dando espaço a sobremesas, sanduíches e outros tipos de pratos. O trabalho deu certo.

Aos 18 anos, Lopes nunca imaginaria que chegaria a ter um negócio próprio. “Nunca imaginei, por mais que respeitasse as pessoas e tivesse meus objetivos”. Foi no meio do caminho, que o cearense comprou uma minifazenda em sua cidade nata. Lá colocou alguns animais e seu querido cavalo. Mas o desgaste foi maior do que a satisfação e desistiu da fazenda.

Com as surpresas do destino, foi no Rio de Janeiro que conheceu uma cearense, casou-se e teve um filho, que atualmente tem 16 anos. A paternidade lhe trouxe a responsabilidade da educação baseada em seus princípios de esforço e perseverança.

O trabalho

De longe, já se percebe que Lopes ama seu trabalho e suas conquistas. Acredita na qualidade da comida. Para ele a pior decepção é quando um cliente vai em um restaurante e sai insatisfeito. Por isso, marca colado, afinal é o olho do dono que engorda o gado.

Se diz feliz com sua rotina, por mais que seja difícil passar um dia em casa. Considera os funcionários seus amigos. Dessas amizades, nasceram sociedades. “A maioria dos meus sócios [nas filiais da pizzaria] são ex-funcionários que eu vi que tinham vontade de crescer”.

Ceará

Para ele, só o tempo dirá se um dia ele voltará para a “terrinha”. “O que eu nunca me acostumei mesmo é viver longe da minha mãe e do meu pai. Fui criado numa casa simples, em que a gente sentava na mesa para decidir juntos”. Por isso, sempre que dá visita o Ceará em busca da companhia de seus pais.

Refletindo sobre tudo que aconteceu em sua vida, Lopes se considera uma pessoa feliz, mesmo que tenha limitações. Ainda sonhador, espera que as pessoas sigam o caminho certo, como ele fez e ainda procura fazer. “Sempre há alguém te olhando”.