Conheça histórias de cinco mulheres que merecem ser relembradas

DIA DA MULHER

6 histórias de mulheres cearenses que merecem a homenagem no dia delas

São relatos de superação, pela busca de direitos e sobre a ajuda ao próximo. Todas possuem trajetos diferentes, mas têm algo em comum: boas histórias

Por Daniel Rocha em Cotidiano

8 de março de 2018 às 09:05

Há 1 ano

“Viúvas do Trabalho” conta a história de quatro mulheres que perderam seus maridos em acidentes de trabalho (Foto: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

Ao longo dos cinco anos de existência do Tribuna do Ceará, várias histórias de mulheres foram contadas. São ícones que lutaram por seus direitos ou foram exemplos de superação. Há mulheres que buscam aumentar a autoestima de outras ou ajudar o próximo. Há aquelas que sofreram mudanças radicais em suas vidas, exigindo-lhes força para seguir em frente. Relatos que merecem ser relembrados.

Em comemoração ao Dia da Mulher nesta quinta-feira (8), o Tribuna do Ceará resgata seis histórias de mulheres que são grandes exemplos. Confira!

Viúvas do Trabalho

O especial do Tribuna do Ceará foi lançado em abril de 2016. O conteúdo contou a história de mulheres que tiveram a sua vida modificada após seus maridos terem sido mortos em acidentes de trabalho. Mortes que poderiam ser evitadas. Ao todo, foram quatro mulheres que relataram suas histórias, de como receberam a notícia e as dificuldades enfrentadas após o falecimento de seus esposos.

Entre as história das “Viúvas do Trabalho” está a de Mikaelle Sousa do Nascimento, de 19 anos. Já não bastasse o luto pela morte do marido, teve que enfrentar uma série de dificuldades para exigir os direitos trabalhistas de Rômulo da Silva Moura, morto em 2015.

Maria Cabelão conta a sua trajetória como pescadora (Foto: Igor Gadelha)

Pescadores Artesanais

Uma mulher forte e cheia de experiências no mar. A única pescadora do especial “Pescadores Artesanais”, Maria José do Nascimento, mais conhecida como Maria Cabelão, relata sua trajetória na pesca. Foram 20 anos de trabalho. As marcas no rosto representam a garra de quando estava na atividade.

“Antes, a gente ia para a praia e só fazia pedir peixes. Os pescadores sempre diziam assim: ‘Por que tu não vai para o mar? Só quer pedir’. Aquilo foi despertando a curiosidade, até que um dia perguntei se eu quisesse ir para o mar, se eles me levavam. Eles disseram que levavam, se eu pedisse ao dono da jangada, e ele deixasse. Foi isso que eu fiz”, relata quando decidiu ser pescadora.

Cearense humilde vira empresária de sucesso

Conhecida como Sylvia Design, ela largou os estudos para tentar a vida na cidade grande. Natural do município de Barro, a 452 km de Fortaleza, Josefa Araújo tornou-se empresária de sucesso em São Paulo. Trabalhou em tudo. Foi empacotadora, vendedora, entre outros cargos para chegar aonde está. Hoje, é dona de uma loja de imóveis na capital paulista. A fama se deu graças a um comercial em que se apresentou como mulher-gato. “Sou formada na faculdade da vida”, ressalta.

Foram 17 anos trabalhando como vendedora. Subiu de cargo. Passou a ser gerente e conquistou fornecedores. Neste período, conseguiu comprar o seu primeiro apartamento.  Logo depois, percebeu que era o momento de montar o seu próprio negócio. “Vender está no meu sangue. Trabalhei por tanto tempo, enriquecendo outras pessoas, que estava na hora de abrir a minha loja”, relembra.

A fotógrafa Ethi Arcanjo faz ensaios sensuais com mulheres de diversos padrões (FOTO: Ethi Arcanjo)

A sensualidade de mulheres comuns

Ethi Arcanjo é detalhista e observadora. Por meio de suas lentes, transforma o cotidiano em arte, em sensual. É o que mostra os seus trabalhos de ensaios sensuais com mulheres de diversos padrões. De acordo com a fotógrafa, o objetivo é explorar a personalidade feminina.

