Delegado considera esposa de subtenente uma "suspeita em potencial" da morte do filho


Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

De acordo com Wilder Brito, a mulher poderá ser ouvida após a análise do material eletrônico, cujo conteúdo foi restaurado, como aparelhos celulares e notebooks

Por Roberta Tavares em Cotidiano

2 de dezembro de 2014 às 09:00

Há 5 anos
Durante depoimento, militar negou versão apresentada pela esposa (FOTO: Reprodução/Facebook)

Durante depoimento, militar negou versão apresentada pela esposa (FOTO: Reprodução/Facebook)

Selo SubtenenteA esposa do subtenente é considerada uma suspeita em potencial de ter assassinado o filho autista, de 9 anos, em Fortaleza. De acordo com o delegado Wilder Brito, do 16º Distrito Policial, responsável pelas investigações, Cristiane Coelho pode ter cometido o crime. “Para a polícia, aquela condição que ela tinha de vítima foi invertida. Ela passa a ser uma suspeita em potencial, pode vir a ter cometido o crime. Temos outras hipóteses a trabalhar”, afirma.

Segundo disse, a esposa de Francilewdo Bezerra não será ouvida pela polícia nesse momento. Como as investigações chegaram à fase técnica, de averiguação de aparelhos celulares, uso de redes sociais e restauração de informações deletadas, ainda serão necessários alguns dias para apuração do material. “Tecnicamente agora não vamos ouvi-la. Recuperamos arquivos do celular dele, do notebook dela, do HD externo, e ainda vamos analisar esse material”.

Wilder Brito não descarta a possibilidade de fazer uma acareação sobre o caso, a fim de levantar os pontos ditos pelo casal. “Poderíamos fazer isso para decidir, mas não sei se vamos fazer ainda”, revela. De acordo com ele, no depoimento, o militar estava consciente e negou veemente a versão da esposa, informando que nunca a espancou nem matou o filho. “Ele me traçou a rotina dele. Disse que após as compras que teria feito no supermercado, ele se deitou na rede para assistir a jogos de futebol americano. A partir daí, ficou fora do ar completamente. Não sabe se comeu ou bebeu alguma coisa”.

Advogado de militar entrou com pedido de relaxamento de prisão (FOTO: Reprodução/Facebook)

Advogado de militar entrou com pedido de relaxamento de prisão (FOTO: Reprodução/Facebook)

Depoimento

O depoimento de Francilewdo Bezerra durou quatro horas e foi realizado na sexta-feira (29), no Hospital Geral do Exército Brasileiro, onde ele está internado. Sobre as publicações nas redes sociais, o militar revelou que a esposa tinha acesso ao seu Facebook e monitorava o perfil constantemente. “O subtenente disse que ela tinha a senha e postava no Facebook dele. Cai por terra algumas informações que ela deu em depoimento”.

O advogado do subtenente, Walmir Medeiros, entrou nesta segunda-feira (1º) com um pedido de relaxamento de prisão do militar na 3ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. Francilewdo está preso desde o dia 11 de novembro, suspeito de assassinar o filho autista.

Entretanto, ao contrário do que a mulher contou à polícia, o laudo da perícia mostra que a criança e o subtenente foram envenenados com ‘chumbinho’. “Não há mais dúvida de que não foi o militar. Ele e o filho foram envenenados com o mesmo veneno, e a esposa disse que foi tranquilizante. Ela alterou as provas. Todos os indícios mostram que não foi ele, e indicam que ela foi a culpada”. O militar deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também na segunda-feira.

Já Cristiane Renata prestou depoimento em 19 de novembro, durante cinco horas. O delegado admitiu “insatisfeito” com a versão apresentada por ela. De acordo com Wilder, a mulher não respondeu diversos pontos solicitados. “Vários itens ainda não respondem uma série de questionamentos que estou fazendo. Não estou satisfeito com essa versão”.

Mensagens

O caso ocorreu na madrugada de terça-feira (11), no Conjunto Napoleão Viana, no Bairro Dias Macedo, em Fortaleza. Logo após o ocorrido, uma mensagem foi encontrada no perfil do Facebook de Francilewdo Bezerra. “Temos dois filhos especiais. Vou levar um comigo. Obriguei ela [esposa] a beber vinho com seus tranquilizantes para dormir e não ver o que vou fazer. Me perdoem, família, mas a carga tá grande demais, e não aguento mais sofrer calado vendo essa mulher se anular há 10 anos”, dizia a publicação.

Ainda na mensagem, foi explicado que a esposa pediu o divórcio, por tratar o subtenente como irmão e que, supostamente, teria um caso com outro homem. “Sei que ela nunca escondeu ser casada, e abdicou a vida pelos filhos. Queria morrer ao lado dela (…) Eu a machuquei muito, eu enlouqueci. Quem ver essa postagem veja se ainda há jeito de salvá-la”.

