Governo federal pede incentivo ao parto normal nos hospitais brasileiros, hoje bem abaixo do recomendado


Governo federal pede incentivo ao parto normal nos hospitais, hoje bem abaixo do recomendado

Em 2013, o Ceará ficou em 5º entre estados que mais realizaram cesáreas, com 47,6%. No Brasil, o índice foi de 55,6%. A OMS recomenda que a taxa seja de somente 15%

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

29 de outubro de 2014 às 10:00

Há 5 anos

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciaram, na última sexta-feira (24), o início de um projeto que incentiva o parto normal. A necessidade surgiu a partir da alta taxa do número de cesáreas realizadas no Brasil, que ao todo é de 55,6%.

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas 15% de cesáreas sejam realizadas, no SUS o índice é de 40%. Mas a taxa se torna mais alarmante ainda na rede privada, com o total de 84,6%.

Em 2013, Ceará ficou na quinta posição entre os estados que mais realizaram cesáreas, com 47,6%. Já Fortaleza ocupava o segundo lugar no ranking da capitais, com 64%.

Cesárea é um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê, quando alguma está em risco (FOTO: Flickr/Creative Commons/Santa Rosa)

Cesárea é um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê, quando alguma está em risco (FOTO: Flickr/Creative Commons/Santa Rosa)

Particular

O ginecologista e obstetra João de Assis Martins Parente, coordenador do Centro de Estudos e da área de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Regional Unimed, lamenta que essa realidade aconteça também em Fortaleza. “Dos 1.144 partos que já realizamos este ano, de janeiro a setembro, cerca de 90% foram cesáreos e 10% normais”.

Mesmo assim, o médico deixa claro que há um incentivo e uma orientação ao parto normal, quando não envolve problemas de saúde. Mas a escolha final é da grávida. “Não há resistência alguma por parte dos médicos, muito menos por parte do plano de saúde. Na verdade o médico é um pouco melhor remunerado pelo parto normal, mas a diferença é muito pouca, não influi de forma alguma na escolha do tipo de parto. A decisão é única e exclusiva da mãe. O que não pode haver é uma desobediência das normas de segurança do paciente, que incluem medidas sanitárias para a prevenção de infecções”.

Na verdade, a escolha pelo parto cesariano tem a ver com uma mudança cultural do país, como acontece também na questão da amamentação. Antigamente, a mãe acreditava que amamentar acarretava uma série de mudanças físicas, além de deixar outras sequelas. Com o tempo, o cenário foi mudando a partir de uma conscientização.

Sistema público

Com o sistema público, não é diferente. O chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do HGF, Francisco José Costa Eleutério, explica que também há incentivo ao parto normal, mas a decisão final é da futura mãe.

“No HGF, só trabalhamos com gravidez de alto risco quando a grávida tem problemas de saúde. Não tem casos de baixo risco. Com esses fatores, a escolha é limitada, pois temos que preservar a saúde da mãe e do bebê. Mas somos totalmente abertos à vontade da mãe”.

Mesmo com realidades diferentes, os dois médicos concordam que o parto normal é a melhor opção. Além da rápida recuperação, não intervenção cirúrgica, o que é importante para a saúde da mulher. Ainda há redução dos riscos de infecção hospitalar e até uma incidência menor de desconforto respiratório do bebê.

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Governo federal pede incentivo ao parto normal nos hospitais, hoje bem abaixo do recomendado

Em 2013, o Ceará ficou em 5º entre estados que mais realizaram cesáreas, com 47,6%. No Brasil, o índice foi de 55,6%. A OMS recomenda que a taxa seja de somente 15%

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

29 de outubro de 2014 às 10:00

Há 5 anos

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciaram, na última sexta-feira (24), o início de um projeto que incentiva o parto normal. A necessidade surgiu a partir da alta taxa do número de cesáreas realizadas no Brasil, que ao todo é de 55,6%.

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas 15% de cesáreas sejam realizadas, no SUS o índice é de 40%. Mas a taxa se torna mais alarmante ainda na rede privada, com o total de 84,6%.

Em 2013, Ceará ficou na quinta posição entre os estados que mais realizaram cesáreas, com 47,6%. Já Fortaleza ocupava o segundo lugar no ranking da capitais, com 64%.

Cesárea é um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê, quando alguma está em risco (FOTO: Flickr/Creative Commons/Santa Rosa)

Cesárea é um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê, quando alguma está em risco (FOTO: Flickr/Creative Commons/Santa Rosa)

Particular

O ginecologista e obstetra João de Assis Martins Parente, coordenador do Centro de Estudos e da área de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Regional Unimed, lamenta que essa realidade aconteça também em Fortaleza. “Dos 1.144 partos que já realizamos este ano, de janeiro a setembro, cerca de 90% foram cesáreos e 10% normais”.

Mesmo assim, o médico deixa claro que há um incentivo e uma orientação ao parto normal, quando não envolve problemas de saúde. Mas a escolha final é da grávida. “Não há resistência alguma por parte dos médicos, muito menos por parte do plano de saúde. Na verdade o médico é um pouco melhor remunerado pelo parto normal, mas a diferença é muito pouca, não influi de forma alguma na escolha do tipo de parto. A decisão é única e exclusiva da mãe. O que não pode haver é uma desobediência das normas de segurança do paciente, que incluem medidas sanitárias para a prevenção de infecções”.

Na verdade, a escolha pelo parto cesariano tem a ver com uma mudança cultural do país, como acontece também na questão da amamentação. Antigamente, a mãe acreditava que amamentar acarretava uma série de mudanças físicas, além de deixar outras sequelas. Com o tempo, o cenário foi mudando a partir de uma conscientização.

Sistema público

Com o sistema público, não é diferente. O chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do HGF, Francisco José Costa Eleutério, explica que também há incentivo ao parto normal, mas a decisão final é da futura mãe.

“No HGF, só trabalhamos com gravidez de alto risco quando a grávida tem problemas de saúde. Não tem casos de baixo risco. Com esses fatores, a escolha é limitada, pois temos que preservar a saúde da mãe e do bebê. Mas somos totalmente abertos à vontade da mãe”.

Mesmo com realidades diferentes, os dois médicos concordam que o parto normal é a melhor opção. Além da rápida recuperação, não intervenção cirúrgica, o que é importante para a saúde da mulher. Ainda há redução dos riscos de infecção hospitalar e até uma incidência menor de desconforto respiratório do bebê.