Somente 6 bairros não tiveram homicídios em 2012 e 2013 em Fortaleza


Somente 6 bairros de Fortaleza não tiveram homicídios em 2012 e 2013

Dos 118 bairros de Fortaleza, não houve homicídios em Coaçu, Guajeru, Parque Manibura e São Bento, da SER VI; Lourdes, da SER II; e Gentilândia, da SER IV

Por Rafael Luis Azevedo em Fortaleza, Polícia

28 de agosto de 2013 às 14:47

Há 6 anos
Sao-Bento-Felipe-Matos

Felipe Matos, morador recém-chegado ao São Bento, na região leste, impressionou-se com a tranquilidade do bairro (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Felipe Matos morou três anos na Parangaba e outros três no Papicu. Trabalha pertinho, na Praia do Futuro. Mas se cansou da agitação da avenida Santos Dumont, dos engarrafamentos e sobretudo da violência. Por isso ele é mais um fortalezense que se muda para a região leste da cidade. O técnico automotivo vai morar numa casa espaçosa, no bairro São Bento, colado ao Eusébio. Lá vai desfrutar de um clima interiorano que nem lembra Fortaleza.

O São Bento, criado em 2008 com esse nome por causa do mosteiro famoso pelas missas em latim, é um dos únicos seis bairros da capital cearense onde não houve registro de homicídios em 2012 e 2013. O levantamento é do Tribuna do Ceará, a partir de dados da secretaria de segurança pública. Além dele, tiveram o privilégio outros três bairros da Secretaria Regional VI (Coaçu, Guajeru e Parque Manibura), além de Lourdes, da SER II, e Gentilândia, da SER IV.

“Morava de aluguel, e na época da pesquisa sobre um lugar para comprar uma casa percebi que essa região é bem tranquila. É possível até ver crianças brincando na rua“, surpreende-se Felipe, que ainda esta semana se muda com esposa, filho e sogra. A partir de agora ele vai perder mais tempo no trânsito até o trabalho, mas ganhará em qualidade de vida. “Posso até ficar sentado na calçada”, dizia enquanto conversava com um vizinho despreocupadamente.

O fenômeno foi percebido pelo mercado imobiliário. O bairro, desmembrado da Paupina, ganhou desde então muitas casas de alto padrão, o que já havia ocorrido nos conjuntos que se formaram ao longo da avenida Washington Soares. “A gente sugere que os clientes consultem vizinhos sobre a segurança, para não parecer papo de corretor”, explica o vendedor de imóveis Anderson Ximenes. “No São Bento tem gente que morava no Papicu, Aldeota, Meireles e diversos outros bairros”.

O preço de um imóvel na região chega a ser a metade de um equivalente na zona nobre, vantagem indiscutível. Porém, a ausência de homicídios desde 2012 também é um privilégio, já que houve pelo menos um registro como esse em 112 bairros de Fortaleza. Curiosamente, dois bairros vizinhos ao São Bento também não foram palco de assassinatos: Coaçu e Guajeru. O setor de relações públicas da Polícia Militar foi procurado pelo Tribuna do Ceará, mas não se manifestou sobre o assunto.

Entre os seis bairros, estão alguns recentemente criados, como São Bento e Lourdes, ou alguns com limites pouco claros para a população, como Coaçu, Guajeru, Parque Manibura e Gentilândia. Por isso, para Marcos Silva, professor do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), a estatística precisa ser analisada com ressalva. “O registro impreciso por parte da polícia pode distorcer esse cálculo, retirando a legitimidade dos dados”, comenta.

Sao-Bento-mercadinho

Mercadinho instalou grades na entrada (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Calmo, mas nem tanto

Para comerciantes do São Bento, a raridade de homicídios não representa que a região seja tranquila. Dona de um mercadinho, Fernanda Martins chegou a ser assaltada duas vezes em um mês recentemente. Por isso, instalou grades na porta. “Andar na rua pode ser um perigo em certos horários, mas isso não é só sensação de insegurança. Já fui vítima algumas vezes”, garante. “Nem lembro quando foi o último homicídio. Geralmente, quando tem é desova de gente que matam em outros bairros. Mas também não acho que seja seguro”, reforça a moradora e cliente Ednália Alencar.

Visão compartilhada pelo estudioso da violência. “Bairros que não tiveram homicídios não significam que são tranquilos. Na verdade significam que não foram atingidos pela criminalidade, que não tem um território fixo”, defende Marcos Silva. Que os bairros não são atingidos por homicídios desde 2012 é fato. A questão é até quando.

(Dados até julho de 2013. Arte: Tiago Leite)

(Dados até julho de 2013. Arte: Tiago Leite)

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Somente 6 bairros de Fortaleza não tiveram homicídios em 2012 e 2013

Dos 118 bairros de Fortaleza, não houve homicídios em Coaçu, Guajeru, Parque Manibura e São Bento, da SER VI; Lourdes, da SER II; e Gentilândia, da SER IV

Por Rafael Luis Azevedo em Fortaleza, Polícia

28 de agosto de 2013 às 14:47

Há 6 anos
Sao-Bento-Felipe-Matos

Felipe Matos, morador recém-chegado ao São Bento, na região leste, impressionou-se com a tranquilidade do bairro (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Felipe Matos morou três anos na Parangaba e outros três no Papicu. Trabalha pertinho, na Praia do Futuro. Mas se cansou da agitação da avenida Santos Dumont, dos engarrafamentos e sobretudo da violência. Por isso ele é mais um fortalezense que se muda para a região leste da cidade. O técnico automotivo vai morar numa casa espaçosa, no bairro São Bento, colado ao Eusébio. Lá vai desfrutar de um clima interiorano que nem lembra Fortaleza.

O São Bento, criado em 2008 com esse nome por causa do mosteiro famoso pelas missas em latim, é um dos únicos seis bairros da capital cearense onde não houve registro de homicídios em 2012 e 2013. O levantamento é do Tribuna do Ceará, a partir de dados da secretaria de segurança pública. Além dele, tiveram o privilégio outros três bairros da Secretaria Regional VI (Coaçu, Guajeru e Parque Manibura), além de Lourdes, da SER II, e Gentilândia, da SER IV.

“Morava de aluguel, e na época da pesquisa sobre um lugar para comprar uma casa percebi que essa região é bem tranquila. É possível até ver crianças brincando na rua“, surpreende-se Felipe, que ainda esta semana se muda com esposa, filho e sogra. A partir de agora ele vai perder mais tempo no trânsito até o trabalho, mas ganhará em qualidade de vida. “Posso até ficar sentado na calçada”, dizia enquanto conversava com um vizinho despreocupadamente.

O fenômeno foi percebido pelo mercado imobiliário. O bairro, desmembrado da Paupina, ganhou desde então muitas casas de alto padrão, o que já havia ocorrido nos conjuntos que se formaram ao longo da avenida Washington Soares. “A gente sugere que os clientes consultem vizinhos sobre a segurança, para não parecer papo de corretor”, explica o vendedor de imóveis Anderson Ximenes. “No São Bento tem gente que morava no Papicu, Aldeota, Meireles e diversos outros bairros”.

O preço de um imóvel na região chega a ser a metade de um equivalente na zona nobre, vantagem indiscutível. Porém, a ausência de homicídios desde 2012 também é um privilégio, já que houve pelo menos um registro como esse em 112 bairros de Fortaleza. Curiosamente, dois bairros vizinhos ao São Bento também não foram palco de assassinatos: Coaçu e Guajeru. O setor de relações públicas da Polícia Militar foi procurado pelo Tribuna do Ceará, mas não se manifestou sobre o assunto.

Entre os seis bairros, estão alguns recentemente criados, como São Bento e Lourdes, ou alguns com limites pouco claros para a população, como Coaçu, Guajeru, Parque Manibura e Gentilândia. Por isso, para Marcos Silva, professor do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), a estatística precisa ser analisada com ressalva. “O registro impreciso por parte da polícia pode distorcer esse cálculo, retirando a legitimidade dos dados”, comenta.

Sao-Bento-mercadinho

Mercadinho instalou grades na entrada (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Calmo, mas nem tanto

Para comerciantes do São Bento, a raridade de homicídios não representa que a região seja tranquila. Dona de um mercadinho, Fernanda Martins chegou a ser assaltada duas vezes em um mês recentemente. Por isso, instalou grades na porta. “Andar na rua pode ser um perigo em certos horários, mas isso não é só sensação de insegurança. Já fui vítima algumas vezes”, garante. “Nem lembro quando foi o último homicídio. Geralmente, quando tem é desova de gente que matam em outros bairros. Mas também não acho que seja seguro”, reforça a moradora e cliente Ednália Alencar.

Visão compartilhada pelo estudioso da violência. “Bairros que não tiveram homicídios não significam que são tranquilos. Na verdade significam que não foram atingidos pela criminalidade, que não tem um território fixo”, defende Marcos Silva. Que os bairros não são atingidos por homicídios desde 2012 é fato. A questão é até quando.

(Dados até julho de 2013. Arte: Tiago Leite)

(Dados até julho de 2013. Arte: Tiago Leite)