Em 1ª entrevista após sair de UTI, subtenente revela que tem tatuagem com nome de filho morto


Em 1ª entrevista após sair de UTI, subtenente revela que tem tatuagem com nome de filho morto

Francilewdo Bezerra nega ter participado da morte do filho mais velho e quer a guarda do filho mais novo, que ficou com a esposa, a quem acusa de ter cometido o crime

Por Roberta Tavares em Cotidiano

4 de dezembro de 2014 às 17:48

Há 5 anos

Selo SubtenenteO homem suspeito de matar o filho envenenado falou pela primeira vez à imprensa sobre o Caso Subtenente. Francilewdo Bezerra, que teve a prisão revogada após reviravolta na investigação policial, negou ter participado do crime. E, inclusive, revelou ter uma tatuagem com o nome do garoto. “Não teria coragem de tirar a vida do meu filho, não é à toa que eu tatuei o nome dele no meu braço. Eu não teria coragem de matá-lo de forma tão covarde”, declarou em entrevista à TV Diário, que foi ao ar nesta quarta-feira (3).

O subtenente apontou a esposa como autora do crime. Segundo disse, jamais imaginou que Cristiane Coelho pudesse fazer algo contra a família, mas sim contra ela própria, por apresentar sintomas de depressão e tomar remédios. “Ela sempre falava que se sentia deprimida, tomava alguns remédios e fazia consultas com um psiquiatra. Só podia ter sido ela. Eu não fui”, assegura. “Quero que a justiça seja feita. Se ela precisa ser presa, que seja presa. Se ela precisa ser tratada, que seja tratada. Ela não pode ficar impune naquilo que fez”.

Durante a conversa, Francilewdo chorou várias vezes. Um dos momentos em que ficou emocionado foi quando falou sobre o filho mais novo do casal, que está com Cristiane em Recife. De acordo com ele, a única notícia que teve foi do advogado informando que o Conselho Tutelar está acompanhando a segurança dele. “Isso me deixa muito apreensivo, pois é o filho que Deus me deixou pra cuidar e não posso ficar longe”.

Lembranças da noite do crime

O subtenente disse ainda que não lembra bem da noite do crime, em 11 de novembro, na residência da família, no Conjunto Napoleão Viana, Bairro Dias Macedo. “Até o momento que eu estava lúcido, estavam nós quatro. Duas crianças não fariam isso. Só teria uma pessoa a fazer. Eu não fui, porque eu estava envenenado. Eu tenho a certeza de que jamais atentaria contra a vida do meu filho. São duas coisas que eu tenho que são os meus dois filhos”. Ele afirmou ainda que “nunca ouviu falar” da existência do suposto amante de Cristiane e que a achava “bastante atenciosa” com o filho morto, que era “muito ligado a ela”.

“Isso deixou minha vida de cabeça pra baixo” (Francilewdo Bezerra)

Fracilewdo ficou em coma, por envenenamento, durante uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Agora, se recupera em um apartamento no Hospital Geral do Exército.

“Eu passei vários dias achando que tinha uma infecção muito forte. Até o dia que me disseram que eu tinha sido envenenado, que meu filho tinha falecido e que era eu o principal suspeito. Isso deixou minha vida de cabeça pra baixo. Eu nunca tive a minha vida exposta como eu tive dessa vez. Eu sempre fui uma pessoa muito discreta, nunca gostei de aparecer. Ver que minha vida foi exposta de forma nacional me deixou muito nervoso. Minha condição tinha melhorado bastante, até eu receber a notícia. Essa condição que tinha melhorado retraiu”, relata o militar.

Prisão revogada

A prisão preventiva de Francilewdo foi revogada nesta quarta-feira (3). Ele estava preso desde 11 de novembro. A decisão foi proferida pela juíza Christianne Braga Magalhães Sobral, da 3ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. O subtenente comemorou a revogação. “Apesar dos guardas aqui fazendo a segurança, eles nunca me trataram como prisioneiro, mas você se sente privado daquilo que você quer fazer, andar e tal. Me senti muito feliz porque a Justiça está entendendo que eu sou inocente. Eu não fiz nada contra meu filho, nem contra minha família, muito menos contra a minha ex-esposa”.

