Após “chamado”, dentista abandona a profissão para criar e se dedicar a comunidade católica


Após “chamado”, dentista abandona a profissão para criar e se dedicar a comunidade católica

Há 21 anos, um homem que tinha tudo para viver uma vida de riquezas materiais e sucesso profissional largou tudo isso após um chamado divino

Por Marianna Gomes em Perfil

4 de maio de 2015 às 08:00

Há 4 anos
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Antonio de Pádua, 47 anos, nascido e ainda morador da cidade de Quixeramobim, Sertão Central do Ceará exerceu o ofício por 10 anos e fez seu nome em sua cidade. (FOTO: Reprodução)

Há 21 anos, um homem que tinha tudo para viver uma vida de riquezas materiais e sucesso profissional largou tudo isso após um chamado divino. Dentista de prestígio em Quixeramobim, no interior do Ceará, Antônio de Pádua, 47 anos, exerceu o ofício por 10 anos e fez seu nome no município. Dinheiro não era problema em sua vida, mas faltava um coisa que fazia tudo isso não ter valor algum: Deus.

De homem de negócios a homem de Deus

Formado em Odontologia pela Universidade Federal do Ceará , casado e com três filhos, Pádua nunca teve uma vida religiosa ativa. Católico, pouco frequentava as missas da paróquia de Santo Antônio, em sua cidade. “Eu não tinha participação ativa na igreja, ia à missa aqui e ali, achava muito monótona”, afirma.  Trabalhava na cidade como dentista, tanto em clínica particular, como no serviço público.

Buscando melhorar ainda mais sua já estável vida financeira, Antônio passou a investir no ramo de marketing de rede, conciliando com o a profissão de dentista. Na 1ª apresentação do plano de negócio, a ideia de multiplicar seus lucros tornou-se irresistível,  e  logo Antônio embarcou de vez no novo ramo.

Era algo crescente e muito envolvente. Quase uma 'lavagem cerebral'. Aos poucos você só pensa no negócio e passa a ver as pessoas como oportunidade de crescimento

A partir daí, Antônio já estava ministrando grandes reuniões em Quixeramobim e região, capacitando pessoas e criando um círculo de contatos ainda maior do que sua carreira de dentista havia lhe proporcionado. O sucesso era inegável.

Mesmo com todo progresso daquela vida promissora, de reconhecimento e bens materiais, algo ainda faltava na vida de Antônio, uma coisa que ele não sabia identificar. Foi então que, em 1994,  ao ser convidado para um fórum de capacitação de sua empresa em Fortaleza, de forma inusitada, achou o que precisava no evento católico ‘Queremos Deus’, no estádio Castelão . “Eu ia participar de uma reunião, quando um casal, também da empresa, disse que essa vida voltada apenas para o dinheiro estava os afastando de Deus, então eles me chamaram para ir para o evento. Era na mesma hora da reunião. Aquele era um momento crucial na minha carreira, mas eu preferi ir para aquele encontro. Foi o começo de tudo”.

“Quando eu cheguei e vi aquela multidão, louvando a Deus a uma só voz senti um choque de alegria que me consumiu de uma forma inexplicável”. Na ocasião, ele lembra que foi “tocado” com a canção religiosa “Em nome do Pai”, do Padre Marcelo Rossi, que faz referência a santíssima trindade da Igreja Católica: Pai, Filho e Espírito Santo. “Nesse momento eu percebi que eu não estava ali à toa, e que Deus havia me chamado”, relembra.

O novo caminho

Antônio largou uma vida profissional de sucesso para servir inteiramente a Deus. (FOTO: Divulgação)

Antônio largou uma vida profissional de sucesso para servir inteiramente a Deus. (FOTO: Divulgação)

Quando voltou a Quixeramobim, Antônio estava certo de que aquele chamado era um pedido de Deus, que estava lhe mostrando sua missão na Terra: espalhar a palavra, assim como Jesus. “Não tinha nada muito pretensioso, queria saber como podia ajudar a paróquia de alguma forma”.

Foi então que pediu orientação do pároco da igreja e passou a atuar na área de comunicação, mais especificamente na rádio, onde possuía um conhecimento básico. “Passei a  chamar os fiéis para participarem de ensaios dos cânticos da missa. No 1º dia vieram 10 pessoas, no segundo 50, com o passar dos dias a igreja foi ficando lotada”, conta. A partir daí seu convívio com a religião, a igreja e aos ensinamentos foi se fortalecendo cada vez mais.

Em 1997, Antônio tomou uma decisão radical, que mudaria sua vida para sempre. Para ele, algo precisava ser criado naquela cidade, além da igreja,  para formar e informar as pessoas ainda mais sobre a presença de Deus e Jesus Cristo. Teve então a ideia de criar uma comunidade de renovação carismática católica, prática baseada na experiência pessoal com Deus e os dons do Espírito Santo, assim como ele teve.

“Eu tive a opção de viver de riqueza, mas a minha missão é essa, a missão que Deus me confiou foi de ser um instrumento seu”. (Antônio de Pádua, criador da comunidade Mariana Boa Semente)

“Larguei de vez o ofício de dentista, o de representante durou alguns meses, apenas. Depois disso, eu, minha esposa e  quatro jovens, por um ano, deixamos nossas casas e ofícios para realizar um trabalho missionário a fim de criar uma comunidade que formasse religiosos e pessoas que queriam desenvolver os dons do Espírito”. Com orientação da paróquia e do então bispo da época Dom Adélio Tomasin, nascia a comunidade Mariana Boa Semente.

Do chamado divino à obra religiosa

Após a conversão, a rotina de Antônio, antes agitada  em um consultório cheio de pacientes ou reuniões com clientes foi substituída por dias de oração e adoração. “Começo o dia com um momento de reflexão da palavra, seguida das atividades voltadas para obra. O dia é finalizado com a missa, participo todos os dias”, relata.  “No começo minha família teve uma certa inquietação com a grande novidade, mas aceitaram, acreditando na seriedade na minha decisão”, comenta. O “pagamento”, hoje, é a vida de felicidade plena em contato com sua espiritualidade.

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Após a conversão, a rotina de Antônio, antes agitada em um consultório cheio de pacientes ou reuniões com clientes foi substituída por dias de oração e adoração. (FOTO: Reprodução)

Hoje a Comunidade Mariana Boa Semente conta com 153 membros efetivos e em formação. A comunidade é mantida por meio da ajuda de alguns fiéis e por doações da população. Seu objetivo principal é a formação religiosa, tanto para quem decidir viver para Deus em sua plenitude – como padres e freiras, que recebem auxílio dos párocos- , como para ter uma vida cristã ativa, como Antônio. “Dois tipos de fiéis, fora os religiosos de hábito, compõem a associação: os da comunidade  de aliança, onde os membros tem as responsabilidades cristãs de forma parcial, trabalham fora da comunidade e tem suas casas próprias; e a comunidade de vida, que eu faço parte, onde toda a vida e trabalho é voltada para a comunidade”, explica.

Hoje, Antônio mora na casa geral da comunidade com sua família, em Quixeramobim.  O local possui ainda uma estrutura complementar que abriga as irmãs marianas. “A igreja nos ajuda dar um formato no processo de conversão. Vários padres e freiras já saíram daqui”, comemora.

Além de Quixeramobim e Fortaleza, os discípulos da Boa Semente estão nas cidades de Quixadá, Banabuiú, Iguatu, Acopiara, Cedro, Icó, Crato, Pedra Branca e Milhã.

“Eu tive a opção de viver de riqueza, mas a minha missão é essa, a missão que ele [Deus] me confiou foi de ser um instrumento seu”, finaliza.

