Passamos um dia ao lado dos jovens que já ocupam 49 escolas no Ceará. Veja o que eles pensam

JUVENTUDE POLITIZADA

Compartilhamos a rotina dos jovens que já ocupam 49 escolas no Ceará. Veja o que eles pensam

O Tribuna do Ceará foi ao Caic Maria Alves Carioca, a 1ª escola ocupada no Ceará. Movimento já dura três semanas

Por Jéssica Welma em Educação

19 de maio de 2016 às 10:41

Há 3 anos
caic foto Fernanda Moura (4)

Estudantes se revezam para cuidar da escola que se tornou um lar nas últimas três semanas. (Foto: Tribuna do Ceará / Fernanda Moura)

“A gente nem consegue imaginar como vai ser quando acabar a ocupação”: a frase é dita por tantos estudantes que é difícil personificá-la em meio aos jovens que ocupam o Centro de Educação Integrada à Criança e o Adolescente (Caic) Maria Alves Carioca, no Bairro Bom Jardim, em Fortaleza. Na última terça-feira (17), 19° dia de ocupação, o Tribuna do Ceará compartilhou parte da rotina dos estudantes e conversou sobre as expectativas para o futuro da mobilização.

Já eram quase 10 horas da manhã, e parte dos jovens ainda dormia. O único local onde a movimentação já estava intensa era na cozinha. É preciso dar conta de alimentar em média 20 pessoas, com pelo menos cinco refeições diárias. A despensa é abastecida com doações da comunidade e de professores.

O desafio do dia era encontrar alguém que tivesse experiência e/ou disposição para cortar um frango para o almoço. O cardápio era arroz e macarrão com frango frito, acompanhado por suco de acerola ou de frutas vermelhas. Bem diferente das bolachas com suco de goiaba servidas no lanche escolar, ao custo de R$ 0,30 por aluno.

“São 20 dias de ocupação, já estamos começando com dificuldade na questão dos alimentos, então a gente pede ajuda aos moradores do bairro que venham visitar a ocupação e possam ajudar com qualquer coisa”, ressalta o estudante Carlos Menezes, de 16 anos.

http://mais.uol.com.br/view/15866960
Dia após dia, os jovens, entre 15 e 20 anos, que iniciaram o movimento de ocupação nas escolas do Ceará aprendem a dividir tarefas, a cuidar do ambiente em que habitam, a respeitar as divergências e a desenvolver habilidades, como cozinhar. Há pais e mães que se impressionam ao verem os filhos comandando panelas enormes em uma cozinha industrial. Não basta saber cozinhar, eles têm de saber dosar quantidades para muitas pessoas.

No Ceará, 49 escolas já foram ocupadas por estudantes secundaristas. Eles reivindicam melhorias nos prédios, na merenda escolar, na oferta de aulas, passe livre, dentre outros. O movimento se alia à greve dos professores em busca de uma educação capaz de modificar a trajetória de jovens que veem nos estudos a oportunidade de uma vida melhor.

Se o aprendizado é construído pelo aluno e depende fundamentalmente da influência ativa do meio social, a experiência da ocupação tem sido incomparável com a rotina tradicional de aulas. Se falta, atualmente, o contato com a didática de assuntos como matemática, português e geografia; o conhecimento sobre política e cidadania abre as portas para esses meninos e meninas.

“Diariamente a gente sente na pele a estrutura precária de uma escola pública. A gente chega 7 horas da manhã na escola para ter aula, daí já se depara com uma sala superlotada e quente. Às sete da manhã a sala já é quente! O professor vai dar aula e, no último mês, não tinha pincel para escrever. O conteúdo era ditado porque não tinha pincel”, elenca a estudante do 1° ano, Andressa Bernardo, de 15 anos.

Os problemas se acumulam: falta infraestrutura básica, como papel, lâmpadas, bebedouros e ventiladores nas salas de aula. Dos três equipamentos de ar-condicionado que existem, um está totalmente quebrado e os outros dois não podem operar simultaneamente por causa da fiação obsoleta. Para eles, a ocupação ultrapassa o sentido de habitar o local. “É o último grito que a gente acha que pode dar em meio a essa situação”, pontua o ex-estudante do Caic, Paulo Victor Clareano, de 20 anos.

Ocupação Caic Maria Alves Carioca
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Ocupação Caic Maria Alves Carioca

Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

bom jardim Foto FernandaMoura (22)
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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

caic foto Fernanda Moura (3)
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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

 

Programação

O dia a dia na escola, além dos “afazeres domésticos”, tem programação diferenciada durante a semana. Voluntários levam shows, debates sobre a conjuntura política e internacional, palestras, apresentações teatrais e aulas de música.

Um dos ápices da ocupação aconteceu na noite da quarta-feira (18), quando os jovens receberam a visita do rapper e cantor de MPB Criolo. Ele está em Fortaleza para receber o título de cidadão fortalezense oferecido pela Câmara Municipal.

