Seis ruas de Fortaleza são exclusivas para pedestres há meio século


Seis ruas de Fortaleza são exclusivas para pedestres há mais de meio século

Num tempo em que carros e pedestres vivem em pé de guerra, saiba que seis vias do Centro de Fortaleza não têm trânsito de veículos desde a década de 1950

Por Roberta Tavares em Fortaleza

14 de fevereiro de 2014 às 08:00

Há 6 anos

Elas trocaram os congestionamentos, impaciência, estresse e tempo desperdiçado dentro de um veículo, para dar lugar – exclusivamente – à circulação de pessoas. Seis ruas do Centro de Fortaleza abandonaram o tráfego de automóveis, ônibus e bondes na década de 1950: Guilherme Rocha (até a Praça da Lagoinha), Liberato Barroso, Pedro Borges, General Bezerril (apenas um trecho) e Rua do Rosário. Hoje, mais de meio século depois, ainda priorizam os pedestres.

Rua Liberato Barroso em 2014 (FOTO: Roberta Tavares)

Rua Liberato Barroso em 2014 (FOTO: Roberta Tavares)

Lá, não se ouvem buzinas e nem se veem filas de carros, apenas centenas de pessoas à procura de mercadorias ou apenas com vontade de passear. Pedestres e comerciantes compartilham da mesma opinião quanto à inexistência de tráfego de carros no local.

Lucas Teixeira não havia nem nascido na época em que a rua Liberato Barroso tinha circulação de veículos liberada. Aos 23 anos, o proprietário de comércio de tecidos e aviamentos conta que a movimentação de pedestres na via é positiva. “É melhor para o meu comércio por causa da movimentação, já que muita gente passeia por aqui, sem compromisso, então tem mais tempo para escolher o que comprar”, diz.

Ao lado, a vendedora Ivanísia da Silva, de 46 anos, completa que “nem se quisessem” a rua Liberato Barroso teria condições de se adaptar para ter, novamente, tráfego de veículos. “Não teria condições, porque acabou ficando muito estreita”, explica.

Ubirajar concorda que o fechamento das ruas facilitou o trabalho dos vendedores (FOTO: Roberta Tavares)

Ubirajar concorda que o fechamento das ruas facilitou o trabalho dos vendedores (FOTO: Roberta Tavares)

O vendedor de relógios e óculos Ubirajar Costa, de 44 anos, também concorda que o fechamento da rua para pedestres ajudou bastante os comerciantes. “Mas acho que para os usuários seria melhor ter circulação de carros, porque para pegar ônibus tem que andar tanto”, lembra.

Competindo com ambulantes e buracos

Na medida em que passam as horas, o trânsito de fortalezenses nas ruas aumenta e dá lugar à confusão e gritaria, típicas do Centro. Maria do Carmo Santiago, de 74 anos, gosta de passear, principalmente nas ruas exclusivas para pedestres. Ela aponta, no entanto, o descaso da Prefeitura de Fortaleza em melhorar as calçadas, afirmando que um dia chegou a cair em razão de um buraco.

Maria do Carmo costuma andar pelas ruas do Centro, mas admite que os buracos prejudicam (FOTO: Roberta Tavares)

Maria do Carmo costuma andar pelas ruas do Centro, mas admite que os buracos prejudicam (FOTO: Roberta Tavares)

“A rua está cheia de buraco, era preciso melhoria para que se tornasse, de verdade, apenas para pedestres. Encheram a rua de vendedor ambulante, aí você leva cotovelada, grito”, reclama, acrescentando que a insegurança no Centro a fez evitar realizar os passeios. “Eu vinha quase todo dia, mas estou deixando de vir”.

Vendedores nascidos na década de 1990 dizem, inclusive, que as ruas são históricas e, por isso, precisam ser planejadas. Como é o caso de Pedro Gregório, de 24 anos, vendedor de lanches na rua Guilherme Rocha. “Muitos turistas param aqui, a pé, e ficam olhando para os prédios históricos. Isso já mostra o quanto essa alteração de tráfego foi positiva. Dá mais tempo para admirar”.

> LEIA MAIS

Histórias

As ruas realmente têm história, com mudanças de nomes e de tráfego. “Antes passavam carros, ônibus e bondes. Agora não tem mais nada disso”, relembra o memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, conhecido como Nirez.