 

A comunidade Mariana Boa Semente atua na formação de religiosos, bem como a interação de fiéis no processo de experiência pessoal com Deus, por meio da  renovação carismática. (FOTO: Arquivo pessoal)

A comunidade Mariana Boa Semente atua na formação de religiosos, bem como a interação de fiéis no processo de experiência pessoal com Deus, por meio da renovação carismática. (FOTO: Arquivo pessoal)

 

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Após “chamado”, dentista abandona a profissão para criar e se dedicar a comunidade católica

Há 21 anos, um homem que tinha tudo para viver uma vida de riquezas materiais e sucesso profissional largou tudo isso após um chamado divino

Por Marianna Gomes em Perfil

4 de maio de 2015 às 08:00

Há 4 anos
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Antonio de Pádua, 47 anos, nascido e ainda morador da cidade de Quixeramobim, Sertão Central do Ceará exerceu o ofício por 10 anos e fez seu nome em sua cidade. (FOTO: Reprodução)

Há 21 anos, um homem que tinha tudo para viver uma vida de riquezas materiais e sucesso profissional largou tudo isso após um chamado divino. Dentista de prestígio em Quixeramobim, no interior do Ceará, Antônio de Pádua, 47 anos, exerceu o ofício por 10 anos e fez seu nome no município. Dinheiro não era problema em sua vida, mas faltava um coisa que fazia tudo isso não ter valor algum: Deus.

De homem de negócios a homem de Deus

Formado em Odontologia pela Universidade Federal do Ceará , casado e com três filhos, Pádua nunca teve uma vida religiosa ativa. Católico, pouco frequentava as missas da paróquia de Santo Antônio, em sua cidade. “Eu não tinha participação ativa na igreja, ia à missa aqui e ali, achava muito monótona”, afirma.  Trabalhava na cidade como dentista, tanto em clínica particular, como no serviço público.

Buscando melhorar ainda mais sua já estável vida financeira, Antônio passou a investir no ramo de marketing de rede, conciliando com o a profissão de dentista. Na 1ª apresentação do plano de negócio, a ideia de multiplicar seus lucros tornou-se irresistível,  e  logo Antônio embarcou de vez no novo ramo.

Era algo crescente e muito envolvente. Quase uma 'lavagem cerebral'. Aos poucos você só pensa no negócio e passa a ver as pessoas como oportunidade de crescimento

A partir daí, Antônio já estava ministrando grandes reuniões em Quixeramobim e região, capacitando pessoas e criando um círculo de contatos ainda maior do que sua carreira de dentista havia lhe proporcionado. O sucesso era inegável.

Mesmo com todo progresso daquela vida promissora, de reconhecimento e bens materiais, algo ainda faltava na vida de Antônio, uma coisa que ele não sabia identificar. Foi então que, em 1994,  ao ser convidado para um fórum de capacitação de sua empresa em Fortaleza, de forma inusitada, achou o que precisava no evento católico ‘Queremos Deus’, no estádio Castelão . “Eu ia participar de uma reunião, quando um casal, também da empresa, disse que essa vida voltada apenas para o dinheiro estava os afastando de Deus, então eles me chamaram para ir para o evento. Era na mesma hora da reunião. Aquele era um momento crucial na minha carreira, mas eu preferi ir para aquele encontro. Foi o começo de tudo”.

“Quando eu cheguei e vi aquela multidão, louvando a Deus a uma só voz senti um choque de alegria que me consumiu de uma forma inexplicável”. Na ocasião, ele lembra que foi “tocado” com a canção religiosa “Em nome do Pai”, do Padre Marcelo Rossi, que faz referência a santíssima trindade da Igreja Católica: Pai, Filho e Espírito Santo. “Nesse momento eu percebi que eu não estava ali à toa, e que Deus havia me chamado”, relembra.

O novo caminho

Antônio largou uma vida profissional de sucesso para servir inteiramente a Deus. (FOTO: Divulgação)

Antônio largou uma vida profissional de sucesso para servir inteiramente a Deus. (FOTO: Divulgação)

Quando voltou a Quixeramobim, Antônio estava certo de que aquele chamado era um pedido de Deus, que estava lhe mostrando sua missão na Terra: espalhar a palavra, assim como Jesus. “Não tinha nada muito pretensioso, queria saber como podia ajudar a paróquia de alguma forma”.

