Subtenente tem seguro de vida que pagaria R$ 153 mil a esposa em caso de morte


Subtenente tem seguro de vida que pagaria R$ 153 mil a esposa em caso de morte

A novidade no caso reforça a tese de que Cristiane Coelho teria envenenado a família para receber o dinheiro. O filho que morreu tinha outro seguro, de valor não informado

Por Renata Monte em Cotidiano

22 de dezembro de 2014 às 23:03

Há 5 anos

Selo Subtenente

Amigos e vizinhos fazem protestam e acusam Cristiane pelo assassinato (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Amigos e vizinhos fazem protestam e acusam Cristiane pelo assassinato (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Diante de uma multidão que clamava por justiça, Cristiane Coelho e Francilewdo Bezerra chegaram a sua casa, no Bairro Dias Macedo, em Fortaleza, para a reconstituição do assassinato do filho Lewdo Bezerra, de 9 anos. Durante a manhã desta segunda-feira (22), os dois passaram por acareação, onde se reencontraram pela primeira vez desde o crime, cometido no dia 11 de novembro. À tarde, eles deram sua versão dos fatos no local do homicídio. Em meio às acusações de cada lado, uma novidade que pode ajudar a elucidar o caso foi revelada pela polícia.

O subtenente do Exército tem um seguro de vida que pagaria R$ 153 mil em caso de morte. E a beneficiada é a esposa. Além disso, o filho que morreu tinha um outro seguro, de valor não revelado. Dessa forma, o fato reforça a reviravolta nas investigações do delegado Wilder Brito, que está à frente do caso.

De vítima, a esposa do subtenente do Exército virou ainda mais a suspeita em potencial, reconhece o policial. O fato de que somente ela tomou tranquilizante, enquanto o marido e o filho ingeriram chumbinho (veneno para rato), já pesava contra si. Francilewdo resistiu ao envenenamento, após um mês internado na UTI do Hospital do Exército. Quando saiu do coma e foi possível se defender da versão de Cristiane, ele acrescentou a informação.

Por causa das acusações da esposa, amigos e familiares do subtenente tentaram acompanhar de perto tanto a acareação quanto a reconstituição do caso. Raquel Leitão, vizinha do casal, entende que Cristiane cometeu o crime por interesse no dinheiro. “Ela é fria, cruel e atroz. Tentou premeditadamente contra o marido e o filho“, acusou.

Cartazes, camisas padronizadas com a foto da criança e comentários sobre a índole da mulher do subtenente marcaram o momento de espera do casal. O irmão e o pai de Francilewdo estavam presentes no local. Cristiane, que desde o crime se mudou para o Recife com o filho mais novo, de 5 anos, foi a primeira a chegar. Permaneceu no carro, deitada no banco e com um terno cobrindo o rosto até a chegada da escolta da polícia.

RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO
RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO
2/7

RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO

Família, amigos e vizinhos protestavam contra Cristiane, chamando-a de assassina (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO
RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO
RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO
RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO
RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO

Irmão de Francilewdo, Francélio Bezerra contou que toda a família está abatida depois do ocorrido. “Quando eu li aquilo [mensagem publicada no Facebook, em que o subtenente anunciaria a morte do filho, da mulher e seu suicídio], eu falei: ‘Não foi meu irmão’. A primeira pergunta que meu irmão fez quando acordou no hospital foi ‘como eu vim parar aqui?'”.

Marcílio Marcos, amigo de infância do subtenente, também desacredita na versão de Cristiane. “Lewdo era educado, fazia questão de falar com todo mundo. Era um cara calmo e nunca levantou a mão pra ninguém. Ele abdicava até de festa para cuidar da mulher e dos filhos”. O colega ainda afirma que Francilewdo jamais escreveria a mensagem postada no Facebook pelos erros de português. “Meu amigo era muito inteligente para escrever daquele jeito“.

Na manhã desta segunda-feira, após a acareação, pela primeira vez Francilewdo falou em público sobre o crime, e temeu pela vida do filho mais novo. “Não foi fácil ficar de frente com uma pessoa que te acusa de um crime que você não cometeu. Tenho sentimento de injustiça. Eu fui quase sentenciado à morte. Essa pessoa que eu não conheço mais. Não é mais a mesma pessoa com quem casei. Assim dissimulada e mentirosa”, declarou.

“Não foi fácil ficar de frente com uma pessoa que te acusa de um crime que você não cometeu. Essa pessoa que eu não conheço mais”. Francilewdo Bezerra.

Para o delegado responsável Wilder Brito, tanto a acareação quanto a reconstituição dos crimes foram peças fundamentais na resolução do caso. “A reconstituição foi muito boa e muito importante, mas ainda não foi feito o laudo”, comentou o delegado. Para ele, apesar da situação desconfortável, Francilewdo estava preparado. “Ele se saiu melhor do que a gente esperava. Já Cristiane estava confusa e se contradizendo“. Por enquanto, não há data certa para conclusão do inquérito.

