Moradores vivem em "limbo" entre cidades, sem saber a qual delas recorrer em busca de serviços

GEORREFERENCIAMENTO

Moradores vivem em “limbo” entre cidades, sem saber a qual delas recorrer em busca de serviços

Algumas ruas de cidades cearenses não têm coleta de lixo na porta, e nem recebem correspondências

Por Jangadeiro FM em Ceará

25 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 2 anos

Ibiapaba será uma das próximas regiões a passar por estudos. FOTO: Governo Municipal/ Guaraciaba do Norte)

Quem mora próximo aos limites entre municípios, às vezes, encontra problemas para conseguir serviços essenciais. Como é complicado saber de qual cidade realmente pertence, os moradores sofrem para conseguir acesso a posto de saúde ou escola. Para diminuir esses problemas, o Governo do Estado realiza o estudo de georreferenciamento, para definir os limites entre as cidades. A matéria é da Rádio Jangadeiro FM.

A administradora Renata Sousa sabe muito bem como é complicado morar em um local que, pelo menos no quesito de serviços públicos, não existe. A sua rua não tem CEP e, por isso, ela não tem coleta de lixo na porta, e nem recebe correspondências. Na tentativa de receber as cartas, seus vizinhos alugam caixas postais nas unidades dos Correios.

Como não tem tempo de ir à agência, Renata paga um valor ao porteiro do prédio onde morava, para que ele receba seus documentos e contas. “A minha rua ainda não tem CEP porque não é reconhecida oficialmente. Lá não chega nada”, diz Renata.

Quem mora em divisas de municípios passa por problemas iguais. Ou até piores, como falta de atendimento médico e educação. As cartografias cearenses, que mostram os limites dos municípios, são de mais de 60 anos atrás, época em que o Ceará só possuía 95 cidades.

O analista de políticas públicas do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará  (IPECE) , Cleyber Nascimento, diz que, hoje, com 184 municípios, é preciso uma atualização dos limites.

Cleyber destaca que, com o novo georreferenciamento dos municípios, feito em parceria com IBGE e Assembleia Legislativa, é possível melhorar a oferta de serviços à população, com transferência mais igualitária de recursos.

“Um prefeito presta assistência de educação, de saúde em uma determinada localidade, quando, de fato, essa localidade pertence a outro município. Isso acarreta distorção de dados estatísticos quando da realização de censos demográficos e na diminuição de arrecadação de impostos e de transferências constitucionais”, explica.

O programa de georreferenciamento do Ipece já atualizou os limites das cidades do litoral leste, Vale do Jaguaribe, Região Centro-Sul, Cariri, Inhamuns, Sertão Central, Maciço de Baturité e Grande Fortaleza. 128 municípios foram analisados, e desses, 52 apresentavam problemas de limites geográficos. As próximas regiões a passar por estudos são Ibiapaba, Zona Norte e Litoral Oeste.

Saiba mais na reportagem de Iury Costa, da Rádio Jangadeiro FM:

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Moradores vivem em “limbo” entre cidades, sem saber a qual delas recorrer em busca de serviços

Algumas ruas de cidades cearenses não têm coleta de lixo na porta, e nem recebem correspondências

Por Jangadeiro FM em Ceará

25 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 2 anos

Ibiapaba será uma das próximas regiões a passar por estudos. FOTO: Governo Municipal/ Guaraciaba do Norte)

Quem mora próximo aos limites entre municípios, às vezes, encontra problemas para conseguir serviços essenciais. Como é complicado saber de qual cidade realmente pertence, os moradores sofrem para conseguir acesso a posto de saúde ou escola. Para diminuir esses problemas, o Governo do Estado realiza o estudo de georreferenciamento, para definir os limites entre as cidades. A matéria é da Rádio Jangadeiro FM.

A administradora Renata Sousa sabe muito bem como é complicado morar em um local que, pelo menos no quesito de serviços públicos, não existe. A sua rua não tem CEP e, por isso, ela não tem coleta de lixo na porta, e nem recebe correspondências. Na tentativa de receber as cartas, seus vizinhos alugam caixas postais nas unidades dos Correios.

Como não tem tempo de ir à agência, Renata paga um valor ao porteiro do prédio onde morava, para que ele receba seus documentos e contas. “A minha rua ainda não tem CEP porque não é reconhecida oficialmente. Lá não chega nada”, diz Renata.

Quem mora em divisas de municípios passa por problemas iguais. Ou até piores, como falta de atendimento médico e educação. As cartografias cearenses, que mostram os limites dos municípios, são de mais de 60 anos atrás, época em que o Ceará só possuía 95 cidades.

O analista de políticas públicas do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará  (IPECE) , Cleyber Nascimento, diz que, hoje, com 184 municípios, é preciso uma atualização dos limites.

Cleyber destaca que, com o novo georreferenciamento dos municípios, feito em parceria com IBGE e Assembleia Legislativa, é possível melhorar a oferta de serviços à população, com transferência mais igualitária de recursos.

“Um prefeito presta assistência de educação, de saúde em uma determinada localidade, quando, de fato, essa localidade pertence a outro município. Isso acarreta distorção de dados estatísticos quando da realização de censos demográficos e na diminuição de arrecadação de impostos e de transferências constitucionais”, explica.

O programa de georreferenciamento do Ipece já atualizou os limites das cidades do litoral leste, Vale do Jaguaribe, Região Centro-Sul, Cariri, Inhamuns, Sertão Central, Maciço de Baturité e Grande Fortaleza. 128 municípios foram analisados, e desses, 52 apresentavam problemas de limites geográficos. As próximas regiões a passar por estudos são Ibiapaba, Zona Norte e Litoral Oeste.

Saiba mais na reportagem de Iury Costa, da Rádio Jangadeiro FM: