Prefeitura promete resolver alagamentos na Av. Heráclito Graça com grande obra de drenagem

PROJETO EM ANDAMENTO

Prefeitura promete resolver alagamentos na Av. Heráclito Graça com grande obra de drenagem

Segundo coordenador, para resolver os tradicionais alagamentos em dia de chuva forte, será necessária uma obra desde a foz do Riacho Pajeú

Por Jéssica Welma em Cotidiano

7 de março de 2019 às 15:29

Há 4 meses
Volume de água na avenida Heráclito Graça se deve à presença de riacho. (Foto: Reprodução)

Volume de água na avenida Heráclito Graça se deve à presença de riacho. (Foto: Tatiana de Lima)

Sanar os problemas de alagamento na avenida Heráclito Graça, no Centro de Fortaleza, requer grande obra, em extensão de cerca de 1,5 quilômetros, desde a foz do Riacho Pajeú. Essa é a afirmação do coordenador de Gerenciamento de Projetos da Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf), André Daher. A Seinf trabalha para essa futura intervenção, com conclusão do projeto das obras no segundo semestre.

O Tribuna do Ceará conversou com o ambientalista e professor do departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) Jeovah Meireles sobre por que a Av. Heráclito Graça sempre vira um rio em todo dia de chuva forte.

Um aspecto que influencia diretamente os alagamentos na via é a proximidade com o Riacho Pajeú. “Ele tinha sua bacia de drenagem e, como foi impermeabilizado, o escoamento superficial na direção desse riacho foi completamente desestruturado. Todas as conexões de drenagem natural acabam gerando esses problemas”, explicou Jeovah.

O cenário é o mesmo desenhado por especialistas da Seinf. “A gente fala na Heráclito Graça, mas o problema está concentrado no Riacho Pajeú. Ao longo dos últimos 50 anos, as margens dele, as áreas de enchente, foram ocupadas irregularmente. O problema na Heráclito Graça é praticamente a captação final, o problema começa lá na foz, perto da Indústria Naval. De lá até a Heráclito Graça, são várias as obstruções com estrutura de concreto construída irregularmente, com adutoras da Cagece que passam dentro da galeria de drenagem, impedindo o escoamento eficaz, e com a ocupação que só veio aumentando”, reforça Daher.

Segundo a Seinf, desde 2015, foram feitas diversas obras de drenagem tanto na Heráclito Graça como em áreas adjacentes. “Na Av. Heráclito Graça, no trecho entre as ruas Nogueira Acioli e J da Penha, foram construídos 125 metros de ramais de drenagem. A avenida passou a contar com novo sistema de drenagem e instalação de 59 bocas de lobo”, diz nota da secretaria.

http://mais.uol.com.br/view/16619847

Chuvas intensas

André Daher ressalta, porém, que, como o problema não é específico da avenida, as alterações resolvem o problema de chuvas de pequenas e médias proporções. Em episódios de chuvas intensas em curto intervalo de tempo, o cenário de alagamento se repete.

O sistema de escoamento das águas da chuva é prejudicado por uma série de construções e intervenções irregulares nos últimos anos. “Para resolver, precisa de uma grande obra no Centro, uma obra praticamente de 1,5 km, passando por vias de comércio intenso”, afirma o coordenador. Uma das possibilidades, segundo Daher, é criar um sistema auxiliar nas vias adjacentes a Heráclito Graça para descarregar parte do fluxo do Pajeú.

Riacho Pajeú. (Foto: Fortaleza em Fotos)

Riacho Pajeú. (Foto: Fortaleza em Fotos)

“O projeto é muito grande e de grande repercussão financeira, na faixa de R$ 40 milhões”, pontua Daher. Diante da impossibilidade de realizar uma obra dessas em período de chuva, a expectativa é de que ela entre em execução no 2° semestre do ano.

Outro destaque é para a obstrução da via pelo lixo. Tanto Daher como Meireles ressaltaram a culpa sobre a quantidade de lixo na cidade que ocasiona a obstrução dos canais. Para Jeovah, “a Heráclito Graça acaba sendo uma das consequências congênitas de centenas de pontos de inundação que estão pela cidade de Fortaleza”.

Riacho Pajeú

Segundo informações do blog Fortaleza em Fotos, o Riacho Pajeú nasceu bem antes da cidade existir. Seu tempo estimado de vida é de cerca de 7 mil anos e, ao longo do tempo, a ocupação prejudicou danos graves ao corpo hídrico. Em 1918, ele foi canalizado pela Diretoria de Obras Públicas.

A partir de 1960, o crescimento da cidade foi “atropelando” o espaço de mananciais como o do Pajeú. Já no início da década de 1980, a Prefeitura realizou uma obra que “afogou” cerca de 3 mil metros do rio, modificando seu leito original.

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Prefeitura promete resolver alagamentos na Av. Heráclito Graça com grande obra de drenagem

Segundo coordenador, para resolver os tradicionais alagamentos em dia de chuva forte, será necessária uma obra desde a foz do Riacho Pajeú

Por Jéssica Welma em Cotidiano

7 de março de 2019 às 15:29

Há 4 meses
Volume de água na avenida Heráclito Graça se deve à presença de riacho. (Foto: Reprodução)

Volume de água na avenida Heráclito Graça se deve à presença de riacho. (Foto: Tatiana de Lima)

Sanar os problemas de alagamento na avenida Heráclito Graça, no Centro de Fortaleza, requer grande obra, em extensão de cerca de 1,5 quilômetros, desde a foz do Riacho Pajeú. Essa é a afirmação do coordenador de Gerenciamento de Projetos da Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf), André Daher. A Seinf trabalha para essa futura intervenção, com conclusão do projeto das obras no segundo semestre.

O Tribuna do Ceará conversou com o ambientalista e professor do departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) Jeovah Meireles sobre por que a Av. Heráclito Graça sempre vira um rio em todo dia de chuva forte.

Um aspecto que influencia diretamente os alagamentos na via é a proximidade com o Riacho Pajeú. “Ele tinha sua bacia de drenagem e, como foi impermeabilizado, o escoamento superficial na direção desse riacho foi completamente desestruturado. Todas as conexões de drenagem natural acabam gerando esses problemas”, explicou Jeovah.

O cenário é o mesmo desenhado por especialistas da Seinf. “A gente fala na Heráclito Graça, mas o problema está concentrado no Riacho Pajeú. Ao longo dos últimos 50 anos, as margens dele, as áreas de enchente, foram ocupadas irregularmente. O problema na Heráclito Graça é praticamente a captação final, o problema começa lá na foz, perto da Indústria Naval. De lá até a Heráclito Graça, são várias as obstruções com estrutura de concreto construída irregularmente, com adutoras da Cagece que passam dentro da galeria de drenagem, impedindo o escoamento eficaz, e com a ocupação que só veio aumentando”, reforça Daher.

Segundo a Seinf, desde 2015, foram feitas diversas obras de drenagem tanto na Heráclito Graça como em áreas adjacentes. “Na Av. Heráclito Graça, no trecho entre as ruas Nogueira Acioli e J da Penha, foram construídos 125 metros de ramais de drenagem. A avenida passou a contar com novo sistema de drenagem e instalação de 59 bocas de lobo”, diz nota da secretaria.

http://mais.uol.com.br/view/16619847

Chuvas intensas

André Daher ressalta, porém, que, como o problema não é específico da avenida, as alterações resolvem o problema de chuvas de pequenas e médias proporções. Em episódios de chuvas intensas em curto intervalo de tempo, o cenário de alagamento se repete.

O sistema de escoamento das águas da chuva é prejudicado por uma série de construções e intervenções irregulares nos últimos anos. “Para resolver, precisa de uma grande obra no Centro, uma obra praticamente de 1,5 km, passando por vias de comércio intenso”, afirma o coordenador. Uma das possibilidades, segundo Daher, é criar um sistema auxiliar nas vias adjacentes a Heráclito Graça para descarregar parte do fluxo do Pajeú.

Riacho Pajeú. (Foto: Fortaleza em Fotos)

Riacho Pajeú. (Foto: Fortaleza em Fotos)

“O projeto é muito grande e de grande repercussão financeira, na faixa de R$ 40 milhões”, pontua Daher. Diante da impossibilidade de realizar uma obra dessas em período de chuva, a expectativa é de que ela entre em execução no 2° semestre do ano.

Outro destaque é para a obstrução da via pelo lixo. Tanto Daher como Meireles ressaltaram a culpa sobre a quantidade de lixo na cidade que ocasiona a obstrução dos canais. Para Jeovah, “a Heráclito Graça acaba sendo uma das consequências congênitas de centenas de pontos de inundação que estão pela cidade de Fortaleza”.

Riacho Pajeú

Segundo informações do blog Fortaleza em Fotos, o Riacho Pajeú nasceu bem antes da cidade existir. Seu tempo estimado de vida é de cerca de 7 mil anos e, ao longo do tempo, a ocupação prejudicou danos graves ao corpo hídrico. Em 1918, ele foi canalizado pela Diretoria de Obras Públicas.

A partir de 1960, o crescimento da cidade foi “atropelando” o espaço de mananciais como o do Pajeú. Já no início da década de 1980, a Prefeitura realizou uma obra que “afogou” cerca de 3 mil metros do rio, modificando seu leito original.