Um mês após crime, vizinha diz que nunca acreditou na versão de esposa de que subtenente matou o filho


Um mês após crime, vizinha diz que nunca acreditou na versão de esposa de que subtenente matou o filho

A residência do casal, no Bairro Dias Macedo, está fechada desde que o garoto autista foi morto por envenenamento. Naquela noite, foram ouvidos gritos e muito barulho

Por Roberta Tavares em Cotidiano

11 de dezembro de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Residência da família está fechada desde o ocorrido (FOTO: Tribuna do Ceará/Roberta Tavares)

Residência da família está fechada desde o ocorrido (FOTO: Tribuna do Ceará/Roberta Tavares)

Selo Subtenente

A morte por envenenamento de filho do subtenente do Exército chocou os vizinhos do casal que mora no Conjunto Napoleão Viana, Bairro Dias Macedo, em Fortaleza. O crime aconteceu no dia 11 de novembro, mas passado um mês, muitos moradores ainda evitam falar sobre o assunto.

Uma vizinha, que preferiu não se identificar, confidenciou ao Tribuna do Ceará que é difícil acreditar na versão exposta pela esposa Cristiane Coelho, acusando o marido Francilewdo Bezerra pela morte do filho. “A gente nunca acreditou na versão dela. Quem viu na hora disse que ela estava muito fria, nem parecia que tinha acabado de perder um filho”, conta.

A moradora não viu nem ouviu nada no dia do crime, inclusive foi surpreendida por cordões de isolamento da polícia amarrados até no seu portão. “Eu não tinha entendido o motivo daquilo. Depois de um tempo, fiquei sabendo do crime”. Ela foi informada por outra vizinha que “foram ouvidos gritos de madrugada, principalmente da esposa do subtenente, muito barulho”.

Segundo disse, o casal morava na residência há cerca de 1 ano, com os dois filhos autistas. Cristiane não conversava com os vizinhos. O marido, por sua vez, cumprimentava os moradores. “Conheço ele desde a infância. Estudamos no mesmo colégio, porque sou desse bairro desde que nasci. Já ela não dava uma palavra com ninguém”, afirma.

Desde 11 de novembro, a residência do casal permanece fechada. De acordo com a moradora, a polícia visitou o local algumas vezes. “Eu acho estranho esse caso. Um homem não vai matar ninguém envenenado, tendo uma arma dentro de casa”, conclui.

Reviravolta

A esposa do subtenente, agora suspeita de matar o filho de 9 anos envenenado, contratou um dos juristas mais conhecidos do Ceará, Paulo Quezado, para defendê-la. No Caso Subtenente, Cristiane se tornou suspeita em potencial depois que o marido, Francilewdo Bezerra, confrontou em depoimento a versão dela. A reviravolta na investigação ocorreu após exame descartar a possibilidade de que o menino Lewdo Ricardo Coelho tivesse sido morto por alta dosagem de clonazepam, tranquilizante tarja preta. Ao contrário do que a mãe havia informado, o garoto ingeriu veneno para ratos (chumbinho).

Francilewdo Bezerra segue internado em apartamento no Hospital Geral do Exército, em Fortaleza. Logo que a equipe decidir dar a alta médica do subtenente, o delegado Wilder Brito fará uma acareação. Será a primeira vez em que a mãe e o pai de Lewdo ficarão frente a frente após o incidente, para que sejam esclarecidas as divergências encontradas em suas declarações à polícia. “A versão de cada um será confrontada”, disse.

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

Hospital Geral do Exército
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Hospital Geral do Exército

Francilewdo Bezerra estava internado no apartamento do hospital militar, local em que trabalha (FOTO: Tribuna do Ceará/Rosana Romão)

Relembre as matérias do caso:

12 de novembro – Subtenente é suspeito de matar filho autista, agredir esposa e anunciar crimes no Facebook

13 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho e agredir esposa continua em estado grave no hospital

15 de novembro – Polícia quer ouvir mulher de subtenente do Exército suspeito de matar o filho envenenado

19 de novembro – Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

19 de novembro – Esposa de militar do Exército suspeito de matar o filho nega traição que seria estopim do caso

21 de novembro – Militar suspeito de matar filho sai do coma, mas ainda não tem condições de prestar depoimento

21 de novembro – Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

24 de novembro – Amigo duvida que subtenente tenha sido o autor da morte do filho autista

24 de novembro – Com melhora de subtenente, delegado aguarda depoimento até o fim da semana

25 de novembro – Subtenente fica chocado ao acordar do coma e saber que é acusado do assassinato do filho

26 de novembro – Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

27 de novembro – Delegado desconfia que uma terceira pessoa tenha assassinado filho de subtenente do Exército

28 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho será ouvido pela polícia mesmo na UTI

29 de novembro – Subtenente nega acusações e seu advogado acusa esposa de assassinar o filho para culpar militar

2 de dezembro – Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

3 de dezembro – Subtenente vai de vilão a mocinho após 3 semanas de investigação por morte de filho envenenado

3 de dezembro – Subtenente suspeito de matar o filho tem prisão preventiva revogada pela Justiça

4 de dezembro – Caso Subtenente: pai e mãe ficarão frente a frente pela 1ª vez após morte do filho envenenado

4 de dezembro – Em 1ª entrevista após sair de UTI, subtenente revela que tem tatuagem com nome de filho morto

8 de dezembro – Esposa de subtenente suspeita de matar o filho contrata um dos juristas mais conhecidos do Ceará

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Um mês após crime, vizinha diz que nunca acreditou na versão de esposa de que subtenente matou o filho

A residência do casal, no Bairro Dias Macedo, está fechada desde que o garoto autista foi morto por envenenamento. Naquela noite, foram ouvidos gritos e muito barulho

Por Roberta Tavares em Cotidiano

11 de dezembro de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Residência da família está fechada desde o ocorrido (FOTO: Tribuna do Ceará/Roberta Tavares)

Residência da família está fechada desde o ocorrido (FOTO: Tribuna do Ceará/Roberta Tavares)

Selo Subtenente

A morte por envenenamento de filho do subtenente do Exército chocou os vizinhos do casal que mora no Conjunto Napoleão Viana, Bairro Dias Macedo, em Fortaleza. O crime aconteceu no dia 11 de novembro, mas passado um mês, muitos moradores ainda evitam falar sobre o assunto.

Uma vizinha, que preferiu não se identificar, confidenciou ao Tribuna do Ceará que é difícil acreditar na versão exposta pela esposa Cristiane Coelho, acusando o marido Francilewdo Bezerra pela morte do filho. “A gente nunca acreditou na versão dela. Quem viu na hora disse que ela estava muito fria, nem parecia que tinha acabado de perder um filho”, conta.

A moradora não viu nem ouviu nada no dia do crime, inclusive foi surpreendida por cordões de isolamento da polícia amarrados até no seu portão. “Eu não tinha entendido o motivo daquilo. Depois de um tempo, fiquei sabendo do crime”. Ela foi informada por outra vizinha que “foram ouvidos gritos de madrugada, principalmente da esposa do subtenente, muito barulho”.

Segundo disse, o casal morava na residência há cerca de 1 ano, com os dois filhos autistas. Cristiane não conversava com os vizinhos. O marido, por sua vez, cumprimentava os moradores. “Conheço ele desde a infância. Estudamos no mesmo colégio, porque sou desse bairro desde que nasci. Já ela não dava uma palavra com ninguém”, afirma.

Desde 11 de novembro, a residência do casal permanece fechada. De acordo com a moradora, a polícia visitou o local algumas vezes. “Eu acho estranho esse caso. Um homem não vai matar ninguém envenenado, tendo uma arma dentro de casa”, conclui.

Reviravolta

A esposa do subtenente, agora suspeita de matar o filho de 9 anos envenenado, contratou um dos juristas mais conhecidos do Ceará, Paulo Quezado, para defendê-la. No Caso Subtenente, Cristiane se tornou suspeita em potencial depois que o marido, Francilewdo Bezerra, confrontou em depoimento a versão dela. A reviravolta na investigação ocorreu após exame descartar a possibilidade de que o menino Lewdo Ricardo Coelho tivesse sido morto por alta dosagem de clonazepam, tranquilizante tarja preta. Ao contrário do que a mãe havia informado, o garoto ingeriu veneno para ratos (chumbinho).

Francilewdo Bezerra segue internado em apartamento no Hospital Geral do Exército, em Fortaleza. Logo que a equipe decidir dar a alta médica do subtenente, o delegado Wilder Brito fará uma acareação. Será a primeira vez em que a mãe e o pai de Lewdo ficarão frente a frente após o incidente, para que sejam esclarecidas as divergências encontradas em suas declarações à polícia. “A versão de cada um será confrontada”, disse.

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Hospital Geral do Exército
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Francilewdo Bezerra estava internado no apartamento do hospital militar, local em que trabalha (FOTO: Tribuna do Ceará/Rosana Romão)

Relembre as matérias do caso:

12 de novembro – Subtenente é suspeito de matar filho autista, agredir esposa e anunciar crimes no Facebook

13 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho e agredir esposa continua em estado grave no hospital

15 de novembro – Polícia quer ouvir mulher de subtenente do Exército suspeito de matar o filho envenenado

19 de novembro – Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

19 de novembro – Esposa de militar do Exército suspeito de matar o filho nega traição que seria estopim do caso

21 de novembro – Militar suspeito de matar filho sai do coma, mas ainda não tem condições de prestar depoimento

21 de novembro – Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

24 de novembro – Amigo duvida que subtenente tenha sido o autor da morte do filho autista

24 de novembro – Com melhora de subtenente, delegado aguarda depoimento até o fim da semana

25 de novembro – Subtenente fica chocado ao acordar do coma e saber que é acusado do assassinato do filho

26 de novembro – Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

27 de novembro – Delegado desconfia que uma terceira pessoa tenha assassinado filho de subtenente do Exército

28 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho será ouvido pela polícia mesmo na UTI

29 de novembro – Subtenente nega acusações e seu advogado acusa esposa de assassinar o filho para culpar militar

2 de dezembro – Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

3 de dezembro – Subtenente vai de vilão a mocinho após 3 semanas de investigação por morte de filho envenenado

3 de dezembro – Subtenente suspeito de matar o filho tem prisão preventiva revogada pela Justiça

4 de dezembro – Caso Subtenente: pai e mãe ficarão frente a frente pela 1ª vez após morte do filho envenenado

4 de dezembro – Em 1ª entrevista após sair de UTI, subtenente revela que tem tatuagem com nome de filho morto

8 de dezembro – Esposa de subtenente suspeita de matar o filho contrata um dos juristas mais conhecidos do Ceará