Comunidade do Poço da Draga recebe a 2ª edição da Feira Massa


Comunidade do Poço da Draga recebe a 2ª edição da Feira Massa

A feira começou na última segunda-feira (30), e segue até o dia 13 de dezembro com programação cultural e oficinas que qualificam a população. Saiba mais sobre a comunidade centenária

Por Juliana Teófilo em Cotidiano

3 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
A comunidade do Poço da Draga surgiu há 109 anos e tinha, a princípio, rotina baseada nas atividades portuárias e pesqueiras. (IMAGEM: Reprodução/Youtube)

A comunidade do Poço da Draga surgiu há 109 anos e tinha, a princípio, rotina baseada nas atividades portuárias e pesqueiras. (IMAGEM: Reprodução/Youtube)

O Riacho Pajeú percorre integralmente a cidade de Fortaleza, atravessando quase 5 km até desembocar no Poço da Draga, comunidade localizada entre o Centro da cidade e a Praia de Iracema. É exatamente em homenagem à foz do riacho que o Poço da Draga, palco da 2ª edição do Feira Massa, leva esse nome.

“O nome Poço da Draga teve origem porque dentro da comunidade passava o Riacho Pajeú e a lama do manguezal ficava empoçada. Já o termo draga se refere a um equipamento que serve para tirar a areia do fundo do mar. Juntando as duas coisas ficou Poço da Draga”, explica Izabel Cristina Lima, de 49 anos, pedagoga especialista em políticas públicas, moradora da comunidade e diretora de ação educativa da ONG Velaumar.

A comunidade do Poço surgiu há 109 anos, composta por refugiados da seca. E até 1950 a comunidade girou em torno da rotina portuária e pesqueira, pontuada pela, hoje deteriorada, Ponte Metálica. No livro Mar à vista: Estudo da Maritimidade em Fortaleza, o professor da pós-graduação em Geografia da UFC Eustógio Dantas explica a importância da região para a cidade como um todo. “Era por meio do porto que Fortaleza estabelecia relações comerciais com a Europa e portos brasileiros”, indica. 

Mas, com a transferência do porto para o Mucuripe, o Poço teve que repensar sua forma de ganhar a vida, conforme lembra Izabel. “Em 1950, com a transferência do porto, a comunidade se viu numa situação difícil, houve uma decadência econômica importante. Foi quando as pessoas partiram para outras ocupações. Alguns foram para o magistério, outros foram trabalhar no governo como merendeiras. Outros, ainda, apelaram para o trabalho informal e tornaram-se costureiras ou abriram suas próprias vendas em casa”, conta.

Mas, mesmo com a tradição portuária abalada, a comunidade não deixou para trás as raízes pesqueiras e, ainda hoje, mantém hábitos como a pesca para o almoço. “Ainda hoje a pesca é muito pertinente na comunidade do Poço e alguns dos nossos moradores ainda sobrevivem dela. É muito comum o hábito de jogar a linha e pegar a ‘mistura’ do almoço”, explica a pedagoga.

Foi justamente o desejo de ficar próximo do mar e ter a liberdade de por em prática a vocação de pescador que levou Francisco Daniel, de 66 anos, conhecido como Chico da Rosa, para o Poço da Draga. “Pesco desde os 10 anos, e muitas vezes fui levado para o interior, mas resisti e consegui comprar minha casinha no Poço. Estou aqui desde 1985 e me aposentei como pescador com muito orgulho”, conta.

Para Chico, a vida no Poço é repleta de vantagens, e ele festeja a autonomia que os moradores têm. “Só em a gente morar perto da praia e próximo ao Centro da cidade já é ótimo. Aqui não pago ônibus, moro perto da Sé e quando quero ir ao Centro vou andando”. O próximo passo, para o morador, é garantir a escritura da casa. “Estamos esperando para a prefeitura dar nosso pedaço de terra, assim ficaria perfeito”.

