"Fui vítima de censura da esquerda", defende-se cartunista cearense demitido após comentário

CASO DO ESTUPRO

“Fui vítima de censura da esquerda”, defende-se cartunista cearense demitido após comentário

Allan Goldman teve contrato rompido após expressar opinião no Facebook. “Não fiz apologia ao estupro, mas sim uma crítica à ideologia de gênero”

Por Matheus Ribeiro em Cotidiano

30 de maio de 2016 às 13:15

Há 3 anos
Allan Goldman foi alvo de críticas após o comentário no Facebook (Foto: Arquivo Pessoal)

Allan Goldman foi alvo de onda de críticas após escrever comentário no Facebook (Foto: Arquivo Pessoal)

“Estou sendo vítima de censura”. Este é o sentimento do cearense Allan Goldman dias após uma agência de quadrinhos romper o seu contrato devido a uma publicação no Facebook. No último sábado (27), o cartunista fez um comentário em seu perfil pessoal sobre o caso do estupro coletivo a uma adolescente, registrado no Rio de Janeiro.

Em sua página, Allan escreveu: “O que acontece se os 30 estupradores da menina alegarem que são mulheres? Segundo a ideologia de gênero dos esquerdistas, uma pessoa é o que sente, e sua biologia não importa. A sociedade é obrigada a aceitar essa decisão senão é fascismo! Como a justiça irá julgar o caso de uma mulher que foi violentada por 30 outras mulheres? Fiquei curioso agora“.

Diante da repercussão sobre a publicação, a empresa Chiaroscuro Studios, que representa artistas de quadrinhos pelo mundo, informou em um comunicado divulgado também no Facebook que encerraria o relacionamento com Allan por não concordar com a atitude do cearense.

“Aos nossos fãs e amigos. O mais recente caso de violência contra a mulher nos encheu de tristeza e indignação. A apologia e banalização da violência e da discriminação não cabem mais na sociedade e tampouco em nossa empresa. Por esse motivo e à luz dos recentes acontecimentos que acabam de chegar ao nosso conhecimento, decidimos encerrar o relacionamento com artistas não alinhados com valores que, para nós, são absolutamente inegociáveis”, disse trecho do comunicado.

 

Pronunciamento do cartonista Allan Goldman nas redes sociais (FOTO: Reprodução)

Pronunciamento do cartonista Allan Goldman nas redes sociais que gerou a polêmica (FOTO: Reprodução)

Em nota, o cartunista alegou que em nenhum momento fez apologia ao estupro e que, na verdade, está sendo uma vítima da situação. “Se você ler meu post, verá que não faço apologia à violência, muito menos ao estupro. Aliás, o estupro nem era o objeto do meu questionamento. Eu fiz uma crítica à ideologia de gênero. Levantei uma questão sobre a relativização moral e judicial que poderiam advir da ideologia de gênero. Insinuar que eu fiz apologia à violência ou ao estupro é de uma má-fé tremenda”, defende-se.

Na opinião de Allan, as pessoas não sabem conviver com opiniões diferentes, e por isso ele estaria vivendo uma censura. “O que acontece é que estou sendo vitimado por uma gangue de “Social Justice Warriors”, que não sabem lidar com a opinião alheia, agridem seus opositores da maneira mais baixa e vil possível. No fim, o fato de eu ter sido alvo dessa gangue é por causa do meu posicionamento de direita, contra a ideologia de gênero, o socialismo e por eu defender abertamente o candidato à presidência Jair Bolsonaro, que os esquerdistas tanto odeiam. Montes de militantes de esquerda que não sabem o significado de democracia tentaram me prejudicar fazendo lobby para que eu fosse demitido”, avalia. 

Em relação a demissão, o cartunista afirmou que isso não deve abalar o seu lado profissional, e que continuará com seu trabalho. “A Chiaroscuro representava apenas uma parte menor dos meus trabalhos e eu continuarei conseguindo me sustentar sem a ajuda do Deus Estado que eles tanto amam”, concluiu o desenhista.

Cultura do estupro

Os atos em repúdio à violência contra a mulher ganharam força após imagens do estupro de uma adolescente de 16 anos, violentada por 33 homens no Rio de Janeiro, serem divulgadas nas redes sociais pelos próprios suspeitos do crime.

Em Fortaleza, mulheres organizam protestos para os dias 1° e 4 de junho. O ato denominado “Por todas elas” está sendo divulgado em várias cidades do Brasil, através da rede social. Na capital cearense, a expectativa é de que seja feita uma concentração na Praça do Ferreira, no Centro, com caminhada até a Praça da Gentilândia, no Bairro Benfica. Já no sábado (4), está previsto outro ato na Avenida Beira-Mar: o protesto “Meu corpo é só meu”.

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CASO DO ESTUPRO

“Fui vítima de censura da esquerda”, defende-se cartunista cearense demitido após comentário

Allan Goldman teve contrato rompido após expressar opinião no Facebook. “Não fiz apologia ao estupro, mas sim uma crítica à ideologia de gênero”

Por Matheus Ribeiro em Cotidiano

30 de maio de 2016 às 13:15

Há 3 anos
Allan Goldman foi alvo de críticas após o comentário no Facebook (Foto: Arquivo Pessoal)

Allan Goldman foi alvo de onda de críticas após escrever comentário no Facebook (Foto: Arquivo Pessoal)

“Estou sendo vítima de censura”. Este é o sentimento do cearense Allan Goldman dias após uma agência de quadrinhos romper o seu contrato devido a uma publicação no Facebook. No último sábado (27), o cartunista fez um comentário em seu perfil pessoal sobre o caso do estupro coletivo a uma adolescente, registrado no Rio de Janeiro.

Em sua página, Allan escreveu: “O que acontece se os 30 estupradores da menina alegarem que são mulheres? Segundo a ideologia de gênero dos esquerdistas, uma pessoa é o que sente, e sua biologia não importa. A sociedade é obrigada a aceitar essa decisão senão é fascismo! Como a justiça irá julgar o caso de uma mulher que foi violentada por 30 outras mulheres? Fiquei curioso agora“.

Diante da repercussão sobre a publicação, a empresa Chiaroscuro Studios, que representa artistas de quadrinhos pelo mundo, informou em um comunicado divulgado também no Facebook que encerraria o relacionamento com Allan por não concordar com a atitude do cearense.

“Aos nossos fãs e amigos. O mais recente caso de violência contra a mulher nos encheu de tristeza e indignação. A apologia e banalização da violência e da discriminação não cabem mais na sociedade e tampouco em nossa empresa. Por esse motivo e à luz dos recentes acontecimentos que acabam de chegar ao nosso conhecimento, decidimos encerrar o relacionamento com artistas não alinhados com valores que, para nós, são absolutamente inegociáveis”, disse trecho do comunicado.

 

Pronunciamento do cartonista Allan Goldman nas redes sociais (FOTO: Reprodução)

Pronunciamento do cartonista Allan Goldman nas redes sociais que gerou a polêmica (FOTO: Reprodução)

Em nota, o cartunista alegou que em nenhum momento fez apologia ao estupro e que, na verdade, está sendo uma vítima da situação. “Se você ler meu post, verá que não faço apologia à violência, muito menos ao estupro. Aliás, o estupro nem era o objeto do meu questionamento. Eu fiz uma crítica à ideologia de gênero. Levantei uma questão sobre a relativização moral e judicial que poderiam advir da ideologia de gênero. Insinuar que eu fiz apologia à violência ou ao estupro é de uma má-fé tremenda”, defende-se.

Na opinião de Allan, as pessoas não sabem conviver com opiniões diferentes, e por isso ele estaria vivendo uma censura. “O que acontece é que estou sendo vitimado por uma gangue de “Social Justice Warriors”, que não sabem lidar com a opinião alheia, agridem seus opositores da maneira mais baixa e vil possível. No fim, o fato de eu ter sido alvo dessa gangue é por causa do meu posicionamento de direita, contra a ideologia de gênero, o socialismo e por eu defender abertamente o candidato à presidência Jair Bolsonaro, que os esquerdistas tanto odeiam. Montes de militantes de esquerda que não sabem o significado de democracia tentaram me prejudicar fazendo lobby para que eu fosse demitido”, avalia. 

Em relação a demissão, o cartunista afirmou que isso não deve abalar o seu lado profissional, e que continuará com seu trabalho. “A Chiaroscuro representava apenas uma parte menor dos meus trabalhos e eu continuarei conseguindo me sustentar sem a ajuda do Deus Estado que eles tanto amam”, concluiu o desenhista.

Cultura do estupro

Os atos em repúdio à violência contra a mulher ganharam força após imagens do estupro de uma adolescente de 16 anos, violentada por 33 homens no Rio de Janeiro, serem divulgadas nas redes sociais pelos próprios suspeitos do crime.

Em Fortaleza, mulheres organizam protestos para os dias 1° e 4 de junho. O ato denominado “Por todas elas” está sendo divulgado em várias cidades do Brasil, através da rede social. Na capital cearense, a expectativa é de que seja feita uma concentração na Praça do Ferreira, no Centro, com caminhada até a Praça da Gentilândia, no Bairro Benfica. Já no sábado (4), está previsto outro ato na Avenida Beira-Mar: o protesto “Meu corpo é só meu”.