Pele de tilápia é usada em reconstrução vaginal após cirurgia de redesignação sexual

PROCEDIMENTO INÉDITO

Pele de tilápia é usada em reconstrução vaginal após cirurgia de redesignação sexual

A pele de tilápia já foi utilizada em pacientes com síndrome de Rokitansky e câncer de vagina. O método foi desenvolvido no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará

Por Tribuna do Ceará em Educação

24 de abril de 2019 às 16:44

Há 3 meses
O procedimento é inédito no mundo (FOTO: Divulgação/ Viktor Braga/UFC)

O procedimento é inédito no mundo (FOTO: Divulgação/ Viktor Braga/UFC)

Após ter eficácia comprovada no tratamento de queimadura e na reconstrução vaginal em pacientes com síndrome de Rokitansky e câncer de vagina, a pele de tilápia acaba de ser testada em mais uma importante aplicação medicinal.

O material foi utilizado para reconstrução vaginal pós-cirurgia de redesignação sexual de uma paciente trans de Campinas (SP). O procedimento é inédito e abre um novo leque de possibilidades na Ginecologia.

A cirurgia ocorreu na terça-feira (23), no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM), vinculado à Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O método e todo o know-how para a aplicação da pele de tilápia nesse tipo de intervenção foi desenvolvido no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O professor do Departamento de Saúde Materno-Infantil e da Pós-Graduação em Cirurgia da UFC, Leonardo Bezerra, participou do procedimento cirúrgico, que ocorreu na capital paulista por questões logísticas, pois a mulher operada reside no interior de São Paulo. Segundo ele, a intervenção transcorreu sem complicações. A equipe contou com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) da Universidade de São Paulo (USP).

A paciente já havia sido submetida à cirurgia de redesignação sexual (de homem para mulher). Porém, apresentava um canal vaginal de pequenas proporções, com problemas funcionais, o que ocasionava várias dificuldades.

(FOTO: Divulgação/ Viktor Braga/UFC)

(FOTO: Divulgação/ Viktor Braga/UFC)

Para reverter esse problema, o método hoje mais utilizado consiste em fazer um enxerto com pele retirada de outras partes do corpo, geralmente do intestino, para aumentar a largura e o comprimento do canal. Esse tipo de cirurgia, porém, costuma durar várias horas e tem o inconveniente da necessidade de cortes, que deixam cicatrizes. O diferencial da cirurgia agora realizada foi refazer o canal vaginal não mais com intestino, mas com pele de tilápia.

Segundo Leonardo Bezerra, o grande benefício é a simplicidade da técnica, considerada de mínima invasividade, já que não é preciso fazer incisões abdominais ‒ e também o baixíssimo custo.

Ele ainda destaca a importância do NPDM para as pesquisas e aplicações com pele de tilápia. Por meio do núcleo, a UFC passou a ter o primeiro banco de pele animal do País. Todo o procedimento com a pele de tilápia é feito no NPDM, em parceria com o Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ) do Instituto Dr. José Frota (IJF).

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Pele de tilápia é usada em reconstrução vaginal após cirurgia de redesignação sexual

A pele de tilápia já foi utilizada em pacientes com síndrome de Rokitansky e câncer de vagina. O método foi desenvolvido no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará

Por Tribuna do Ceará em Educação

24 de abril de 2019 às 16:44

Há 3 meses
O procedimento é inédito no mundo (FOTO: Divulgação/ Viktor Braga/UFC)

O procedimento é inédito no mundo (FOTO: Divulgação/ Viktor Braga/UFC)

Após ter eficácia comprovada no tratamento de queimadura e na reconstrução vaginal em pacientes com síndrome de Rokitansky e câncer de vagina, a pele de tilápia acaba de ser testada em mais uma importante aplicação medicinal.

O material foi utilizado para reconstrução vaginal pós-cirurgia de redesignação sexual de uma paciente trans de Campinas (SP). O procedimento é inédito e abre um novo leque de possibilidades na Ginecologia.

A cirurgia ocorreu na terça-feira (23), no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM), vinculado à Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O método e todo o know-how para a aplicação da pele de tilápia nesse tipo de intervenção foi desenvolvido no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O professor do Departamento de Saúde Materno-Infantil e da Pós-Graduação em Cirurgia da UFC, Leonardo Bezerra, participou do procedimento cirúrgico, que ocorreu na capital paulista por questões logísticas, pois a mulher operada reside no interior de São Paulo. Segundo ele, a intervenção transcorreu sem complicações. A equipe contou com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) da Universidade de São Paulo (USP).

A paciente já havia sido submetida à cirurgia de redesignação sexual (de homem para mulher). Porém, apresentava um canal vaginal de pequenas proporções, com problemas funcionais, o que ocasionava várias dificuldades.

(FOTO: Divulgação/ Viktor Braga/UFC)

(FOTO: Divulgação/ Viktor Braga/UFC)

Para reverter esse problema, o método hoje mais utilizado consiste em fazer um enxerto com pele retirada de outras partes do corpo, geralmente do intestino, para aumentar a largura e o comprimento do canal. Esse tipo de cirurgia, porém, costuma durar várias horas e tem o inconveniente da necessidade de cortes, que deixam cicatrizes. O diferencial da cirurgia agora realizada foi refazer o canal vaginal não mais com intestino, mas com pele de tilápia.

Segundo Leonardo Bezerra, o grande benefício é a simplicidade da técnica, considerada de mínima invasividade, já que não é preciso fazer incisões abdominais ‒ e também o baixíssimo custo.

Ele ainda destaca a importância do NPDM para as pesquisas e aplicações com pele de tilápia. Por meio do núcleo, a UFC passou a ter o primeiro banco de pele animal do País. Todo o procedimento com a pele de tilápia é feito no NPDM, em parceria com o Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ) do Instituto Dr. José Frota (IJF).