Cegos produzem gratuitamente livros, cardápios e até teses em gráfica braille de Fortaleza


Cegos produzem gratuitamente cardápios, livros e até teses em gráfica braille de Fortaleza

A Gráfica Braille é um equipamento do Governo do Estado que funciona em um dos castelinhos da praça Luíza Távora, no Bairro Aldeota

Por Marianna Gomes em Cotidiano

21 de julho de 2015 às 07:00

Há 4 anos
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A Gráfica Braille, do Governo do Estado, tem seu diferencial na produção: os responsáveis são cegos. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado)

Espaços e projetos para a acessibilidade e inclusão de deficientes visuais vêm ganhando força em Fortaleza. Exemplo disso é a Gráfica Braille, equipamento público que funciona em um dos castelinhos da praça Luíza Távora, no Bairro Aldeota.

O lugar produz materiais em braille de forma gratuita, que são disponibilizados em formato de livros, cardápios, panfletos, documentos e até teses de doutorado. Tudo convertido para a linguagem dos deficientes visuais.

A iniciativa é oriunda do programa Ceará Acessível, criado na gestão do ex-governador Cid Gomes, e funcionava na Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS). Em 2009, o órgão se mudou para a praça e passou a ser administrado pela Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Idosos e Pessoas com Deficiência.

Isabele Cavalcante, coordenadora da entidade, explica que a escolha do espaço foi estratégica e pensada para o deficiente. “Era preciso um lugar fixo para a gráfica. A praça permite isso, a interação com eles, visto que toda ela é projetada pensando na acessibilidade”, conta. Na gráfica, a impressão no sistema braille é gratuita. “O cliente leva apenas o papel”. Isabele explica que o objetivo da iniciativa é proporcionar distintos serviços para um mesmo público e, dessa forma, garantir o direito à informação para essas pessoas.

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Luís Carlos se sente orgulhoso de repassar conhecimento a pessoas que como ele não enxergam. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado)

Produção inclusiva

Para a produção do material, Luis Carlos Nascimento, de 44 anos, Rafael Gomes, de 25, dividem as atividades com três colegas. A equipe é responsável pela elaboração de cerca de 300 folhas braille por dia, e cerca de 1.500 por semana.

Luis Carlos tem glaucoma congênito – não enxerga desde que nasceu. O que é um detalhe, já que Luis não tem dificuldades em exercer suas atividades diárias. Além de revisor da gráfica há três anos, ele é auxiliar de radiologia no Instituto José Frota (IJF).

Luis e Rafael ficam com a produção das publicações. “Para converter os arquivos de texto ou áudio que são recebidos, abrimos o arquivo em um programa no computador que ‘fala’ o conteúdo, com o auxilio de um teclado especial. Dessa forma, fazemos a conversão por meio de uma máquina de datilografia específica para o braille”. Feito o processo, o documento é enviado para uma impressora especial, exclusiva para o tipo de linguagem.

“A fase que eu mais senti a minha limitação foi na infância, tive dificuldades para aprender o braille, sobretudo as letras. Mas com o tempo fui me desenvolvendo”, revela Luis. Para o revisor, sua maior satisfação hoje é poder passar o que aprendeu para as pessoas que, como ele, não enxergam. “É muito importante os deficientes conhecerem a comunicação escrita para eles, a ortografia nas pontas dos dedos. Estamos promovendo a questão da acessibilidade”.

“É muito importante os deficientes conhecerem a comunicação escrita para eles, a ortografia nas pontas dos dedos”. (Luis Carlos)

 Felipe Costa já trabalha há dois anos no lugar. Por não ter problemas de visão, ele fica responsável por receber o material das empresas e, após a conversão feita por Luis e Rafael, ele dá a última checada. “Mesmo sem saber ler em braille, eu já conheço todas as formações do relevos, e no final, vejo se corresponde ao que recebemos”, explica.

Acessibilidade além da capital

Além de Fortaleza, a gráfica atende a municípios do interior do Estado. “O serviço também é oferecido pelo Centro de Profissionalização inclusiva para Pessoa com Deficiência (Cepid), também do Estado”, esclarece Isabele Cavalcante. A gráfica produz ainda livros que  passaram a ser distribuídos para os alunos cegos da rede pública de ensino.

Felipe pontua que o serviço vai além de impressões, pois é uma oportunidade para o público deficiente visual “enxergar” além dos relevos impressos. “Aqui nós fazemos de tudo para tornar a vida deles mais acessível, fazendo com que ele se sinta acolhido e parte ativa da sociedade”.

