Fortaleza implantará escola bilíngue para surdos


Fortaleza implantará escola bilíngue para surdos

A unidade funcionará em tempo integral a partir de março deste ano

Por Rosana Romão em Fortaleza

13 de janeiro de 2014 às 17:00

Há 6 anos
Nilton Câmara, intérprete de Libras desde 1998. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Nilton Câmara é intérprete de Libras desde 1998. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Nilton Câmara avistou um grupo de surdos em uma igreja  e a partir daquele momento descobriu seu verdadeiro chamado e missão na terra: levar a alegria, a esperança e o amor através da educação  aqueles que não ouvem, ou seja, os surdos. “Foi amor à primeira vista”, declara.

No início, tudo era muito amador, fazia apenas por hobby, mas com o passar do tempo, o hobby foi tomando maiores proporções e hoje já são 15 anos de trabalho como Intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A preocupação de Nilton pelos surdos não é tão comum como deveria ser. Mesmo com leis que garantem seus direitos, os surdos ainda enfrentam dificuldades: não participam de vários tipos de atividades (sociais, educacionais, culturais e políticas); não conseguem avançar em termos educacionais; ficam desmotivados a participarem de encontros, reuniões; não têm acesso às discussões e informações veiculadas na língua falada sendo excluídos da interação social, cultural e política sem direito ao exercício de sua cidadania.

Com o objetivo de mudar essa situação, a Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), implantará a primeira escola municipal bilíngue para surdos na Capital. A Escola Municipal de Educação Bilíngue Francisco Suderlan Bastos Mota ofertará ensino em tempo integral para, aproximadamente, 200 alunos nas etapas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Ainda em processo de discussão e implantação, a escola só começará a funcionar a partir de março deste ano.

Durante o encontro, foram apresentados prédios para o funcionamento da unidade educacional. (FOTO: Prefeitura de Fortaleza)

Durante o encontro, foram apresentados prédios para o funcionamento da unidade educacional. (FOTO: Prefeitura de Fortaleza)

O secretário de Educação Ivo Gomes e membros da equipe de Educação Especial da SME receberam, na última terça-feira (7), representantes da comunidade surda para discutir os detalhes de como será a implantação da escola. Durante o encontro, foram apresentados prédios para o funcionamento da unidade educacional (a ser definido em breve). Além disso, foi criado um grupo de trabalho com técnicos da SME e representantes da comunidade surda.

De acordo com o art.4º da Lei 10.436 de 24 de abril de 2002, o sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Libras como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs.

> LEIA MAIS

A instituição irá basear-se numa proposta em que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) se constitui como primeira língua, e a Língua Portuguesa – em sua modalidade escrita – como segunda. Com isso, os alunos aprenderão a ler, escrever e contar na idade certa. Irão aprender a língua de sinais na mesma faixa etária em que as crianças ouvintes aprendem Português.

Atualmente, parte dos alunos surdos está matriculada nas escolas regulares da rede, mas, na escola bilíngue, eles terão acesso a todo o conteúdo em Libras e isso vai possibilitar um melhor desempenho na aprendizagem.

Avaliação

De acordo com o professor Wilton Cavalcante, uma experiência educacional que conjugue essas contribuições – da língua materna desses estudantes (a Língua Brasileira de Sinais) e da Língua Portuguesa eleva o conhecimento da primeira língua e possibilita o acesso a uma segunda língua que não necessariamente já faz parte dos estudos desses alunos.

“Minha própria experiência educacional em nível superior me mostra isso: tenho o português como primeira língua, aprendi noções básicas de Libras no Curso de Letras, da UFC, e isso me permitiu interagir e compreender algumas sinais e frases da língua.”, declara.

Para o intérprete de Libras, Nilton Câmara, apesar dos avanços tecnológicos, científicos e das formulações legais já regulamentadas, ainda existe um grande abismo entre o que determina a lei e o que efetivamente acontece:

“A maior barreira à obtenção da cidadania e da melhoria da qualidade de vida dessas pessoas não consiste apenas em suas limitações físicas, mas também nas limitações que lhes são impostas pela sociedade por desconhecer suas reais potencialidades e seus direitos.”, conclui.

Língua

Nilton Câmara, intérprete de Libras desde 1998.(FOTO: Arquivo Pessoal)

Nilton Câmara, interpreta a Língua há 15 anos (FOTO: Arquivo Pessoal)

A Língua Brasileira de Sinais é uma língua natural como qualquer outra, com estruturas sintáticas, semânticas e morfológicas. Tem sua origem na Língua de Sinais Francesa, mas isso não quer dizer que elas sejam iguais, até porque não existe língua de sinais universal. Cada uma tem suas particularidades de acordo com as influências da cultura nacional e o regionalismo fornece uma diferença de expressões de região para região.

Os sinais são formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), os parâmetros que formam a Língua Brasileira de Sinais são:

Configuração das mãos: são formas das mãos que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros ou esquerda para os canhotos) ou pelas duas mãos.

Alfabeto dos surdos

Alfabeto dos surdos

Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão predominante configurada, ou seja, local onde é feito o sinal, podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro.
Movimento: os sinais podem ter um movimento ou não.
Expressão facial e/ou corporal: as expressões faciais/corporais são de fundamental importância para o entendimento real do sinal, sendo que a entonação em Língua de Sinais é feita pela expressão facial.
Orientação/Direção: os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros acima.

