"Eu sou um verdadeiro milagre", relata professor sobrevivente de chacina do Benfica

UM ANO DEPOIS

“Eu sou um verdadeiro milagre”, relata professor sobrevivente da chacina do Benfica

Paulo Victor, de 27 anos, foi atingido por um tiro na cabeça, vítima da chacina do Benfica, que completou um ano em março deste ano

Por Lya Cardoso em Cotidiano

24 de março de 2019 às 13:34

Há 4 meses
A chacina do Benfica deixou 7 mortos em 2018 (FOTO: Reprodução/ Youtube)

A chacina do Benfica deixou 7 mortos em 2018 (FOTO: Reprodução/ Youtube)

Mais de um ano após a chacina do Benfica, em que sete pessoas foram mortas, um dos sobreviventes, o professor de francês, Paulo Victor, 27 anos, teve seu mestrado interrompido e está sem trabalhar. Ele relatou em vídeo postado no Youtube, pelo canal Bruna e Larissa, as consequências do trauma.

No dia 9 de março de 2018, Paulo estava com 12 amigos e foi baleado na cabeça na praça da Gentilândia, no Benfica.

“O Bar da Loura não era um lugar que eu frequentava, mas meus amigos quiseram ir pra lá, então eu meio que cedi. Aconteceu que alguns caras armados chegaram e foram atirando para matar alguns alvos deles. Acabaram atingindo outras pessoas que não tinham a ver com a história. Eu sou professor e acho que a gente tem que está em qualquer lugar”, diz Paulo.

O professor ficou quatro meses sem enxergar e sua locomoção é através de cadeira de rodas. Ele deve passar por nova cirurgia para resolver um problema de ossificação no quadril. “Eu não lembro de absolutamente nada do que aconteceu, mas eu tenho as marcas no meu corpo e o trauma fica”, ressalta.

Recuperação

Paulo ficou 51 dias internados no hospital. “Desde então venho me recuperando desse trauma. Depois desse tempo no IJF, eu voltei pra casa e meus pais, família e meu namorado têm me dado toda assistência, mas eu queria frisar que o trauma é meu, isso ninguém vai resolver e ninguém vai fazer com que volte atrás”, afirma.

A história merece ser compartilhada por vários motivos, relata o professor. “Eu não sou bandido e, mesmo se fosse, eu acho que todo mundo tem direito de estar em uma praça fazendo o que quer que seja. Isso é um problema de segurança pública, isso é algo que deveria ter sido evitado, mas não foi. O estado tem que se responsabilizar, tem que indenizar, isso é um direito do cidadão”.

Quando voltou para casa, Paulo, passou por vários transtornos. “Fiquei muito agitado, eu batia em todo mundo, gritava e não entendia o que estava acontecendo comigo”. A agressividade, natural do trauma que sofreu, durou cerca de 6 meses. “Eu ainda tinha muito remédio na minha cabeça e só depois conseguir entender o que estava acontecendo e me planejar para resolver isso”.

Até hoje ele carrega as sequelas deixada pelo tiro que perfurou e atravessou sua cabeça. “Uma esparsidade muito grande se criou em todo meu lado esquerdo e tudo isso me prejudica bastante, mas com a fisioterapia eu venho resolvendo e aparentemente não vai ficar nada motor. Mas, outro problema no quadril esquerdo é cirúrgico, vou ter que fazer isso com cirurgia no hospital Sara Kubitschek, em Brasília”.

Chacina do Benfica

A chacina do Benfica aconteceu no dia 9 de fevereiro de 2018, uma sexta-feira. Normalmente lotada aos fins de semana, a praça da Gentilândia é um dos pontos de encontro de quem estuda no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e na Universidade Federal do Ceará (UFC). Na praça, quatro pessoas foram atingidas, três morreram no local e uma quarta, a caminho do hospital.

“O socorro foi muito rápido e eficiente, eu tive sorte porque a proximidade do Benfica com o Instituto Dr. José Frota (IJF) é muito grande, e isso facilitou para que eu fosse atendimento rapidamente”, reforça o professor.