Gráfica Braille
Endereço: Av. Santos Dumont, 1.589, Aldeota
Telefone: (85) 3101-1652
Horário: das 8h às 17h

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A Gráfica Braille é um equipamento criado para facilitar o acesso à informação de deficientes visuais. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado/ Especial para o Tribuna do Ceará)

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A Gráfica Braille é um equipamento criado para facilitar o acesso à informação de deficientes visuais. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado/ Especial para o Tribuna do Ceará)

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A Gráfica Braille é um equipamento criado para facilitar o acesso à informação de deficientes visuais. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado/ Especial para o Tribuna do Ceará)

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A Gráfica Braille é um equipamento criado para facilitar o acesso à informação de deficientes visuais. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado/ Especial para o Tribuna do Ceará)

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Felipe Costa [de vermelho] é o “vidente” da gráfica, responsável por receber o material. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado/ Especial para o Tribuna do Ceará)

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A Gráfica Braille é um equipamento criado para facilitar o acesso à informação de deficientes visuais. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado/ Especial para o Tribuna do Ceará)

 

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A Gráfica Braille é um equipamento do Governo do Estado que funciona em um dos castelinhos da praça Luíza Távora, no Bairro Aldeota

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Há 4 anos
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A Gráfica Braille, do Governo do Estado, tem seu diferencial na produção: os responsáveis são cegos. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado)

Espaços e projetos para a acessibilidade e inclusão de deficientes visuais vêm ganhando força em Fortaleza. Exemplo disso é a Gráfica Braille, equipamento público que funciona em um dos castelinhos da praça Luíza Távora, no Bairro Aldeota.

O lugar produz materiais em braille de forma gratuita, que são disponibilizados em formato de livros, cardápios, panfletos, documentos e até teses de doutorado. Tudo convertido para a linguagem dos deficientes visuais.

A iniciativa é oriunda do programa Ceará Acessível, criado na gestão do ex-governador Cid Gomes, e funcionava na Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS). Em 2009, o órgão se mudou para a praça e passou a ser administrado pela Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Idosos e Pessoas com Deficiência.

Isabele Cavalcante, coordenadora da entidade, explica que a escolha do espaço foi estratégica e pensada para o deficiente. “Era preciso um lugar fixo para a gráfica. A praça permite isso, a interação com eles, visto que toda ela é projetada pensando na acessibilidade”, conta. Na gráfica, a impressão no sistema braille é gratuita. “O cliente leva apenas o papel”. Isabele explica que o objetivo da iniciativa é proporcionar distintos serviços para um mesmo público e, dessa forma, garantir o direito à informação para essas pessoas.

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Luís Carlos se sente orgulhoso de repassar conhecimento a pessoas que como ele não enxergam. (FOTO: Ariel Gomes/Governo do Estado)

Produção inclusiva

Para a produção do material, Luis Carlos Nascimento, de 44 anos, Rafael Gomes, de 25, dividem as atividades com três colegas. A equipe é responsável pela elaboração de cerca de 300 folhas braille por dia, e cerca de 1.500 por semana.

Luis Carlos tem glaucoma congênito – não enxerga desde que nasceu. O que é um detalhe, já que Luis não tem dificuldades em exercer suas atividades diárias. Além de revisor da gráfica há três anos, ele é auxiliar de radiologia no Instituto José Frota (IJF).

Luis e Rafael ficam com a produção das publicações. “Para converter os arquivos de texto ou áudio que são recebidos, abrimos o arquivo em um programa no computador que ‘fala’ o conteúdo, com o auxilio de um teclado especial. Dessa forma, fazemos a conversão por meio de uma máquina de datilografia específica para o braille”. Feito o processo, o documento é enviado para uma impressora especial, exclusiva para o tipo de linguagem.

“A fase que eu mais senti a minha limitação foi na infância, tive dificuldades para aprender o braille, sobretudo as letras. Mas com o tempo fui me desenvolvendo”, revela Luis. Para o revisor, sua maior satisfação hoje é poder passar o que aprendeu para as pessoas que, como ele, não enxergam. “É muito importante os deficientes conhecerem a comunicação escrita para eles, a ortografia nas pontas dos dedos. Estamos promovendo a questão da acessibilidade”.

“É muito importante os deficientes conhecerem a comunicação escrita para eles, a ortografia nas pontas dos dedos”. (Luis Carlos)

 Felipe Costa já trabalha há dois anos no lugar. Por não ter problemas de visão, ele fica responsável por receber o material das empresas e, após a conversão feita por Luis e Rafael, ele dá a última checada. “Mesmo sem saber ler em braille, eu já conheço todas as formações do relevos, e no final, vejo se corresponde ao que recebemos”, explica.

Acessibilidade além da capital

Além de Fortaleza, a gráfica atende a municípios do interior do Estado. “O serviço também é oferecido pelo Centro de Profissionalização inclusiva para Pessoa com Deficiência (Cepid), também do Estado”, esclarece Isabele Cavalcante. A gráfica produz ainda livros que  passaram a ser distribuídos para os alunos cegos da rede pública de ensino.

Felipe pontua que o serviço vai além de impressões, pois é uma oportunidade para o público deficiente visual “enxergar” além dos relevos impressos. “Aqui nós fazemos de tudo para tornar a vida deles mais acessível, fazendo com que ele se sinta acolhido e parte ativa da sociedade”.

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