Aluno hostilizado na UFC em 2016 por vestir blusa de Bolsonaro deixou faculdade por "falta de clima"

O QUE MUDOU EM 2 ANOS

Aluno hostilizado na UFC em 2016 por vestir blusa de Bolsonaro deixou faculdade por “falta de clima”

Na época, o policial abandonou o curso de Letras, após coação de alunos de esquerda. Hoje, sente-se mais à vontade para defender Bolsonaro

Por Tribuna do Ceará em Eleições 2018

23 de outubro de 2018 às 07:02

Há 9 meses
jorge-comite-fb

Jorge Fontenelle é apoiador de Bolsonaro e esteve presente na inauguração de comitê em Fortaleza. (FOTO: Reprodução/Facebook)

Hostilizado por colegas na Universidade Federal do Ceará (UFC) por usar uma camisa em apoio a Jair Bolsonaro (PSL), em 2016, o policial civil Jorge Fontenelle ficou marcado por um episódio que ganhou repercussão Brasil afora. Em entrevista ao Tribuna do Ceará, ele diz que não se sentiu mais à vontade no curso de Letras e abandonou a faculdade no semestre seguinte, mas hoje se vê mais seguro para defender suas bandeiras políticas de direita.

O ex-aluno conta que, na época, perdeu o semestre por falta de condições para a convivência no ambiente acadêmico. E isso continuou no semestre seguinte. “Estava impossível frequentar as aulas, porque as pessoas saíam da sala, ficavam falando mal de mim e do Bolsonaro”, relembra o policial.

+ LEIA MAIS > 

Comunidade acadêmica vive clima de tensão na UFC graças ao acirramento político nas eleições

Professor da UFC se diz traumatizado após agressão de jovem com camisa de Bolsonaro

Com as faltas, Jorge acabou perdendo o vínculo com a instituição. No momento, ele tenta reaver a matrícula por meios jurídicos.

“Ainda me sinto perseguido, porque lá (na UFC) tem muito aluno que ou é filiado ou é simpatizante de partidos como Psol, PT, PCdoB, e eles têm ódio visceral ao Bolsonaro. Como fui à faculdade com a camisa do Bolsonaro, herdei esse ódio”, avalia Jorge. 

O curso de Letras fica localizado no Campus do Benfica, região identificada com grupos de esquerda e movimentos sociais. Jorge relembra que, durante algum tempo, mesmo depois de deixar a faculdade, ainda se sentia desconfortável quando circulava nas proximidades da UFC.

“Mesmo sendo policial e andando armado, eu tinha medo de andar em alguns lugares no Benfica. Quando ocorreu o fato na faculdade, fui ameaçado de morte e, pelo Facebook, eu era acusado de todo tipo de coisa”, relata.

E agora em 2018?

Sobre a polarização política nas eleições de 2018, Jorge diz que, antes mesmo do atual momento, nunca deixou de defender sua posição política. No entanto, ele reconhece que agora há outro cenário para se posicionar em favor de Bolsonaro, diante da existência de grande quantidade de eleitores do candidato do PSL.

Jorge Fontenelle aluno UFC

Jorge Fontenelle foi candidato a deputado federal nas eleições de 2018. (FOTO: Reprodução/Facebook)

“Sempre defendi minhas ideias. Não sei se me sinto mais à vontade. Eles não tentam mais me calar. Hoje as pessoas que pensam como eu lá dentro (na UFC) se sentem mais à vontade de virem conversar comigo. Há grupos lá que fazem questão de esfregar na minha cara a camisa do PT ou do Haddad. Eles vêm pro meu lado tentando fazer com que eu faça algo, para eles saírem dizendo que mais um eleitor do Bolsonaro fez isso ou aquilo. Mas sou indiferente”, conta Jorge.

O policial concorreu a uma vaga a deputado federal nestas eleições de 2018 pelo PSL, mesmo partido de Bolsonaro. Ele diz que abriu mão da verba de campanha e do tempo de TV. Ao todo, recebeu 8.419 votos em 181 dos 184 municípios do Ceará, o que não foi suficiente para a eleição.

Na última pesquisa divulgada, Jair Bolsonaro (PSL) lidera a intenção de votos com 59% contra 41 de Fernando Haddad (PT), segundo o Ibope. O segundo turno da eleição para presidente será realizado no próximo dia 28 de outubro. Jorge estará lá com sua camisa.

Por meio de nota, a assessoria da UFC informou que, na época, a instituição “se manifestou oficialmente pela instauração do bom senso, convivência pacífica e democracia.” Também informou que “foram abertas, ainda, duas sindicâncias para apurar o ocorrido, que tramitaram regularmente, com todos os procedimentos legais cumpridos. Ambas foram arquivadas por falta de provas. Não consta na UFC nenhuma formalização posterior, por parte do aluno, de suposto ‘mau tratamento’ no ambiente acadêmico”.

