Falta de acesso de pedestres e ciclistas em viadutos do Cocó gera protesto


Falta de acesso de pedestres e ciclistas em viadutos do Cocó gera protesto

Para cicloativistas, a reforma só privilegia veículos motorizados, deixando ciclistas e pedestres marginalizados. A Prefeitura promete a construção de quatro passarelas

Por Hayanne Narlla em Mobilidade Urbana

4 de novembro de 2014 às 19:26

Há 5 anos
Ciclista idoso preferiu atravessar a Antônio Sales sem pedalar (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Ciclista idoso preferiu atravessar a Antônio Sales sem pedalar (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Após a liberação dos viadutos do Cocó, no último domingo (2), um grupo de ciclistas de Fortaleza que compõem o Ciclovida se manifestou contra a execução da obra. Para eles, a reforma só privilegia veículos motorizados, deixando ciclistas e pedestres marginalizados.

Mesmo reconhecendo alguns avanços na cidade quanto a mobilidade urbana, o grupo teceu críticas aos espaços não concedidos para quem não utiliza carro, manifestando “repúdio”. O argumento é de que os viadutos são uma barreira física que, apesar de ter sido construída com a justificativa de beneficiar o transporte público, serviria muito mais aos carros.

“Uma obra que a gestão municipal propagandeia como solução para o problema de mobilidade na região, quando atualmente se sabe ser uma solução retrógrada, e extremamente rodoviarista. Além de não funcionar mais para melhorar a acessibilidade, ainda traz um aumento na demanda pelo transporte motorizado individual (carro e moto)”, publicou o Ciclovida.

O arquiteto Paulo Angelim, que faz parte do movimento, experimentou andar de bicicleta sobre a nova obra. Ele constatou que o local está muito perigoso para os ciclistas e longe de ser uma boa obra de mobilidade. Além disso, o especialista defende, seria totalmente desprovido de benefícios para o pedestre.

Confira o vídeo

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15262144″]

 

Experimentando

Não acesso a parada de ônibus que fica na calçada do Parque do Cocó (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Não acesso a parada de ônibus que fica na calçada do Parque do Cocó (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

O Tribuna do Ceará foi até o local e constatou que as faixas de pedestres mais próximas ao viaduto estão em frente ao supermercado São Luís e ao Shopping Iguatemi, ambos na avenida Engenheiro Santa Jr, mas com uma distância considerável. Em baixo do viaduto, na avenida Antônio Sales, os pedestres contam com a ajuda de um funcionário que atua como guarda de trânsito.

Quase em frente ao supermercado Frangolândia, a reportagem perguntou aos agentes de trânsito terceirizados, que estavam no local, sobre como faria para atravessar a rua. Um deles se ofereceu para ajudar a ultrapassagem parando os carros, mas de forma improvisada.

Do outro lado, já na direção da avenida Padre Antonio Tomaz, os pedestres contam com uma faixa de pedestres, mas demoram tempo considerável para atravessar a larga via. A socióloga Graça Araripe, que mora próxima ao local, reclamou bastante do acesso.

“Está horrível! Eu moro bem ali e venho a pé para o supermercado. Não faz sentido eu vir de carro, mas o pedestre não tem a menor vez. Não é só agora, foi na época da execução também. É uma obra anticidadã”, ressaltou. Graça demorou mais de cerca de cinco minutos para atravessar apenas um lado da avenida.

Marlon Monteiro, que trabalha no Frangolândia, vai para o emprego de ônibus. O problema é que sua parada, agora, fica na calçada do parque do Cocó, embaixo dos viadutos, mas não há acesso da Antônio Sales para lá. “Aqui é assim, tem que se arriscar todo dia. Não sei como colocaram uma parada aqui. Se não quiser correr risco, tem que atravessar lá no Iguatemi e vir a pé pra cá”.

Nota oficial

Em nota, a Secretaria de Infraestrutura de Fortaleza (Seinf) informou que as obras estão em processo de conclusão. As intervenções de acabamento são implantação de paisagismo, iluminação, construção de meio-fio e pintura do viaduto com proteção antipichação.

Para os pedestres, a Seinf ressaltou que quatro passarelas serão construídas na área, resultado de estudos viários que identificaram as melhores alternativas para os pedestres na região. “Com isso, os locais de travessia foram definidos a partir dos pontos com maior demanda de usuários do transporte público, permitindo que pedestres e ciclistas cruzem as vias com segurança e sem concorrer com o trânsito de veículos”.

Uma passarela será construída na Avenida Antônio Sales a partir deste mês de novembro, na altura da Rua São Gabriel, e, em seguida, as outras três serão implantadas na Avenida Engenheiro Santana Júnior, próximas às ruas Israel Bezerra, General Tertuliano Potiguara e Bento Albuquerque. As obras fazem parte do projeto de implantação do corredor Antônio Bezerra/Papicu.

