Migração de serviços gera abandono do Centro


Migração de serviços gera abandono do Centro

Fortaleza cresceu no Centro. Com o tempo, o local parece ter perdido o atrativo de antes

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

18 de julho de 2014 às 16:21

Há 5 anos
(ARTE: Tiago Leite)

(ARTE: Tiago Leite)

Grandes hotéis, centros comerciais, polos de gastronomia e cultura, passeios e pessoas. Muitas pessoas e das mais variadas possíveis. Em terras alencarinas, a diversidade se mesclava em um ponto, onde Fortaleza nascia e crescia: o Centro.

No início até a metade do século 20, a capital cearense mantinha em um bairro uma concentração de atividades que, aos poucos, foi migrando. O Tribuna do Ceará entrou em contato com o memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, conhecido como Nirez, para reconstruir o antigo cenário.

A revitalização desse espaço é debatido tanto no passar de anos como na mudança de gestão. O fato é que, a partir das migrações de serviços para outros locais da cidade, o Centro foi perdendo atenção. É o caso dos órgãos públicos. Apenas a Prefeitura de Fortaleza continua tendo sede no bairro, onde fica o Palácio do Bispo. Mesmo assim, passou cerca de sete anos fora da região, tendo retornado em 2010.

A Câmara Municipal de Fortaleza foi uma das primeiras a se mudar. Antes, localizada na Rua Barão do Rio Branco, quase ao lado da Santa Casa, se mudou ainda na década de 1950 para o Meireles. Depois passou a ter sede no Bairro Luciano Cavalcante.

Com a sede do governo do Ceará aconteceu algo semelhante. Outrora, até a década de 1970, o governador do estado morava e executava seu serviço no Palácio da Luz – atual sede da Academia Cearense de Letras. Em um tamanho maior, o palácio tinha um enorme jardim, que foi destruído para dar lugar a uma rua. No século 19, o local até pertenceu à Câmara Municipal. Hoje, a sede do governo é no Palácio da Abolição, no Meireles.

A Assembleia Legislativa do Ceará era situada onde, hoje, é o Museu do Ceará. Vizinha do Palácio da Luz até a década de 1970, em frente a sede funcionava um café, chamado de Belas Artes, o qual os deputados frequentavam bastante. “Lá é onde se reuniam os deputados. Eles iam para lá conversar. Um dia o Mauro Benevides disse que lá se resolvia muito mais coisas que na própria Assembleia”, resume Nirez. Agora, a Casa está localizada no Bairro Dionísio Torres.

Turismo, passeios e residências

Antes de formarem os paredões na Avenida Beira Mar, os grandes hotéis de Fortaleza estavam aos arredores da Praça do Ferreira, como o Lor Hotel, Savanah e Excelsior Hotel. Além dos turistas, quem desfrutava da localidade eram os mais ricos, que residiam nas proximidades com casarões.

Já os passeios eram realizados, nas décadas de 1950 e 1960, no Passeio Público (recém-revitalizado) e nos vários cinemas do Centro, como o São Luiz. “As pessoas iam para as ruas, olhar as vitrines. Iam à noite para os cinemas. Hoje, elas fazem as mesmas coisas, mas encontram isso nos shoppings”, considera Nirez.

Praça do Ferreira sempre foi um ponto de encontro em Fortaleza (FOTO: Falcão Jr)

Praça do Ferreira sempre foi ponto de encontro em Fortaleza (FOTO: Falcão Jr)

Serviços

Os órgãos de Justiça do Ceará também se situavam no Centro de Fortaleza, mais precisamente na Praça da Sé. As sedes do Tribunal de Justiça do Ceará e o Fórum Clóvis Beviláqua se mudaram para o Cambeba e o Edson Queiroz, respectivamente. Os antigos prédios foram demolidos para dar prosseguimento à praça.

Alguns institutos, associações, sindicatos e cursos também migraram da região para outras. Foi o caso do Instituto Brasil – Estados Unidos no Ceará (Ibeu), que tem sede no Meireles. Outros locais que atraíam os fortalezenses deixaram de existir, como: a Mesbla; a Escola de Datilografia (no antigo Beco da Poeira) e a Fénix Caixeiral (onde fica o INSS).

Polo gastronômico

Um local que nos meados da década de 1940 até a de 1960, que abrigava uma série de cafés, livrarias era o abrigo central, que ficava na Praça do Ferreira. Antes, a praça era menor, pois o abrigo tomava um espaço. O abrigo era como um terminal de ônibus, cheio de locais e variedades. “A sociedade frequentava muito. O governador saía do Palácio da Luz para tomar café lá”, ressalta o historiador.

Além disso, havia um leque de restaurantes pelo bairro. Atualmente, uma boa diversidade de locais como restaurantes, cafés e sorveterias se encontram na Varjota e mediações.

“As pessoas iam para as ruas, olhar as vitrines. Iam à noite para os cinemas. Hoje, elas fazem as mesmas coisas, mas encontram isso nos shoppings”. Nirez

O que continua lá?

Um empreendimento bastante lembrado e que foi o colégio de várias pessoas, o Marista Cearense, também deixou de funcionar, tornou-se uma faculdade e hoje está dfechado, sem função. Mas o prédio continua de pé no mesmo local. O Theatro José de Alencar continua imponente, mas atualmente sem a mesma estrutura e está, em parte ativo, recebendo peças de menor porte e o público.

Os hospitais César Cals e Santa Casa continuam com sedes no Centro de Fortaleza. O Mercado Central, que antes era um grande mercado que vendia alimentos, também persiste na localidade, mesmo sendo mais voltado para o turismo. A Catedral, antes Igreja da Sé, continua no mesmo local. A praça da estação e os prédios ao redor, que abrigam a gerência do Metrofor, também continuam.

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Migração de serviços gera abandono do Centro

Fortaleza cresceu no Centro. Com o tempo, o local parece ter perdido o atrativo de antes

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

18 de julho de 2014 às 16:21

Há 5 anos
(ARTE: Tiago Leite)

(ARTE: Tiago Leite)

Grandes hotéis, centros comerciais, polos de gastronomia e cultura, passeios e pessoas. Muitas pessoas e das mais variadas possíveis. Em terras alencarinas, a diversidade se mesclava em um ponto, onde Fortaleza nascia e crescia: o Centro.

No início até a metade do século 20, a capital cearense mantinha em um bairro uma concentração de atividades que, aos poucos, foi migrando. O Tribuna do Ceará entrou em contato com o memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, conhecido como Nirez, para reconstruir o antigo cenário.

A revitalização desse espaço é debatido tanto no passar de anos como na mudança de gestão. O fato é que, a partir das migrações de serviços para outros locais da cidade, o Centro foi perdendo atenção. É o caso dos órgãos públicos. Apenas a Prefeitura de Fortaleza continua tendo sede no bairro, onde fica o Palácio do Bispo. Mesmo assim, passou cerca de sete anos fora da região, tendo retornado em 2010.

A Câmara Municipal de Fortaleza foi uma das primeiras a se mudar. Antes, localizada na Rua Barão do Rio Branco, quase ao lado da Santa Casa, se mudou ainda na década de 1950 para o Meireles. Depois passou a ter sede no Bairro Luciano Cavalcante.

Com a sede do governo do Ceará aconteceu algo semelhante. Outrora, até a década de 1970, o governador do estado morava e executava seu serviço no Palácio da Luz – atual sede da Academia Cearense de Letras. Em um tamanho maior, o palácio tinha um enorme jardim, que foi destruído para dar lugar a uma rua. No século 19, o local até pertenceu à Câmara Municipal. Hoje, a sede do governo é no Palácio da Abolição, no Meireles.

A Assembleia Legislativa do Ceará era situada onde, hoje, é o Museu do Ceará. Vizinha do Palácio da Luz até a década de 1970, em frente a sede funcionava um café, chamado de Belas Artes, o qual os deputados frequentavam bastante. “Lá é onde se reuniam os deputados. Eles iam para lá conversar. Um dia o Mauro Benevides disse que lá se resolvia muito mais coisas que na própria Assembleia”, resume Nirez. Agora, a Casa está localizada no Bairro Dionísio Torres.

Turismo, passeios e residências

Antes de formarem os paredões na Avenida Beira Mar, os grandes hotéis de Fortaleza estavam aos arredores da Praça do Ferreira, como o Lor Hotel, Savanah e Excelsior Hotel. Além dos turistas, quem desfrutava da localidade eram os mais ricos, que residiam nas proximidades com casarões.

Já os passeios eram realizados, nas décadas de 1950 e 1960, no Passeio Público (recém-revitalizado) e nos vários cinemas do Centro, como o São Luiz. “As pessoas iam para as ruas, olhar as vitrines. Iam à noite para os cinemas. Hoje, elas fazem as mesmas coisas, mas encontram isso nos shoppings”, considera Nirez.

Praça do Ferreira sempre foi um ponto de encontro em Fortaleza (FOTO: Falcão Jr)

Praça do Ferreira sempre foi ponto de encontro em Fortaleza (FOTO: Falcão Jr)

Serviços

Os órgãos de Justiça do Ceará também se situavam no Centro de Fortaleza, mais precisamente na Praça da Sé. As sedes do Tribunal de Justiça do Ceará e o Fórum Clóvis Beviláqua se mudaram para o Cambeba e o Edson Queiroz, respectivamente. Os antigos prédios foram demolidos para dar prosseguimento à praça.

Alguns institutos, associações, sindicatos e cursos também migraram da região para outras. Foi o caso do Instituto Brasil – Estados Unidos no Ceará (Ibeu), que tem sede no Meireles. Outros locais que atraíam os fortalezenses deixaram de existir, como: a Mesbla; a Escola de Datilografia (no antigo Beco da Poeira) e a Fénix Caixeiral (onde fica o INSS).

Polo gastronômico

Um local que nos meados da década de 1940 até a de 1960, que abrigava uma série de cafés, livrarias era o abrigo central, que ficava na Praça do Ferreira. Antes, a praça era menor, pois o abrigo tomava um espaço. O abrigo era como um terminal de ônibus, cheio de locais e variedades. “A sociedade frequentava muito. O governador saía do Palácio da Luz para tomar café lá”, ressalta o historiador.

Além disso, havia um leque de restaurantes pelo bairro. Atualmente, uma boa diversidade de locais como restaurantes, cafés e sorveterias se encontram na Varjota e mediações.

“As pessoas iam para as ruas, olhar as vitrines. Iam à noite para os cinemas. Hoje, elas fazem as mesmas coisas, mas encontram isso nos shoppings”. Nirez

O que continua lá?

Um empreendimento bastante lembrado e que foi o colégio de várias pessoas, o Marista Cearense, também deixou de funcionar, tornou-se uma faculdade e hoje está dfechado, sem função. Mas o prédio continua de pé no mesmo local. O Theatro José de Alencar continua imponente, mas atualmente sem a mesma estrutura e está, em parte ativo, recebendo peças de menor porte e o público.

Os hospitais César Cals e Santa Casa continuam com sedes no Centro de Fortaleza. O Mercado Central, que antes era um grande mercado que vendia alimentos, também persiste na localidade, mesmo sendo mais voltado para o turismo. A Catedral, antes Igreja da Sé, continua no mesmo local. A praça da estação e os prédios ao redor, que abrigam a gerência do Metrofor, também continuam.