Após impasse, deficiente consegue lugar exclusivo para assistir ao show do Guns N' Roses em Fortaleza


Após denúncia, deficiente consegue lugar exclusivo para assistir ao show do Guns N’ Roses em Fortaleza

Wilker é fã da banda desde os 10 anos e essa é a 1ª vez que irá a um show internacional

Por Rosana Romão em Fortaleza

17 de março de 2014 às 11:27

Há 5 anos

Ir ao show de uma de suas bandas preferidas é o desejo de qualquer fã. Curtir de pertinho as músicas que você sempre ouviu, sem dúvidas, é muito prazeroso. Porém, existem alguns obstáculos até alcançar esse objetivo. Wilker Girão, de 26 anos, nasceu com distrofia muscular e chegou a virar a noite para comprar um ingresso do 1º lote para o show da banda americana Guns N’ Roses, em Fortaleza. Teve de pagar o valor único cobrado, de R$ 250, e também terá de ir sozinho, pois o valor do ingresso é acima do que os seus amigos – que o acompanhariam – esperavam. Como não tem força para se locomover com a cadeira, Wilker precisa de um acompanhante que o ajude.

Francisco Wilker Girão (26) nasceu com distrofia muscular e deseja assistir o show da banda Guns N' Roses com segurança. (FOTO: Arquivo pessoal)

Francisco Wilker Girão (26) nasceu com distrofia muscular e deseja assistir o show da banda Guns N’ Roses com segurança. (FOTO: Arquivo pessoal)

“Desde os 10 anos que eu escuto Guns N’ Roses e essa será a primeira vez que irei a um show internacional. Só queria que tivesse um local para garantir a minha segurança. E como irei sozinho, gostaria que a produção do evento disponibilizasse um segurança para me levar até perto do palco”, explica.

Apesar da lei 12.933/2013  regulamentar o benefício do pagamento de meia-entrada para estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes em espetáculo artísticos-culturais e esportivos, Wilker não conseguiu comprar a meia-entrada para o evento. Teve de pagar o valor único cobrado no site, de R$ 250.

A lei também assegura o direito à meia-entrada para acompanhantes de portadores de necessidade especial: “Também farão jus ao benefício da meia-entrada as pessoas com deficiência, inclusive seu acompanhante quando necessário, sendo que este terá idêntico benefício no evento em que comprove estar nesta condição, na forma do regulamento.”

Essa não é a primeira vez que Wilker enfrenta dificuldades em shows. Em novembro de 2013, o jovem foi ao show da banda O Rappa em uma casa de show de Fortaleza e teve que ficar junto com todo o público na pista. Incomodado com o desconforto do jovem, o vocalista da banda, Marcelo Falcão, parou o show e pediu que a produção do evento levasse Wilker para um lugar mais adequado e que garantisse a sua segurança. Mas quando percebeu que não havia esse lugar, convidou o fã para fica no palco junto com a banda.

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Depois de comprar o ingresso para a apresentação da banda americana, Wilker entrou em contato com as produtoras do evento para saber se assim como nas outras cidades em que a banda irá se apresentar, haverá um espaço reservado para pessoas com deficiência. Ao contactar a Arte e Produções recebeu a resposta de que a empresa é responsável apenas pela montagem da estrutura e iluminação do evento e que não poderia ajudá-lo. Já quando falou com a Social Music, recebeu a informação de que a empresa não poderia fazer nada por ele, de modo irônico, afirma. “Eu só comprei porque vi que nas outras cidades havia um espaço destinado a pessoas com deficiência.”, desabafa.

Luta por direitos

Chateado com essa situação, ele procurou um amigo que o aconselhou a ir até a Câmara dos Vereadores para conseguir ajuda. Ao chegar no órgão, foi recebido pelo vereador Capitão Wagner (PR), que ficou impressionado pela forma que Wilker foi tratado.

“A gente fica muito triste pois, ao mesmo tempo em que as políticas públicas tem se fortalecido para proteger os portadores de necessidades especiais, esse evento de grande porte não dá a devida a atenção a esse jovem”, lamentou. Depois, o vereador encaminhou a solicitação de Wilker à Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Ceará (OAB-CE).

