Acolhimento de migrantes em situação vulnerável já é realidade em Fortaleza há 20 anos


Acolhimento de migrantes em situação vulnerável já é realidade em Fortaleza há 20 anos

Responsável pela Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza, Irmã Clotilde detalha que somente em 2015 houve acolhimento de 400 pessoas com origem de vários países

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

10 de setembro de 2015 às 08:00

Há 4 anos

A pauta sobre o acolhimento a migrantes em Fortaleza veio à tona após a prefeitura municipal anunciar, na última terça-feira (8), uma campanha de mobilização humanitária que visa oferecer apoio a refugiados de guerra. Entretanto, o “trabalho” já é realizado há 20 anos pela Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza, atendendo estrangeiros e brasileiros em situação vulnerável.

Responsável pela pastoral, Irmã Clotilde detalha que somente em 2015 houve acolhimento de 400 pessoas com origem de vários países. “Ficamos muito felizes com anúncio da prefeitura [sobre o acolhimento]. Não fomos convidados, nem informados, mas a responsabilidade é de toda a sociedade e do governo”.

Irmã Clotilde acolhe migrantes (FOTO: Arquidiocese de Fortaleza/ Divulgação)

Irmã Clotilde acolhe migrantes (FOTO: Arquidiocese de Fortaleza/ Divulgação)

Além disso, a irmã enfatizou que são necessárias algumas políticas públicas e não só boa vontade. “É necessário ter um espaço físico, uma casa que possa acolher no primeiro momento, que seja de responsabilidade do Estado ou do Município. Como pastoral podemos ajudar, mas é responsabilidade pública. E também ver a questão da saúde, ajuda na alimentação no início – porque eles chegam sem trabalho – e a educação, pois muitos querem estudar e aprender o idioma”, ressalta.

Acolhimento pastoral

Em relação aos sírios, três grupos já chegaram à capital cearense nos últimos três meses. “Acompanhamos sete pessoas que fugiram da guerra na Síria”. A irmã ainda analisa que Fortaleza é uma cidade passagem, utilizada apenas como forma de entrada para chegar a outras capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Além dos refugiados, a pastoral já recebeu haitianos, que buscaram o Brasil após o terremoto no país, e estudantes africanos com o objetivo de cursar o ensino superior no Ceará.

Ao todo, são 20 agentes trabalhando na pastoral, que sobrevive de doações. Os acolhidos são uma espécie de nômades, já que estão em constante mudança de endereço, pois não há um local fixo. “Pedimos sempre o acolhimento de famílias. Conseguimos casas, mas de forma temporária”.

Sírios e a história cearense

Não é a primeira vez que o Ceará recebe sírios. Tribuna do Ceará já publicou matéria sobre a imigração sírio-libanesa com o especial “Raízes libanesas no Ceará”. Em entrevista, o historiador Airton de Farias ressaltou que no final do século XIX e começo do século XX, muitos árabes (especialmente dos atuais Líbano e Síria) se instalaram no Ceará, fugindo dos confrontos políticos e religiosos e dificuldades econômicas do Oriente Médio.

“Eram tratados genericamente como ‘sírios’ ou erroneamente como ‘turcos’, porém a Turquia não é um país árabe. Na verdade, vários daqueles povos, até a I Guerra Mundial (1914-18) estavam dominados pelo Império Turco-Otomano, daí o porquê de serem chamados genericamente de “turcos”. A presença de uma colônia de sírios em Fortaleza era igualmente importante para facilitar a instalação do recém-imigrado (alojamento, emprego, negócios, etc) e manter laços culturais e familiares”.

Serviço

Para ajudar a Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza, entre em contato pelo número: (85) 3388-8702. Eles necessitam de mantimentos, como leite e óleo de soja.

Publicidade

Dê sua opinião

Acolhimento de migrantes em situação vulnerável já é realidade em Fortaleza há 20 anos

Responsável pela Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza, Irmã Clotilde detalha que somente em 2015 houve acolhimento de 400 pessoas com origem de vários países

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

10 de setembro de 2015 às 08:00

Há 4 anos

A pauta sobre o acolhimento a migrantes em Fortaleza veio à tona após a prefeitura municipal anunciar, na última terça-feira (8), uma campanha de mobilização humanitária que visa oferecer apoio a refugiados de guerra. Entretanto, o “trabalho” já é realizado há 20 anos pela Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza, atendendo estrangeiros e brasileiros em situação vulnerável.

Responsável pela pastoral, Irmã Clotilde detalha que somente em 2015 houve acolhimento de 400 pessoas com origem de vários países. “Ficamos muito felizes com anúncio da prefeitura [sobre o acolhimento]. Não fomos convidados, nem informados, mas a responsabilidade é de toda a sociedade e do governo”.

Irmã Clotilde acolhe migrantes (FOTO: Arquidiocese de Fortaleza/ Divulgação)

Irmã Clotilde acolhe migrantes (FOTO: Arquidiocese de Fortaleza/ Divulgação)

Além disso, a irmã enfatizou que são necessárias algumas políticas públicas e não só boa vontade. “É necessário ter um espaço físico, uma casa que possa acolher no primeiro momento, que seja de responsabilidade do Estado ou do Município. Como pastoral podemos ajudar, mas é responsabilidade pública. E também ver a questão da saúde, ajuda na alimentação no início – porque eles chegam sem trabalho – e a educação, pois muitos querem estudar e aprender o idioma”, ressalta.

Acolhimento pastoral

Em relação aos sírios, três grupos já chegaram à capital cearense nos últimos três meses. “Acompanhamos sete pessoas que fugiram da guerra na Síria”. A irmã ainda analisa que Fortaleza é uma cidade passagem, utilizada apenas como forma de entrada para chegar a outras capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Além dos refugiados, a pastoral já recebeu haitianos, que buscaram o Brasil após o terremoto no país, e estudantes africanos com o objetivo de cursar o ensino superior no Ceará.

Ao todo, são 20 agentes trabalhando na pastoral, que sobrevive de doações. Os acolhidos são uma espécie de nômades, já que estão em constante mudança de endereço, pois não há um local fixo. “Pedimos sempre o acolhimento de famílias. Conseguimos casas, mas de forma temporária”.

Sírios e a história cearense

Não é a primeira vez que o Ceará recebe sírios. Tribuna do Ceará já publicou matéria sobre a imigração sírio-libanesa com o especial “Raízes libanesas no Ceará”. Em entrevista, o historiador Airton de Farias ressaltou que no final do século XIX e começo do século XX, muitos árabes (especialmente dos atuais Líbano e Síria) se instalaram no Ceará, fugindo dos confrontos políticos e religiosos e dificuldades econômicas do Oriente Médio.

“Eram tratados genericamente como ‘sírios’ ou erroneamente como ‘turcos’, porém a Turquia não é um país árabe. Na verdade, vários daqueles povos, até a I Guerra Mundial (1914-18) estavam dominados pelo Império Turco-Otomano, daí o porquê de serem chamados genericamente de “turcos”. A presença de uma colônia de sírios em Fortaleza era igualmente importante para facilitar a instalação do recém-imigrado (alojamento, emprego, negócios, etc) e manter laços culturais e familiares”.

Serviço

Para ajudar a Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza, entre em contato pelo número: (85) 3388-8702. Eles necessitam de mantimentos, como leite e óleo de soja.