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

Hospital Geral do Exército
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Hospital Geral do Exército

Francilewdo Bezerra estava internado no apartamento do hospital militar, local em que trabalha (FOTO: Tribuna do Ceará/Rosana Romão)

Relembre as matérias do caso:

12 de novembro – Subtenente é suspeito de matar filho autista, agredir esposa e anunciar crimes no Facebook

13 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho e agredir esposa continua em estado grave no hospital

15 de novembro – Polícia quer ouvir mulher de subtenente do Exército suspeito de matar o filho envenenado

19 de novembro – Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

19 de novembro – Esposa de militar do Exército suspeito de matar o filho nega traição que seria estopim do caso

21 de novembro – Militar suspeito de matar filho sai do coma, mas ainda não tem condições de prestar depoimento

21 de novembro – Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

24 de novembro – Amigo duvida que subtenente tenha sido o autor da morte do filho autista

24 de novembro – Com melhora de subtenente, delegado aguarda depoimento até o fim da semana

25 de novembro – Subtenente fica chocado ao acordar do coma e saber que é acusado do assassinato do filho

26 de novembro – Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

27 de novembro – Delegado desconfia que uma terceira pessoa tenha assassinado filho de subtenente do Exército

28 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho será ouvido pela polícia mesmo na UTI

29 de novembro – Subtenente nega acusações e seu advogado acusa esposa de assassinar o filho para culpar militar

2 de dezembro – Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

3 de dezembro – Subtenente vai de vilão a mocinho após 3 semanas de investigação por morte de filho envenenado

3 de dezembro – Subtenente suspeito de matar o filho tem prisão preventiva revogada pela Justiça

4 de dezembro – Caso Subtenente: pai e mãe ficarão frente a frente pela 1ª vez após morte do filho envenenado

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Em 1ª entrevista após sair de UTI, subtenente revela que tem tatuagem com nome de filho morto

Francilewdo Bezerra nega ter participado da morte do filho mais velho e quer a guarda do filho mais novo, que ficou com a esposa, a quem acusa de ter cometido o crime

Por Roberta Tavares em Cotidiano

4 de dezembro de 2014 às 17:48

Há 5 anos

Selo SubtenenteO homem suspeito de matar o filho envenenado falou pela primeira vez à imprensa sobre o Caso Subtenente. Francilewdo Bezerra, que teve a prisão revogada após reviravolta na investigação policial, negou ter participado do crime. E, inclusive, revelou ter uma tatuagem com o nome do garoto. “Não teria coragem de tirar a vida do meu filho, não é à toa que eu tatuei o nome dele no meu braço. Eu não teria coragem de matá-lo de forma tão covarde”, declarou em entrevista à TV Diário, que foi ao ar nesta quarta-feira (3).

O subtenente apontou a esposa como autora do crime. Segundo disse, jamais imaginou que Cristiane Coelho pudesse fazer algo contra a família, mas sim contra ela própria, por apresentar sintomas de depressão e tomar remédios. “Ela sempre falava que se sentia deprimida, tomava alguns remédios e fazia consultas com um psiquiatra. Só podia ter sido ela. Eu não fui”, assegura. “Quero que a justiça seja feita. Se ela precisa ser presa, que seja presa. Se ela precisa ser tratada, que seja tratada. Ela não pode ficar impune naquilo que fez”.

Durante a conversa, Francilewdo chorou várias vezes. Um dos momentos em que ficou emocionado foi quando falou sobre o filho mais novo do casal, que está com Cristiane em Recife. De acordo com ele, a única notícia que teve foi do advogado informando que o Conselho Tutelar está acompanhando a segurança dele. “Isso me deixa muito apreensivo, pois é o filho que Deus me deixou pra cuidar e não posso ficar longe”.

