Cresce número de casamentos no Ceará, mas estado tem o maior número de separações do Norte-Nordeste


Cresce número de casamentos no Ceará, mas estado tem o maior número de separações do Norte-Nordeste

O número de casamentos no Brasil aumentou 1,4% de 2011 para 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Ceará, o ano de 2012 terminou com 7,9 uniões por mil habitantes, a maior taxa do Nordeste.

Por Hayanne Narlla em Ceará

23 de dezembro de 2013 às 17:22

Há 6 anos
O número de casamentos no Ceará aumentou em 2012 (FOTO: Divulgação)

O número de casamentos no Ceará aumentou em 2012 (FOTO: Divulgação)

“Até que a morte nos separe”. A frase é acompanhada de uma série de apetrechos, como o vestido branco, o buquê de flores, os mais queridos ao lado e o sonho de final feliz. Sim, as pessoas ainda casam com a vontade (ou ilusão) de que os contos de fadas realmente acontecem em suas vidas.

“Acreditam, mas não se preparam para isso. Esperam que o outro lhes dê essa felicidade e não se dão conta que ela é uma construção diária e das duas partes”, ressaltou a psicóloga Marianne Coelho.

O número de casamentos no Brasil aumentou 1,4% de 2011 para 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Ceará, o ano de 2012 terminou com 7,9 uniões por mil habitantes, a maior taxa do Nordeste.

“Casamento é muito bom, é uma grande escola, por outro lado as pessoas têm dado esse passo sem avaliar a seriedade que esse compromisso agrega. Por isso o grande número de casamento”, avaliou Marianne.

>LEIA MAIS:

Separação

Já o total de separações no Ceará, durante 2012, foi 46. Desse total, apenas 11 casais tomaram a decisão em conjunto. Os divórcios sem consenso ocorreram por dois motivos: conduta desonrosa (21) ou separação de fato (14).

Sobre a conduta desonrosa – que pode ser por traição, por exemplo –, o número de mulheres (12) que requisitam o divórcio é maior que o de homens (9). “Nosso estado tem uma forte característica machista quando comparado a outros da federação. Hoje, as mulheres têm mais voz e não aceitam muitas coisas, estão engolindo menos sapos e se posicionando melhor”, afirma a psicóloga.

Para a separação de fato, o número de mulheres (9) também é superior ao de homens (5), apesar de ter menos casos. “Acredito que as pessoas estejam mais individualistas e isso causa uma intolerância aos hábitos do cônjuge. Numa relação há uma constante adaptação e troca, isso requer paciência, empatia (capacidade de se pôr no lugar do outro). A falta de comunicação ou comunicação truncada também é um fator importante”, analisou.

A taxa de 2011 para 2012 de divórcio no estado permaneceu a mesma: de 2 por mil habitantes. Em média, o casamento perdura 16 anos. Mas a separação não é o fim do mundo. Isso porque muitos divorciados acabam casando novamente.

Enquanto o número de uniões entre solteiros diminui – mesmo que se mantenha a mais com 85,6 –, o casamento entre dois divorciados subiu de 1,6 (2011) para 1,9 (2012). Já divorciadas com solteiros foi de 2,8 (2011) para 3,1 (2012). E divorciados com solteiras foi de 7 (2011) para 7,5 (2012).

ARTE: Tiago Leite

ARTE: Tiago Leite

Além disso, há a possibilidade de consertar o que houve de errado e reatar ainda com o ex. Um dos principais problemas apontados pela psicóloga é a falta de comunicação, o que pode ser resolvido com uma terapia de casal, por exemplo.

“Muitos casais têm problemas de comunicação. O que acontece, homens e mulheres pensam e sentem diferente. Não expressam o que sentem e quando expressam o outro não entende. Na verdade quando aprendem a se comunicar de forma eficiente 70% dos problemas vão embora. A terapia é fundamental, pois na crise ambos estão desgastados e não aceitam o ponto de vista do outro”, enfatizou.

Homem x Mulheres

Que o universo masculino é bem diferente do feminino, estamos cansados de saber. “Ainda existem dois mitos fortes. O homem delimita mulheres para casar e mulheres para ‘farrear ou pegar’. As mulheres ainda acreditam que o outro é que vai fazê-la feliz. É preciso estar bem, estar feliz para poder se relacionar de forma saudável e satisfatória, senão tanto homens quanto mulheres transferem suas questões e insatisfações para o outro, isso não é um enredo que traz um final feliz”.

Além disso, a idade média para entrar ou sair de um casamento é outro ponto divergente. As mulheres casam mais entre 20 e 24 anos, cerca de 30% das brasileiras. Já os homens, a idade é de 25 a 29 anos, com cerca de 31,3%.

Porém, nos últimos anos, essa idade média aumentou em geral. Hoje, mulheres com 25 anos é que procuram se casar, diferente de 2002, quando elas, aos 22 anos, entravam de cabeça em um relacionamento mais sério.

Com os homens aconteceu o mesmo. Antes, em 2002, com 25 se casavam, mas em 2012 a idade passou para os 28 anos. Oportunidades educacionais, inserção no mercado de trabalho e uniões consensuais podem ter influenciado nesse aumento.

Com o divórcio não é diferente. Mulheres entre 30 e 49 anos se divorciam mais, enquanto os homens fazer o mesmo na faixa etária de 45 a 49 anos. Já a idade média para a separação se manteve nos últimos dez anos: mulheres aos 39 anos e homens aos 42.

