Haja padre com o nome de Cícero na terra do Padre Cícero! Conheça os xarás


Haja padre com o nome de Cícero na terra do Padre Cícero! Conheça os xarás

Sete padres da diocese do Crato têm o nome do padre que virou santo popular do Nordeste. Sinal da importância de Padre Cícero no Cariri

Por Hayanne Narlla em Ceará

9 de março de 2016 às 06:00

Há 3 anos

Desde o nascimento, o caminho já apontava a vocação sacerdotal. Cícero Mariano de Lima, de 44 anos, recebia ainda no ventre da mãe a alcunha de uma das personalidades mais influentes do Ceará: o Padre Cícero Romão Batista. Os anos se passaram, e o destino se confirmou.

Hoje, o cearense é vigário da Paróquia São José, em Missão Velha, na região do Cariri, berço do santo popular do Nordeste. Cícero Mariano considera o “Padim” uma fonte de inspiração para sua função. “Ele era um exemplo de vida. A maneira como viveu, as virtudes. Acolhia as pessoas que iam procurá-lo. O aconselhamento dele continua sendo um ponto de referência”, destaca.

(ARTE: Tiago Leite)

(ARTE: Tiago Leite)

Cícero Mariano não é o único religioso do Cariri que recebeu o nome de Cícero em homenagem ao padre famoso. Na verdade, as famílias da região quase sempre têm um Cícero ou Francisco – devido à proximidade com Canindé, cujo padroeiro é São Francisco. Em decorrência disso, há mais seis padres diocesanos que exercem atividades nas paróquias locais com o nome Cícero.

Ao todo, são 96 sacerdotes na região da Diocese do Crato. Entre Antônios, Franciscos e Josés, os Cíceros representam 7% dos padres, maior número de homônimos. A tradição e o peso do nome são os principais fatores para a boa quantidade de xarás.

Padre Cícero é ícone religioso na cidade de Juazeiro do Norte (FOTO: Wikipedia)

Padre Cícero é ícone religioso na cidade de Juazeiro do Norte, onde foi o 1º prefeito (FOTO: Wikipedia)

Dois Cíceros juntos

Na Paróquia Santo Antônio, em Barbalha, dois sacerdotes dividem o mesmo nome: o vigário Cícero Luciano Lima e o pároco Cícero Alencar Ferreira. Juntos, celebram missas e atendem aos fiéis no município.

Cícero Luciano tem a idade de Cristo, e há três anos exerce o sacerdócio. Quando grávida, a mãe pensou em colocar o nome de Benival, mas depois mudou de ideia.

“O meu nome foi uma promessa que a minha mãe fez ainda quando ela estava em período de gestação. Ela teve um problema, uma doença, e para ficar boa fez a promessa ao padre [Cícero] de colocar o nome do seu filho também de Cícero. Como teve a promessa alcançada, ela então cumpriu”.

A partir dessa promessa, o “Padim” se tornou uma fonte de inspiração para Cícero Luciano, o que influenciou em sua decisão para exercer a vocação. “Ele é um modelo de sacerdote para todos nós. Agora, só me resta honrar esse nome”.

Nome anda em desuso

O escrevente do Cartório Pariz, de Juazeiro do Norte, Luciano Pereira, trabalha há 25 anos na área de registro civil. Para ele, o nome Cícero está fora de moda na região. Até a década de 1970, essa era a preferência da maioria dos moradores da região.

Por isso, é mais provável que os xarás estejam na casa dos 30 a 50 anos, idade dos padres da diocese. “Da década de 1980 para cá, diminuiu bastante. Perderam esse costume. Antes, a maioria era Cícero, Cícera e Maria. Hoje é o nome que está na novela”, revelou.

Já o chanceler da Diocese de Crato, Armando Rafael, enfatizou que, além dos padres, há seminaristas com o nome de Cícero, o que mostraria uma resistência religiosa das pessoas do Cariri. Ele ressaltou que os padres são jovens, não senhores. Por isso, acredita na possibilidade de mais xarás entrando em seminários para exercer o sacerdócio.

“É um dado importante e que só mostra a importância do Padre Cícero. 82 anos depois da morte dele, ainda tem gente que continua batizando filhos com o nome. Isso mostra que até hoje ele é muito importante para nós”, concluiu.

