Campeã em olimpíadas, paulista de 16 anos escolhe morar em Fortaleza para se preparar melhor para o vestibular


Campeã em olimpíadas, paulista de 16 anos escolhe morar em Fortaleza para se preparar melhor para o vestibular

Letícia Souza mora em Fortaleza desde fevereiro de 2014 e diz que, na cidade, encontrou uma estrutura para estudo muito melhor

Por Renata Monte em Perfil

6 de novembro de 2014 às 08:00

Há 5 anos
O laboratório de física é como a segunda casa da estudante. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

O laboratório de física é como a segunda casa da estudante. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Acordar às 7h, chegar ao colégio às 9h e passar o resto da manhã estudando no laboratório. Ter aula de 13h às 19h, voltar ao laboratório e estudar mais até às 21h. Essa é a rotina de Letícia Pereira de Souza, de 16 anos, que trocou São Paulo por Fortaleza, para batalhar pelo sonho de se tornar pesquisadora em biologia molecular.

Campeã em olimpíadas estudantis, a jovem reduziu sua carga de estudo para “apenas” 10h por dia. As madrugadas voltaram a ser somente para dormir. A adolescente deixou a família em Pindamonhagaba e vive no Ceará desde fevereiro de 2014. Ela conta que escolheu morar em Fortaleza, porque aqui encontrou uma escola que oferecia uma estrutura que a incentivasse a estudar mais.

Apesar da pouca idade, a menina já pode ser considerada uma “atleta” em olimpíadas de conhecimento, tendo conquistado 12 medalhas e duas menções honrosas nas áreas de biologia, química, física e astronomia. “Aqui [na escola] tenho bons professores, laboratórios e biblioteca que me permitem estudar bastante. Fora isso, tem uma coisa diferente de onde eu morava: os alunos são extremamente focados nos estudos“, conta.

Letícia quer ser cientista e estudar biologia molecular. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Letícia quer ser cientista e estudar biologia molecular. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

A adolescente não sonha baixo. Quando terminar o Ensino Médio, em 2015, tentará ser aprovada na California Institute of Technology (Caltech), na Califórnia, ou na Universidade de Columbia, em Nova York, por oferecer um amplo espaço para pesquisas científicas.

Caso isso não aconteça, Letícia já tem um plano B: vai tentar passar no vestibular na Universidade de São Paulo (USP), no curso de Ciências Físicas e Biomoleculares. “É o curso que mais se aproxima dessa área de cientista. Um curso interdisciplinar, onde eu posso estudar Biologia dentro da Física, Física dentro da Química, por exemplo, e isso é o que eu quero”, explica.

O lado negativo é sempre a saudade dos pais, que não vê há mais de quatro meses. “É doideira morar só!”, conta Letícia sobre a mudança que viveu em 2014. “No começo, era incrivelmente complicado. Em São Paulo, eu também passava a maior parte do tempo na escola, mas quando eu voltava pra casa, ainda tinha minha família. Aqui, eu tenho que me virar, fazer compras, guardar dinheiro – o que me deu um senso de responsabilidade muito grande.

Saudade à parte, a campeã olímpica diz que não poderia perder a oportunidade de morar em Fortaleza. “Mesmo com os ‘contras’, os ‘prós’ são sempre maiores”. Começou a competir ainda pequena. A vontade surgiu ao ver os cartazes dos vencedores de olimpíadas. “É uma experiência incrível. Você se testa e vê que é capaz de representar seu estado ou seu país. Eu me preparo muito pra isso”, afirma.

Através das olimpíadas, Letícia já foi à Índia, participar da International Junior Science Olympiad, e ao México, sua mais recente vitória. Em setembro passado, a competidora trouxe uma medalha de ouro para o Brasil, na Olimpíada Ibero Americana de Biologia. “É um mar de ideias novas, com pessoas que estudam a mesma coisa que você. É muito bom!”, relata.

Em Fortaleza, quando não está estudando, Letícia costuma assistir filmes e seriados, jogar RPG e andar de patins na Beira Mar com os amigos que fez. A menina mora em uma residência estudantil próxima ao colégio e divide quarto com uma amiga. Todos os estudantes ficam sob a responsabilidade da dona do pensionato e da escola.

Daniel Chacon, coordenador da escola onde Letícia estuda, é uma espécie de pai postiço e tutor da menina. Garimpando os melhores estudantes do Brasil pelos resultados de destaques em olimpíadas, encontrou a adolescente. Como São Paulo já não satisfazia os interesses da estudante, Chacon a convidou para morar em Fortaleza com tudo pago. “Demos toda a estrutura e suporte pra ela desenvolver suas aptidões. É uma menina doce e muito esforçada”.

No Brasil ou fora dele, a futura bióloga vai voar alto, mas o fato é que o estado do Ceará está repleto de Letícias com um futuro tão brilhante quanto o da paulista.