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Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

De acordo com Wilder Brito, a mulher poderá ser ouvida após a análise do material eletrônico, cujo conteúdo foi restaurado, como aparelhos celulares e notebooks

Por Roberta Tavares em Cotidiano

2 de dezembro de 2014 às 09:00

Há 5 anos
Durante depoimento, militar negou versão apresentada pela esposa (FOTO: Reprodução/Facebook)

Durante depoimento, militar negou versão apresentada pela esposa (FOTO: Reprodução/Facebook)

Selo SubtenenteA esposa do subtenente é considerada uma suspeita em potencial de ter assassinado o filho autista, de 9 anos, em Fortaleza. De acordo com o delegado Wilder Brito, do 16º Distrito Policial, responsável pelas investigações, Cristiane Coelho pode ter cometido o crime. “Para a polícia, aquela condição que ela tinha de vítima foi invertida. Ela passa a ser uma suspeita em potencial, pode vir a ter cometido o crime. Temos outras hipóteses a trabalhar”, afirma.

Segundo disse, a esposa de Francilewdo Bezerra não será ouvida pela polícia nesse momento. Como as investigações chegaram à fase técnica, de averiguação de aparelhos celulares, uso de redes sociais e restauração de informações deletadas, ainda serão necessários alguns dias para apuração do material. “Tecnicamente agora não vamos ouvi-la. Recuperamos arquivos do celular dele, do notebook dela, do HD externo, e ainda vamos analisar esse material”.

Wilder Brito não descarta a possibilidade de fazer uma acareação sobre o caso, a fim de levantar os pontos ditos pelo casal. “Poderíamos fazer isso para decidir, mas não sei se vamos fazer ainda”, revela. De acordo com ele, no depoimento, o militar estava consciente e negou veemente a versão da esposa, informando que nunca a espancou nem matou o filho. “Ele me traçou a rotina dele. Disse que após as compras que teria feito no supermercado, ele se deitou na rede para assistir a jogos de futebol americano. A partir daí, ficou fora do ar completamente. Não sabe se comeu ou bebeu alguma coisa”.

Advogado de militar entrou com pedido de relaxamento de prisão (FOTO: Reprodução/Facebook)

Advogado de militar entrou com pedido de relaxamento de prisão (FOTO: Reprodução/Facebook)

Depoimento

O depoimento de Francilewdo Bezerra durou quatro horas e foi realizado na sexta-feira (29), no Hospital Geral do Exército Brasileiro, onde ele está internado. Sobre as publicações nas redes sociais, o militar revelou que a esposa tinha acesso ao seu Facebook e monitorava o perfil constantemente. “O subtenente disse que ela tinha a senha e postava no Facebook dele. Cai por terra algumas informações que ela deu em depoimento”.

O advogado do subtenente, Walmir Medeiros, entrou nesta segunda-feira (1º) com um pedido de relaxamento de prisão do militar na 3ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. Francilewdo está preso desde o dia 11 de novembro, suspeito de assassinar o filho autista.

Entretanto, ao contrário do que a mulher contou à polícia, o laudo da perícia mostra que a criança e o subtenente foram envenenados com ‘chumbinho’. “Não há mais dúvida de que não foi o militar. Ele e o filho foram envenenados com o mesmo veneno, e a esposa disse que foi tranquilizante. Ela alterou as provas. Todos os indícios mostram que não foi ele, e indicam que ela foi a culpada”. O militar deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também na segunda-feira.

Já Cristiane Renata prestou depoimento em 19 de novembro, durante cinco horas. O delegado admitiu “insatisfeito” com a versão apresentada por ela. De acordo com Wilder, a mulher não respondeu diversos pontos solicitados. “Vários itens ainda não respondem uma série de questionamentos que estou fazendo. Não estou satisfeito com essa versão”.

Mensagens

O caso ocorreu na madrugada de terça-feira (11), no Conjunto Napoleão Viana, no Bairro Dias Macedo, em Fortaleza. Logo após o ocorrido, uma mensagem foi encontrada no perfil do Facebook de Francilewdo Bezerra. “Temos dois filhos especiais. Vou levar um comigo. Obriguei ela [esposa] a beber vinho com seus tranquilizantes para dormir e não ver o que vou fazer. Me perdoem, família, mas a carga tá grande demais, e não aguento mais sofrer calado vendo essa mulher se anular há 10 anos”, dizia a publicação.

Ainda na mensagem, foi explicado que a esposa pediu o divórcio, por tratar o subtenente como irmão e que, supostamente, teria um caso com outro homem. “Sei que ela nunca escondeu ser casada, e abdicou a vida pelos filhos. Queria morrer ao lado dela (…) Eu a machuquei muito, eu enlouqueci. Quem ver essa postagem veja se ainda há jeito de salvá-la”.