Lembranças da noite do crime

O subtenente disse ainda que não lembra bem da noite do crime, em 11 de novembro, na residência da família, no Conjunto Napoleão Viana, Bairro Dias Macedo. “Até o momento que eu estava lúcido, estavam nós quatro. Duas crianças não fariam isso. Só teria uma pessoa a fazer. Eu não fui, porque eu estava envenenado. Eu tenho a certeza de que jamais atentaria contra a vida do meu filho. São duas coisas que eu tenho que são os meus dois filhos”. Ele afirmou ainda que “nunca ouviu falar” da existência do suposto amante de Cristiane e que a achava “bastante atenciosa” com o filho morto, que era “muito ligado a ela”.

“Isso deixou minha vida de cabeça pra baixo” (Francilewdo Bezerra)

Fracilewdo ficou em coma, por envenenamento, durante uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Agora, se recupera em um apartamento no Hospital Geral do Exército.

“Eu passei vários dias achando que tinha uma infecção muito forte. Até o dia que me disseram que eu tinha sido envenenado, que meu filho tinha falecido e que era eu o principal suspeito. Isso deixou minha vida de cabeça pra baixo. Eu nunca tive a minha vida exposta como eu tive dessa vez. Eu sempre fui uma pessoa muito discreta, nunca gostei de aparecer. Ver que minha vida foi exposta de forma nacional me deixou muito nervoso. Minha condição tinha melhorado bastante, até eu receber a notícia. Essa condição que tinha melhorado retraiu”, relata o militar.

Prisão revogada

A prisão preventiva de Francilewdo foi revogada nesta quarta-feira (3). Ele estava preso desde 11 de novembro. A decisão foi proferida pela juíza Christianne Braga Magalhães Sobral, da 3ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. O subtenente comemorou a revogação. “Apesar dos guardas aqui fazendo a segurança, eles nunca me trataram como prisioneiro, mas você se sente privado daquilo que você quer fazer, andar e tal. Me senti muito feliz porque a Justiça está entendendo que eu sou inocente. Eu não fiz nada contra meu filho, nem contra minha família, muito menos contra a minha ex-esposa”.

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Hospital Geral do Exército

Francilewdo Bezerra estava internado no apartamento do hospital militar, local em que trabalha (FOTO: Tribuna do Ceará/Rosana Romão)

Relembre as matérias do caso:

12 de novembro – Subtenente é suspeito de matar filho autista, agredir esposa e anunciar crimes no Facebook

13 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho e agredir esposa continua em estado grave no hospital

15 de novembro – Polícia quer ouvir mulher de subtenente do Exército suspeito de matar o filho envenenado

19 de novembro – Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

19 de novembro – Esposa de militar do Exército suspeito de matar o filho nega traição que seria estopim do caso

21 de novembro – Militar suspeito de matar filho sai do coma, mas ainda não tem condições de prestar depoimento

21 de novembro – Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

24 de novembro – Amigo duvida que subtenente tenha sido o autor da morte do filho autista

24 de novembro – Com melhora de subtenente, delegado aguarda depoimento até o fim da semana

25 de novembro – Subtenente fica chocado ao acordar do coma e saber que é acusado do assassinato do filho

26 de novembro – Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

27 de novembro – Delegado desconfia que uma terceira pessoa tenha assassinado filho de subtenente do Exército

28 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho será ouvido pela polícia mesmo na UTI

29 de novembro – Subtenente nega acusações e seu advogado acusa esposa de assassinar o filho para culpar militar

2 de dezembro – Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

3 de dezembro – Subtenente vai de vilão a mocinho após 3 semanas de investigação por morte de filho envenenado

3 de dezembro – Subtenente suspeito de matar o filho tem prisão preventiva revogada pela Justiça

4 de dezembro – Caso Subtenente: pai e mãe ficarão frente a frente pela 1ª vez após morte do filho envenenado