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

É em homenagem à foz do Riacho Pajeú que o Poço da Draga leva esse nome. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

A comunidade do Poço surgiu há 109 anos, composta por refugiados da seca. E até 1950 a comunidade girou em torno da rotina portuária e pesqueira, pontuada pela, hoje deteriorada ponte metálica. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

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Poço da Draga, 109 anos de história

Em 1950, com a transferência do porto, a comunidade se viu numa situação difícil, houve uma decadência econômica importante. Foi quando as pessoas partiram para outras ocupações. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

Com os olhos fixos no futuro a comunidade, que conta atualmente com cerca de 2030 moradores em 505 casas, trabalha para sair da informalidade e tornar-se mais especializada. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Com os olhos fixos no futuro a comunidade, que conta atualmente com cerca de 2.030 moradores em 505 casas, trabalha para sair da informalidade e tornar-se mais especializada. Além do crescente número de jovens formados ou cursando uma faculdade, a comunidade também conta com diversos projetos sociais mobilizados pelos próprios moradores. “A ideia é que a comunidade tenha mais visibilidade, que as pessoas de fora tenham contato com a gente e conheçam a nossa história, o que tem sido difícil já que estamos comprimidos pelas construções ao nosso redor”, aponta Izabel.

“Nos fortalecemos para permanecer no nosso local de origem e geramos conhecimento porque acreditamos que o conhecimento muda vidas. Quando você usa esse conhecimento em prol da comunidade, consegue ver a mudança”, completa Izabel.

É nesse ponto em que as ações desenvolvidas na comunidade do Poço e o projeto Feira Massa convergem. Enquanto que o evento tem como objetivo integrar a cidade por meio da arte e suas mais variadas formas de manifestações culturais; os moradores da região juntam-se à iniciativa agregando seus diversos talentos jovens ligados à arte, cultura, grafite, foto, cinema e à música. A segunda edição da Feira Massa, dessa vez na comunidade do Poço da Draga, terá duração de duas semanas.

Esta semana oficinas preparam a comunidade para os outros cinco dias de evento e quem visitar o Poço nos demais dias de Feira poderá conferir de perto os resultados das aulas. Os laboratórios variam desde grafite facilitador, fotografia e técnicas de aprimoramento de produtos artesanais, até aulas de gastronomia. A Feira Massa no Poço da Draga segue até o dia 13 de dezembro, com programação diurna e noturna. 

Serviço:

> Saiba mais sobre o Feira Massa e o Poço da Draga.
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Comunidade do Poço da Draga recebe a 2ª edição da Feira Massa

A feira começou na última segunda-feira (30), e segue até o dia 13 de dezembro com programação cultural e oficinas que qualificam a população. Saiba mais sobre a comunidade centenária

Por Juliana Teófilo em Cotidiano

3 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
A comunidade do Poço da Draga surgiu há 109 anos e tinha, a princípio, rotina baseada nas atividades portuárias e pesqueiras. (IMAGEM: Reprodução/Youtube)

A comunidade do Poço da Draga surgiu há 109 anos e tinha, a princípio, rotina baseada nas atividades portuárias e pesqueiras. (IMAGEM: Reprodução/Youtube)

O Riacho Pajeú percorre integralmente a cidade de Fortaleza, atravessando quase 5 km até desembocar no Poço da Draga, comunidade localizada entre o Centro da cidade e a Praia de Iracema. É exatamente em homenagem à foz do riacho que o Poço da Draga, palco da 2ª edição do Feira Massa, leva esse nome.

“O nome Poço da Draga teve origem porque dentro da comunidade passava o Riacho Pajeú e a lama do manguezal ficava empoçada. Já o termo draga se refere a um equipamento que serve para tirar a areia do fundo do mar. Juntando as duas coisas ficou Poço da Draga”, explica Izabel Cristina Lima, de 49 anos, pedagoga especialista em políticas públicas, moradora da comunidade e diretora de ação educativa da ONG Velaumar.

A comunidade do Poço surgiu há 109 anos, composta por refugiados da seca. E até 1950 a comunidade girou em torno da rotina portuária e pesqueira, pontuada pela, hoje deteriorada, Ponte Metálica. No livro Mar à vista: Estudo da Maritimidade em Fortaleza, o professor da pós-graduação em Geografia da UFC Eustógio Dantas explica a importância da região para a cidade como um todo. “Era por meio do porto que Fortaleza estabelecia relações comerciais com a Europa e portos brasileiros”, indica. 

