Jardineiro da sede do governo transforma restos de árvores em esculturas que retratam o Sertão


Artista anônimo, jardineiro da sede do governo transforma restos de árvores em esculturas

As esculturas produzidas por Eduardo Ângelo são expostas na Avenida Barão de Studart, em frente ao Palácio da Abolição, sob sol e chuva

Por Roberta Tavares em Perfil

25 de setembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Eduardo Ângelo usa materiais cujo destino seriam o lixo, para produzir esculturas que chamam a atenção das pessoas (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Eduardo Ângelo usa materiais cujo destino seriam o lixo, para produzir esculturas. (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Das mãos que podam árvores e desabrocham flores no Palácio da Abolição, em Fortaleza, nascem as artes que manifestam as raízes do sertão nordestino. Jardineiro da sede do governo do Ceará, Luís Eduardo Ângelo da Silva, de 50 anos, transforma galhos de carnaúba, madeiras, arames, plásticos e tampas de garrafas em verdadeiras esculturas, que dão vida à Avenida Barão de Studart, no Bairro Aldeota.

“Sou jardineiro desde 1996. Trabalhava no Palácio de Iracema, quando caiu uma árvore centenária, e o pessoal começou a jogar os galhos fora. Foi aí que despertou a ideia de que um dos galhos, com forma de ‘Y’, poderia ser transformado em alguma coisa”, lembra. Colocou o material no chão e a imaginação para trabalhar. De repente, aparecem braços e pernas, como uma pessoa. Em pouco tempo, arco e fecha. “E acabou surgindo um índio. Não parei mais. Depois veio pescador, sanfoneiro, agricultor, banda de música”, completa.

Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário. “Qualquer coisa que vejo, eu pego”. De forma original, cria peças de beleza única e rústica, que chamam a atenção de quem trafega na avenida, entre as Ruas Dr. Castro Medeirinhos e Tenente Amauri Pio. São mais de 50 esculturas expostas ao ar livre, faça sol ou faça chuva. Uma verdadeira galeria de arte, que contrasta com o moderno projeto arquitetônico do monumental palácio.

Filho de artesã, a inspiração do autodidata Eduardo Ângelo vem da vivência na cidade de Pentecoste, distante 100 quilômetros da capital. No Sertão, o jardineiro já utilizava as mãos como meio de sobrevivência: pescava, capinava, plantava, carregava água em galões, e foram as lembranças da juventude as responsáveis pelas invenções do escultor, que se mudou para Fortaleza à procura de oportunidades. Chegando à Terra do Sol, encontrou algo mais: esposa, filha e a paixão pelo artesanato.

“Dos meus 10 até os 20 anos, trabalhei na roça. Todas as esculturas foram brotando da época em que morei lá. Costumo dizer que eu saí do Sertão, mas o Sertão não saiu de mim”, diz, apontando para o chapéu de cangaceiro que utiliza diariamente para trabalhar e o faz lembrar Luiz Gonzaga, o ‘Rei do Baião’.

“Costumo dizer que eu saí do Sertão, mas o Sertão não saiu de mim” (Eduardo Ângelo, jardineiro e escultor nas horas vagas)

Lampião e Maria Bonita também fazem parte do cenário (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Lampião e Maria Bonita também fazem parte do cenário. (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

No jardim da sede do governo, Eduardo permanece por oito horas. Apesar de o expediente iniciar às 7h, o jardineiro faz questão de chegar às 5h30. O objetivo é apenas um: procurar material para fazer as esculturas. Aproveita o horário de almoço para trabalhar a criatividade e produzir imagens incríveis.

Obras variadas

“Esse intervalo é só mesmo para fazer isso. Enquanto alguns descansam, eu já estou fazendo outro trabalho”, brinca. Gasta cerca de duas horas para criar um de seus personagens. Os maiores e mais elaborados precisam, as vezes, de dias para ficar prontos. Dentre as obras, existem agricultores, sertanejos com baldes d’água na cabeça, pescadores, casal de namorados, uma banda de música (intitulada “Carnaúba do Sertão”), passarinhos, cachorros, jumentos, Lampião e Maria Bonita, e até uma versão de “O Pensador”, inspirado em uma das famosas esculturas do escultor francês Auguste Rodin.

Para mim, eles são reais. Eu vejo até a banda andando, tocando, na minha imaginação. É bom sempre ver as coisas com um pouco de humor”, conta empolgado, ao mesmo tempo em que apresenta com simpatia e orgulho todas as obras expostas, uma por uma. E ele admite já ter feito mais de mil peças, que vão se deteriorando com o tempo. “Quando começam a se decompor, eu raspo com facão e dou outra vida ao personagem, para não perder material”.

A finalidade de embelezar e dar vida à avenida tão movimentada é alcançada diariamente. Amigos apontam e sorriem. Passageiros de ônibus viram o rosto e observam o meio-fio, que abriga o verdadeiro Sertão. Turistas param e tentam descobrir com os policiais quem é o autor de tamanha engenhosidade. “É o jardineiro do Palácio’, as pessoas até se admiram. Eu fui chamado e nem entendi o que eles estavam falando. Fiquei todo embaralhado, mas muito satisfeito. Porque até as pessoas de fora estão gostando. Espero que, um dia, eu possa viver a custa disso”.

Ele garante que faz tudo por amor; com o objetivo de, quem sabe, arrancar uma gargalhada de quem passa apressado por ali. Mesmo sem divulgação do trabalho, Eduardo já recebeu pedido de encomendas e cobrou apenas o valor da mão de obra, em torno de R$ 20. “Uma vez fiz um presépio de Natal. Ficou lindo demais”, lembra.

Frequentando o jardim da sede do poder há 19 anos, nunca recebeu pessoalmente qualquer estímulo de um político, apesar do desejo de expor as peças em locais especializados, onde possam ser vistas e vendidas. “Aquele [aponta para um personagem], passando um verniz, fica uma coisa bonita, né? Quando eu me aposentar, terei mais tempo e dedicação. Está demorando alguém dar a mão, mas a minha esperança nunca vai morrer”. Afinal, a satisfação está bem ali à frente, quando um motorista desacelera o carro, em pleno meio-dia, para fotografar a criatividade do jardineiro.

Confira as obras de arte de Eduardo Ângelo:

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Chapéu de cangaceiro, óculos escuros e sorriso no rosto. Jardineiro é conhecido por moradores pelas esculturas que expõe em frente ao Palácio da Abolição (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Eduardo Ângelo já fez mais de mil peças, que vão se deteriorando. Para não perder material, ele modifica os próprios personagens (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

No jardim do sóbrio Palácio da Abolição, Eduardo permanece por oito horas (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Filho de artesã, a inspiração do autodidata Eduardo Ângelo vem da vivência na cidade de Pentecoste, distante 100 quilômetros da capital (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Filho de artesã, a inspiração do autodidata Eduardo Ângelo vem da vivência na cidade de Pentecoste, distante 100 quilômetros da capital (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Filho de artesã, a inspiração do autodidata Eduardo Ângelo vem da vivência na cidade de Pentecoste, distante 100 quilômetros da capital (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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Peças são expostas na Avenida Barão de Studart, em Fortaleza. Permanecem no meio-fio, faça chuva, faça sol (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Peças são expostas na Avenida Barão de Studart, em Fortaleza. Permanecem no meio-fio, faça chuva, faça sol (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

A finalidade é embelezar e dar vida à avenida tão movimentada (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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A finalidade é embelezar e dar vida à avenida tão movimentada (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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A finalidade é embelezar e dar vida à avenida tão movimentada (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Jardineiro encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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Jardineiro encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO

Peças são expostas na Avenida Barão de Studart, em Fortaleza. Permanecem no meio-fio, faça chuva, faça sol (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Artista anônimo, jardineiro da sede do governo transforma restos de árvores em esculturas

As esculturas produzidas por Eduardo Ângelo são expostas na Avenida Barão de Studart, em frente ao Palácio da Abolição, sob sol e chuva

Por Roberta Tavares em Perfil

25 de setembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Eduardo Ângelo usa materiais cujo destino seriam o lixo, para produzir esculturas que chamam a atenção das pessoas (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Eduardo Ângelo usa materiais cujo destino seriam o lixo, para produzir esculturas. (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Das mãos que podam árvores e desabrocham flores no Palácio da Abolição, em Fortaleza, nascem as artes que manifestam as raízes do sertão nordestino. Jardineiro da sede do governo do Ceará, Luís Eduardo Ângelo da Silva, de 50 anos, transforma galhos de carnaúba, madeiras, arames, plásticos e tampas de garrafas em verdadeiras esculturas, que dão vida à Avenida Barão de Studart, no Bairro Aldeota.

“Sou jardineiro desde 1996. Trabalhava no Palácio de Iracema, quando caiu uma árvore centenária, e o pessoal começou a jogar os galhos fora. Foi aí que despertou a ideia de que um dos galhos, com forma de ‘Y’, poderia ser transformado em alguma coisa”, lembra. Colocou o material no chão e a imaginação para trabalhar. De repente, aparecem braços e pernas, como uma pessoa. Em pouco tempo, arco e fecha. “E acabou surgindo um índio. Não parei mais. Depois veio pescador, sanfoneiro, agricultor, banda de música”, completa.

Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário. “Qualquer coisa que vejo, eu pego”. De forma original, cria peças de beleza única e rústica, que chamam a atenção de quem trafega na avenida, entre as Ruas Dr. Castro Medeirinhos e Tenente Amauri Pio. São mais de 50 esculturas expostas ao ar livre, faça sol ou faça chuva. Uma verdadeira galeria de arte, que contrasta com o moderno projeto arquitetônico do monumental palácio.

Filho de artesã, a inspiração do autodidata Eduardo Ângelo vem da vivência na cidade de Pentecoste, distante 100 quilômetros da capital. No Sertão, o jardineiro já utilizava as mãos como meio de sobrevivência: pescava, capinava, plantava, carregava água em galões, e foram as lembranças da juventude as responsáveis pelas invenções do escultor, que se mudou para Fortaleza à procura de oportunidades. Chegando à Terra do Sol, encontrou algo mais: esposa, filha e a paixão pelo artesanato.

“Dos meus 10 até os 20 anos, trabalhei na roça. Todas as esculturas foram brotando da época em que morei lá. Costumo dizer que eu saí do Sertão, mas o Sertão não saiu de mim”, diz, apontando para o chapéu de cangaceiro que utiliza diariamente para trabalhar e o faz lembrar Luiz Gonzaga, o ‘Rei do Baião’.

“Costumo dizer que eu saí do Sertão, mas o Sertão não saiu de mim” (Eduardo Ângelo, jardineiro e escultor nas horas vagas)

Lampião e Maria Bonita também fazem parte do cenário (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Lampião e Maria Bonita também fazem parte do cenário. (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

No jardim da sede do governo, Eduardo permanece por oito horas. Apesar de o expediente iniciar às 7h, o jardineiro faz questão de chegar às 5h30. O objetivo é apenas um: procurar material para fazer as esculturas. Aproveita o horário de almoço para trabalhar a criatividade e produzir imagens incríveis.

Obras variadas

“Esse intervalo é só mesmo para fazer isso. Enquanto alguns descansam, eu já estou fazendo outro trabalho”, brinca. Gasta cerca de duas horas para criar um de seus personagens. Os maiores e mais elaborados precisam, as vezes, de dias para ficar prontos. Dentre as obras, existem agricultores, sertanejos com baldes d’água na cabeça, pescadores, casal de namorados, uma banda de música (intitulada “Carnaúba do Sertão”), passarinhos, cachorros, jumentos, Lampião e Maria Bonita, e até uma versão de “O Pensador”, inspirado em uma das famosas esculturas do escultor francês Auguste Rodin.

Para mim, eles são reais. Eu vejo até a banda andando, tocando, na minha imaginação. É bom sempre ver as coisas com um pouco de humor”, conta empolgado, ao mesmo tempo em que apresenta com simpatia e orgulho todas as obras expostas, uma por uma. E ele admite já ter feito mais de mil peças, que vão se deteriorando com o tempo. “Quando começam a se decompor, eu raspo com facão e dou outra vida ao personagem, para não perder material”.

A finalidade de embelezar e dar vida à avenida tão movimentada é alcançada diariamente. Amigos apontam e sorriem. Passageiros de ônibus viram o rosto e observam o meio-fio, que abriga o verdadeiro Sertão. Turistas param e tentam descobrir com os policiais quem é o autor de tamanha engenhosidade. “É o jardineiro do Palácio’, as pessoas até se admiram. Eu fui chamado e nem entendi o que eles estavam falando. Fiquei todo embaralhado, mas muito satisfeito. Porque até as pessoas de fora estão gostando. Espero que, um dia, eu possa viver a custa disso”.

Ele garante que faz tudo por amor; com o objetivo de, quem sabe, arrancar uma gargalhada de quem passa apressado por ali. Mesmo sem divulgação do trabalho, Eduardo já recebeu pedido de encomendas e cobrou apenas o valor da mão de obra, em torno de R$ 20. “Uma vez fiz um presépio de Natal. Ficou lindo demais”, lembra.

Frequentando o jardim da sede do poder há 19 anos, nunca recebeu pessoalmente qualquer estímulo de um político, apesar do desejo de expor as peças em locais especializados, onde possam ser vistas e vendidas. “Aquele [aponta para um personagem], passando um verniz, fica uma coisa bonita, né? Quando eu me aposentar, terei mais tempo e dedicação. Está demorando alguém dar a mão, mas a minha esperança nunca vai morrer”. Afinal, a satisfação está bem ali à frente, quando um motorista desacelera o carro, em pleno meio-dia, para fotografar a criatividade do jardineiro.

Confira as obras de arte de Eduardo Ângelo:

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Chapéu de cangaceiro, óculos escuros e sorriso no rosto. Jardineiro é conhecido por moradores pelas esculturas que expõe em frente ao Palácio da Abolição (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Eduardo Ângelo já fez mais de mil peças, que vão se deteriorando. Para não perder material, ele modifica os próprios personagens (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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No jardim do sóbrio Palácio da Abolição, Eduardo permanece por oito horas (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Filho de artesã, a inspiração do autodidata Eduardo Ângelo vem da vivência na cidade de Pentecoste, distante 100 quilômetros da capital (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Filho de artesã, a inspiração do autodidata Eduardo Ângelo vem da vivência na cidade de Pentecoste, distante 100 quilômetros da capital (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Filho de artesã, a inspiração do autodidata Eduardo Ângelo vem da vivência na cidade de Pentecoste, distante 100 quilômetros da capital (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Peças são expostas na Avenida Barão de Studart, em Fortaleza. Permanecem no meio-fio, faça chuva, faça sol (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Peças são expostas na Avenida Barão de Studart, em Fortaleza. Permanecem no meio-fio, faça chuva, faça sol (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Foram as lembranças da juventude as responsáveis pela criatividade do escultor (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Ele encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

ESCULTURAS RETRATAM O SERTÃO
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A finalidade é embelezar e dar vida à avenida tão movimentada (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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A finalidade é embelezar e dar vida à avenida tão movimentada (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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A finalidade é embelezar e dar vida à avenida tão movimentada (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Jardineiro encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Jardineiro encontra na generosa natureza todo o material necessário para a produção. “Qualquer coisa que vejo, eu pego” (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

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Peças são expostas na Avenida Barão de Studart, em Fortaleza. Permanecem no meio-fio, faça chuva, faça sol (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)