Veja as imagens das ruas em 1950 e em 2014:

Rua Guilherme Rocha na década de 1950
1/11

Rua Guilherme Rocha na década de 1950

Antes, a rua era liberada para tráfego de bonde e de pedestres

Rua Guilherme Rocha na década de 1950
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Rua Guilherme Rocha na década de 1950

Antes, a rua era liberada para tráfego de carros e de pedestres

Rua Guilherme Rocha na década de 1950
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Rua Guilherme Rocha na década de 1950

Antes, a rua era liberada para tráfego de carros e de pedestres

Rua Guilherme Rocha em 2014
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Rua Guilherme Rocha em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Em Fortaleza, a primeira rua em que foi proibida a passagem de carros foi a Guilherme Rocha, durante a gestão do prefeito Acrísio Moreira da Rocha. Ela já se chamou Travessa Municipal, rua Municipal, rua Nº 9, rua 24 de Janeiro e rua Coronel Guilherme Rocha. Tentaram ainda, intitulá-la rua do Ouvidor, primeira via brasileira fechada para circulação de carro, no Rio de Janeiro.

“Houve uma tentativa, inclusive, de mudar o nome da Guilherme Rocha para Ouvidor, mas não deu certo. Sempre é assim, faz uma coisa em uma cidade grande e querem sempre copiar”.

O memorialista também acredita que a falta de circulação de carros é interessante para pedestres, apesar de competirem com carros de som dos vendedores ambulantes. “Elas têm grande movimento de pessoas, mas também de ambulantes e comerciantes. São repletas de buracos, água e sujeira. Isso ainda acontece porque não existe fiscalização”.

Mais ruas fechadas

Copiando o modelo das seis ruas do Centro da cidade, a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) propõe que outras vias do Centro sejam fechadas e apropriadas somente para a movimentação de pedestres e de transporte coletivo. Os nomes das vias que podem ser destinadas apenas para pedestres ainda não foram definidos pela AMC.

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Seis ruas de Fortaleza são exclusivas para pedestres há mais de meio século

Num tempo em que carros e pedestres vivem em pé de guerra, saiba que seis vias do Centro de Fortaleza não têm trânsito de veículos desde a década de 1950

Por Roberta Tavares em Fortaleza

14 de fevereiro de 2014 às 08:00

Há 6 anos

Elas trocaram os congestionamentos, impaciência, estresse e tempo desperdiçado dentro de um veículo, para dar lugar – exclusivamente – à circulação de pessoas. Seis ruas do Centro de Fortaleza abandonaram o tráfego de automóveis, ônibus e bondes na década de 1950: Guilherme Rocha (até a Praça da Lagoinha), Liberato Barroso, Pedro Borges, General Bezerril (apenas um trecho) e Rua do Rosário. Hoje, mais de meio século depois, ainda priorizam os pedestres.

Rua Liberato Barroso em 2014 (FOTO: Roberta Tavares)

Rua Liberato Barroso em 2014 (FOTO: Roberta Tavares)

Lá, não se ouvem buzinas e nem se veem filas de carros, apenas centenas de pessoas à procura de mercadorias ou apenas com vontade de passear. Pedestres e comerciantes compartilham da mesma opinião quanto à inexistência de tráfego de carros no local.

Lucas Teixeira não havia nem nascido na época em que a rua Liberato Barroso tinha circulação de veículos liberada. Aos 23 anos, o proprietário de comércio de tecidos e aviamentos conta que a movimentação de pedestres na via é positiva. “É melhor para o meu comércio por causa da movimentação, já que muita gente passeia por aqui, sem compromisso, então tem mais tempo para escolher o que comprar”, diz.

Ao lado, a vendedora Ivanísia da Silva, de 46 anos, completa que “nem se quisessem” a rua Liberato Barroso teria condições de se adaptar para ter, novamente, tráfego de veículos. “Não teria condições, porque acabou ficando muito estreita”, explica.