Confira a nota completa da UFC, lançada em 2016, época do ocorrido.

Publicidade

Dê sua opinião

O QUE MUDOU EM 2 ANOS

Aluno hostilizado na UFC em 2016 por vestir blusa de Bolsonaro deixou faculdade por “falta de clima”

Na época, o policial abandonou o curso de Letras, após coação de alunos de esquerda. Hoje, sente-se mais à vontade para defender Bolsonaro

Por Tribuna do Ceará em Eleições 2018

23 de outubro de 2018 às 07:02

Há 9 meses
jorge-comite-fb

Jorge Fontenelle é apoiador de Bolsonaro e esteve presente na inauguração de comitê em Fortaleza. (FOTO: Reprodução/Facebook)

Hostilizado por colegas na Universidade Federal do Ceará (UFC) por usar uma camisa em apoio a Jair Bolsonaro (PSL), em 2016, o policial civil Jorge Fontenelle ficou marcado por um episódio que ganhou repercussão Brasil afora. Em entrevista ao Tribuna do Ceará, ele diz que não se sentiu mais à vontade no curso de Letras e abandonou a faculdade no semestre seguinte, mas hoje se vê mais seguro para defender suas bandeiras políticas de direita.

O ex-aluno conta que, na época, perdeu o semestre por falta de condições para a convivência no ambiente acadêmico. E isso continuou no semestre seguinte. “Estava impossível frequentar as aulas, porque as pessoas saíam da sala, ficavam falando mal de mim e do Bolsonaro”, relembra o policial.

+ LEIA MAIS > 

Comunidade acadêmica vive clima de tensão na UFC graças ao acirramento político nas eleições

Professor da UFC se diz traumatizado após agressão de jovem com camisa de Bolsonaro

Com as faltas, Jorge acabou perdendo o vínculo com a instituição. No momento, ele tenta reaver a matrícula por meios jurídicos.

“Ainda me sinto perseguido, porque lá (na UFC) tem muito aluno que ou é filiado ou é simpatizante de partidos como Psol, PT, PCdoB, e eles têm ódio visceral ao Bolsonaro. Como fui à faculdade com a camisa do Bolsonaro, herdei esse ódio”, avalia Jorge. 

O curso de Letras fica localizado no Campus do Benfica, região identificada com grupos de esquerda e movimentos sociais. Jorge relembra que, durante algum tempo, mesmo depois de deixar a faculdade, ainda se sentia desconfortável quando circulava nas proximidades da UFC.

“Mesmo sendo policial e andando armado, eu tinha medo de andar em alguns lugares no Benfica. Quando ocorreu o fato na faculdade, fui ameaçado de morte e, pelo Facebook, eu era acusado de todo tipo de coisa”, relata.

E agora em 2018?

Sobre a polarização política nas eleições de 2018, Jorge diz que, antes mesmo do atual momento, nunca deixou de defender sua posição política. No entanto, ele reconhece que agora há outro cenário para se posicionar em favor de Bolsonaro, diante da existência de grande quantidade de eleitores do candidato do PSL.

Jorge Fontenelle aluno UFC

Jorge Fontenelle foi candidato a deputado federal nas eleições de 2018. (FOTO: Reprodução/Facebook)

“Sempre defendi minhas ideias. Não sei se me sinto mais à vontade. Eles não tentam mais me calar. Hoje as pessoas que pensam como eu lá dentro (na UFC) se sentem mais à vontade de virem conversar comigo. Há grupos lá que fazem questão de esfregar na minha cara a camisa do PT ou do Haddad. Eles vêm pro meu lado tentando fazer com que eu faça algo, para eles saírem dizendo que mais um eleitor do Bolsonaro fez isso ou aquilo. Mas sou indiferente”, conta Jorge.

O policial concorreu a uma vaga a deputado federal nestas eleições de 2018 pelo PSL, mesmo partido de Bolsonaro. Ele diz que abriu mão da verba de campanha e do tempo de TV. Ao todo, recebeu 8.419 votos em 181 dos 184 municípios do Ceará, o que não foi suficiente para a eleição.

Na última pesquisa divulgada, Jair Bolsonaro (PSL) lidera a intenção de votos com 59% contra 41 de Fernando Haddad (PT), segundo o Ibope. O segundo turno da eleição para presidente será realizado no próximo dia 28 de outubro. Jorge estará lá com sua camisa.

Por meio de nota, a assessoria da UFC informou que, na época, a instituição “se manifestou oficialmente pela instauração do bom senso, convivência pacífica e democracia.” Também informou que “foram abertas, ainda, duas sindicâncias para apurar o ocorrido, que tramitaram regularmente, com todos os procedimentos legais cumpridos. Ambas foram arquivadas por falta de provas. Não consta na UFC nenhuma formalização posterior, por parte do aluno, de suposto ‘mau tratamento’ no ambiente acadêmico”.

Confira a nota completa da UFC, lançada em 2016, época do ocorrido.