Trotes podem causar transtornos psicológicos em universitários

INÍCIO DE SEMESTRE

Trotes podem causar transtornos psicológicos em universitários

Segundo especialistas, alguns trotes universitários podem ultrapassar os limites e afetar a dignidade das pessoas, além de causar ansiedade em calouros

Por Tribuna Bandnews FM em Educação

6 de fevereiro de 2019 às 07:00

Há 6 meses
(FOTOS: Divulgação/UFC/ Jr. Panela)

Como uma forma de celebrar a entrada na universidade, os calouros passam pelo trote acadêmico (FOTOS: Divulgação/UFC/ Jr. Panela)

O início do semestre letivo das universidades começa no início deste mês de fevereiro. Para quem é veterano, significa apenas um retorno às atividades acadêmicas. Mas, para quem é novato, trata-se de um começo de uma nova fase da vida.

Como uma forma de celebrar esse tipo de passagem, os calouros passam pelo trote acadêmico. O problema é quando as brincadeiras tornam-se uma oportunidade para práticas de bullying, causando até transtornos psicológicos nos estudantes.

Para a universitária Thaynara Lima, os trotes não são necessários. A comemoração é vista como válida, mas determinadas brincadeiras são desnecessárias. “Há muitos estudantes que levam o trote para o vandalismo. Eu acho que a parte da comemoração é positiva, mas depende até onde vão a brincadeiras”, comenta.

A estudante Priscila Sampaio já enxerga que é um momento importante devido à interação de calouros e também de veteranos. “É uma troca de experiência e de aprendizado”, argumenta.

A jornalista e professora universitária Ana Márcia Diógenes ressalta que é preciso evitar brincadeiras que possam afetar a dignidade ou que coloquem risco a vida dos calouros. “Essas brincadeiras acabam sendo desculpas para o bullying. Tem que ser evitado durante a preparação do trote”, ressalta.

O último caso no Brasil que foi além a brincadeira aconteceu em uma universidade de Barretos, em São Paulo. Veteranos receberam sete calouros com jatos de um desinfetante industrial altamente corrosivo. Os setes estudantes sofreram queimaduras de primeiro grau. O caso foi arquivado pelo Ministério Público de São Paulo após um mês.

Nessas situações, a psicóloga Valkiria Bocchetti aponta que os calouros podem se sentir desestimulados a continuar na instituição, podendo desistir da vida acadêmica. “O trote pode ter um viés muito de zona de poder. Quando passa do limite do saudável, ele vai ter implicação emocional e psicológica”, explica. Segundo ela, também podem ser desenvolvidos quadros de ansiedade.

Alguns estados possuem leis que proíbem a prática, enquanto há outras universidades que as proíbe em seus campus. Leis de abrangência nacional também podem ser aplicadas contra os excessos.

Ouça a reportagem de Ítalo Alcântara, da Tribuna BandNews FM:

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Trotes podem causar transtornos psicológicos em universitários

Segundo especialistas, alguns trotes universitários podem ultrapassar os limites e afetar a dignidade das pessoas, além de causar ansiedade em calouros

Por Tribuna Bandnews FM em Educação

6 de fevereiro de 2019 às 07:00

Há 6 meses
(FOTOS: Divulgação/UFC/ Jr. Panela)

Como uma forma de celebrar a entrada na universidade, os calouros passam pelo trote acadêmico (FOTOS: Divulgação/UFC/ Jr. Panela)

O início do semestre letivo das universidades começa no início deste mês de fevereiro. Para quem é veterano, significa apenas um retorno às atividades acadêmicas. Mas, para quem é novato, trata-se de um começo de uma nova fase da vida.

Como uma forma de celebrar esse tipo de passagem, os calouros passam pelo trote acadêmico. O problema é quando as brincadeiras tornam-se uma oportunidade para práticas de bullying, causando até transtornos psicológicos nos estudantes.

Para a universitária Thaynara Lima, os trotes não são necessários. A comemoração é vista como válida, mas determinadas brincadeiras são desnecessárias. “Há muitos estudantes que levam o trote para o vandalismo. Eu acho que a parte da comemoração é positiva, mas depende até onde vão a brincadeiras”, comenta.

A estudante Priscila Sampaio já enxerga que é um momento importante devido à interação de calouros e também de veteranos. “É uma troca de experiência e de aprendizado”, argumenta.

A jornalista e professora universitária Ana Márcia Diógenes ressalta que é preciso evitar brincadeiras que possam afetar a dignidade ou que coloquem risco a vida dos calouros. “Essas brincadeiras acabam sendo desculpas para o bullying. Tem que ser evitado durante a preparação do trote”, ressalta.

O último caso no Brasil que foi além a brincadeira aconteceu em uma universidade de Barretos, em São Paulo. Veteranos receberam sete calouros com jatos de um desinfetante industrial altamente corrosivo. Os setes estudantes sofreram queimaduras de primeiro grau. O caso foi arquivado pelo Ministério Público de São Paulo após um mês.

Nessas situações, a psicóloga Valkiria Bocchetti aponta que os calouros podem se sentir desestimulados a continuar na instituição, podendo desistir da vida acadêmica. “O trote pode ter um viés muito de zona de poder. Quando passa do limite do saudável, ele vai ter implicação emocional e psicológica”, explica. Segundo ela, também podem ser desenvolvidos quadros de ansiedade.

Alguns estados possuem leis que proíbem a prática, enquanto há outras universidades que as proíbe em seus campus. Leis de abrangência nacional também podem ser aplicadas contra os excessos.

Ouça a reportagem de Ítalo Alcântara, da Tribuna BandNews FM: