Tempo médio para chegar ao trabalho em Fortaleza é maior que 30 minutos


Tempo médio para chegar ao trabalho em Fortaleza é maior que 30 minutos

“As pessoas não andam nas ruas. Está tudo vazio. Quantos poderiam se deslocar a pé, se a cidade fosse mais segura?”, desabafa o professor da UFC

Por Roberta Tavares em Fortaleza

12 de março de 2013 às 12:03

Há 6 anos
Trânsito caótico é um problema enfrentado pela população de Fortaleza todos os dias, em qualquer horário.

“A situação da mobilidade e acessibilidade em Fortaleza está cada vez mais agravada” (Foto: Camila Cabral/ Tribuna do Ceará)

Trânsito caótico é um problema enfrentado pela população de Fortaleza todos os dias, em qualquer horário. A situação só tende a aumentar. Para confirmar a informação, a pesquisa “Tempo de deslocamento casa-trabalho no Brasil”, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que o tempo para chegar ao trabalho era de 31,7 minutos em 2010.

Com o número, Fortaleza ocupa a 8ª posição, considerando as nove maiores regiões metropolitanas e o Distrito Federal. Em 1º lugar está São Paulo, com tempo médio de 42,8 minutos; seguido por Rio de Janeiro, com 42,6 minutos, e Recife, com 34,9 minutos.

“Fortaleza está numa situação relativamente confortável. Trinta e um minutos é um tempo muito bom, mas é uma média. A grande massa de trabalhadores que vem da Região Metropolitana também deveria ser levada em conta”, explica o geógrafo e professor da Universidade Federal do Ceará, José Borzacchiello.

Cada vez mais motorizados

A proporção de longas viagens casa-trabalho em Fortaleza, Recife, Salvador e Belém teve aumento gradual de mais de 5 pontos percentuais, entre 1992 e 2009. Além disso, o número de pessoas motorizadas teve aumento de mais de 35% em Fortaleza e Recife. A taxa de motorização na capital cearense é de 14,7 para cada 100 pessoas. São Paulo lidera o ranking com taxa de 38,1. Já Belém ocupa a última posição, com taxa de 11,2.

Diferenças entre homens e mulheres

As diferenças do tempo que homens e mulheres gastam em seus deslocamentos diários casa-trabalho também são aspectos relevante a considerar. Uma vez que estas diferenças podem refletir desigualdade no acesso a diferentes meios de transporte, na inserção no mercado de trabalho e na divisão de responsabilidades domésticas na família.

A semelhança que se observa nos países mais desenvolvidos é que homens passam mais tempo no trânsito do que as mulheres. No início dos anos 1990, no Brasil, os homens gastavam cerca de três minutos a mais do que as mulheres em suas viagens casa-trabalho. No entanto, a diferença entre os sexos diminuiu significativamente ao longo das últimas décadas, chegando a quarenta segundos em 2009.

Em grande medida, a redução desta diferença se deu por um aumento proporcionalmente maior no tempo que as mulheres passam no trânsito, e não por uma redução no tempo masculino. O tempo médio de viagem casa-trabalho subiu aproximadamente 10% entre as mulheres, contra apenas 3% entre os homens no período analisado.

Deficiência dos transportes

“A situação da mobilidade e acessibilidade em Fortaleza está cada vez mais agravada. Esse agravamento se deu em razão do aumento do número de veículos, tanto de duas rodas quanto de quatro rodas, da facilidade de compra e da redução do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]”, explica Borzacchiello.

Segundo o professor, a infraestrutura da cidade não cresceu na mesma velocidade, e a deficiência de transportes de massa ainda não melhorou o suficiente para atender a demanda e fazer com que as pessoas deixem o carro em casa. “Aqueles que usam o transporte coletivo passam a ter o desejo por um automóvel, justamente devido à má qualidade ofertada ao cidadão”, diz.

Ampliar as linhas de metrô, melhorar as linhas de ônibus, aumentar o número de terminais, respeitar as ciclovias e regularizar a situação das motocicletas são algumas sugestões de Borzarcchiello.

Ruas vazias

A insegurança é outro problema causador do trânsito caótico de Fortaleza. “As pessoas não andam nas ruas. Está tudo vazio. Quantos poderiam se deslocar a pé, por até 10 quarteirões, se a cidade fosse mais segura ou não tivessa essa nuvem de insegurança? As crianças não vão mais a pé para a escola, com os amigos… cada uma chega em um carro, e tudo isso provoca problemas no trânsito”, desabafa o professor.

Conheça a pesquisa

A pesquisa “Tempo de deslocamento casa-trabalho no Brasil (1992-2009)”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), se baseia em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), gerados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Tempo médio para chegar ao trabalho em Fortaleza é maior que 30 minutos

“As pessoas não andam nas ruas. Está tudo vazio. Quantos poderiam se deslocar a pé, se a cidade fosse mais segura?”, desabafa o professor da UFC

Por Roberta Tavares em Fortaleza

12 de março de 2013 às 12:03

Há 6 anos
Trânsito caótico é um problema enfrentado pela população de Fortaleza todos os dias, em qualquer horário.

“A situação da mobilidade e acessibilidade em Fortaleza está cada vez mais agravada” (Foto: Camila Cabral/ Tribuna do Ceará)

Trânsito caótico é um problema enfrentado pela população de Fortaleza todos os dias, em qualquer horário. A situação só tende a aumentar. Para confirmar a informação, a pesquisa “Tempo de deslocamento casa-trabalho no Brasil”, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que o tempo para chegar ao trabalho era de 31,7 minutos em 2010.

Com o número, Fortaleza ocupa a 8ª posição, considerando as nove maiores regiões metropolitanas e o Distrito Federal. Em 1º lugar está São Paulo, com tempo médio de 42,8 minutos; seguido por Rio de Janeiro, com 42,6 minutos, e Recife, com 34,9 minutos.

“Fortaleza está numa situação relativamente confortável. Trinta e um minutos é um tempo muito bom, mas é uma média. A grande massa de trabalhadores que vem da Região Metropolitana também deveria ser levada em conta”, explica o geógrafo e professor da Universidade Federal do Ceará, José Borzacchiello.

Cada vez mais motorizados

A proporção de longas viagens casa-trabalho em Fortaleza, Recife, Salvador e Belém teve aumento gradual de mais de 5 pontos percentuais, entre 1992 e 2009. Além disso, o número de pessoas motorizadas teve aumento de mais de 35% em Fortaleza e Recife. A taxa de motorização na capital cearense é de 14,7 para cada 100 pessoas. São Paulo lidera o ranking com taxa de 38,1. Já Belém ocupa a última posição, com taxa de 11,2.

Diferenças entre homens e mulheres

As diferenças do tempo que homens e mulheres gastam em seus deslocamentos diários casa-trabalho também são aspectos relevante a considerar. Uma vez que estas diferenças podem refletir desigualdade no acesso a diferentes meios de transporte, na inserção no mercado de trabalho e na divisão de responsabilidades domésticas na família.

A semelhança que se observa nos países mais desenvolvidos é que homens passam mais tempo no trânsito do que as mulheres. No início dos anos 1990, no Brasil, os homens gastavam cerca de três minutos a mais do que as mulheres em suas viagens casa-trabalho. No entanto, a diferença entre os sexos diminuiu significativamente ao longo das últimas décadas, chegando a quarenta segundos em 2009.

Em grande medida, a redução desta diferença se deu por um aumento proporcionalmente maior no tempo que as mulheres passam no trânsito, e não por uma redução no tempo masculino. O tempo médio de viagem casa-trabalho subiu aproximadamente 10% entre as mulheres, contra apenas 3% entre os homens no período analisado.

Deficiência dos transportes

“A situação da mobilidade e acessibilidade em Fortaleza está cada vez mais agravada. Esse agravamento se deu em razão do aumento do número de veículos, tanto de duas rodas quanto de quatro rodas, da facilidade de compra e da redução do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]”, explica Borzacchiello.

Segundo o professor, a infraestrutura da cidade não cresceu na mesma velocidade, e a deficiência de transportes de massa ainda não melhorou o suficiente para atender a demanda e fazer com que as pessoas deixem o carro em casa. “Aqueles que usam o transporte coletivo passam a ter o desejo por um automóvel, justamente devido à má qualidade ofertada ao cidadão”, diz.

Ampliar as linhas de metrô, melhorar as linhas de ônibus, aumentar o número de terminais, respeitar as ciclovias e regularizar a situação das motocicletas são algumas sugestões de Borzarcchiello.

Ruas vazias

A insegurança é outro problema causador do trânsito caótico de Fortaleza. “As pessoas não andam nas ruas. Está tudo vazio. Quantos poderiam se deslocar a pé, por até 10 quarteirões, se a cidade fosse mais segura ou não tivessa essa nuvem de insegurança? As crianças não vão mais a pé para a escola, com os amigos… cada uma chega em um carro, e tudo isso provoca problemas no trânsito”, desabafa o professor.

Conheça a pesquisa

A pesquisa “Tempo de deslocamento casa-trabalho no Brasil (1992-2009)”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), se baseia em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), gerados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).