Violência reduz em 3,6 anos expectativa de vida de negros no Ceará


Violência reduz em 3,6 anos expectativa de vida de negros no Ceará

Levantamento calculou, para cada estado do país, os impactos de mortes violentas na expectativa de vida de negro e não negros

Por Roberta Tavares em Ceará

20 de novembro de 2013 às 10:26

Há 6 anos

Apesar de o Dia da Consciência Negra ser nesta quarta-feira (20 de novembro), não há motivos para comemorar. No Ceará, a violência reduziu em 3,6 anos a expectativa de vida dos homens negros. A informação faz parte do estudo “Vidas perdidas e racismo no Brasil”, divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas.

Com o número, o Ceará ocupa a 16ª posição entre os estados brasileiros. Alagoas (6,21 anos), Espírito Santo (5,18 anos) e Paraíba (4,81 anos) estão no topo do ranking, com as maiores reduções na expectativa de vida dos negros do sexo masculino.

O levantamento calculou, para cada estado do país, os impactos de mortes violentas (acidentes de trânsito, homicídio, suicídio, entre outros) na expectativa de vida de negro e não negros, com base no Sistema de informações sobre Mortalidade (SIM/MS) e no Censo Demográfico do IBGE de 2010.

Homens não-negros

A redução da expectativa de vida dos homens não-negros representa praticamente a metade se comparada à dos homens negros. No Ceará, o número é de 1,83 anos, ocupando a 17ª posição do país. Os primeiros lugares no ranking são Paraná (3,95 anos), São Paulo (3,53 anos) e Rondônia (3,26 anos).

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Mulheres

Em relação à perda da expectativa de vida das mulheres negras, o número é um pouco mais baixo. No Ceará, a redução é de 0,54 anos; mas, acima da de mulheres não-negras (0,41 anos).

“Enquanto a simples contagem da taxa de mortos por ações violentas não leva em conta o momento em que se deu a vitimização, a perda de expectativa de vida é tanto maior quanto mais jovem for a vítima. Em segundo lugar, a expectativa de vida ao nascer é um dos principais indicadores associados ao desenvolvimento socioeconômico dos países”, explica o texto da pesquisa.

Homicídios

Considerando apenas o universo dos indivíduos que sofreram morte violenta no país entre 1996 e 2010, constatou-se que, para além das características socioeconômicas – como escolaridade, gênero, idade e estado civil –, a cor da pele da vítima, quando preta ou parda, faz aumentar a probabilidade, em cerca de 8%, do mesmo ter sofrido homicídio.

Segundo informações do Sistema de informações sobre Mortalidade (SIM/MS) e do Censo Demográfico do IBGE, de 2010, enquanto a taxa de homicídios de negros no Brasil é de 36 mortes por 100 mil negros, a mesma medida para os “não negros” é de 15,2.

Novamente Alagoas é o local onde a diferença entre negros e não negros é mais acentuada – a taxa de homicídio para população negra atingiu, em 2010, 80 a cada 100 mil indivíduos. O Ceará ocupa a 17ª posição, com 30 homicídios a cada 100 mil indivíduos.

“O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele. Tais discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros vis-à-vis o resto da população”, conclui a pesquisa.

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Violência reduz em 3,6 anos expectativa de vida de negros no Ceará

Levantamento calculou, para cada estado do país, os impactos de mortes violentas na expectativa de vida de negro e não negros

Por Roberta Tavares em Ceará

20 de novembro de 2013 às 10:26

Há 6 anos

Apesar de o Dia da Consciência Negra ser nesta quarta-feira (20 de novembro), não há motivos para comemorar. No Ceará, a violência reduziu em 3,6 anos a expectativa de vida dos homens negros. A informação faz parte do estudo “Vidas perdidas e racismo no Brasil”, divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas.

Com o número, o Ceará ocupa a 16ª posição entre os estados brasileiros. Alagoas (6,21 anos), Espírito Santo (5,18 anos) e Paraíba (4,81 anos) estão no topo do ranking, com as maiores reduções na expectativa de vida dos negros do sexo masculino.

O levantamento calculou, para cada estado do país, os impactos de mortes violentas (acidentes de trânsito, homicídio, suicídio, entre outros) na expectativa de vida de negro e não negros, com base no Sistema de informações sobre Mortalidade (SIM/MS) e no Censo Demográfico do IBGE de 2010.

Homens não-negros

A redução da expectativa de vida dos homens não-negros representa praticamente a metade se comparada à dos homens negros. No Ceará, o número é de 1,83 anos, ocupando a 17ª posição do país. Os primeiros lugares no ranking são Paraná (3,95 anos), São Paulo (3,53 anos) e Rondônia (3,26 anos).

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Mulheres

Em relação à perda da expectativa de vida das mulheres negras, o número é um pouco mais baixo. No Ceará, a redução é de 0,54 anos; mas, acima da de mulheres não-negras (0,41 anos).

“Enquanto a simples contagem da taxa de mortos por ações violentas não leva em conta o momento em que se deu a vitimização, a perda de expectativa de vida é tanto maior quanto mais jovem for a vítima. Em segundo lugar, a expectativa de vida ao nascer é um dos principais indicadores associados ao desenvolvimento socioeconômico dos países”, explica o texto da pesquisa.

Homicídios

Considerando apenas o universo dos indivíduos que sofreram morte violenta no país entre 1996 e 2010, constatou-se que, para além das características socioeconômicas – como escolaridade, gênero, idade e estado civil –, a cor da pele da vítima, quando preta ou parda, faz aumentar a probabilidade, em cerca de 8%, do mesmo ter sofrido homicídio.

Segundo informações do Sistema de informações sobre Mortalidade (SIM/MS) e do Censo Demográfico do IBGE, de 2010, enquanto a taxa de homicídios de negros no Brasil é de 36 mortes por 100 mil negros, a mesma medida para os “não negros” é de 15,2.

Novamente Alagoas é o local onde a diferença entre negros e não negros é mais acentuada – a taxa de homicídio para população negra atingiu, em 2010, 80 a cada 100 mil indivíduos. O Ceará ocupa a 17ª posição, com 30 homicídios a cada 100 mil indivíduos.

“O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele. Tais discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros vis-à-vis o resto da população”, conclui a pesquisa.