Grupo protege memória coletiva da comunidade do Poço da Draga


Grupo protege memória coletiva da comunidade do Poço da Draga

O projeto Guardiões da Memória repassa às novas gerações as memórias dos moradores pioneiros da comunidade de Fortaleza

Por Juliana Teófilo em Cotidiano

8 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos

“Você conhece o Manuel Jacaré?”, começa Izabel Cristina Lima, moradora do Poço da Draga e diretora de ação educativa da ONG Velaumar, em funcionamento na comunidade. “Ele era um dos quatro jangadeiros, moradores aqui do Poço da Draga, que partiram da Ponte Metálica em direção ao Rio de Janeiro para reivindicar melhores condições de vida para os jangadeiros. Saíram daqui Manuel Jacaré, Zé Tatá, Jerônimo e Manuel Preto. E esses homens afrontaram o mar durante 30 dias, numa embarcação sem nenhuma condição de sobrevivência. Mas quando chegaram Rio de Janeiro foram aclamados pelo ato de valentia e foram recebidos pelo próprio presidente Getúlio Vargas”, completa.

E é assim, por meio da contação de histórias, que a comunidade do Poço da Draga mantém sua memória coletiva viva. O projeto Guardiões da Memória, em atividade desde 2011, promove o intercâmbio de memórias entre os moradores por meio de bate-papos descontraídos e abertos ao público.

Seu Zé Alemão chegou à região do Poço da Draga ainda criança e foi lá onde casou-se e criou filhos e netos. (FOTO: Juliana Teófilo/Tribuna do Ceará)

Seu Zé Alemão chegou ao Poço da Draga ainda criança e foi lá onde casou-se e criou filhos e netos. (FOTO: Juliana Teófilo/Tribuna do Ceará)

No encontros, os moradores mais antigos da comunidade contam a história do lugar através dos seus olhos, compartilhando experiências e sensações. “O Poço da Draga é um porto de história da cidade e ninguém pode esquecer isso. Nosso objetivo é que qualquer morador que seja  abordado possa conhecer a história da comunidade. Não só a história escrita, por escritores e poetas, mas as histórias vividas e contadas pelos próprios moradores, que sentiram na pele todas as transformações que a comunidade passou”, aponta Izabel.

O grupo, formado por pioneiros do Poço, como uma das primeiras moradoras da comunidade, Dona Geralda, ou um dos primeiros moradores a ter o negócio próprio na comunidade, o Seu Felix, conta com cerca de dez guardiões, que se reúnem quinzenalmente em uma grande roda de conversa e alimentam o imaginário popular do lugar com causos e histórias que vem à mente. “Acreditamos que não só na academia, mas, também, o dia a dia e as relações dentro da comunidade reservam um saber que ninguém tira e que é passado de geração em geração”.

Três gerações de história

José Alves Pereira,  de 76 anos, conhecido no Poço como Seu Zé Alemão, é natural de Baturité, mas com seis meses de idade chegou a Fortaleza com a mãe e os três irmãos. “Eu vim morar aqui na região logo que cheguei. Onde, no meu tempo, chamava-se Morro do Moinho, mas que hoje leva o nome de Oitão Preto. A gente morava na beira da praia, fazia uma casinha com papelão, com pau, com o que a gente encontrava e pronto. Quando a maré de janeiro era forte e grande derrubava a casinha e a gente tinha que construir tudo de novo. Sofrimento de vida, viu?”, relembra com voz firme e clara.

Foi a memória de ferro e os modos simples que garantiram à Seu Zé Alemão uma cadeira no grupo dos Guardiões da Memória do Poço da Draga. “Para você ter uma ideia, aqui mesmo eu produzi 12 filhos e 27 netos e bisnetos. Um negócio desse aqui é um negócio fora de série, é muita história para contar”, aponta emocionado.

Sentado com seu radinho de pilha na mão, Seu Zé Alemão conta como teve que começar a vida adulta cedo após a morte prematura da mãe, aos 36 anos. “Eu tinha 7 ou 8 anos na época e fiquei sozinho com os meus irmãos, só nós e Deus. Minha irmã mais velha, que na época tinha 11 anos, que cuidava dos mais novos. Como a gente não tinha mais ninguém, o jeito era trabalhar para comprar o que comer”.

“No meu tempo de menino, no Poço tinha o caranguejo, o siri, o peixe. Tudo favorável, nas nossas mãos, na hora que a gente queria”. (Zé Alemão)

O pequeno Zé Alemão começou a vida adulta cedo, aos 10 anos, trabalhando como faz tudo, varrendo e limpando casas em troca de prato de comida. Depois passou a ajudante de caminhão, armazenando e carregando cargas de farinha de trigo, farinha branca, pirarucu, feijão e arroz. “Em 1958 dizem que era um seca mais danada do mundo, mas para mim não era isso tudo. Na época eu trabalhava de ajudante de caminhão e trabalhava com fartura de mercadoria. Depois de ajudante foi que eu passei para volante”, conta.

Como caminhoneiro, Seu Zé Alemão trabalhou por 33 anos, até se aposentar por invalidez, por causa de problemas na coluna. O morador orgulha-se da carreira e explica com riqueza de detalhes o dia a dia da profissão e aponta a força que tinha para dirigir os grandes caminhões. “Fui criado no meio da maior malandragem que pode existir na face da terra, mas nunca me dediquei a malandragem”.

Foi no Poço que Zé Alemão adquiriu o vício na bebida, aos 12 anos, e foi lá também que o venceu, nas reuniões dos alcoólatras anônimos que acontecia no pavilhão da comunidade. “Não sei ler, nunca fui para a escola, mas o mundo ensina a gente e olhando para uma das paredes nessas reuniões, eu li assim: evite o primeiro gole por 24 horas. E eu evito esse primeiro gole todos os dias, há 29 anos”.

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

É em homenagem à foz do Riacho Pajeú que o Poço da Draga leva esse nome. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

A comunidade do Poço surgiu há 109 anos, composta por refugiados da seca. E até 1950 a comunidade girou em torno da rotina portuária e pesqueira, pontuada pela, hoje deteriorada ponte metálica. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

Em 1950, com a transferência do porto, a comunidade se viu numa situação difícil, houve uma decadência econômica importante. Foi quando as pessoas partiram para outras ocupações. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

Com os olhos fixos no futuro a comunidade, que conta atualmente com cerca de 2030 moradores em 505 casas, trabalha para sair da informalidade e tornar-se mais especializada. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

É difícil distinguir qual é a história de Seu Zé e qual é a história do Poço. As duas se misturam, se complementam e se fundem. A comunidade onde criou-se, causou-se, teve os filhos, trabalhou e pescou, tornou-se sua grande paixão. É com nostalgia e olhos mareados que o homem relembra os tempos de ouro da comunidade.

“No meu tempo de menino, aqui no Poço tinha o caranguejo, tinha o siri, tinha o peixe. Tudo favorável, nas nossas mãos, na hora que a gente queria comer. Mas chegaram aqui e tomaram todo o terreno, todo o espaço. Ai aterraram o Poço, acabaram com a metade do mangue e acabou-se só tudo”, completa.

Mas, mesmo com as dificuldades, Seu Zé Alemão é categórico quanto à deixa a comunidade. “Adoro isso aqui. Se eu sair daqui, eu morro!”, finaliza.

Feira Massa

O Poço da Draga recebe a segunda edição da Feira Massa, com duas semanas de atividades culturais, esportivas e educacionais. A primeira semana de evento, que aconteceu entre os dias 30 de novembro e 4 de dezembro, foi dedicada a realização de oficinas que prepararam a população da comunidade para a Feira.

E essa semana a festa continua com shows de bandas e artistas regionais como os Selvagens à Procura da Lei Januários, Erivan e Guto Ribeiro, cinema ao ar livre com a exibição dos filmes “Cine Holiudy”,”Que Horas Ela Volta?” e apresentações de humoristas.

A Realização da Feira Massa é do Vós, projeto resultado de parceria entre Beach Park e Sistema Jangadeiro, que busca resgatar a história do Ceará, de Fortaleza, e deixar um legado para a Cidade. O patrocínio é do Governo do Estado do Ceará, Prefeitura Municipal de Fortaleza, Instituto do Câncer do Ceará (ICC), Coelce, C. Rolim, Unimed e Fecomércio/Senac. O apoio é da Coca-Cola e são parceiros o Dragão do Mar, a Caixa Cultural e a  ONG Velaumar.

Acompanhe a cobertura da 2ª Feira Massa:

3 de dezembro de 2015 – Comunidade do Poço da Draga recebe a 2ª edição da Feira Massa

4 de dezembro de 2015 – Sábado com programação cultural gratuita promete agitar a Praia de Iracema

5 de dezembro de 2015 – Oficinas educativas agitam primeira semana da Feira Massa no Poço da Draga 

7 de dezembro de 2015 – Segunda edição da Feira Massa desce o morro e chega à praia

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O projeto Guardiões da Memória repassa às novas gerações as memórias dos moradores pioneiros da comunidade de Fortaleza

Por Juliana Teófilo em Cotidiano

8 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos

“Você conhece o Manuel Jacaré?”, começa Izabel Cristina Lima, moradora do Poço da Draga e diretora de ação educativa da ONG Velaumar, em funcionamento na comunidade. “Ele era um dos quatro jangadeiros, moradores aqui do Poço da Draga, que partiram da Ponte Metálica em direção ao Rio de Janeiro para reivindicar melhores condições de vida para os jangadeiros. Saíram daqui Manuel Jacaré, Zé Tatá, Jerônimo e Manuel Preto. E esses homens afrontaram o mar durante 30 dias, numa embarcação sem nenhuma condição de sobrevivência. Mas quando chegaram Rio de Janeiro foram aclamados pelo ato de valentia e foram recebidos pelo próprio presidente Getúlio Vargas”, completa.

E é assim, por meio da contação de histórias, que a comunidade do Poço da Draga mantém sua memória coletiva viva. O projeto Guardiões da Memória, em atividade desde 2011, promove o intercâmbio de memórias entre os moradores por meio de bate-papos descontraídos e abertos ao público.

Seu Zé Alemão chegou à região do Poço da Draga ainda criança e foi lá onde casou-se e criou filhos e netos. (FOTO: Juliana Teófilo/Tribuna do Ceará)

Seu Zé Alemão chegou ao Poço da Draga ainda criança e foi lá onde casou-se e criou filhos e netos. (FOTO: Juliana Teófilo/Tribuna do Ceará)

No encontros, os moradores mais antigos da comunidade contam a história do lugar através dos seus olhos, compartilhando experiências e sensações. “O Poço da Draga é um porto de história da cidade e ninguém pode esquecer isso. Nosso objetivo é que qualquer morador que seja  abordado possa conhecer a história da comunidade. Não só a história escrita, por escritores e poetas, mas as histórias vividas e contadas pelos próprios moradores, que sentiram na pele todas as transformações que a comunidade passou”, aponta Izabel.

O grupo, formado por pioneiros do Poço, como uma das primeiras moradoras da comunidade, Dona Geralda, ou um dos primeiros moradores a ter o negócio próprio na comunidade, o Seu Felix, conta com cerca de dez guardiões, que se reúnem quinzenalmente em uma grande roda de conversa e alimentam o imaginário popular do lugar com causos e histórias que vem à mente. “Acreditamos que não só na academia, mas, também, o dia a dia e as relações dentro da comunidade reservam um saber que ninguém tira e que é passado de geração em geração”.

Três gerações de história

José Alves Pereira,  de 76 anos, conhecido no Poço como Seu Zé Alemão, é natural de Baturité, mas com seis meses de idade chegou a Fortaleza com a mãe e os três irmãos. “Eu vim morar aqui na região logo que cheguei. Onde, no meu tempo, chamava-se Morro do Moinho, mas que hoje leva o nome de Oitão Preto. A gente morava na beira da praia, fazia uma casinha com papelão, com pau, com o que a gente encontrava e pronto. Quando a maré de janeiro era forte e grande derrubava a casinha e a gente tinha que construir tudo de novo. Sofrimento de vida, viu?”, relembra com voz firme e clara.

Foi a memória de ferro e os modos simples que garantiram à Seu Zé Alemão uma cadeira no grupo dos Guardiões da Memória do Poço da Draga. “Para você ter uma ideia, aqui mesmo eu produzi 12 filhos e 27 netos e bisnetos. Um negócio desse aqui é um negócio fora de série, é muita história para contar”, aponta emocionado.

Sentado com seu radinho de pilha na mão, Seu Zé Alemão conta como teve que começar a vida adulta cedo após a morte prematura da mãe, aos 36 anos. “Eu tinha 7 ou 8 anos na época e fiquei sozinho com os meus irmãos, só nós e Deus. Minha irmã mais velha, que na época tinha 11 anos, que cuidava dos mais novos. Como a gente não tinha mais ninguém, o jeito era trabalhar para comprar o que comer”.

“No meu tempo de menino, no Poço tinha o caranguejo, o siri, o peixe. Tudo favorável, nas nossas mãos, na hora que a gente queria”. (Zé Alemão)

O pequeno Zé Alemão começou a vida adulta cedo, aos 10 anos, trabalhando como faz tudo, varrendo e limpando casas em troca de prato de comida. Depois passou a ajudante de caminhão, armazenando e carregando cargas de farinha de trigo, farinha branca, pirarucu, feijão e arroz. “Em 1958 dizem que era um seca mais danada do mundo, mas para mim não era isso tudo. Na época eu trabalhava de ajudante de caminhão e trabalhava com fartura de mercadoria. Depois de ajudante foi que eu passei para volante”, conta.

Como caminhoneiro, Seu Zé Alemão trabalhou por 33 anos, até se aposentar por invalidez, por causa de problemas na coluna. O morador orgulha-se da carreira e explica com riqueza de detalhes o dia a dia da profissão e aponta a força que tinha para dirigir os grandes caminhões. “Fui criado no meio da maior malandragem que pode existir na face da terra, mas nunca me dediquei a malandragem”.

Foi no Poço que Zé Alemão adquiriu o vício na bebida, aos 12 anos, e foi lá também que o venceu, nas reuniões dos alcoólatras anônimos que acontecia no pavilhão da comunidade. “Não sei ler, nunca fui para a escola, mas o mundo ensina a gente e olhando para uma das paredes nessas reuniões, eu li assim: evite o primeiro gole por 24 horas. E eu evito esse primeiro gole todos os dias, há 29 anos”.

Poço da Draga, 109 anos de história
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É em homenagem à foz do Riacho Pajeú que o Poço da Draga leva esse nome. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

A comunidade do Poço surgiu há 109 anos, composta por refugiados da seca. E até 1950 a comunidade girou em torno da rotina portuária e pesqueira, pontuada pela, hoje deteriorada ponte metálica. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Poço da Draga, 109 anos de história
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Em 1950, com a transferência do porto, a comunidade se viu numa situação difícil, houve uma decadência econômica importante. Foi quando as pessoas partiram para outras ocupações. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

Poço da Draga, 109 anos de história
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Poço da Draga, 109 anos de história

Com os olhos fixos no futuro a comunidade, que conta atualmente com cerca de 2030 moradores em 505 casas, trabalha para sair da informalidade e tornar-se mais especializada. (FOTO: Reprodução/Site Comunidade Poço da Draga)

É difícil distinguir qual é a história de Seu Zé e qual é a história do Poço. As duas se misturam, se complementam e se fundem. A comunidade onde criou-se, causou-se, teve os filhos, trabalhou e pescou, tornou-se sua grande paixão. É com nostalgia e olhos mareados que o homem relembra os tempos de ouro da comunidade.

“No meu tempo de menino, aqui no Poço tinha o caranguejo, tinha o siri, tinha o peixe. Tudo favorável, nas nossas mãos, na hora que a gente queria comer. Mas chegaram aqui e tomaram todo o terreno, todo o espaço. Ai aterraram o Poço, acabaram com a metade do mangue e acabou-se só tudo”, completa.

Mas, mesmo com as dificuldades, Seu Zé Alemão é categórico quanto à deixa a comunidade. “Adoro isso aqui. Se eu sair daqui, eu morro!”, finaliza.

Feira Massa

O Poço da Draga recebe a segunda edição da Feira Massa, com duas semanas de atividades culturais, esportivas e educacionais. A primeira semana de evento, que aconteceu entre os dias 30 de novembro e 4 de dezembro, foi dedicada a realização de oficinas que prepararam a população da comunidade para a Feira.

E essa semana a festa continua com shows de bandas e artistas regionais como os Selvagens à Procura da Lei Januários, Erivan e Guto Ribeiro, cinema ao ar livre com a exibição dos filmes “Cine Holiudy”,”Que Horas Ela Volta?” e apresentações de humoristas.

A Realização da Feira Massa é do Vós, projeto resultado de parceria entre Beach Park e Sistema Jangadeiro, que busca resgatar a história do Ceará, de Fortaleza, e deixar um legado para a Cidade. O patrocínio é do Governo do Estado do Ceará, Prefeitura Municipal de Fortaleza, Instituto do Câncer do Ceará (ICC), Coelce, C. Rolim, Unimed e Fecomércio/Senac. O apoio é da Coca-Cola e são parceiros o Dragão do Mar, a Caixa Cultural e a  ONG Velaumar.

Acompanhe a cobertura da 2ª Feira Massa:

3 de dezembro de 2015 – Comunidade do Poço da Draga recebe a 2ª edição da Feira Massa

4 de dezembro de 2015 – Sábado com programação cultural gratuita promete agitar a Praia de Iracema

5 de dezembro de 2015 – Oficinas educativas agitam primeira semana da Feira Massa no Poço da Draga 

7 de dezembro de 2015 – Segunda edição da Feira Massa desce o morro e chega à praia