Procuradas pelo Tribuna do Ceará, as produtoras do evento, Arte e Produções, Luan Produções e Social Music, não nos deram resposta. Então conversamos com a presidente da Comissão dos Portadores de Necessidades Especiais, Liduína Carneiro, para verificar como está a situação de Wilker. A advogada relatou que emitiu uma nota e enviou às três produtoras do mas também não obteve resposta. Na terça-feira (18) a presidente se reunirá com a Comissão de Direitos do Consumidor para somar forças e cobrar uma solução por parte das produtoras.

Após novo contato, as produtoras enviaram uma nota de esclarecimento:

As produtoras Social Music, Arte Produções e Luan Produções, responsáveis pelo evento Guns N’ Roses em Fortaleza, a ser realizado no dia 17 de abril de 2014, vem a público esclarecer que evento está observando e respeitando todos os padrões nacionais e internacionais de acessibilidade e direitos do consumidor, como tem ocorrido em todos os demais realizações em conjunto ou isolado pelas organizadoras do show nesta capital cearense.

O espetáculo acontece no Centro de Eventos do Ceará, local dotado da mais ampla estrutura de acesso as pessoas de quaisquer tipos de necessidades especiais, tais como rampas, elevadores, portas corrediças entre outros dispositivos e estruturas para garantir o absoluto acesso.

Desde o principio foram disponibilizados nos pontos vendas físicos e virtual ingressos para PNE (Pessoas com Necessidades Especiais), inclusive com garantia de acesso a um acompanhante devidamente identificado como tal.

Reafirmamos que, durante o evento um espaço reservado será disponibilizado na frente do palco para os que de fato necessitam de cuidados especiais possam aproveitar ao máximo o grande show dos Guns N’ Roses em Fortaleza.

Em seguida o advogado da Social Music ligou para Wilker informando que desde a venda dos ingressos a empresa já garantia os direitos dos deficientes e que tanto ele como o seu acompanhante pagariam apenas a meia-entrada. “Eu o questionei e informei que essa não foi a informação que recebi. Apesar de ter sido o erro de uma pessoa, a empresa falhou em não informar os seus funcionários corretamente. Esse problema poderia ter sido evitado desde o início.”, finaliza.

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Após denúncia, deficiente consegue lugar exclusivo para assistir ao show do Guns N’ Roses em Fortaleza

Wilker é fã da banda desde os 10 anos e essa é a 1ª vez que irá a um show internacional

Por Rosana Romão em Fortaleza

17 de março de 2014 às 11:27

Há 5 anos

Ir ao show de uma de suas bandas preferidas é o desejo de qualquer fã. Curtir de pertinho as músicas que você sempre ouviu, sem dúvidas, é muito prazeroso. Porém, existem alguns obstáculos até alcançar esse objetivo. Wilker Girão, de 26 anos, nasceu com distrofia muscular e chegou a virar a noite para comprar um ingresso do 1º lote para o show da banda americana Guns N’ Roses, em Fortaleza. Teve de pagar o valor único cobrado, de R$ 250, e também terá de ir sozinho, pois o valor do ingresso é acima do que os seus amigos – que o acompanhariam – esperavam. Como não tem força para se locomover com a cadeira, Wilker precisa de um acompanhante que o ajude.

Francisco Wilker Girão (26) nasceu com distrofia muscular e deseja assistir o show da banda Guns N' Roses com segurança. (FOTO: Arquivo pessoal)

Francisco Wilker Girão (26) nasceu com distrofia muscular e deseja assistir o show da banda Guns N’ Roses com segurança. (FOTO: Arquivo pessoal)

“Desde os 10 anos que eu escuto Guns N’ Roses e essa será a primeira vez que irei a um show internacional. Só queria que tivesse um local para garantir a minha segurança. E como irei sozinho, gostaria que a produção do evento disponibilizasse um segurança para me levar até perto do palco”, explica.

Apesar da lei 12.933/2013  regulamentar o benefício do pagamento de meia-entrada para estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes em espetáculo artísticos-culturais e esportivos, Wilker não conseguiu comprar a meia-entrada para o evento. Teve de pagar o valor único cobrado no site, de R$ 250.