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Cresce número de casamentos no Ceará, mas estado tem o maior número de separações do Norte-Nordeste

O número de casamentos no Brasil aumentou 1,4% de 2011 para 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Ceará, o ano de 2012 terminou com 7,9 uniões por mil habitantes, a maior taxa do Nordeste.

Por Hayanne Narlla em Ceará

23 de dezembro de 2013 às 17:22

Há 6 anos
O número de casamentos no Ceará aumentou em 2012 (FOTO: Divulgação)

O número de casamentos no Ceará aumentou em 2012 (FOTO: Divulgação)

“Até que a morte nos separe”. A frase é acompanhada de uma série de apetrechos, como o vestido branco, o buquê de flores, os mais queridos ao lado e o sonho de final feliz. Sim, as pessoas ainda casam com a vontade (ou ilusão) de que os contos de fadas realmente acontecem em suas vidas.

“Acreditam, mas não se preparam para isso. Esperam que o outro lhes dê essa felicidade e não se dão conta que ela é uma construção diária e das duas partes”, ressaltou a psicóloga Marianne Coelho.

O número de casamentos no Brasil aumentou 1,4% de 2011 para 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Ceará, o ano de 2012 terminou com 7,9 uniões por mil habitantes, a maior taxa do Nordeste.

“Casamento é muito bom, é uma grande escola, por outro lado as pessoas têm dado esse passo sem avaliar a seriedade que esse compromisso agrega. Por isso o grande número de casamento”, avaliou Marianne.

>LEIA MAIS:

Separação

Já o total de separações no Ceará, durante 2012, foi 46. Desse total, apenas 11 casais tomaram a decisão em conjunto. Os divórcios sem consenso ocorreram por dois motivos: conduta desonrosa (21) ou separação de fato (14).

Sobre a conduta desonrosa – que pode ser por traição, por exemplo –, o número de mulheres (12) que requisitam o divórcio é maior que o de homens (9). “Nosso estado tem uma forte característica machista quando comparado a outros da federação. Hoje, as mulheres têm mais voz e não aceitam muitas coisas, estão engolindo menos sapos e se posicionando melhor”, afirma a psicóloga.

Para a separação de fato, o número de mulheres (9) também é superior ao de homens (5), apesar de ter menos casos. “Acredito que as pessoas estejam mais individualistas e isso causa uma intolerância aos hábitos do cônjuge. Numa relação há uma constante adaptação e troca, isso requer paciência, empatia (capacidade de se pôr no lugar do outro). A falta de comunicação ou comunicação truncada também é um fator importante”, analisou.

A taxa de 2011 para 2012 de divórcio no estado permaneceu a mesma: de 2 por mil habitantes. Em média, o casamento perdura 16 anos. Mas a separação não é o fim do mundo. Isso porque muitos divorciados acabam casando novamente.

Enquanto o número de uniões entre solteiros diminui – mesmo que se mantenha a mais com 85,6 –, o casamento entre dois divorciados subiu de 1,6 (2011) para 1,9 (2012). Já divorciadas com solteiros foi de 2,8 (2011) para 3,1 (2012). E divorciados com solteiras foi de 7 (2011) para 7,5 (2012).

ARTE: Tiago Leite

ARTE: Tiago Leite

Além disso, há a possibilidade de consertar o que houve de errado e reatar ainda com o ex. Um dos principais problemas apontados pela psicóloga é a falta de comunicação, o que pode ser resolvido com uma terapia de casal, por exemplo.

“Muitos casais têm problemas de comunicação. O que acontece, homens e mulheres pensam e sentem diferente. Não expressam o que sentem e quando expressam o outro não entende. Na verdade quando aprendem a se comunicar de forma eficiente 70% dos problemas vão embora. A terapia é fundamental, pois na crise ambos estão desgastados e não aceitam o ponto de vista do outro”, enfatizou.

Homem x Mulheres

Que o universo masculino é bem diferente do feminino, estamos cansados de saber. “Ainda existem dois mitos fortes. O homem delimita mulheres para casar e mulheres para ‘farrear ou pegar’. As mulheres ainda acreditam que o outro é que vai fazê-la feliz. É preciso estar bem, estar feliz para poder se relacionar de forma saudável e satisfatória, senão tanto homens quanto mulheres transferem suas questões e insatisfações para o outro, isso não é um enredo que traz um final feliz”.

Além disso, a idade média para entrar ou sair de um casamento é outro ponto divergente. As mulheres casam mais entre 20 e 24 anos, cerca de 30% das brasileiras. Já os homens, a idade é de 25 a 29 anos, com cerca de 31,3%.

Porém, nos últimos anos, essa idade média aumentou em geral. Hoje, mulheres com 25 anos é que procuram se casar, diferente de 2002, quando elas, aos 22 anos, entravam de cabeça em um relacionamento mais sério.

Com os homens aconteceu o mesmo. Antes, em 2002, com 25 se casavam, mas em 2012 a idade passou para os 28 anos. Oportunidades educacionais, inserção no mercado de trabalho e uniões consensuais podem ter influenciado nesse aumento.

Com o divórcio não é diferente. Mulheres entre 30 e 49 anos se divorciam mais, enquanto os homens fazer o mesmo na faixa etária de 45 a 49 anos. Já a idade média para a separação se manteve nos últimos dez anos: mulheres aos 39 anos e homens aos 42.