Esposa de subtenente é hostilizada:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15319773″]


Relembre as matérias do caso:

12 de novembro – Subtenente é suspeito de matar filho autista, agredir esposa e anunciar crimes no Facebook

13 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho e agredir esposa continua em estado grave no hospital

15 de novembro – Polícia quer ouvir mulher de subtenente do Exército suspeito de matar o filho envenenado

19 de novembro – Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

19 de novembro – Esposa de militar do Exército suspeito de matar o filho nega traição que seria estopim do caso

21 de novembro – Militar suspeito de matar filho sai do coma, mas ainda não tem condições de prestar depoimento

21 de novembro – Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

24 de novembro – Amigo duvida que subtenente tenha sido o autor da morte do filho autista

24 de novembro – Com melhora de subtenente, delegado aguarda depoimento até o fim da semana

25 de novembro – Subtenente fica chocado ao acordar do coma e saber que é acusado do assassinato do filho

26 de novembro – Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

27 de novembro – Delegado desconfia que uma terceira pessoa tenha assassinado filho de subtenente do Exército

28 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho será ouvido pela polícia mesmo na UTI

29 de novembro – Subtenente nega acusações e seu advogado acusa esposa de assassinar o filho para culpar militar

2 de dezembro – Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

3 de dezembro – Subtenente vai de vilão a mocinho após 3 semanas de investigação por morte de filho envenenado

3 de dezembro – Subtenente suspeito de matar o filho tem prisão preventiva revogada pela Justiça

4 de dezembro – Caso Subtenente: pai e mãe ficarão frente a frente pela 1ª vez após morte do filho envenenado

4 de dezembro – Em 1ª entrevista após sair de UTI, subtenente revela que tem tatuagem com nome de filho morto

8 de dezembro – Esposa de subtenente suspeita de matar o filho contrata um dos juristas mais conhecidos do Ceará

11 de dezembro – Um mês após crime, vizinha diz que nunca acreditou na versão de que subtenente matou o filho

11 de dezembro – Polícia revela áudio que indica desespero da esposa de subtenente após crime

12 de dezembro – Sobrinha será investigada por acionar a polícia quando militar já havia sido socorrido

13 de dezembro – Subtenente recebe alta médica e deseja acareação com esposa sobre morte de filho envenenado

15 de dezembro – Subtenente e esposa participarão de acareação e reconstituição de crime até a próxima semana

16 de dezembro – Caso Subtenente: esposa e militar fazem acareação na próxima segunda-feira

22 de dezembro – Em acareação, subtenente e esposa se encontram pela primeira vez após morte do filho

22 de dezembro – Subtenente acusa publicamente sua mulher de matar filho e agora teme pela vida do mais novo 

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Subtenente tem seguro de vida que pagaria R$ 153 mil a esposa em caso de morte

A novidade no caso reforça a tese de que Cristiane Coelho teria envenenado a família para receber o dinheiro. O filho que morreu tinha outro seguro, de valor não informado

Por Renata Monte em Cotidiano

22 de dezembro de 2014 às 23:03

Há 5 anos

Selo Subtenente

Amigos e vizinhos fazem protestam e acusam Cristiane pelo assassinato (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Amigos e vizinhos fazem protestam e acusam Cristiane pelo assassinato (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Diante de uma multidão que clamava por justiça, Cristiane Coelho e Francilewdo Bezerra chegaram a sua casa, no Bairro Dias Macedo, em Fortaleza, para a reconstituição do assassinato do filho Lewdo Bezerra, de 9 anos. Durante a manhã desta segunda-feira (22), os dois passaram por acareação, onde se reencontraram pela primeira vez desde o crime, cometido no dia 11 de novembro. À tarde, eles deram sua versão dos fatos no local do homicídio. Em meio às acusações de cada lado, uma novidade que pode ajudar a elucidar o caso foi revelada pela polícia.

O subtenente do Exército tem um seguro de vida que pagaria R$ 153 mil em caso de morte. E a beneficiada é a esposa. Além disso, o filho que morreu tinha um outro seguro, de valor não revelado. Dessa forma, o fato reforça a reviravolta nas investigações do delegado Wilder Brito, que está à frente do caso.

De vítima, a esposa do subtenente do Exército virou ainda mais a suspeita em potencial, reconhece o policial. O fato de que somente ela tomou tranquilizante, enquanto o marido e o filho ingeriram chumbinho (veneno para rato), já pesava contra si. Francilewdo resistiu ao envenenamento, após um mês internado na UTI do Hospital do Exército. Quando saiu do coma e foi possível se defender da versão de Cristiane, ele acrescentou a informação.

Por causa das acusações da esposa, amigos e familiares do subtenente tentaram acompanhar de perto tanto a acareação quanto a reconstituição do caso. Raquel Leitão, vizinha do casal, entende que Cristiane cometeu o crime por interesse no dinheiro. “Ela é fria, cruel e atroz. Tentou premeditadamente contra o marido e o filho“, acusou.

Cartazes, camisas padronizadas com a foto da criança e comentários sobre a índole da mulher do subtenente marcaram o momento de espera do casal. O irmão e o pai de Francilewdo estavam presentes no local. Cristiane, que desde o crime se mudou para o Recife com o filho mais novo, de 5 anos, foi a primeira a chegar. Permaneceu no carro, deitada no banco e com um terno cobrindo o rosto até a chegada da escolta da polícia.

RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO
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2/7

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Família, amigos e vizinhos protestavam contra Cristiane, chamando-a de assassina (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO
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RECONSTITUIÇÃO DO ASSASSINATO

Irmão de Francilewdo, Francélio Bezerra contou que toda a família está abatida depois do ocorrido. “Quando eu li aquilo [mensagem publicada no Facebook, em que o subtenente anunciaria a morte do filho, da mulher e seu suicídio], eu falei: ‘Não foi meu irmão’. A primeira pergunta que meu irmão fez quando acordou no hospital foi ‘como eu vim parar aqui?'”.

Marcílio Marcos, amigo de infância do subtenente, também desacredita na versão de Cristiane. “Lewdo era educado, fazia questão de falar com todo mundo. Era um cara calmo e nunca levantou a mão pra ninguém. Ele abdicava até de festa para cuidar da mulher e dos filhos”. O colega ainda afirma que Francilewdo jamais escreveria a mensagem postada no Facebook pelos erros de português. “Meu amigo era muito inteligente para escrever daquele jeito“.

Na manhã desta segunda-feira, após a acareação, pela primeira vez Francilewdo falou em público sobre o crime, e temeu pela vida do filho mais novo. “Não foi fácil ficar de frente com uma pessoa que te acusa de um crime que você não cometeu. Tenho sentimento de injustiça. Eu fui quase sentenciado à morte. Essa pessoa que eu não conheço mais. Não é mais a mesma pessoa com quem casei. Assim dissimulada e mentirosa”, declarou.

“Não foi fácil ficar de frente com uma pessoa que te acusa de um crime que você não cometeu. Essa pessoa que eu não conheço mais”. Francilewdo Bezerra.

Para o delegado responsável Wilder Brito, tanto a acareação quanto a reconstituição dos crimes foram peças fundamentais na resolução do caso. “A reconstituição foi muito boa e muito importante, mas ainda não foi feito o laudo”, comentou o delegado. Para ele, apesar da situação desconfortável, Francilewdo estava preparado. “Ele se saiu melhor do que a gente esperava. Já Cristiane estava confusa e se contradizendo“. Por enquanto, não há data certa para conclusão do inquérito.

Esposa de subtenente é hostilizada:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15319773″]


Relembre as matérias do caso:

12 de novembro – Subtenente é suspeito de matar filho autista, agredir esposa e anunciar crimes no Facebook

13 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho e agredir esposa continua em estado grave no hospital

15 de novembro – Polícia quer ouvir mulher de subtenente do Exército suspeito de matar o filho envenenado

19 de novembro – Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

19 de novembro – Esposa de militar do Exército suspeito de matar o filho nega traição que seria estopim do caso

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21 de novembro – Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

24 de novembro – Amigo duvida que subtenente tenha sido o autor da morte do filho autista

24 de novembro – Com melhora de subtenente, delegado aguarda depoimento até o fim da semana

25 de novembro – Subtenente fica chocado ao acordar do coma e saber que é acusado do assassinato do filho

26 de novembro – Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

27 de novembro – Delegado desconfia que uma terceira pessoa tenha assassinado filho de subtenente do Exército

28 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho será ouvido pela polícia mesmo na UTI

29 de novembro – Subtenente nega acusações e seu advogado acusa esposa de assassinar o filho para culpar militar

2 de dezembro – Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

3 de dezembro – Subtenente vai de vilão a mocinho após 3 semanas de investigação por morte de filho envenenado

3 de dezembro – Subtenente suspeito de matar o filho tem prisão preventiva revogada pela Justiça

4 de dezembro – Caso Subtenente: pai e mãe ficarão frente a frente pela 1ª vez após morte do filho envenenado

4 de dezembro – Em 1ª entrevista após sair de UTI, subtenente revela que tem tatuagem com nome de filho morto

8 de dezembro – Esposa de subtenente suspeita de matar o filho contrata um dos juristas mais conhecidos do Ceará

11 de dezembro – Um mês após crime, vizinha diz que nunca acreditou na versão de que subtenente matou o filho

11 de dezembro – Polícia revela áudio que indica desespero da esposa de subtenente após crime

12 de dezembro – Sobrinha será investigada por acionar a polícia quando militar já havia sido socorrido

13 de dezembro – Subtenente recebe alta médica e deseja acareação com esposa sobre morte de filho envenenado

15 de dezembro – Subtenente e esposa participarão de acareação e reconstituição de crime até a próxima semana

16 de dezembro – Caso Subtenente: esposa e militar fazem acareação na próxima segunda-feira

22 de dezembro – Em acareação, subtenente e esposa se encontram pela primeira vez após morte do filho

22 de dezembro – Subtenente acusa publicamente sua mulher de matar filho e agora teme pela vida do mais novo