Publicidade

Dê sua opinião

Haja padre com o nome de Cícero na terra do Padre Cícero! Conheça os xarás

Sete padres da diocese do Crato têm o nome do padre que virou santo popular do Nordeste. Sinal da importância de Padre Cícero no Cariri

Por Hayanne Narlla em Ceará

9 de março de 2016 às 06:00

Há 3 anos

Desde o nascimento, o caminho já apontava a vocação sacerdotal. Cícero Mariano de Lima, de 44 anos, recebia ainda no ventre da mãe a alcunha de uma das personalidades mais influentes do Ceará: o Padre Cícero Romão Batista. Os anos se passaram, e o destino se confirmou.

Hoje, o cearense é vigário da Paróquia São José, em Missão Velha, na região do Cariri, berço do santo popular do Nordeste. Cícero Mariano considera o “Padim” uma fonte de inspiração para sua função. “Ele era um exemplo de vida. A maneira como viveu, as virtudes. Acolhia as pessoas que iam procurá-lo. O aconselhamento dele continua sendo um ponto de referência”, destaca.

(ARTE: Tiago Leite)

(ARTE: Tiago Leite)

Cícero Mariano não é o único religioso do Cariri que recebeu o nome de Cícero em homenagem ao padre famoso. Na verdade, as famílias da região quase sempre têm um Cícero ou Francisco – devido à proximidade com Canindé, cujo padroeiro é São Francisco. Em decorrência disso, há mais seis padres diocesanos que exercem atividades nas paróquias locais com o nome Cícero.

Ao todo, são 96 sacerdotes na região da Diocese do Crato. Entre Antônios, Franciscos e Josés, os Cíceros representam 7% dos padres, maior número de homônimos. A tradição e o peso do nome são os principais fatores para a boa quantidade de xarás.

Padre Cícero é ícone religioso na cidade de Juazeiro do Norte (FOTO: Wikipedia)

Padre Cícero é ícone religioso na cidade de Juazeiro do Norte, onde foi o 1º prefeito (FOTO: Wikipedia)

Dois Cíceros juntos

Na Paróquia Santo Antônio, em Barbalha, dois sacerdotes dividem o mesmo nome: o vigário Cícero Luciano Lima e o pároco Cícero Alencar Ferreira. Juntos, celebram missas e atendem aos fiéis no município.

Cícero Luciano tem a idade de Cristo, e há três anos exerce o sacerdócio. Quando grávida, a mãe pensou em colocar o nome de Benival, mas depois mudou de ideia.

“O meu nome foi uma promessa que a minha mãe fez ainda quando ela estava em período de gestação. Ela teve um problema, uma doença, e para ficar boa fez a promessa ao padre [Cícero] de colocar o nome do seu filho também de Cícero. Como teve a promessa alcançada, ela então cumpriu”.

A partir dessa promessa, o “Padim” se tornou uma fonte de inspiração para Cícero Luciano, o que influenciou em sua decisão para exercer a vocação. “Ele é um modelo de sacerdote para todos nós. Agora, só me resta honrar esse nome”.

Nome anda em desuso

O escrevente do Cartório Pariz, de Juazeiro do Norte, Luciano Pereira, trabalha há 25 anos na área de registro civil. Para ele, o nome Cícero está fora de moda na região. Até a década de 1970, essa era a preferência da maioria dos moradores da região.

Por isso, é mais provável que os xarás estejam na casa dos 30 a 50 anos, idade dos padres da diocese. “Da década de 1980 para cá, diminuiu bastante. Perderam esse costume. Antes, a maioria era Cícero, Cícera e Maria. Hoje é o nome que está na novela”, revelou.

Já o chanceler da Diocese de Crato, Armando Rafael, enfatizou que, além dos padres, há seminaristas com o nome de Cícero, o que mostraria uma resistência religiosa das pessoas do Cariri. Ele ressaltou que os padres são jovens, não senhores. Por isso, acredita na possibilidade de mais xarás entrando em seminários para exercer o sacerdócio.

“É um dado importante e que só mostra a importância do Padre Cícero. 82 anos depois da morte dele, ainda tem gente que continua batizando filhos com o nome. Isso mostra que até hoje ele é muito importante para nós”, concluiu.