Mas, com a transferência do porto para o Mucuripe, o Poço teve que repensar sua forma de ganhar a vida, conforme lembra Izabel. “Em 1950, com a transferência do porto, a comunidade se viu numa situação difícil, houve uma decadência econômica importante. Foi quando as pessoas partiram para outras ocupações. Alguns foram para o magistério, outros foram trabalhar no governo como merendeiras. Outros, ainda, apelaram para o trabalho informal e tornaram-se costureiras ou abriram suas próprias vendas em casa”, conta.

Mas, mesmo com a tradição portuária abalada, a comunidade não deixou para trás as raízes pesqueiras e, ainda hoje, mantém hábitos como a pesca para o almoço. “Ainda hoje a pesca é muito pertinente na comunidade do Poço e alguns dos nossos moradores ainda sobrevivem dela. É muito comum o hábito de jogar a linha e pegar a ‘mistura’ do almoço”, explica a pedagoga.

Foi justamente o desejo de ficar próximo do mar e ter a liberdade de por em prática a vocação de pescador que levou Francisco Daniel, de 66 anos, conhecido como Chico da Rosa, para o Poço da Draga. “Pesco desde os 10 anos, e muitas vezes fui levado para o interior, mas resisti e consegui comprar minha casinha no Poço. Estou aqui desde 1985 e me aposentei como pescador com muito orgulho”, conta.

Para Chico, a vida no Poço é repleta de vantagens, e ele festeja a autonomia que os moradores têm. “Só em a gente morar perto da praia e próximo ao Centro da cidade já é ótimo. Aqui não pago ônibus, moro perto da Sé e quando quero ir ao Centro vou andando”. O próximo passo, para o morador, é garantir a escritura da casa. “Estamos esperando para a prefeitura dar nosso pedaço de terra, assim ficaria perfeito”.

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

É em homenagem à foz do Riacho Pajeú que o Poço da Draga leva esse nome. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

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Poço da Draga, 109 anos de história

A comunidade do Poço surgiu há 109 anos, composta por refugiados da seca. E até 1950 a comunidade girou em torno da rotina portuária e pesqueira, pontuada pela, hoje deteriorada ponte metálica. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

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Em 1950, com a transferência do porto, a comunidade se viu numa situação difícil, houve uma decadência econômica importante. Foi quando as pessoas partiram para outras ocupações. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

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Poço da Draga, 109 anos de história

Com os olhos fixos no futuro a comunidade, que conta atualmente com cerca de 2030 moradores em 505 casas, trabalha para sair da informalidade e tornar-se mais especializada. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Com os olhos fixos no futuro a comunidade, que conta atualmente com cerca de 2.030 moradores em 505 casas, trabalha para sair da informalidade e tornar-se mais especializada. Além do crescente número de jovens formados ou cursando uma faculdade, a comunidade também conta com diversos projetos sociais mobilizados pelos próprios moradores. “A ideia é que a comunidade tenha mais visibilidade, que as pessoas de fora tenham contato com a gente e conheçam a nossa história, o que tem sido difícil já que estamos comprimidos pelas construções ao nosso redor”, aponta Izabel.

“Nos fortalecemos para permanecer no nosso local de origem e geramos conhecimento porque acreditamos que o conhecimento muda vidas. Quando você usa esse conhecimento em prol da comunidade, consegue ver a mudança”, completa Izabel.

É nesse ponto em que as ações desenvolvidas na comunidade do Poço e o projeto Feira Massa convergem. Enquanto que o evento tem como objetivo integrar a cidade por meio da arte e suas mais variadas formas de manifestações culturais; os moradores da região juntam-se à iniciativa agregando seus diversos talentos jovens ligados à arte, cultura, grafite, foto, cinema e à música. A segunda edição da Feira Massa, dessa vez na comunidade do Poço da Draga, terá duração de duas semanas.

Esta semana oficinas preparam a comunidade para os outros cinco dias de evento e quem visitar o Poço nos demais dias de Feira poderá conferir de perto os resultados das aulas. Os laboratórios variam desde grafite facilitador, fotografia e técnicas de aprimoramento de produtos artesanais, até aulas de gastronomia. A Feira Massa no Poço da Draga segue até o dia 13 de dezembro, com programação diurna e noturna. 

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