Serviço:
Nilton Câmara (Intérprete de Libras) –  Fanpage

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Fortaleza implantará escola bilíngue para surdos

A unidade funcionará em tempo integral a partir de março deste ano

Por Rosana Romão em Fortaleza

13 de janeiro de 2014 às 17:00

Há 6 anos
Nilton Câmara, intérprete de Libras desde 1998. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Nilton Câmara é intérprete de Libras desde 1998. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Nilton Câmara avistou um grupo de surdos em uma igreja  e a partir daquele momento descobriu seu verdadeiro chamado e missão na terra: levar a alegria, a esperança e o amor através da educação  aqueles que não ouvem, ou seja, os surdos. “Foi amor à primeira vista”, declara.

No início, tudo era muito amador, fazia apenas por hobby, mas com o passar do tempo, o hobby foi tomando maiores proporções e hoje já são 15 anos de trabalho como Intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A preocupação de Nilton pelos surdos não é tão comum como deveria ser. Mesmo com leis que garantem seus direitos, os surdos ainda enfrentam dificuldades: não participam de vários tipos de atividades (sociais, educacionais, culturais e políticas); não conseguem avançar em termos educacionais; ficam desmotivados a participarem de encontros, reuniões; não têm acesso às discussões e informações veiculadas na língua falada sendo excluídos da interação social, cultural e política sem direito ao exercício de sua cidadania.

Com o objetivo de mudar essa situação, a Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), implantará a primeira escola municipal bilíngue para surdos na Capital. A Escola Municipal de Educação Bilíngue Francisco Suderlan Bastos Mota ofertará ensino em tempo integral para, aproximadamente, 200 alunos nas etapas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Ainda em processo de discussão e implantação, a escola só começará a funcionar a partir de março deste ano.

Durante o encontro, foram apresentados prédios para o funcionamento da unidade educacional. (FOTO: Prefeitura de Fortaleza)

Durante o encontro, foram apresentados prédios para o funcionamento da unidade educacional. (FOTO: Prefeitura de Fortaleza)

O secretário de Educação Ivo Gomes e membros da equipe de Educação Especial da SME receberam, na última terça-feira (7), representantes da comunidade surda para discutir os detalhes de como será a implantação da escola. Durante o encontro, foram apresentados prédios para o funcionamento da unidade educacional (a ser definido em breve). Além disso, foi criado um grupo de trabalho com técnicos da SME e representantes da comunidade surda.

De acordo com o art.4º da Lei 10.436 de 24 de abril de 2002, o sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Libras como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs.

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A instituição irá basear-se numa proposta em que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) se constitui como primeira língua, e a Língua Portuguesa – em sua modalidade escrita – como segunda. Com isso, os alunos aprenderão a ler, escrever e contar na idade certa. Irão aprender a língua de sinais na mesma faixa etária em que as crianças ouvintes aprendem Português.

Atualmente, parte dos alunos surdos está matriculada nas escolas regulares da rede, mas, na escola bilíngue, eles terão acesso a todo o conteúdo em Libras e isso vai possibilitar um melhor desempenho na aprendizagem.

Avaliação

De acordo com o professor Wilton Cavalcante, uma experiência educacional que conjugue essas contribuições – da língua materna desses estudantes (a Língua Brasileira de Sinais) e da Língua Portuguesa eleva o conhecimento da primeira língua e possibilita o acesso a uma segunda língua que não necessariamente já faz parte dos estudos desses alunos.

“Minha própria experiência educacional em nível superior me mostra isso: tenho o português como primeira língua, aprendi noções básicas de Libras no Curso de Letras, da UFC, e isso me permitiu interagir e compreender algumas sinais e frases da língua.”, declara.

Para o intérprete de Libras, Nilton Câmara, apesar dos avanços tecnológicos, científicos e das formulações legais já regulamentadas, ainda existe um grande abismo entre o que determina a lei e o que efetivamente acontece:

“A maior barreira à obtenção da cidadania e da melhoria da qualidade de vida dessas pessoas não consiste apenas em suas limitações físicas, mas também nas limitações que lhes são impostas pela sociedade por desconhecer suas reais potencialidades e seus direitos.”, conclui.

Língua

Nilton Câmara, intérprete de Libras desde 1998.(FOTO: Arquivo Pessoal)

Nilton Câmara, interpreta a Língua há 15 anos (FOTO: Arquivo Pessoal)

A Língua Brasileira de Sinais é uma língua natural como qualquer outra, com estruturas sintáticas, semânticas e morfológicas. Tem sua origem na Língua de Sinais Francesa, mas isso não quer dizer que elas sejam iguais, até porque não existe língua de sinais universal. Cada uma tem suas particularidades de acordo com as influências da cultura nacional e o regionalismo fornece uma diferença de expressões de região para região.

Os sinais são formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), os parâmetros que formam a Língua Brasileira de Sinais são:

Configuração das mãos: são formas das mãos que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros ou esquerda para os canhotos) ou pelas duas mãos.

Alfabeto dos surdos

Alfabeto dos surdos

Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão predominante configurada, ou seja, local onde é feito o sinal, podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro.
Movimento: os sinais podem ter um movimento ou não.
Expressão facial e/ou corporal: as expressões faciais/corporais são de fundamental importância para o entendimento real do sinal, sendo que a entonação em Língua de Sinais é feita pela expressão facial.
Orientação/Direção: os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros acima.

Serviço:
Nilton Câmara (Intérprete de Libras) –  Fanpage