Juntamente com outros expoentes da música brasileira, como os cantores Paulo Miklos e Maria Gadú, Criolo participou da “Virada Ocupação” em São Paulo, em apoio à ocupação das escolas paulistas. Desde que sua vinda à Fortaleza foi anunciada, os estudantes iniciaram campanha nas redes sociais, pedindo a visita do cantor.

Acomodações

Às vezes, confessam, bate a saudade do conforto da casa, principalmente na hora de dormir, mas eles reúnem forças no companheirismo dos estudantes para continuar a ocupação. As salas de aula foram transformadas em dormitórios. Mesas e cadeiras estão encostadas nas paredes e o chão é coberto por colchões e colchonetes pouco confortáveis.

“Tem dia em que eu acordo no chão”, brinca Andressa.

Alguns alunos só vão em casa para trocar as roupas ou para lavá-las. Há quem esteja permanentemente na escola, lavando as próprias roupas no local.

Compartilhamento

Estudantes que, antes, não se falavam, têm se tornado melhores amigos, com promessas de prolongar a amizade mesmo com o final da greve e das ocupações.

A parceria vai além das quatro paredes de cada escola. Eles se revezam em visitar outras ocupações, dividem os alimentos que estão em excesso, apoiam estudantes que querem iniciar novas ocupações e dialogam para manter a unidade do movimento.

Eles seguem aprendendo com os seus erros e acertos. Um dos objetivos atualmente é acertar criar a própria horta. A primeira tentativa de separar o lixo orgânico para adubar as plantas não funcionou e resultou em mau cheiro na escola. “A gente não sabia que não devia usar resto de comida. Agora a gente vai usar só casca de fruta”, garante Andressa.

Por mais que muitos não gostem de lavar pratos, varrer o chão ou limpar banheiros, eles têm aprendido que faz parte do crescimento pessoal desempenhar funções em prol do coletivo. Nem sempre é preciso pedir, muitos chegam e ajudam no que for necessário.

Governo

O governador Camilo Santana anunciou, no dia 9 de maio, repasse imediato de R$ 32 milhões para reformar os colégios estaduais e R$ 6,4 milhões para complementar a merenda escolar, atualmente financiada somente pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Ele também sinalizou R$ 21,43 milhões para compra de notebooks, R$ 17,5 milhões para aquisição de novos computadores nas escolas e acréscimo de 100 horas/aula na carga horária mensal das escolas de ensino regular.

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JUVENTUDE POLITIZADA

Compartilhamos a rotina dos jovens que já ocupam 49 escolas no Ceará. Veja o que eles pensam

O Tribuna do Ceará foi ao Caic Maria Alves Carioca, a 1ª escola ocupada no Ceará. Movimento já dura três semanas

Por Jéssica Welma em Educação

19 de maio de 2016 às 10:41

Há 3 anos
caic foto Fernanda Moura (4)

Estudantes se revezam para cuidar da escola que se tornou um lar nas últimas três semanas. (Foto: Tribuna do Ceará / Fernanda Moura)

“A gente nem consegue imaginar como vai ser quando acabar a ocupação”: a frase é dita por tantos estudantes que é difícil personificá-la em meio aos jovens que ocupam o Centro de Educação Integrada à Criança e o Adolescente (Caic) Maria Alves Carioca, no Bairro Bom Jardim, em Fortaleza. Na última terça-feira (17), 19° dia de ocupação, o Tribuna do Ceará compartilhou parte da rotina dos estudantes e conversou sobre as expectativas para o futuro da mobilização.

Já eram quase 10 horas da manhã, e parte dos jovens ainda dormia. O único local onde a movimentação já estava intensa era na cozinha. É preciso dar conta de alimentar em média 20 pessoas, com pelo menos cinco refeições diárias. A despensa é abastecida com doações da comunidade e de professores.

O desafio do dia era encontrar alguém que tivesse experiência e/ou disposição para cortar um frango para o almoço. O cardápio era arroz e macarrão com frango frito, acompanhado por suco de acerola ou de frutas vermelhas. Bem diferente das bolachas com suco de goiaba servidas no lanche escolar, ao custo de R$ 0,30 por aluno.

“São 20 dias de ocupação, já estamos começando com dificuldade na questão dos alimentos, então a gente pede ajuda aos moradores do bairro que venham visitar a ocupação e possam ajudar com qualquer coisa”, ressalta o estudante Carlos Menezes, de 16 anos.

http://mais.uol.com.br/view/15866960
Dia após dia, os jovens, entre 15 e 20 anos, que iniciaram o movimento de ocupação nas escolas do Ceará aprendem a dividir tarefas, a cuidar do ambiente em que habitam, a respeitar as divergências e a desenvolver habilidades, como cozinhar. Há pais e mães que se impressionam ao verem os filhos comandando panelas enormes em uma cozinha industrial. Não basta saber cozinhar, eles têm de saber dosar quantidades para muitas pessoas.