Confira depoimento: 

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UM ANO DEPOIS

“Eu sou um verdadeiro milagre”, relata professor sobrevivente da chacina do Benfica

Paulo Victor, de 27 anos, foi atingido por um tiro na cabeça, vítima da chacina do Benfica, que completou um ano em março deste ano

Por Lya Cardoso em Cotidiano

24 de março de 2019 às 13:34

Há 4 meses
A chacina do Benfica deixou 7 mortos em 2018 (FOTO: Reprodução/ Youtube)

A chacina do Benfica deixou 7 mortos em 2018 (FOTO: Reprodução/ Youtube)

Mais de um ano após a chacina do Benfica, em que sete pessoas foram mortas, um dos sobreviventes, o professor de francês, Paulo Victor, 27 anos, teve seu mestrado interrompido e está sem trabalhar. Ele relatou em vídeo postado no Youtube, pelo canal Bruna e Larissa, as consequências do trauma.

No dia 9 de março de 2018, Paulo estava com 12 amigos e foi baleado na cabeça na praça da Gentilândia, no Benfica.

“O Bar da Loura não era um lugar que eu frequentava, mas meus amigos quiseram ir pra lá, então eu meio que cedi. Aconteceu que alguns caras armados chegaram e foram atirando para matar alguns alvos deles. Acabaram atingindo outras pessoas que não tinham a ver com a história. Eu sou professor e acho que a gente tem que está em qualquer lugar”, diz Paulo.

O professor ficou quatro meses sem enxergar e sua locomoção é através de cadeira de rodas. Ele deve passar por nova cirurgia para resolver um problema de ossificação no quadril. “Eu não lembro de absolutamente nada do que aconteceu, mas eu tenho as marcas no meu corpo e o trauma fica”, ressalta.

Recuperação

Paulo ficou 51 dias internados no hospital. “Desde então venho me recuperando desse trauma. Depois desse tempo no IJF, eu voltei pra casa e meus pais, família e meu namorado têm me dado toda assistência, mas eu queria frisar que o trauma é meu, isso ninguém vai resolver e ninguém vai fazer com que volte atrás”, afirma.

A história merece ser compartilhada por vários motivos, relata o professor. “Eu não sou bandido e, mesmo se fosse, eu acho que todo mundo tem direito de estar em uma praça fazendo o que quer que seja. Isso é um problema de segurança pública, isso é algo que deveria ter sido evitado, mas não foi. O estado tem que se responsabilizar, tem que indenizar, isso é um direito do cidadão”.

Quando voltou para casa, Paulo, passou por vários transtornos. “Fiquei muito agitado, eu batia em todo mundo, gritava e não entendia o que estava acontecendo comigo”. A agressividade, natural do trauma que sofreu, durou cerca de 6 meses. “Eu ainda tinha muito remédio na minha cabeça e só depois conseguir entender o que estava acontecendo e me planejar para resolver isso”.

Até hoje ele carrega as sequelas deixada pelo tiro que perfurou e atravessou sua cabeça. “Uma esparsidade muito grande se criou em todo meu lado esquerdo e tudo isso me prejudica bastante, mas com a fisioterapia eu venho resolvendo e aparentemente não vai ficar nada motor. Mas, outro problema no quadril esquerdo é cirúrgico, vou ter que fazer isso com cirurgia no hospital Sara Kubitschek, em Brasília”.

Chacina do Benfica

A chacina do Benfica aconteceu no dia 9 de fevereiro de 2018, uma sexta-feira. Normalmente lotada aos fins de semana, a praça da Gentilândia é um dos pontos de encontro de quem estuda no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e na Universidade Federal do Ceará (UFC). Na praça, quatro pessoas foram atingidas, três morreram no local e uma quarta, a caminho do hospital.

“O socorro foi muito rápido e eficiente, eu tive sorte porque a proximidade do Benfica com o Instituto Dr. José Frota (IJF) é muito grande, e isso facilitou para que eu fosse atendimento rapidamente”, reforça o professor.

Confira depoimento: