Moradores da Sapiranga usam garrafões de água para improvisar lixeiras em praças


Moradores da Sapiranga usam garrafões de água para improvisar lixeiras em praças

Feitas com materiais recicláveis, as lixeiras levam cerca de 15 minutos para serem criadas e instaladas. A principal praça possui oito lixeiras

Por Rosana Romão em Cotidiano

18 de fevereiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
Os próprios moradores arcam com as despesas das lixeiras. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Os próprios moradores arcam com as despesas das lixeiras. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

“Jogar lixo na rua é um pecado. É um pecado social”, alerta o Padre Fábio de Melo. O ensinamento do sacerdote existe na consciência de algumas pessoas, mas em outras nem tanto. No bairro Sapiranga, em Fortaleza, por exemplo, a população se uniu para improvisar e instalar lixeiras em um praça, onde antes não tinha local para o despejo do lixo.

Ao todo, são oito lixeiras. Feitas com garrafões de água vencidos. O processo é simples, corta-se a “boca” do garrafão,  depois envolve uma fita perfurada de metal em um poste de energia e prende-o com arrebites. Em seguida é só colocar uma sacola plástica e prendê-la no garrafão. Em cerca de 15 minutos a lixeira fica pronta para uso. A ideia veio do líder comunitário, Wander Alencar.

Morador da Sapiranga há 20 anos, ele conta que a ideia veio após conhecer a iniciativa do Bairro Canindezinho. “Lá eles usaram um tambor de óleo, daqueles que você encontra em posto de gasolina. Então eu busquei uma solução mais viável. Achei um garrafão vencido em casa, que iria pro lixo, pois a revenda de água não recebia vencido. Aí tive a ideia usar como lixeira”, explica.

Aqui nunca teve lixeira, em nenhuma das praças do bairro. (Wander Alencar)

A preocupação com o descarte do lixo no bairro tem um histórico. As praças eram sujas e abandonadas devido a criminalidade, que deixava os moradores com medo de sair na rua. Devido ao trabalho de pacificação realizado na comunidade, os índices de violência diminuíram e a população passou a ocupar os espaços públicos. “Tinha tiro, confusão, briga, ninguém passava aqui. Era deserto tanto de dia quanto de noite”, detalha a comerciante Santana Silva.

Com a ocupação dos espaços, veio a sujeira. E foi durante o período de pré-carnaval que a preocupação com o lixo aumentou. Antes mesmo do período carnavalesco, a Associação dos Moradores da Sapiranga (Amores) optou por improvisar as lixeiras. “A gente fez uma solicitação à prefeitura em 2014 para reformar a praça e instalar lixeiras e bancos. Mas como até hoje não tivemos resposta, então fizemos por conta própria”, explica o líder comunitário Wander Alencar.

Os mercadinhos eram gradeados e a praça era um deserto. Hoje se joga bola, carimba, bila, brinca no celular. Antes as mães diziam ‘não vai para a praça, pois é perigoso’. Agora fazem é recomendar para os filhos. (Wander Alencar)

“Melhorou muito. Tava a maior sujeira. Vendo assim dá gosto de manter”, opina a comerciante Santana Silva, que trabalha diariamente na praça vendendo alimentos. Ela escolheu a praça como local de trabalho após a pacificação do bairro. Antes tinha medo de sequer andar perto da praça.

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Todas as lixeiras e sacos plásticos possuem furos embaixo, para escorrer água. “Se chover, vai cair água dentro do saco e vai vazar. Não vai acumular. Isso é pra não criar mosquito da dengue”, detalha Wander Alencar. O espírito de coletividade já existe entre os jovens que usufruem da praça. “Pra você ver a consciência deles, uma das lixeiras estava quebrada, e eles mesmo amarraram com  canudos para ela poder ficar no canto. Antigamente eles pensavam ‘quebrou? dá um chute e termina de quebrar’. Mas ainda bem que isso está mudando”, acrescenta. 

O bairro Sapiranga possui quatro praças e um pólo de lazer. A associação pretende levar a ideia das lixeiras para outras praças e estender o projeto a outras regiões do bairro. “O que a gente mais precisa é a reforma dessas praças. Pelo menos na principal, que não recebe reforma ou manutenção há 10 anos. Segurança já não é um problema, completamos 11 meses sem nenhum registro de violência aqui. Só queremos um lugar com condições, porque cuidar a gente cuida”, pede Wander Alencar. 

Sobre as questões colocadas pela associação de moradores, a prefeitura de Fortaleza informa: “As lixeiras são colocadas em espaços públicos de grande movimento para coibir possíveis atos de vandalismo, como praças, lagoas e parques. Na Regional 6, o Lago Jacarey e a Lagoa de Messejana receberam novas lixeiras”. Ainda de acordo com a prefeitura, a reforma da Praça Hélio Góes será realizada no segundo semestre de 2016. A praça ganhará novo paisagismo, construção e recuperação de piso, meio-fio e bancos, limpeza e poda das árvores, nova iluminação branca dentre outras intervenções.

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Feitas com materiais recicláveis, as lixeiras levam cerca de 15 minutos para serem criadas e instaladas. A principal praça possui oito lixeiras

Por Rosana Romão em Cotidiano

18 de fevereiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
Os próprios moradores arcam com as despesas das lixeiras. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Os próprios moradores arcam com as despesas das lixeiras. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

“Jogar lixo na rua é um pecado. É um pecado social”, alerta o Padre Fábio de Melo. O ensinamento do sacerdote existe na consciência de algumas pessoas, mas em outras nem tanto. No bairro Sapiranga, em Fortaleza, por exemplo, a população se uniu para improvisar e instalar lixeiras em um praça, onde antes não tinha local para o despejo do lixo.

Ao todo, são oito lixeiras. Feitas com garrafões de água vencidos. O processo é simples, corta-se a “boca” do garrafão,  depois envolve uma fita perfurada de metal em um poste de energia e prende-o com arrebites. Em seguida é só colocar uma sacola plástica e prendê-la no garrafão. Em cerca de 15 minutos a lixeira fica pronta para uso. A ideia veio do líder comunitário, Wander Alencar.

Morador da Sapiranga há 20 anos, ele conta que a ideia veio após conhecer a iniciativa do Bairro Canindezinho. “Lá eles usaram um tambor de óleo, daqueles que você encontra em posto de gasolina. Então eu busquei uma solução mais viável. Achei um garrafão vencido em casa, que iria pro lixo, pois a revenda de água não recebia vencido. Aí tive a ideia usar como lixeira”, explica.

Aqui nunca teve lixeira, em nenhuma das praças do bairro. (Wander Alencar)

A preocupação com o descarte do lixo no bairro tem um histórico. As praças eram sujas e abandonadas devido a criminalidade, que deixava os moradores com medo de sair na rua. Devido ao trabalho de pacificação realizado na comunidade, os índices de violência diminuíram e a população passou a ocupar os espaços públicos. “Tinha tiro, confusão, briga, ninguém passava aqui. Era deserto tanto de dia quanto de noite”, detalha a comerciante Santana Silva.

Com a ocupação dos espaços, veio a sujeira. E foi durante o período de pré-carnaval que a preocupação com o lixo aumentou. Antes mesmo do período carnavalesco, a Associação dos Moradores da Sapiranga (Amores) optou por improvisar as lixeiras. “A gente fez uma solicitação à prefeitura em 2014 para reformar a praça e instalar lixeiras e bancos. Mas como até hoje não tivemos resposta, então fizemos por conta própria”, explica o líder comunitário Wander Alencar.

Os mercadinhos eram gradeados e a praça era um deserto. Hoje se joga bola, carimba, bila, brinca no celular. Antes as mães diziam ‘não vai para a praça, pois é perigoso’. Agora fazem é recomendar para os filhos. (Wander Alencar)

“Melhorou muito. Tava a maior sujeira. Vendo assim dá gosto de manter”, opina a comerciante Santana Silva, que trabalha diariamente na praça vendendo alimentos. Ela escolheu a praça como local de trabalho após a pacificação do bairro. Antes tinha medo de sequer andar perto da praça.

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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A praça Hélio Góes possui oito lixeiras instaladas pela comunidade. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Todas as lixeiras e sacos plásticos possuem furos embaixo, para escorrer água. “Se chover, vai cair água dentro do saco e vai vazar. Não vai acumular. Isso é pra não criar mosquito da dengue”, detalha Wander Alencar. O espírito de coletividade já existe entre os jovens que usufruem da praça. “Pra você ver a consciência deles, uma das lixeiras estava quebrada, e eles mesmo amarraram com  canudos para ela poder ficar no canto. Antigamente eles pensavam ‘quebrou? dá um chute e termina de quebrar’. Mas ainda bem que isso está mudando”, acrescenta. 

O bairro Sapiranga possui quatro praças e um pólo de lazer. A associação pretende levar a ideia das lixeiras para outras praças e estender o projeto a outras regiões do bairro. “O que a gente mais precisa é a reforma dessas praças. Pelo menos na principal, que não recebe reforma ou manutenção há 10 anos. Segurança já não é um problema, completamos 11 meses sem nenhum registro de violência aqui. Só queremos um lugar com condições, porque cuidar a gente cuida”, pede Wander Alencar. 

Sobre as questões colocadas pela associação de moradores, a prefeitura de Fortaleza informa: “As lixeiras são colocadas em espaços públicos de grande movimento para coibir possíveis atos de vandalismo, como praças, lagoas e parques. Na Regional 6, o Lago Jacarey e a Lagoa de Messejana receberam novas lixeiras”. Ainda de acordo com a prefeitura, a reforma da Praça Hélio Góes será realizada no segundo semestre de 2016. A praça ganhará novo paisagismo, construção e recuperação de piso, meio-fio e bancos, limpeza e poda das árvores, nova iluminação branca dentre outras intervenções.