“A fotografia que escolhi não é voltada para o público masculino. Não existe o apelo sexual. É leve, delicado, feminino e sofisticado”, enfatiza. Ela acredita que o tipo de fotografia tem relação com o florescer da autoestima das mulheres. Não trata-se apenas de uma modelo de salto alto coberta por um lençol de cetim. Retrata os traumas, as feridas e o recomeço. Ethi explora o todo.

Dona Mundinha e sua tradição natalina

Todo ano se repete. Ao chegar o segundo semestre, Dona Mundinha, de 93 anos, já começa a se organizar para a festa de Natal. Tudo inicia na construção de sua lapinha, cheia de detalhes e de cores. A estrutura possui até sistema elétrico e hidráulico. Há brinquedos de seus filhos e netos, areia vinda da praia e até peixes. Cada detalhe é importante para contar a história de Jesus Cristo. A tradição se repete há 70 anos.

Dona Mundinha conta a história de Jesus Cristo há 70 anos (Foto: Daniel Rocha)

Junto com a lapinha, a idosa e seus familiares organizam a festa de Natal no dia 25 de dezembro para as crianças da região do Mucuripe. A ação acontece desde a década de 1950. Na festa, os convidados têm direito a lanches, brinquedos e conhecer a história do menino Jesus. De acordo com Mundinha, a iniciativa surgiu ao perceber que muitas crianças da região não tinham o privilégio de ganhar presentes de Natal assim como os seus filhos.

De analfabeta para poetisa

Isabel Barros de Araújo, de 63 anos, é um exemplo de que nunca é tarde para aprender. Aos 50 anos, a artesã aprendeu a ler e a escrever. Gostou tanto que virou poetisa. “Eu sou apaixonada pelas letras”, revelou.

O tempo tardio para a leitura deve-se a sua história privada de direitos, como a educação. Ainda criança, foi retirada da casa da família, no município de Quixeramobim, para trabalhar em uma residência. Não tinha salário nem o direito para estudar.

O tempo foi passando e ao atingir a fase adulta foi morar em Maracanaú onde casou e teve dois filhos. Segundo ela, quem lhe aconselhava a aprender a ler e a escrever era seu falecido marido. “Ele me incentivava”, relembra. Mas, somente em 2004, decidiu se matricular em uma escola para estudar. O começo foi difícil. Tinha vergonha. Hoje, desfruta dos privilégios de quem conhece e domina as palavras.

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DIA DA MULHER

6 histórias de mulheres cearenses que merecem a homenagem no dia delas

São relatos de superação, pela busca de direitos e sobre a ajuda ao próximo. Todas possuem trajetos diferentes, mas têm algo em comum: boas histórias

Por Daniel Rocha em Cotidiano

8 de março de 2018 às 09:05

Há 1 ano

“Viúvas do Trabalho” conta a história de quatro mulheres que perderam seus maridos em acidentes de trabalho (Foto: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

Ao longo dos cinco anos de existência do Tribuna do Ceará, várias histórias de mulheres foram contadas. São ícones que lutaram por seus direitos ou foram exemplos de superação. Há mulheres que buscam aumentar a autoestima de outras ou ajudar o próximo. Há aquelas que sofreram mudanças radicais em suas vidas, exigindo-lhes força para seguir em frente. Relatos que merecem ser relembrados.

Em comemoração ao Dia da Mulher nesta quinta-feira (8), o Tribuna do Ceará resgata seis histórias de mulheres que são grandes exemplos. Confira!

Viúvas do Trabalho

O especial do Tribuna do Ceará foi lançado em abril de 2016. O conteúdo contou a história de mulheres que tiveram a sua vida modificada após seus maridos terem sido mortos em acidentes de trabalho. Mortes que poderiam ser evitadas. Ao todo, foram quatro mulheres que relataram suas histórias, de como receberam a notícia e as dificuldades enfrentadas após o falecimento de seus esposos.

Entre as história das “Viúvas do Trabalho” está a de Mikaelle Sousa do Nascimento, de 19 anos. Já não bastasse o luto pela morte do marido, teve que enfrentar uma série de dificuldades para exigir os direitos trabalhistas de Rômulo da Silva Moura, morto em 2015.

Maria Cabelão conta a sua trajetória como pescadora (Foto: Igor Gadelha)

Pescadores Artesanais

Uma mulher forte e cheia de experiências no mar. A única pescadora do especial “Pescadores Artesanais”, Maria José do Nascimento, mais conhecida como Maria Cabelão, relata sua trajetória na pesca. Foram 20 anos de trabalho. As marcas no rosto representam a garra de quando estava na atividade.