Foi então que pediu orientação do pároco da igreja e passou a atuar na área de comunicação, mais especificamente na rádio, onde possuía um conhecimento básico. “Passei a  chamar os fiéis para participarem de ensaios dos cânticos da missa. No 1º dia vieram 10 pessoas, no segundo 50, com o passar dos dias a igreja foi ficando lotada”, conta. A partir daí seu convívio com a religião, a igreja e aos ensinamentos foi se fortalecendo cada vez mais.

Em 1997, Antônio tomou uma decisão radical, que mudaria sua vida para sempre. Para ele, algo precisava ser criado naquela cidade, além da igreja,  para formar e informar as pessoas ainda mais sobre a presença de Deus e Jesus Cristo. Teve então a ideia de criar uma comunidade de renovação carismática católica, prática baseada na experiência pessoal com Deus e os dons do Espírito Santo, assim como ele teve.

“Eu tive a opção de viver de riqueza, mas a minha missão é essa, a missão que Deus me confiou foi de ser um instrumento seu”. (Antônio de Pádua, criador da comunidade Mariana Boa Semente)

“Larguei de vez o ofício de dentista, o de representante durou alguns meses, apenas. Depois disso, eu, minha esposa e  quatro jovens, por um ano, deixamos nossas casas e ofícios para realizar um trabalho missionário a fim de criar uma comunidade que formasse religiosos e pessoas que queriam desenvolver os dons do Espírito”. Com orientação da paróquia e do então bispo da época Dom Adélio Tomasin, nascia a comunidade Mariana Boa Semente.

Do chamado divino à obra religiosa

Após a conversão, a rotina de Antônio, antes agitada  em um consultório cheio de pacientes ou reuniões com clientes foi substituída por dias de oração e adoração. “Começo o dia com um momento de reflexão da palavra, seguida das atividades voltadas para obra. O dia é finalizado com a missa, participo todos os dias”, relata.  “No começo minha família teve uma certa inquietação com a grande novidade, mas aceitaram, acreditando na seriedade na minha decisão”, comenta. O “pagamento”, hoje, é a vida de felicidade plena em contato com sua espiritualidade.

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Após a conversão, a rotina de Antônio, antes agitada em um consultório cheio de pacientes ou reuniões com clientes foi substituída por dias de oração e adoração. (FOTO: Reprodução)

Hoje a Comunidade Mariana Boa Semente conta com 153 membros efetivos e em formação. A comunidade é mantida por meio da ajuda de alguns fiéis e por doações da população. Seu objetivo principal é a formação religiosa, tanto para quem decidir viver para Deus em sua plenitude – como padres e freiras, que recebem auxílio dos párocos- , como para ter uma vida cristã ativa, como Antônio. “Dois tipos de fiéis, fora os religiosos de hábito, compõem a associação: os da comunidade  de aliança, onde os membros tem as responsabilidades cristãs de forma parcial, trabalham fora da comunidade e tem suas casas próprias; e a comunidade de vida, que eu faço parte, onde toda a vida e trabalho é voltada para a comunidade”, explica.

Hoje, Antônio mora na casa geral da comunidade com sua família, em Quixeramobim.  O local possui ainda uma estrutura complementar que abriga as irmãs marianas. “A igreja nos ajuda dar um formato no processo de conversão. Vários padres e freiras já saíram daqui”, comemora.

Além de Quixeramobim e Fortaleza, os discípulos da Boa Semente estão nas cidades de Quixadá, Banabuiú, Iguatu, Acopiara, Cedro, Icó, Crato, Pedra Branca e Milhã.

“Eu tive a opção de viver de riqueza, mas a minha missão é essa, a missão que ele [Deus] me confiou foi de ser um instrumento seu”, finaliza.

 

A comunidade Mariana Boa Semente atua na formação de religiosos, bem como a interação de fiéis no processo de experiência pessoal com Deus, por meio da  renovação carismática. (FOTO: Arquivo pessoal)

A comunidade Mariana Boa Semente atua na formação de religiosos, bem como a interação de fiéis no processo de experiência pessoal com Deus, por meio da renovação carismática. (FOTO: Arquivo pessoal)