No Ceará, 49 escolas já foram ocupadas por estudantes secundaristas. Eles reivindicam melhorias nos prédios, na merenda escolar, na oferta de aulas, passe livre, dentre outros. O movimento se alia à greve dos professores em busca de uma educação capaz de modificar a trajetória de jovens que veem nos estudos a oportunidade de uma vida melhor.

Se o aprendizado é construído pelo aluno e depende fundamentalmente da influência ativa do meio social, a experiência da ocupação tem sido incomparável com a rotina tradicional de aulas. Se falta, atualmente, o contato com a didática de assuntos como matemática, português e geografia; o conhecimento sobre política e cidadania abre as portas para esses meninos e meninas.

“Diariamente a gente sente na pele a estrutura precária de uma escola pública. A gente chega 7 horas da manhã na escola para ter aula, daí já se depara com uma sala superlotada e quente. Às sete da manhã a sala já é quente! O professor vai dar aula e, no último mês, não tinha pincel para escrever. O conteúdo era ditado porque não tinha pincel”, elenca a estudante do 1° ano, Andressa Bernardo, de 15 anos.

Os problemas se acumulam: falta infraestrutura básica, como papel, lâmpadas, bebedouros e ventiladores nas salas de aula. Dos três equipamentos de ar-condicionado que existem, um está totalmente quebrado e os outros dois não podem operar simultaneamente por causa da fiação obsoleta. Para eles, a ocupação ultrapassa o sentido de habitar o local. “É o último grito que a gente acha que pode dar em meio a essa situação”, pontua o ex-estudante do Caic, Paulo Victor Clareano, de 20 anos.

Ocupação Caic Maria Alves Carioca
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Ocupação Caic Maria Alves Carioca

Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

bom jardim Foto FernandaMoura (22)
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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

 

Programação

O dia a dia na escola, além dos “afazeres domésticos”, tem programação diferenciada durante a semana. Voluntários levam shows, debates sobre a conjuntura política e internacional, palestras, apresentações teatrais e aulas de música.

Um dos ápices da ocupação aconteceu na noite da quarta-feira (18), quando os jovens receberam a visita do rapper e cantor de MPB Criolo. Ele está em Fortaleza para receber o título de cidadão fortalezense oferecido pela Câmara Municipal.

Juntamente com outros expoentes da música brasileira, como os cantores Paulo Miklos e Maria Gadú, Criolo participou da “Virada Ocupação” em São Paulo, em apoio à ocupação das escolas paulistas. Desde que sua vinda à Fortaleza foi anunciada, os estudantes iniciaram campanha nas redes sociais, pedindo a visita do cantor.

Acomodações

Às vezes, confessam, bate a saudade do conforto da casa, principalmente na hora de dormir, mas eles reúnem forças no companheirismo dos estudantes para continuar a ocupação. As salas de aula foram transformadas em dormitórios. Mesas e cadeiras estão encostadas nas paredes e o chão é coberto por colchões e colchonetes pouco confortáveis.

“Tem dia em que eu acordo no chão”, brinca Andressa.

Alguns alunos só vão em casa para trocar as roupas ou para lavá-las. Há quem esteja permanentemente na escola, lavando as próprias roupas no local.

Compartilhamento

Estudantes que, antes, não se falavam, têm se tornado melhores amigos, com promessas de prolongar a amizade mesmo com o final da greve e das ocupações.

A parceria vai além das quatro paredes de cada escola. Eles se revezam em visitar outras ocupações, dividem os alimentos que estão em excesso, apoiam estudantes que querem iniciar novas ocupações e dialogam para manter a unidade do movimento.

Eles seguem aprendendo com os seus erros e acertos. Um dos objetivos atualmente é acertar criar a própria horta. A primeira tentativa de separar o lixo orgânico para adubar as plantas não funcionou e resultou em mau cheiro na escola. “A gente não sabia que não devia usar resto de comida. Agora a gente vai usar só casca de fruta”, garante Andressa.

Por mais que muitos não gostem de lavar pratos, varrer o chão ou limpar banheiros, eles têm aprendido que faz parte do crescimento pessoal desempenhar funções em prol do coletivo. Nem sempre é preciso pedir, muitos chegam e ajudam no que for necessário.

Governo

O governador Camilo Santana anunciou, no dia 9 de maio, repasse imediato de R$ 32 milhões para reformar os colégios estaduais e R$ 6,4 milhões para complementar a merenda escolar, atualmente financiada somente pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Ele também sinalizou R$ 21,43 milhões para compra de notebooks, R$ 17,5 milhões para aquisição de novos computadores nas escolas e acréscimo de 100 horas/aula na carga horária mensal das escolas de ensino regular.