“Antes, a gente ia para a praia e só fazia pedir peixes. Os pescadores sempre diziam assim: ‘Por que tu não vai para o mar? Só quer pedir’. Aquilo foi despertando a curiosidade, até que um dia perguntei se eu quisesse ir para o mar, se eles me levavam. Eles disseram que levavam, se eu pedisse ao dono da jangada, e ele deixasse. Foi isso que eu fiz”, relata quando decidiu ser pescadora.

Cearense humilde vira empresária de sucesso

Conhecida como Sylvia Design, ela largou os estudos para tentar a vida na cidade grande. Natural do município de Barro, a 452 km de Fortaleza, Josefa Araújo tornou-se empresária de sucesso em São Paulo. Trabalhou em tudo. Foi empacotadora, vendedora, entre outros cargos para chegar aonde está. Hoje, é dona de uma loja de imóveis na capital paulista. A fama se deu graças a um comercial em que se apresentou como mulher-gato. “Sou formada na faculdade da vida”, ressalta.

Foram 17 anos trabalhando como vendedora. Subiu de cargo. Passou a ser gerente e conquistou fornecedores. Neste período, conseguiu comprar o seu primeiro apartamento.  Logo depois, percebeu que era o momento de montar o seu próprio negócio. “Vender está no meu sangue. Trabalhei por tanto tempo, enriquecendo outras pessoas, que estava na hora de abrir a minha loja”, relembra.

A fotógrafa Ethi Arcanjo faz ensaios sensuais com mulheres de diversos padrões (FOTO: Ethi Arcanjo)

A sensualidade de mulheres comuns

Ethi Arcanjo é detalhista e observadora. Por meio de suas lentes, transforma o cotidiano em arte, em sensual. É o que mostra os seus trabalhos de ensaios sensuais com mulheres de diversos padrões. De acordo com a fotógrafa, o objetivo é explorar a personalidade feminina.

“A fotografia que escolhi não é voltada para o público masculino. Não existe o apelo sexual. É leve, delicado, feminino e sofisticado”, enfatiza. Ela acredita que o tipo de fotografia tem relação com o florescer da autoestima das mulheres. Não trata-se apenas de uma modelo de salto alto coberta por um lençol de cetim. Retrata os traumas, as feridas e o recomeço. Ethi explora o todo.

Dona Mundinha e sua tradição natalina

Todo ano se repete. Ao chegar o segundo semestre, Dona Mundinha, de 93 anos, já começa a se organizar para a festa de Natal. Tudo inicia na construção de sua lapinha, cheia de detalhes e de cores. A estrutura possui até sistema elétrico e hidráulico. Há brinquedos de seus filhos e netos, areia vinda da praia e até peixes. Cada detalhe é importante para contar a história de Jesus Cristo. A tradição se repete há 70 anos.

Dona Mundinha conta a história de Jesus Cristo há 70 anos (Foto: Daniel Rocha)

Junto com a lapinha, a idosa e seus familiares organizam a festa de Natal no dia 25 de dezembro para as crianças da região do Mucuripe. A ação acontece desde a década de 1950. Na festa, os convidados têm direito a lanches, brinquedos e conhecer a história do menino Jesus. De acordo com Mundinha, a iniciativa surgiu ao perceber que muitas crianças da região não tinham o privilégio de ganhar presentes de Natal assim como os seus filhos.

De analfabeta para poetisa

Isabel Barros de Araújo, de 63 anos, é um exemplo de que nunca é tarde para aprender. Aos 50 anos, a artesã aprendeu a ler e a escrever. Gostou tanto que virou poetisa. “Eu sou apaixonada pelas letras”, revelou.

O tempo tardio para a leitura deve-se a sua história privada de direitos, como a educação. Ainda criança, foi retirada da casa da família, no município de Quixeramobim, para trabalhar em uma residência. Não tinha salário nem o direito para estudar.

O tempo foi passando e ao atingir a fase adulta foi morar em Maracanaú onde casou e teve dois filhos. Segundo ela, quem lhe aconselhava a aprender a ler e a escrever era seu falecido marido. “Ele me incentivava”, relembra. Mas, somente em 2004, decidiu se matricular em uma escola para estudar. O começo foi difícil. Tinha vergonha. Hoje, desfruta dos privilégios de quem conhece e domina as palavras.