Ubirajar concorda que o fechamento das ruas facilitou o trabalho dos vendedores (FOTO: Roberta Tavares)

Ubirajar concorda que o fechamento das ruas facilitou o trabalho dos vendedores (FOTO: Roberta Tavares)

O vendedor de relógios e óculos Ubirajar Costa, de 44 anos, também concorda que o fechamento da rua para pedestres ajudou bastante os comerciantes. “Mas acho que para os usuários seria melhor ter circulação de carros, porque para pegar ônibus tem que andar tanto”, lembra.

Competindo com ambulantes e buracos

Na medida em que passam as horas, o trânsito de fortalezenses nas ruas aumenta e dá lugar à confusão e gritaria, típicas do Centro. Maria do Carmo Santiago, de 74 anos, gosta de passear, principalmente nas ruas exclusivas para pedestres. Ela aponta, no entanto, o descaso da Prefeitura de Fortaleza em melhorar as calçadas, afirmando que um dia chegou a cair em razão de um buraco.

Maria do Carmo costuma andar pelas ruas do Centro, mas admite que os buracos prejudicam (FOTO: Roberta Tavares)

Maria do Carmo costuma andar pelas ruas do Centro, mas admite que os buracos prejudicam (FOTO: Roberta Tavares)

“A rua está cheia de buraco, era preciso melhoria para que se tornasse, de verdade, apenas para pedestres. Encheram a rua de vendedor ambulante, aí você leva cotovelada, grito”, reclama, acrescentando que a insegurança no Centro a fez evitar realizar os passeios. “Eu vinha quase todo dia, mas estou deixando de vir”.

Vendedores nascidos na década de 1990 dizem, inclusive, que as ruas são históricas e, por isso, precisam ser planejadas. Como é o caso de Pedro Gregório, de 24 anos, vendedor de lanches na rua Guilherme Rocha. “Muitos turistas param aqui, a pé, e ficam olhando para os prédios históricos. Isso já mostra o quanto essa alteração de tráfego foi positiva. Dá mais tempo para admirar”.

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Histórias

As ruas realmente têm história, com mudanças de nomes e de tráfego. “Antes passavam carros, ônibus e bondes. Agora não tem mais nada disso”, relembra o memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, conhecido como Nirez.

Veja as imagens das ruas em 1950 e em 2014:

Rua Guilherme Rocha na década de 1950
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Rua Guilherme Rocha na década de 1950

Antes, a rua era liberada para tráfego de bonde e de pedestres

Rua Guilherme Rocha na década de 1950
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Rua Guilherme Rocha na década de 1950

Antes, a rua era liberada para tráfego de carros e de pedestres

Rua Guilherme Rocha na década de 1950
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Rua Guilherme Rocha na década de 1950

Antes, a rua era liberada para tráfego de carros e de pedestres

Rua Guilherme Rocha em 2014
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Rua Guilherme Rocha em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Rua Liberato Barroso em 2014
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Rua Liberato Barroso em 2014

Seis ruas do Centro de Fortaleza tem tráfego fechado. Apenas pedestres podem passar pelo local

Em Fortaleza, a primeira rua em que foi proibida a passagem de carros foi a Guilherme Rocha, durante a gestão do prefeito Acrísio Moreira da Rocha. Ela já se chamou Travessa Municipal, rua Municipal, rua Nº 9, rua 24 de Janeiro e rua Coronel Guilherme Rocha. Tentaram ainda, intitulá-la rua do Ouvidor, primeira via brasileira fechada para circulação de carro, no Rio de Janeiro.

“Houve uma tentativa, inclusive, de mudar o nome da Guilherme Rocha para Ouvidor, mas não deu certo. Sempre é assim, faz uma coisa em uma cidade grande e querem sempre copiar”.

O memorialista também acredita que a falta de circulação de carros é interessante para pedestres, apesar de competirem com carros de som dos vendedores ambulantes. “Elas têm grande movimento de pessoas, mas também de ambulantes e comerciantes. São repletas de buracos, água e sujeira. Isso ainda acontece porque não existe fiscalização”.

Mais ruas fechadas

Copiando o modelo das seis ruas do Centro da cidade, a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) propõe que outras vias do Centro sejam fechadas e apropriadas somente para a movimentação de pedestres e de transporte coletivo. Os nomes das vias que podem ser destinadas apenas para pedestres ainda não foram definidos pela AMC.