Filho autista de subtenente do Exército ingeriu "chumbinho", aponta laudo


Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

Exames de corpo de delito e toxicológico feitos no militar são aguardados pela polícia; há suspeita de que ele também tenha ingerido o veneno

Por Roberta Tavares em Cotidiano

19 de novembro de 2014 às 09:24

Há 5 anos
Militar era o principal suspeito da morte de filho. Agora, a polícia não descarta a possibilidade de que tenha sido a mulher (FOTO: Reprodução/Facebook)

Militar era o principal suspeito da morte de filho. Agora, a polícia não descarta a possibilidade de que tenha sido a mulher (FOTO: Reprodução/Facebook)

Selo SubtenenteO filho do subtenente do Exército Brasileiro foi vítima de envenenamento causado por ‘chumbinho’, produto clandestino irregularmente usado para matar ratos, segundo a polícia. Lewdo Ricardo Coelho Severino, de 9 anos, era autista e morreu ainda na madrugada de terça-feira (11), na residência da família, no Bairro Dias Macedo, em Fortaleza.

Há a suspeita de que o militar Francilewdo Bezerra Severino, de 45 anos, também tenha ingerido o mesmo veneno. Ele está internado no Hospital Geral do Exército, na capital cearense. Antes de sair o exame laboratorial feito no corpo da criança, a polícia acreditava que o subtenente, a esposa e o filho tinham tomado remédio tranquilizante de tarja preta. Agora, os exames de corpo de delito e toxicológico feitos no militar são aguardados pela polícia. A mulher sobreviveu, o filho não resistiu, e o subtenente foi encaminhado ao hospital em estado grave, tendo sido autuado em flagrante por homicídio e lesão corporal.

Cristiane Renata Coelho, de 41 anos, havia informado em depoimento que tinha sido dopada com alta dosagem de um anticonvulsivo tranquilizante de tarja preta. Ela, que é aguardada para novo depoimento nesta quarta-feira (19), viajou ao Recife para o enterro do filho mais velho, na companhia do mais novo, de 5 anos. Uma série de perguntas sem respostas levará a polícia a tomar novo depoimento da esposa do militar. Para o delegado do 16º Distrito Policial, Wilder Brito, ainda não é certo que o subtenente tenha sido o responsável. “Acredito que a mulher é a ‘peça-chave’ da investigação”. Caso ele se recupere, a polícia também pretende ouvi-lo.

Mensagens no Facebook

Logo após o ocorrido, uma mensagem foi encontrada no perfil do Facebook de Francilewdo Bezerra. “Temos dois filhos especiais. Vou levar um comigo. Obriguei ela [esposa] a beber vinho com seus tranquilizantes para dormir e não ver o que vou fazer. Me perdoem, família, mas a carga tá grande demais, e não aguento mais sofrer calado vendo essa mulher se anular há 10 anos”, dizia a carta.

Ainda na postagem, é explicado que a esposa pediu o divórcio, por tratar o subtenente como irmão e que, supostamente, teria um caso com outro homem. “Sei que ela nunca escondeu ser casada, e abdicou a vida pelos filhos. Queria morrer ao lado dela (…) Eu a machuquei muito, eu enlouqueci. Quem ver essa postagem veja se ainda há jeito de salvá-la”.

O delegado responsável pelo caso estranhou que a suposta mensagem deixada por Francilewdo em seu perfil no Facebook tenha sido alterada quando já estava internado em coma. Na manhã de terça-feira, o perfil do militar foi alterado, o que gerou questionamentos. Na quinta-feira (13), diante da repercussão da alteração na postagem, os perfis do militar e da esposa foram apagados.

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

Exames de corpo de delito e toxicológico feitos no militar são aguardados pela polícia; há suspeita de que ele também tenha ingerido o veneno

Por Roberta Tavares em Cotidiano

19 de novembro de 2014 às 09:24

Há 5 anos
Militar era o principal suspeito da morte de filho. Agora, a polícia não descarta a possibilidade de que tenha sido a mulher (FOTO: Reprodução/Facebook)

Militar era o principal suspeito da morte de filho. Agora, a polícia não descarta a possibilidade de que tenha sido a mulher (FOTO: Reprodução/Facebook)

Selo SubtenenteO filho do subtenente do Exército Brasileiro foi vítima de envenenamento causado por ‘chumbinho’, produto clandestino irregularmente usado para matar ratos, segundo a polícia. Lewdo Ricardo Coelho Severino, de 9 anos, era autista e morreu ainda na madrugada de terça-feira (11), na residência da família, no Bairro Dias Macedo, em Fortaleza.

Há a suspeita de que o militar Francilewdo Bezerra Severino, de 45 anos, também tenha ingerido o mesmo veneno. Ele está internado no Hospital Geral do Exército, na capital cearense. Antes de sair o exame laboratorial feito no corpo da criança, a polícia acreditava que o subtenente, a esposa e o filho tinham tomado remédio tranquilizante de tarja preta. Agora, os exames de corpo de delito e toxicológico feitos no militar são aguardados pela polícia. A mulher sobreviveu, o filho não resistiu, e o subtenente foi encaminhado ao hospital em estado grave, tendo sido autuado em flagrante por homicídio e lesão corporal.

Cristiane Renata Coelho, de 41 anos, havia informado em depoimento que tinha sido dopada com alta dosagem de um anticonvulsivo tranquilizante de tarja preta. Ela, que é aguardada para novo depoimento nesta quarta-feira (19), viajou ao Recife para o enterro do filho mais velho, na companhia do mais novo, de 5 anos. Uma série de perguntas sem respostas levará a polícia a tomar novo depoimento da esposa do militar. Para o delegado do 16º Distrito Policial, Wilder Brito, ainda não é certo que o subtenente tenha sido o responsável. “Acredito que a mulher é a ‘peça-chave’ da investigação”. Caso ele se recupere, a polícia também pretende ouvi-lo.

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Logo após o ocorrido, uma mensagem foi encontrada no perfil do Facebook de Francilewdo Bezerra. “Temos dois filhos especiais. Vou levar um comigo. Obriguei ela [esposa] a beber vinho com seus tranquilizantes para dormir e não ver o que vou fazer. Me perdoem, família, mas a carga tá grande demais, e não aguento mais sofrer calado vendo essa mulher se anular há 10 anos”, dizia a carta.

Ainda na postagem, é explicado que a esposa pediu o divórcio, por tratar o subtenente como irmão e que, supostamente, teria um caso com outro homem. “Sei que ela nunca escondeu ser casada, e abdicou a vida pelos filhos. Queria morrer ao lado dela (…) Eu a machuquei muito, eu enlouqueci. Quem ver essa postagem veja se ainda há jeito de salvá-la”.

O delegado responsável pelo caso estranhou que a suposta mensagem deixada por Francilewdo em seu perfil no Facebook tenha sido alterada quando já estava internado em coma. Na manhã de terça-feira, o perfil do militar foi alterado, o que gerou questionamentos. Na quinta-feira (13), diante da repercussão da alteração na postagem, os perfis do militar e da esposa foram apagados.

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