Delegado pode fazer reconstituição do caso após depoimento de subtenente


Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

Após acordar do coma, Polícia espera recuperação do militar para tomar depoimento. Sua mulher o acusa de ter cometido o crime, mas o delegado tem dúvidas sobre isso

Por Roberta Tavares em Cotidiano

26 de novembro de 2014 às 10:00

Há 5 anos
Subtenente foi surpreendido com notícia de que o filho morreu envenenado (FOTO: Reprodução)

Subtenente foi surpreendido com notícia de que o filho morreu envenenado (FOTO: Reprodução)

Selo SubtenenteO delegado Wilder Brito, do 16º Distrito Policial, responsável pela investigação da morte do filho do subtenente do Exército Francilewdo Bezerra, revelou que estuda uma reconstituição do caso. Segundo disse, após a recuperação do militar e sua tomada de depoimento, a esposa Cristiane Coelho novamente será ouvida.

Caso surja novidade, poderá ocorrer a reconstituição do crime, na residência da família, no Conjunto Napoleão Viana, Bairro Dias Macedo, em Fortaleza. “Quando tivermos a versão do subtenente, formalizada, com o laudo médico, teremos outro passo mais importante ainda que pode ajudar a esclarecer a autoria do crime”, revela.

O inquérito policial foi devolvido pela Justiça à delegacia na segunda-feira (24). O titular do 16º DP tem 30 dias para concluir as investigações, podendo solicitar aumento do prazo até que todas as questões sejam elucidadas. “No inquérito, foi mantida a prisão do subtenente e solicitadas outras diligências para que a gente se aprofunde no caso”.

De acordo com ele, o depoimento do subtenente pode ser marcado ainda para esta semana. “Estamos conversando com os médicos para estabelecer o dia em que ele vai prestar depoimento. Se Deus quiser, nessa semana a gente vai tomar as declarações dele”.

Após acordar do coma induzido, o militar foi informado de que o filho de 9 anos morreu envenenado com chumbinho. Com a revelação dos fatos, Francilewdo, que está voltando ao seu estado consciente, acabou sofrendo piora no quadro clínico.

Segundo o advogado do subtenente, Walmir Medeiros, “ele lembra de pouquíssima coisa”, mas ficou surpreso ao saber do crime e da acusação da esposa de que o militar seria o responsável. “Toda a equipe médica disse que ele perguntava pela mulher e pelos filhos, sem saber o motivo de não receber visita deles. Quando deram a notícia, piorou o quadro de saúde, passou a ter febre”, confidenciou.

“Toda a equipe médica disse que ele perguntava pela mulher e pelos filhos, sem saber o motivo de não receber visita deles. Quando deram a notícia, piorou o quadro de saúde”.

Apesar de possuir poucas lembranças do dia do crime, o militar recordou de ter ido ao supermercado na data do caso. “É o que as imagens da câmera do mercado mostram. Ele tem a impressão de que, depois disso, foi pedido comida em algum lugar, não lembra se foi ele ou a esposa que pediu, e jantou. Coisa de rotina”, explica o advogado, acrescentando que faltam argumentos para manter o militar preso, após sua recuperação.

Francilewdo foi autuado por homicídio, lesão corporal e violência doméstica na Lei Maria da Penha. A defesa pedirá relaxamento da prisão em flagrante do subtenente.

Pista no Facebook

Logo após o ocorrido, uma mensagem foi encontrada no perfil do Facebook de Francilewdo Bezerra. “Temos dois filhos especiais. Vou levar um comigo. Obriguei ela [esposa] a beber vinho com seus tranquilizantes para dormir e não ver o que vou fazer. Me perdoem, família, mas a carga tá grande demais, e não aguento mais sofrer calado vendo essa mulher se anular há 10 anos”, dizia a carta.

O delegado responsável pelo caso estranhou que a suposta mensagem deixada por Francilewdo em seu perfil no Facebook tenha sido alterada quando já estava internado em coma. Na quinta-feira (13), diante da repercussão, os perfis do militar e da esposa foram apagados.

*Com informações do repórter Paulo Campelo

Publicidade

Dê sua opinião

Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

Após acordar do coma, Polícia espera recuperação do militar para tomar depoimento. Sua mulher o acusa de ter cometido o crime, mas o delegado tem dúvidas sobre isso

Por Roberta Tavares em Cotidiano

26 de novembro de 2014 às 10:00

Há 5 anos
Subtenente foi surpreendido com notícia de que o filho morreu envenenado (FOTO: Reprodução)

Subtenente foi surpreendido com notícia de que o filho morreu envenenado (FOTO: Reprodução)

Selo SubtenenteO delegado Wilder Brito, do 16º Distrito Policial, responsável pela investigação da morte do filho do subtenente do Exército Francilewdo Bezerra, revelou que estuda uma reconstituição do caso. Segundo disse, após a recuperação do militar e sua tomada de depoimento, a esposa Cristiane Coelho novamente será ouvida.

Caso surja novidade, poderá ocorrer a reconstituição do crime, na residência da família, no Conjunto Napoleão Viana, Bairro Dias Macedo, em Fortaleza. “Quando tivermos a versão do subtenente, formalizada, com o laudo médico, teremos outro passo mais importante ainda que pode ajudar a esclarecer a autoria do crime”, revela.

O inquérito policial foi devolvido pela Justiça à delegacia na segunda-feira (24). O titular do 16º DP tem 30 dias para concluir as investigações, podendo solicitar aumento do prazo até que todas as questões sejam elucidadas. “No inquérito, foi mantida a prisão do subtenente e solicitadas outras diligências para que a gente se aprofunde no caso”.

De acordo com ele, o depoimento do subtenente pode ser marcado ainda para esta semana. “Estamos conversando com os médicos para estabelecer o dia em que ele vai prestar depoimento. Se Deus quiser, nessa semana a gente vai tomar as declarações dele”.

Após acordar do coma induzido, o militar foi informado de que o filho de 9 anos morreu envenenado com chumbinho. Com a revelação dos fatos, Francilewdo, que está voltando ao seu estado consciente, acabou sofrendo piora no quadro clínico.

Segundo o advogado do subtenente, Walmir Medeiros, “ele lembra de pouquíssima coisa”, mas ficou surpreso ao saber do crime e da acusação da esposa de que o militar seria o responsável. “Toda a equipe médica disse que ele perguntava pela mulher e pelos filhos, sem saber o motivo de não receber visita deles. Quando deram a notícia, piorou o quadro de saúde, passou a ter febre”, confidenciou.

“Toda a equipe médica disse que ele perguntava pela mulher e pelos filhos, sem saber o motivo de não receber visita deles. Quando deram a notícia, piorou o quadro de saúde”.

Apesar de possuir poucas lembranças do dia do crime, o militar recordou de ter ido ao supermercado na data do caso. “É o que as imagens da câmera do mercado mostram. Ele tem a impressão de que, depois disso, foi pedido comida em algum lugar, não lembra se foi ele ou a esposa que pediu, e jantou. Coisa de rotina”, explica o advogado, acrescentando que faltam argumentos para manter o militar preso, após sua recuperação.

Francilewdo foi autuado por homicídio, lesão corporal e violência doméstica na Lei Maria da Penha. A defesa pedirá relaxamento da prisão em flagrante do subtenente.

Pista no Facebook

Logo após o ocorrido, uma mensagem foi encontrada no perfil do Facebook de Francilewdo Bezerra. “Temos dois filhos especiais. Vou levar um comigo. Obriguei ela [esposa] a beber vinho com seus tranquilizantes para dormir e não ver o que vou fazer. Me perdoem, família, mas a carga tá grande demais, e não aguento mais sofrer calado vendo essa mulher se anular há 10 anos”, dizia a carta.

O delegado responsável pelo caso estranhou que a suposta mensagem deixada por Francilewdo em seu perfil no Facebook tenha sido alterada quando já estava internado em coma. Na quinta-feira (13), diante da repercussão, os perfis do militar e da esposa foram apagados.

*Com informações do repórter Paulo Campelo