A lei também assegura o direito à meia-entrada para acompanhantes de portadores de necessidade especial: “Também farão jus ao benefício da meia-entrada as pessoas com deficiência, inclusive seu acompanhante quando necessário, sendo que este terá idêntico benefício no evento em que comprove estar nesta condição, na forma do regulamento.”

Essa não é a primeira vez que Wilker enfrenta dificuldades em shows. Em novembro de 2013, o jovem foi ao show da banda O Rappa em uma casa de show de Fortaleza e teve que ficar junto com todo o público na pista. Incomodado com o desconforto do jovem, o vocalista da banda, Marcelo Falcão, parou o show e pediu que a produção do evento levasse Wilker para um lugar mais adequado e que garantisse a sua segurança. Mas quando percebeu que não havia esse lugar, convidou o fã para fica no palco junto com a banda.

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Depois de comprar o ingresso para a apresentação da banda americana, Wilker entrou em contato com as produtoras do evento para saber se assim como nas outras cidades em que a banda irá se apresentar, haverá um espaço reservado para pessoas com deficiência. Ao contactar a Arte e Produções recebeu a resposta de que a empresa é responsável apenas pela montagem da estrutura e iluminação do evento e que não poderia ajudá-lo. Já quando falou com a Social Music, recebeu a informação de que a empresa não poderia fazer nada por ele, de modo irônico, afirma. “Eu só comprei porque vi que nas outras cidades havia um espaço destinado a pessoas com deficiência.”, desabafa.

Luta por direitos

Chateado com essa situação, ele procurou um amigo que o aconselhou a ir até a Câmara dos Vereadores para conseguir ajuda. Ao chegar no órgão, foi recebido pelo vereador Capitão Wagner (PR), que ficou impressionado pela forma que Wilker foi tratado.

“A gente fica muito triste pois, ao mesmo tempo em que as políticas públicas tem se fortalecido para proteger os portadores de necessidades especiais, esse evento de grande porte não dá a devida a atenção a esse jovem”, lamentou. Depois, o vereador encaminhou a solicitação de Wilker à Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Ceará (OAB-CE).

Procuradas pelo Tribuna do Ceará, as produtoras do evento, Arte e Produções, Luan Produções e Social Music, não nos deram resposta. Então conversamos com a presidente da Comissão dos Portadores de Necessidades Especiais, Liduína Carneiro, para verificar como está a situação de Wilker. A advogada relatou que emitiu uma nota e enviou às três produtoras do mas também não obteve resposta. Na terça-feira (18) a presidente se reunirá com a Comissão de Direitos do Consumidor para somar forças e cobrar uma solução por parte das produtoras.

Após novo contato, as produtoras enviaram uma nota de esclarecimento:

As produtoras Social Music, Arte Produções e Luan Produções, responsáveis pelo evento Guns N’ Roses em Fortaleza, a ser realizado no dia 17 de abril de 2014, vem a público esclarecer que evento está observando e respeitando todos os padrões nacionais e internacionais de acessibilidade e direitos do consumidor, como tem ocorrido em todos os demais realizações em conjunto ou isolado pelas organizadoras do show nesta capital cearense.

O espetáculo acontece no Centro de Eventos do Ceará, local dotado da mais ampla estrutura de acesso as pessoas de quaisquer tipos de necessidades especiais, tais como rampas, elevadores, portas corrediças entre outros dispositivos e estruturas para garantir o absoluto acesso.

Desde o principio foram disponibilizados nos pontos vendas físicos e virtual ingressos para PNE (Pessoas com Necessidades Especiais), inclusive com garantia de acesso a um acompanhante devidamente identificado como tal.

Reafirmamos que, durante o evento um espaço reservado será disponibilizado na frente do palco para os que de fato necessitam de cuidados especiais possam aproveitar ao máximo o grande show dos Guns N’ Roses em Fortaleza.

Em seguida o advogado da Social Music ligou para Wilker informando que desde a venda dos ingressos a empresa já garantia os direitos dos deficientes e que tanto ele como o seu acompanhante pagariam apenas a meia-entrada. “Eu o questionei e informei que essa não foi a informação que recebi. Apesar de ter sido o erro de uma pessoa, a empresa falhou em não informar os seus funcionários corretamente. Esse problema poderia ter sido evitado desde o início.”, finaliza.