Confira a galeria

Viadutos no Cocó
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Pedestres e ciclistas reclamam de obra de mobilidade urbana (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Para cicloativistas, a reforma só privilegia veículos motorizados, deixando ciclistas e pedestres marginalizados. A Prefeitura promete a construção de quatro passarelas

Por Hayanne Narlla em Mobilidade Urbana

4 de novembro de 2014 às 19:26

Há 5 anos
Ciclista idoso preferiu atravessar a Antônio Sales sem pedalar (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Ciclista idoso preferiu atravessar a Antônio Sales sem pedalar (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Após a liberação dos viadutos do Cocó, no último domingo (2), um grupo de ciclistas de Fortaleza que compõem o Ciclovida se manifestou contra a execução da obra. Para eles, a reforma só privilegia veículos motorizados, deixando ciclistas e pedestres marginalizados.

Mesmo reconhecendo alguns avanços na cidade quanto a mobilidade urbana, o grupo teceu críticas aos espaços não concedidos para quem não utiliza carro, manifestando “repúdio”. O argumento é de que os viadutos são uma barreira física que, apesar de ter sido construída com a justificativa de beneficiar o transporte público, serviria muito mais aos carros.

“Uma obra que a gestão municipal propagandeia como solução para o problema de mobilidade na região, quando atualmente se sabe ser uma solução retrógrada, e extremamente rodoviarista. Além de não funcionar mais para melhorar a acessibilidade, ainda traz um aumento na demanda pelo transporte motorizado individual (carro e moto)”, publicou o Ciclovida.

O arquiteto Paulo Angelim, que faz parte do movimento, experimentou andar de bicicleta sobre a nova obra. Ele constatou que o local está muito perigoso para os ciclistas e longe de ser uma boa obra de mobilidade. Além disso, o especialista defende, seria totalmente desprovido de benefícios para o pedestre.

Confira o vídeo

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15262144″]

 

Experimentando

Não acesso a parada de ônibus que fica na calçada do Parque do Cocó (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Não acesso a parada de ônibus que fica na calçada do Parque do Cocó (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

O Tribuna do Ceará foi até o local e constatou que as faixas de pedestres mais próximas ao viaduto estão em frente ao supermercado São Luís e ao Shopping Iguatemi, ambos na avenida Engenheiro Santa Jr, mas com uma distância considerável. Em baixo do viaduto, na avenida Antônio Sales, os pedestres contam com a ajuda de um funcionário que atua como guarda de trânsito.

Quase em frente ao supermercado Frangolândia, a reportagem perguntou aos agentes de trânsito terceirizados, que estavam no local, sobre como faria para atravessar a rua. Um deles se ofereceu para ajudar a ultrapassagem parando os carros, mas de forma improvisada.

Do outro lado, já na direção da avenida Padre Antonio Tomaz, os pedestres contam com uma faixa de pedestres, mas demoram tempo considerável para atravessar a larga via. A socióloga Graça Araripe, que mora próxima ao local, reclamou bastante do acesso.

“Está horrível! Eu moro bem ali e venho a pé para o supermercado. Não faz sentido eu vir de carro, mas o pedestre não tem a menor vez. Não é só agora, foi na época da execução também. É uma obra anticidadã”, ressaltou. Graça demorou mais de cerca de cinco minutos para atravessar apenas um lado da avenida.

Marlon Monteiro, que trabalha no Frangolândia, vai para o emprego de ônibus. O problema é que sua parada, agora, fica na calçada do parque do Cocó, embaixo dos viadutos, mas não há acesso da Antônio Sales para lá. “Aqui é assim, tem que se arriscar todo dia. Não sei como colocaram uma parada aqui. Se não quiser correr risco, tem que atravessar lá no Iguatemi e vir a pé pra cá”.

Nota oficial

Em nota, a Secretaria de Infraestrutura de Fortaleza (Seinf) informou que as obras estão em processo de conclusão. As intervenções de acabamento são implantação de paisagismo, iluminação, construção de meio-fio e pintura do viaduto com proteção antipichação.

Para os pedestres, a Seinf ressaltou que quatro passarelas serão construídas na área, resultado de estudos viários que identificaram as melhores alternativas para os pedestres na região. “Com isso, os locais de travessia foram definidos a partir dos pontos com maior demanda de usuários do transporte público, permitindo que pedestres e ciclistas cruzem as vias com segurança e sem concorrer com o trânsito de veículos”.

Uma passarela será construída na Avenida Antônio Sales a partir deste mês de novembro, na altura da Rua São Gabriel, e, em seguida, as outras três serão implantadas na Avenida Engenheiro Santana Júnior, próximas às ruas Israel Bezerra, General Tertuliano Potiguara e Bento Albuquerque. As obras fazem parte do projeto de implantação do corredor Antônio Bezerra/Papicu.

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