ATLETA EM OLIMPÍADAS ESTUDANTIS
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Campeã em olimpíadas, paulista de 16 anos escolhe morar em Fortaleza para se preparar melhor para o vestibular

Letícia Souza mora em Fortaleza desde fevereiro de 2014 e diz que, na cidade, encontrou uma estrutura para estudo muito melhor

Por Renata Monte em Perfil

6 de novembro de 2014 às 08:00

Há 5 anos
O laboratório de física é como a segunda casa da estudante. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

O laboratório de física é como a segunda casa da estudante. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Acordar às 7h, chegar ao colégio às 9h e passar o resto da manhã estudando no laboratório. Ter aula de 13h às 19h, voltar ao laboratório e estudar mais até às 21h. Essa é a rotina de Letícia Pereira de Souza, de 16 anos, que trocou São Paulo por Fortaleza, para batalhar pelo sonho de se tornar pesquisadora em biologia molecular.

Campeã em olimpíadas estudantis, a jovem reduziu sua carga de estudo para “apenas” 10h por dia. As madrugadas voltaram a ser somente para dormir. A adolescente deixou a família em Pindamonhagaba e vive no Ceará desde fevereiro de 2014. Ela conta que escolheu morar em Fortaleza, porque aqui encontrou uma escola que oferecia uma estrutura que a incentivasse a estudar mais.

Apesar da pouca idade, a menina já pode ser considerada uma “atleta” em olimpíadas de conhecimento, tendo conquistado 12 medalhas e duas menções honrosas nas áreas de biologia, química, física e astronomia. “Aqui [na escola] tenho bons professores, laboratórios e biblioteca que me permitem estudar bastante. Fora isso, tem uma coisa diferente de onde eu morava: os alunos são extremamente focados nos estudos“, conta.

Letícia quer ser cientista e estudar biologia molecular. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Letícia quer ser cientista e estudar biologia molecular. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

A adolescente não sonha baixo. Quando terminar o Ensino Médio, em 2015, tentará ser aprovada na California Institute of Technology (Caltech), na Califórnia, ou na Universidade de Columbia, em Nova York, por oferecer um amplo espaço para pesquisas científicas.

Caso isso não aconteça, Letícia já tem um plano B: vai tentar passar no vestibular na Universidade de São Paulo (USP), no curso de Ciências Físicas e Biomoleculares. “É o curso que mais se aproxima dessa área de cientista. Um curso interdisciplinar, onde eu posso estudar Biologia dentro da Física, Física dentro da Química, por exemplo, e isso é o que eu quero”, explica.

O lado negativo é sempre a saudade dos pais, que não vê há mais de quatro meses. “É doideira morar só!”, conta Letícia sobre a mudança que viveu em 2014. “No começo, era incrivelmente complicado. Em São Paulo, eu também passava a maior parte do tempo na escola, mas quando eu voltava pra casa, ainda tinha minha família. Aqui, eu tenho que me virar, fazer compras, guardar dinheiro – o que me deu um senso de responsabilidade muito grande.

Saudade à parte, a campeã olímpica diz que não poderia perder a oportunidade de morar em Fortaleza. “Mesmo com os ‘contras’, os ‘prós’ são sempre maiores”. Começou a competir ainda pequena. A vontade surgiu ao ver os cartazes dos vencedores de olimpíadas. “É uma experiência incrível. Você se testa e vê que é capaz de representar seu estado ou seu país. Eu me preparo muito pra isso”, afirma.

Através das olimpíadas, Letícia já foi à Índia, participar da International Junior Science Olympiad, e ao México, sua mais recente vitória. Em setembro passado, a competidora trouxe uma medalha de ouro para o Brasil, na Olimpíada Ibero Americana de Biologia. “É um mar de ideias novas, com pessoas que estudam a mesma coisa que você. É muito bom!”, relata.

Em Fortaleza, quando não está estudando, Letícia costuma assistir filmes e seriados, jogar RPG e andar de patins na Beira Mar com os amigos que fez. A menina mora em uma residência estudantil próxima ao colégio e divide quarto com uma amiga. Todos os estudantes ficam sob a responsabilidade da dona do pensionato e da escola.

Daniel Chacon, coordenador da escola onde Letícia estuda, é uma espécie de pai postiço e tutor da menina. Garimpando os melhores estudantes do Brasil pelos resultados de destaques em olimpíadas, encontrou a adolescente. Como São Paulo já não satisfazia os interesses da estudante, Chacon a convidou para morar em Fortaleza com tudo pago. “Demos toda a estrutura e suporte pra ela desenvolver suas aptidões. É uma menina doce e muito esforçada”.

No Brasil ou fora dele, a futura bióloga vai voar alto, mas o fato é que o estado do Ceará está repleto de Letícias com um futuro tão brilhante quanto o da paulista.

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